Quem aprende a usar o WhatsApp lendo uma revista de papel?

Quem acompanha uma publicação pequena como o Manual do Usuário nutre algum interesse além da média por tecnologia de consumo e as derivações do tema. São pessoas que provavelmente leem outros sites da área, buscam entender o contexto das notícias, são ávidas por conteúdo aprofundado. E, imagino, há algum tempo não compram revistas de papel.

Não é de hoje que o papel perde espaço para publicações digitais. A vida nunca esteve tão difícil para quem depende primordialmente de tinta e celulose para chamar a atenção (e ganhar o dinheiro) do público. A informação mais recente que encontrei sobre o mercado editorial, de 2011, mostra uma estagnação de mais de uma década — e, com o crescimento vertiginoso do digital, acaba sobrando menos dinheiro para bancar aquele mercado. Uns tentam negar a tendência óbvia e subverter números para justificar um cenário inexistente — em resumo, deliram. Outros, mais sensatos, já aceitaram a derrocada do papel e buscam se adaptar à nova realidade digital. (mais…)

Troca de mensagens entre o atendente da NET e a Ana.
Clique para ampliar.

Receber ligações de operadoras oferecendo serviços que você não tem interesse já é chato demais. Imagine, então, ser assediado pelo atendente via WhatsApp? Foi o que aconteceu com a jornalista Ana Prado, horas depois de receber uma proposta (de plano) de um atendente da NET. (mais…)

Uma pesquisa realizada pelo Opinion Box a pedido do site Mobile Time trouxe algumas constatações interessantes sobre o mercado de apps brasileiro. A mais curiosa é que, se tivessem que escolher apenas um app, mais da metade dos entrevistados (53%) optaria pelo WhatsApp.

A pesquisa, que obteve respostas de 1280 pessoas donas de smartphones (81,4% no Android, 8,7% no Windows Phone, 7,7% no iPhone e 2,2% em “outros”), também mostrou a força do Facebook por aqui. Dos 20 apps mais comuns nas telas iniciais dos entrevistados, os quatro primeiros são da empresa — na ordem: WhatsApp, Facebook, Instagram e Messenger. O Google emplaca vários, também, sendo o YouTube o melhor colocado (5º lugar); quatro bancos estão na lista (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Caixa) e o único jogo é Candy Crush (14º).

Por fim, a pesquisa também perguntou se as pessoas já tinham comprado algum app. O resultado é frustrante para quem vive disso: 84,7% disseram nunca ter desembolsado um tostão nisso. O maior motivo, para 45,8% desse grupo, é “não ver necessidade” para o gasto. É a segunda vez que o Mobile Time realiza essa pesquisa e na primeira, de abril de 2014, a porcentagem de usuários que nunca compraram um app era de 67%.

Dica do leitor Barbaric Boomerang.

Com uma conexão bem lenta, eu fiz ligações gratuitas (e boas!) pelo WhatsApp

Em fevereiro de 2014 o co-fundador e CEO do WhatsApp, Jan Koum, prometeu que o app receberia a função de ligações gratuitas via Internet [paywall] até o fim do ano. Muita coisa aconteceu nos meses seguintes: a compra do app pelo Facebook, o furacão dos avisos de leitura via duplo tique azul e a versão web. Ligações? Nada ainda, pelo menos não oficialmente.

Um ano mais tarde, mês passado, o BGR India publicou com exclusividade telas do recurso de ligações gratuitas no WhatsApp. E sentenciou: o recurso é “um vencedor”, funcionando a contento mesmo em condições ruins. Ainda em testes, no último fim de semana foi a minha vez de ter acesso a ele. Eu falei por voz com outras pessoas pelo WhatsApp e conto, agora, como foi. (mais…)

Como o jovem brasileiro vê e usa as redes sociais

Tornou-se comum ver em sites estrangeiros de tecnologia artigos condenando o Facebook ao ostracismo por causa da suposta falta de interesse dos jovens pela rede social1. A ideia é que se gente com menos de 20 anos não estiver usando seu app ou serviço, nada mais importa e o destino dele é a ruína.

Nos últimos tempos o assunto se intensificou, embora praticamente toda a Internet — incluindo os que estão chegando agora — continue, se não vivendo dentro dos muros azuis de Mark Zuckerberg, pelo menos com um perfilzinho lá. Isso me intriga um bocado, por vários fatores. (mais…)

Como usar o WhatsApp no computador

Alguns padrões que emergem entre os usuários são difíceis de entender. Um deles, para mim, é o uso do WhatsApp como ferramenta de trabalho, principalmente em tarefas que exigem um PC como escrita ou produção de vídeos, ou para gerenciar grupos na faculdade. Quando me vejo na situação, ter que alternar entre o teclado físico do computador e o celular apenas para conversar com alguém da equipe acaba sendo algo extremamente contraproducente. O problema é que quase sempre sou voto vencido na sugestão de uma alternativa.

E não é que elas faltem. A abordagem como a do Telegram e do Slack, com aplicativos móveis e web/desktop, existe e é melhor nesse cenário. Afinal, tenho a comodidade do teclado físico do mesmo dispositivo onde desempenho o trabalho e, de quebra, a companhia do app móvel quando não estou na minha estação. Mas vai convencer o povo. É difícil :-) (mais…)

WhatsApp agora notifica mensagens lidas com o tique duplo azul

Uma das coisas mais chatas e angustiantes do Facebook Messenger agora está presente no WhatsApp: a notificação de mensagem lida. Ela é indicada pelo tique duplo azul, e ainda não está disponível a todos os usuários.

Alguns que já contam com a novidade estranharam e foram à Internet tentar entender. Infelizmente, é isso mesmo, como já diz a documentação de ajuda do WhatsApp(mais…)

Do Orkut ao WhatsApp, como a música brasileira retrata os apps e redes sociais que todos usamos

Desde que os primeiros batuques foram ouvidos a música tem sido usada para, entre outras coisas, exaltar as paixões humanas. Traduzimos em ritmo e poesia as maravilhas naturais do mundo, nossas musas, os grandes heróis e seus feitos; descrevemos épocas, histórias e comportamentos dos mais diversos. Muita gente não vive sem música; não seria exagero dizer que o contrário também é verdadeiro.

Se estendermos o conceito de “tecnologia” para além de bits e pastilhas de silício, o barulho (com o perdão do trocadilho) da sua participação na música é ouvido de longe. Do aprimoramento dos primeiros tambores aos sintetizadores e editores digitais de hoje, essas áreas sempre foram indissociáveis. Não há música sem a tecnologia garantindo a execução, captação e reprodução nos bastidores.

Capa do álbum Leandor & Leonardo Vol. 4, de 1990.
Leandro & Leonardo.

Eventualmente os papéis se misturam e de um suporte ou auxílio, a tecnologia passou a ser o motivo da arte, a temática da narrativa. Isso nos remete ao início do texto: cantamos sobre tudo. É algo tão óbvio que não raramente nos escapa. Quando Leandro & Leonardo cantaram pela primeira vez “Pense em mim, chore por mim, liga pra, não, não liga pra ele”, em 1990, eles colocaram no cancioneiro popular brasileiro uma tecnologia super avançada que, de tão massificada, passou despercebida: o telefone. Àquela altura, fazer ligações já era algo trivial e tal papel coadjuvante, apesar do grande avanço que essa tecnologia representou, se repetiu na letra da música.

A tecnologia de consumo, essa embarcada em smartphones, tablets e outros gadgets contemporâneos, evoluiu a passos largos nas últimas décadas. Nos anos recentes, sua popularidade teve uma guinada sem precedentes. Embora quase 1/3 da população mundial já use smartphones, ele ainda não está tão enraizado como o telefone estava na época em que Pense em mim foi composta. Esse detalhe, porém, não impediu que os compositores começassem a explorar essa nova realidade criando músicas sobre os apps e redes sociais que tanto usamos. (mais…)

WhatsApp enfim permite silenciar grupos por mais de uma semana

Grupos do WhatsApp às vezes torram a paciência, então foi com um misto de surpresa e regojizo que notei, dia desses, a inclusão de um novo período temporal nas opções de silenciar grupos:

https://twitter.com/ghedin/status/505389753261621248

Hoje foi a vez da versão para iPhone receber essa dádiva:

Silenciar grupos por um ano.

E não foi só. A nova versão, 2.11.9, traz arquivamento de conversas de grupos, acrescenta um botão de câmera para acesso rápido na linha de digitação de mensagens e mais recursos na hora de compartilhar fotos, vídeos e localização com contatos. O changelog da App Store está bem completo. Algumas coisas vieram do Android, outras, são exclusivas.

Ah, e tem essa também: o tique e tique duplo não são mais verdes :-/

Não são mais verdes.

Só falta agora o mítico “silenciar por um século“, que é praticamente um eufemismo para sair do grupo sem deixar aquela climão que fazem os remanescentes se perguntarem “mas o que aconteceu com ele? Tá bravo?”

Qual é a da obsessão com os grupos do WhatsApp?

Ultimamente tenho observado o comportamento de amigos e conhecidos no WhatsApp e, desse processo, uma dúvida emergiu: por que essa obsessão com grupos do WhatsApp?

Não é algo restrito aos meus círculos de amizades. Uma pesquisa no Google revela tutoriais e indicações de grupos. Em qualquer grupo no Facebook, não demora muito até alguém propôr a criação de um grupo do WhatsApp, tipo um grupo do grupo. No Twitter, uma pesquisa por “grupos whatsapp” revela as situações mais malucas, como o grupo de DJs que vão às apresentações uns dos outros para se apoiarem (?), e aquelas triviais, como os já tradicionais grupos familiares.

https://twitter.com/FatosDoTwiteiro/status/501505227099734017

https://twitter.com/surtossurreais/status/500828071369670657

https://twitter.com/grossa/status/500452823130447872

A prova irrefutável da penetração dos grupos do WhatsApp na nossa cultura vem do Google Trends, que mede a popularidade de termos consultados no maior buscador do mundo. É notável a supremacia dos grupos do WhatsApp:

Grupos WhatsApp, Grupos Facebook e Comunidades Orkut no Google Trends.

Os grupos do WhatsApp atropelaram os do Facebook quando esses começavam a se estabelecer. Eles estão em um patamar que nem mesmo as comunidades do Orkut, que tinham a favor a falta de concorrência e contra a quantidade menor de usuários, conseguiram alcançar. Tenho a suspeita de que rapidez e o acesso mais difundido a smartphones, dos quais o WhatsApp virou item básico no Brasil, explicam a preferência por ele e a sua recente subida meteórica no gráfico acima.

Da minha experiência, há casos onde a reunião rápida entre algumas contatos faz sentido: em trabalhos acadêmicos, eventos ou para combinar saídas, às vezes é mais fácil fazer tudo por ali. Isso rola bastante, mas parece que só conta uma parte da história. A outra é que o WhatsApp virou uma espécie de fim em si mesmo, um ponto de encontro onde as pessoas estão sempre disponíveis e dispostas a compartilhar.

Isso leva o WhatsApp a extrapolar a sua função nuclear, o bate-papo em tempo real, e se transformar em uma espécie de rede social. As fotos da festa, que já foram maciçamente compartilhadas por e-mail, depois Orkut e Facebook, hoje são trocadas pelo WhatsApp. Vídeos, então… grupos de zoeira são um mini-YouTube, e ainda temos os de pornografia. Casos recentes e de grande repercussão de revenge porn tinham em comum o WhatsApp como canal de disseminação.

https://twitter.com/larissagaldi/status/472470251947716608

Na Ásia, concorrentes como o WeChat abraçaram essa “missão” maior. Eles não oferecem apenas bate-papo; lá, os chineses compram coisas, agendam compromissos, compartilham fotos em perfis e realizam uma série de outras ações através de apps que, originalmente, serviam apenas para conversar. Nesse sentido o WhatsApp é extremamente conservador e, ainda assim, as pessoas não desgrudam dele. Há, portanto, um potencial enorme para o Facebook desenvolvê-lo e aprimorá-lo, ainda que isso o coloque em disputa direta com o seu produto principal. Canibalizar o Facebook ou manter o WhatsApp simples, sob o risco de perder terreno para concorrentes mais completos e se dar por vencido em mercados emergentes, como os asiáticos?

Questões empresariais à parte, o que mais me fascina continua sendo a motivação para criar e continuar em grupos do WhatsApp. Quando surge o assunto grupos do WhatsApp não é difícil alguém citar a função silenciar grupos, ou soltar alguma reclamação sobre um deles ou todos. Mas é raro alguém bancar a crítica e sair dos grupos. O medo de perder alguma coisa fala mais alto, só não mais do que a nossa incapacidade de ficarmos sozinhos.

Talvez, apenas talvez, a vontade de estar neles seja apenas uma forma mais fácil, sem fricção de suprir a cota de pertencimento e contato de que todos precisamos.

https://twitter.com/_aSol/status/503445273847533568

Lauro Jardim, na Veja:

Nada como um ano eleitoral para aguçar a criatividade das pessoas. Se o eleitor já era importunado com mensagens eleitorais no celular, agora as empresas miram o WhatsApp para oferecer planos mirabolantes aos candidatos. A última oferta irrecusável foi enviada por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados.

A empresa que presta o (des?)serviço tem sede em Belém e cobra de sete a onze centavos por mensagem, dependendo do volume contratado — de 500 mil até 10 milhões. A oferta chegou por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados com a garantia de listas de números atualizados em todos os estados. O objetivo é servir de reforço para as campanhas eleitorais.

Dada a popularidade do WhatsApp não é de se espantar que ferramentas do tipo existam. Na verdade demorou para elas aparecerem. Elas provavelmente burlam os termos de uso do serviço; o WhatsApp até oferece um mecanismo de broadcasting, mas ele é limitado a 50 destinatários (no smartphone, pelo menos). Pela rápida pesquisa que fiz aqui, os spammers usam um software chamado WhatsApp Panel, WhatsApp Bot ou WPanel e confiam em proxies para atingir o objetivo.

Pensando pelo lado positivo, de repente esse spam via WhatsApp pode ser uma boa para escolher em quem não votar.

Atualização (20h30): É assim que o spam de um candidato ao governo do Rio de Janeiro chega ao WhatsApp dos eleitores:

https://twitter.com/vinnysacramento/status/494241313559433217

ZapZap, o clone nacional do WhatsApp, é verde e amarelo até a alma

Se você torce o nariz quando ouve alguém dizer “note” para se referir a notebook, “feice” para o Facebook ou “whats” para o WhatsApp, não deve ser nada simpático ao inexplicável “zapzap” que também é usado por muita gente aqui no lugar desse último. Em breve, porém, o que até agora era uma mania boba pode se tornar a maneira certa de falar de um app. Não do WhatsApp, mas do nacional ZapZap.

Ele está no Google Play, tem versão web e o site oficial promete uma no iPhone para breve. O app, criado por Erick Costa, analista de sistemas e desenvolvedor SharePoint de 33 anos, usa o código do Telegram, um app parecido com o WhatsApp e cheio de boas intenções, para oferecer uma experiência com o tempero brasileiro.

Na vibe da Copa do Mundo, o ZapZap é ufanista: todo verde e amarelo, tem como imagem de fundo padrão o escudo da seleção canarinho penta campeã mundial, e traz como ícone dois balões de diálogo nas cores nacionais, com a bandeira do Brasil em um deles.

Tirando as mensagens do app em português e o (discutível) esquema de cores da interface, de resto ele é exatamente idêntico ao app oficial do Telegram:

Print do ZapZap ao lado do Telegram.
ZapZap e Telegram, lado a lado.

Erick Costa, a mente por trás do ZapZap

Conversei brevemente com o Erick via Facebook para tirar algumas dúvidas sobre o ZapZap. Ele diz que o app foi fruto de muito estudo para recompilar o Telegram, e se autointitula como o primeiro brasileiro a alcançar o feito. Ao se deparar com o app pronto, escolheu ZapZap porque precisava de um nome “bem brasileiro”.

Erick conta ainda que durante o desenvolvimento do ZapZap fez algumas melhorias em relação ao Telegram original, quase todas focadas em desempenho — uma das bandeiras do app é ser “o mais rápido do mercado, leve e preparado até para as piores redes de acesso”. Usando os dois apps em paralelo não consegui identificar as alardeadas vantagens salvo a tradução, mas fica aí o registro.

Ícone brasileiríssimo do ZapZap.
ZapZap.

Com 63 mil downloads em um mês no Google Play, o ZapZap já tem uma base se não considerável, digna de nota. Quando perguntado se esse sucesso não teria sido fruto de usuários distraídos que procuram pelo WhatsApp original usando seu apelido genuinamente nacional, Erick foi bem pragmático na resposta: “Acredito que não exista engano. WhatsApp é uma coisa, ZapZap é outra”. Medo de Zuckerberg? Que nada:

“Se [o Facebook] fizer [alguma coisa] acho legal, assim meu aplicativo só ficará mais famoso. Mas ele não tem como, nem a marca dele ainda foi registrada.”

Uma chance ao Telegram

O Telegram ganhou certa notoriedade quando o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. A ideia de que a privacidade no app de mensagens pudesse ficar comprometida sob a nova gerência deu início a uma busca por alternativas.

Com um protocolo seguro, foco em segurança e APIs e código aberto, o Telegram é quase um projeto beneficente dos irmãos milionários Nikolai e Pavel Durov, co-fundadores da VK, maior rede social da Rússia. A história e a missão do Telegram, bem contada neste post do The Verge, é inspiradora. Mas é aquela coisa: ela é solenemente ignorada quando seus amigos o chamam pelo WhatsApp para combinar o bar de sexta ou mandar vídeos e fotos bobos naqueles grupos que vivem no mudo. Migrar uma base gigante e engajada para um app similar, ainda que melhor, é bem difícil.

Nesse sentido o ZapZap pode servir de atalho para o Telegram ganhar presença no país, por mínima que seja. No estágio atual, com 60 mil downloads (quantos continuam usando o app após baixá-lo, ninguém sabe), não faz nem cócegas no WhatsApp, que alega ter 38 milhões de usuários no Brasil. Mas antes 60 mil do que nenhum, certo?

Erick diz não ter planos muito ambiciosos para o ZapZap, apenas continuar atualizando o app para a base já instalada (“virou mania e todo mundo está usando”) e os novos usuários que virão. Com estratégias meio estranhas, como pedir aos usuários para clicarem nos anúncios a fim de fazê-los sumir (?) e sorteios de SIM cards do TIM Beta na página oficial do Facebook, o ZapZap mostra muita brasilidade e malemolência (e um pouco de ingenuidade) até em sua divulgação. Não deve desbancar o WhatsApp, mas é mais um símbolo que corrobora a criatividade do brasileiro, esse cara surreal e divertido.

 

WhatsApp indisponível ilustra o grave problema dos apps ruins para Windows Phone

Se você tem o WhatsApp no Windows Phone, não apague!
Foto: Rodrigo Ghedin.

No último fim de semana o WhatsApp sumiu da loja de apps do Windows Phone sem explicação alguma. Algum tempo depois, os desenvolvedores explicaram ao WPCentral o motivo do sumiço: resolver problemas técnicos. Esse caso ilustra uma situação maior e mais grave na plataforma, a da (falta de) qualidade dos apps.

A justificativa completa do WhatsApp foi a seguinte:

“Infelizmente, devido a problemas técnicos, escolhermos remover o WhatsApp Messenger da plataforma Windows Phone. Estamos trabalhando junto à Microsoft para resolver esses problemas e esperamos retornar à loja rapidamente. Pedimos desculpas aos nossos usuários pela inconveniência temporária.”

Como lembrou o Gizmodo Brasil, é a segunda vez que isso acontece. Em outro post do WPCentral, do final de abril, Daniel Rubino notou que o WhatsApp estava há quatro meses sem receber atualização, qualquer uma, por menor que fosse, no Windows Phone. Descaso que nem de longe é exclusividade desse app.

Usuários reclamam do WhatsApp para Windows Phone.
Comentários ao WhatsApp, na loja de apps do Windows Phone.

Os apps populares chegaram, mas eles decepcionam

Ano passado, quando Instagram e Waze foram liberados para o Windows Phone, disse que ter apps populares era a solução para o sistema ganhar tração. Hoje, pode-se dizer que essa é parte da solução. Com grandes nomes disponíveis e alguns apps alternativos suprindo lacunas (Poki para Pocket, 6snap para Snapchat, por exemplo), não é difícil substituir os mais populares de Android e iPhone na plataforma da Microsoft. Mas substituir à altura? Aí a situação complica.

Curiosamente, são de desenvolvedores independentes, que trabalham geralmente sozinhos e gostam da plataforma, os apps mais bem resolvidos e ativos, como os dois citados acima. Das grandes empresas, costumam perceber apenas indiferença. Há um aparentemente grande esforço para lançar apps, mas a manutenção e o acréscimo de funções que se seguem, ou que deveriam seguir, são bem menos frequentes.

Apps como Instagram, Twitter, WhatsApp, Foursquare e Tumblr são, no Windows Phone, experiências inferiores, passageiros de segunda classe. Não recebem atualizações, não ganham novos recursos, com sorte continuam funcionando. E funcionando mal, porque já de início eles não oferecem a mesma qualidade que em outras plataformas mais maduras.

De quem é a culpa? Conversei com o Guilherme Manso, entusiasta do Windows Phone, para tentar entender o que ocorre. Ele apontou alguns problemas, como o posicionamento do sistema ante os concorrentes em um distante terceiro lugar, o baixo investimento das empresas em desenvolvedores e designers especializados em Windows Phone, o uso de ferramentas de conversão automática que geram apps feios ou lentos — muitas vezes, ambos. Não é um problema simples ou fácil de se resolver.

Um longo e trabalhoso processo

Ter uma presença tão ampla quanto a Microsoft tem também parece afetar indiretamente o sistema. Críticas à falta de apoio da empresa costumam aparecer aqui e ali. Nesta, Bryan Biniak, então VP da Nokia responsável por fomentar o desenvolvimento de apps, disse:

“Para dar-lhe uma razão para mudar [para o Windows Phone], preciso ter certeza de que os apps com os quais você se importa não só estejam no seu dispositivo, mas que sejam melhores. Também preciso oferecer experiências únicas que você não obtém em outros dispositivos.”

Antes, ele aponta o Xbox como exemplo positivo do que deve ser feito. A exemplo do Windows Phone, o video game da Microsoft também chegou atrasado à festa — bem atrasado, quase dez anos em relação à Sony e algumas décadas depois da Nintendo. Oferecer conectividade via Internet como parte indissociável do pacote e grandes jogos exclusivos, como Halo, ajudaram a alavancar a popularidade do console.

Cadê o Halo do Windows Phone? Que recurso único ele tem que nenhum outro oferece? Pois é.

Em um AMA recente no Reddit, Joe Belfiore, VP corporativo de Windows Phone e o cara do sistema dentro da Microsoft, detalhou as dificuldades para trazer apps ao Windows Phone, um relato sincero e coeso:

“Apps, como a maioria das coisas no desenvolvimento de software, são uma maratona, não uma corrida curta. E não estou dizendo que chegamos lá — como você [o autor da pergunta] aponta, existe trabalho a ser feito. Fundamentalmente, os ISVs [desenvolvedores] que escrevem esses apps estão fazendo decisões de negócio sobre como eles podem fazer mais dinheiro — e na medida em que o WP cresce, e que a Microsoft investe tempo e dinheiro em apps, e que a plataforma se torna melhor/mais forte… mais e mais apps têm aparecido.

Então — estando no terceiro lugar, é mais difícil para nós conseguirmos esses apps –, mas acho que temos feito grandes progressos nos últimos dois anos. Não estamos descansando sobre nossas glórias. Nós (e não apenas nós… eu) estamos visitando os ISVs, procurando ideias que possam ajudá-los a crescer seu volume e engajamento entre usuários, oferecendo a eles fundos e ajuda no desenvolvimento — e em alguns casos, estamos alocando até nossos próprios times/desenvolvedores para escrevermos nós mesmos os apps.

Você está vendo esses resultados através de apps conhecidos APARECENDO (Instagram, ano passado), e um crescimento nas médias das avaliações da loja [de apps] — observamos TODOS os lados do problema. No momento, estamos focados PRINCIPALMENTE em continuar a OBTER apps-chave — ainda que ultimamente, com mais desses surgindo, tenhamos mudado um pouco em direção a melhorar os atuais.”

De fato não é um trabalho simples, ou fácil, mas o usuário médio, aquele que só quer um smartphone para falar com os amigos via WhatsApp, não compreende (e nem tem o dever) esses problemas internos.

O WhatsApp é do Facebook: por que, o que muda e para onde correr (se quiser) com essa venda

Entre morangos cobertos com chocolate no último Dia dos Namorados, a venda do WhatsApp para o Facebook foi consolidada. Jan Koum, co-fundador e CEO do WhatsApp, não poderia ter aparecido na casa de Mark Zuckerberg em hora mais inoportuna, mas para quem estava disposto a gastar uma bolada com a aquisição da startup, o que é um Dia dos Namorados, certo Zuckerberg? Priscila Chang não deve ter ficado chateada em dividir seus morangos com o novo colega de trabalho do marido.

Essa é apenas uma das histórias surreais que envolvem o WhatsApp, app de troca de mensagens comprado ontem pelo Facebook por astronômicos US$ 19 bilhões — US$ 4 bi em dinheiro, US$ 12 bi em ações e US$ 3 bi, ainda pendentes, em ações restritas a serem distribuídas aos 55 funcionários do WhatsApp nos próximos quatro anos. Isso é quase 10% do valor de mercado do Facebook.

O WhatsApp nunca teve muita divulgação formal e seus fundadores sempre foram discretos, recusando aparições na mídia. Nem uma assessoria de imprensa eles tinham. De acordo com Brian X. Chen, do New York Times, Koum e o outro co-fundador, Brian Acton, dois ex-executivos do Yahoo, encaravam sua startup como a antítese do Vale do Silício. E essa imagem ia muito além do trato com a imprensa.

Em um universo recheado de apps gratuitos, a maioria bancada por anúncios, o WhatsApp despontou como um caso raro de app pago e sustentável. A estrutura é enxuta, os funcionários, poucos e comprometidos. O modelo de negócios dele se baseia em assinaturas anuais de US$ 1, com o primeiro ano (e, em vários casos, até mais) grátis. Parece funcionar bem.

O WhatsApp não é apenas diferente, ele é agressivamente contrário ao modelo predominante baseado em anúncios. Uma das “aparições públicas” mais emblemáticas da empresa se deu neste post do blog oficial, de junho de 2012, em que Koum explica por que o app não veicula anúncios.

“Lembre-se: quando anúncios estão envolvidos você, o usuário é o produto.”

Sem anúncios, sem jogos, sem truques.
Foto: Sequoia Capital.

Em sua mesa, Koum mantém um post-it escrito por Acton (foto ao lado) onde se lê “Sem anúncios, sem jogos, sem truques”. Até agora, eles têm seguido religiosamente esses mandamentos.

A ideia é que, mesmo com o negócio fechado com o Facebook, esse discurso não mude. Veremos essas implicações com mais detalhes a seguir, mas antes, tem a pergunta que não quer calar.

Por que o Facebook pagou tanto pelo WhatsApp?

O WhatsApp era independente, livre de anúncios e super popular, especialmente nos mercados em desenvolvimento. No ano passado, Charles Golvin, da Forrester, disse ao BuzzFeed que “em locais como Brasil, México, Espanha… 25% do tempo que as pessoas gastam nos smartphones, são gastos no WhatsApp. O número varia em cada desses países, mas é dessa magnitude”. Isso é muita coisa.

De lá para cá o ritmo de crescimento do WhatsApp não diminuiu. Continua acelerando, ganhando um milhão de novos usuários por dia. Dependendo dos seus critérios, ele se configura como a rede social que cresceu mais rapidamente na história, superando com folga Twitter, Instagram e o próprio Facebook. Com 450 milhões de usuários, 70% deles ativos diariamente, a curva de crescimento comparada às de outras redes populares impressiona:

Gráfico compara o crescimento do WhatsApp ao de outras redes sociais.
Gráfico: Facebook.

Parece loucura, mas vendo esses números fica claro que o WhatsApp representava uma ameaça ao domínio do Facebook. E o Facebook, como o histórico recente mostra, não dá margem a ameaças. O Instagram, a rede social de fotos preferida de quem tem e fotografa com um smartphone, foi comprada em 2012 por US$ 1 bilhão. O Snapchat também foi alvo dos cofres de Zuckerberg, mas resistiu à oferta US$ 3 bilhões.

Mesmo tendo um app similar (e bom!), o Facebook Messenger, o WhatsApp parte de premissas diferentes das do Facebook e, mais importante, já caiu no gosto do povo. O Facebook Messenger também permite a troca de mensagens diretas a partir da lista de contatos do celular, mas é mais comumente usado para se comunicar com contatos do Facebook, a rede onde estão seus amigos. E seus parentes. E gente que você não vê há décadas e/ou adicionou por mera formalidade. No WhatsApp, na sua lista de contatos do celular, estão pessoas mais próximas, com quem se conversa de fato. Pesa a favor também a disponibilidade: ele funciona em um punhado de plataformas, até no Symbian.

A aquisição também reforça a ideia de apps distintos que o Facebook começou a colocar em prática nesse ano com o Paper. Facebook Messenger, Instagram, Paper e WhatsApp formam um quarteto e tanto. Fragmentar o uso do smartphone em diversos apps não parece ser problema para o Facebook, desde que esses apps sejam do Facebook.

E para quem achou US$ 19 bilhões muita coisa, é interessante contrapor esse valor ao que o SMS, aquele sistema arcaico de troca de mensagens das operadoras, fatura. Em 2013 o SMS teve faturamento recorde de US$ 120 bilhões no mundo inteiro. As previsões mais negativas, como a da Informa, dizem que até 2018 haverá uma queda nesse número, mas mesmo ela se concretizando, o faturamento será de US$ 96,7 bilhões. Em vários locais, para muita gente, o WhatsApp substituiu o SMS. Não é preciso refletir muito para ver o potencial que o WhatsApp tem.

Corram para as colinas? Muita calma

Conversa via WhatsApp.
Mais um.

Não demorou muito para surgirem artigos, tuítes e recomendações para que todos pulemos do barco e procuremos alternativas ao WhatsApp. Elas existem, aos montes — o segmento é um dos mais ativos atualmente, com vários players disputando a atenção dos usuários e seus amigos, ainda que nenhum deles supere o WhatsApp em números brutos.

Mas… calma. Não colocaria a minha mão no fogo pelo futuro do WhatsApp, não diria, agora ou em qualquer outro momento, que nada mudará. Ninguém sabe. Por ora, porém, o tom das declarações oficiais tanto do WhatsApp, quanto do Facebook, é ameno. Eles sabem que não existem muitos fãs que confiam cegamente no Facebook, que a maioria de nós temos um pé atrás com as políticas agressivas de (falta de) privacidade da rede.

No blog oficial do WhatsApp, Koum garantiu:

“Eis o que muda para vocês, nossos usuários: nada.

O WhatsApp continuará autônomo e operando independentemente. Você pode continuar a usufruir do serviço por uma pequena taxa. Você pode continuar usando o WhatsApp não importa em que lugar do mundo esteja, ou qual smartphone estiver usando. E você pode contar com absolutamente nenhum anúncio interrompendo suas conversas. Não haveria uma parceria entre nossas empresas se tivéssemos que comprometer os princípios basilares que sempre definiram a nossa empresa, nossa visão e nosso produto.”

No Facebook, Zuckerberg reforçou a mensagem:

“O WhatsApp continuará a operar independentemente dentro do Facebook. O roadmap do produto permanecerá inalterado e a equipe continuará em Mountain View. Ao longo dos próximos anos, trabalharemos duro para ajudar o WhatsApp a crescer e conectar o mundo inteiro.”

O que pode acontecer depois que a euforia passar e os (supostos) planos maquiavélicos de Zuckerberg forem postos em prática? Nada muito drástico, imagino. Diferentemente do Instagram, que passará a exibir anúncios, o WhatsApp já tem um modelo de negócios que funciona.

Talvez, e lembre-se que estamos no terreno das suposições, aconteça alguma integração discreta e indireta entre as plataformas, como a que ocorreu com o Instagram. O WhatsApp tem um “asset” importante: 450 milhões de números de celular. O Facebook, e não é de hoje, sempre pede esse número aos seus usuários, para facilitar o resgate da conta caso ela seja comprometida e também para somar esses dado ao extenso banco que tem de cada um de nós, usuários.

Não acredito em uma intervenção mais drástica. O público é sensível a mudanças, ainda que muito dessa sensibilidade se reduza a gritaria nas redes sociais — lembra da revolta do Instagram? Não se culpe se não lembrar, ela se foi com a mesma rapidez com que veio e contabilizou poucas baixas. Ainda assim, é melhor não arriscar. E ainda tem Koum, co-fundador e CEO do WhatsApp, que agora é parte conselho do Facebook. Ele seria uma voz forte contrária a mudanças que forem contra a filosofia do app que criou.

Não interessa, não quero saber mais de WhatsApp

Ok, então. E, novamente, não tem culpo: para além do Facebook, o WhatsApp nunca foi um modelo de segurança e privacidade. Protocolos de segurança fracos (ou até inexistentes) são comuns em sua história, ainda que não haja registros de grandes vazamentos.

Existem vários serviços similares por aí, e você deve conhecer alguns mais famosos, como WeChat, Viber, Line e ChatOn. Tem os das antigas também, como BBM e Skype, e o negócio entre Facebook e WhatsApp apenas reforça o quanto BlackBerry e Microsoft se acomodaram nesses últimos anos. Mas, falando de futuro, que tal dar um passo adiante? Já que é para mudar, que mudemos para algo superior.

Existem dois apps que focam em privacidade e têm, nesse apelo, seu diferencial.

Hemlis, o app de mensagens focado em privacidade.
Foto: Hemlis/Reprodução.

O primeiro é o  Hemlis, que significa “segredo” em sueco. Ele tem entre seus co-fundadores Peter Sunde, um dos caras por trás do The Pirate Bay, maior site de compartilhamento de arquivos piratas do mundo.

O Hemlis apareceu durante as revelações do escândalo de espionagem da NSA como uma resposta à falta de privacidade na Internet. Bancado por uma campanha de crowdfunding, a promessa é de um app, com versões para iPhone e Android, que permita a comunicação nos moldes do WhatsApp, mas criptografada. Até agora, mais de sete meses desde o seu anúncio, ele segue como uma promessa.

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Telegram, app de mensagens russo.
Imagens: Telegram/Reprodução.
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O outro, a que fui apresentado ontem (valeu, Rafa!), é o Telegram. O app foi lançado em agosto de 2013 pela Digital Fortress, empresa de Pavel Durov, chamado pela Reuters de “Zuckerberg russo”. Explico: é dele a rede social Vkontakte, a maior da Rússia.

O Telegram, também disponível para iPhone e Android, tem algumas premissas interessantes e faz da privacidade a sua bandeira. A comunicação é criptografada e Durov confia tanto no seu taco que, no começo do mês, ofereceu US$ 200 mil em Bitcoins para quem quebrasse a segurança do serviço.

Mais que isso, o Telegram possui API e protocolo abertos. Os clientes oficiais são de código aberto e, em 2014, Durov prometeu abrir o código que roda no servidor também. Não dá para classificar o Telegram como software livre porque algumas partes do código que permite ao serviço funcionar na nuvem são proprietárias. Aliás, além da comunicação com o intermédio da nuvem, que possibilita acompanhar as conversas em múltiplos dispositivos, o Telegram também possui um modo secreto, em que a comunicação é de ponta a ponta, sem intermediários.

O Telegram parece (não o testei a fundo ainda) uma oferta muito polida e bem desenhada para a troca de mensagens de texto. Pode substituir o WhatsApp? Poderia, mas como migrar essa base de um serviço para o outro? Um app de mensagens, assim como uma rede social não é nada sem pessoas e, no momento, sou o único da minha lista de contatos com o Telegram instalado.

No mundo dos negócios, um tanto de sorte, uma pitada de timing e pequenas doses de outras características que não podem ser compradas ou achadas por aí pesam bastante. O WhatsApp e os US$ 19 bilhões que conseguiu na maior venda de uma startup já registrada estão aí para provar isso.

O que Google e WhatsApp podem fazer para evitar armadilhas como o Balloon Pop 2

Um jogo aparentemente inocente, chamado Balloon Pop 2, foi removido da Play Store pelo Google. Motivo? Ele copiava os históricos de conversas do WhatsApp para um site e permitia que qualquer um visualizasse esses arquivos mediante pagamento. De quem é a culpa?

Graham Cluley descobriu o problema e o divulgou em seu blog pessoal. Só que o “problema”, na visão dos criadores do joguinho, não existe. Tanto que a página do site para onde as conversas são copiadas, o WhatsappCopy, anuncia o Balloon Pop 2 explicitamente como o meio de copiar as conversas para lá.

O Balloon Pop 2 sumiu do Google Play, mas ainda é possível baixá-lo.

Entendo que encarar uma barra de progresso por alguns minutos seja tedioso. A Microsoft, nos primórdios do SkyDrive, oferecia uma bola de praia manipulável com o mouse para que aqueles minutos de upload fossem mais divertidos. Situações diferentes, óbvio, e a do Balloon Pop 2 é, para dizer o mínimo, insustentável.

O jogo não avisa que as conversas estão sendo copiadas. Não avisa sequer que tem alguma relação com o WhatsApp. Segundo Cluley, o Balloon Pop 2 não informa em momento algum, nem na página do Google Play, ter essa funcionalidade de “backup”. O WhatsappCopy diz que se trata disso, de uma ferramenta de backup; na prática, parece uma forma maldosa de conseguir históricos sem que os usuários saibam e, com a posse deles, extorqui-los.

Screenshots do Balloon Pop 2.
Imagem: Graham Cluley.

O Google faz o que pode para protegê-lo de apps como o Balloon pop 2

O Balloon Pop 2 já foi removido do Google Play. O Google tem um arsenal de tecnologias preemptivas com o objetivo de coibir apps maliciosos. Como esse caso exemplifica, ele nem sempre funciona.

Ainda assim, a incidência de código malicioso, considerando o mar de apps existente no Google Play, é pequena. Tanto que uma das boas práticas de segurança no sistema consiste em ficar na loja oficial na hora de baixar novos apps.

De todo modo, é sempre bom desconfiar de apps muito novos, ainda sem avaliações, de desenvolvedores desconhecidos. Embora exista, a triagem do Google Play fica atrás da que Apple, Microsoft e BlackBerry fazem em suas lojas. Há vantagens e desvantagens nessa abordagem mais aberta do Google — uma das desvantagens, você deve ter adivinhado, é a probabilidade maior de furos como esse ocorrerem, além daqueles apps quem parecem mas não são grandes sucessos, como os clones de Angry Birds e Instagram que fazem sabe-se lá o quê.

O Android 4.2 bloqueia apps maliciosos.Ainda que o Google Play fosse imune a apps com segundas intenções, o Android permite a instalação por fora, o “sideloading” de apps. O WhatsappCopy oferece link direto para o APK (instalador) do Balloon Pop 2. Uma indicação para a vítima, e o estrago está feito. Ou estaria, já que a verificação de apps perigosos, presente no Android 4.2 e mais recentes, felizmente já consegue impedir a instalação do jogo.

(A minha intenção era testar o Balloon Pop 2 em um smartphone que não tem, e nem terá antes de um wipe total, o WhatsApp. Parei na tela ao lado porque o app pede acesso a todas as contas cadastradas no Android, o que nesse aparelho em questão inclui Google, Facebook e Twitter. Melhor não arriscar, né?)

O WhatsApp também precisa melhorar

Nada disso aconteceria se o WhatsApp criptografasse direito as mensagens. Até 2011, as conversas eram salvas em texto puro! Ninguém sabe qual padrão de criptografia o serviço usa atualmente, mas há acusações de que sejam protocolos fracos e casos como o do Balloon Pop 2 atestam que, qualquer que seja a técnica usada, ela não é muito eficaz.

O WhatsApp sempre foi um app muito frágil no que diz respeito à segurança. Vineet Bhatia escreveu em maio uma compilação de tropeços do serviço na tentativa de reforçar a privacidade dos usuários. Não mudou muita coisa até hoje, ele continua facilmente hackeável, perigosamente inseguro.

Hemlis, o app de mensagens focado em privacidade.
Foto: Hemlis/Reprodução.

Da popularidade aliada à fragilidade do WhatsApp, alternativas têm surgido. A mais promissora é o Hemlis, “segredo” em sueco. Idealizado por Peter Sunde, co-fundador do The Pirate Bay, o Hemlis tem foco total em privacidade. O projeto foi financiado via Kickstarter e terá apps para Android e iPhone.

A menos que você negocie produtos ilícitos, seja um agente secreto ou leve a sua privacidade muito, mas muito a sério, não há motivo para pânico, nem para abandonar o WhatsApp. Apesar de frágil, é preciso algum conhecimento e muita dedicação para ter acesso a conversas de terceiros. Preocupe-se, e muito, com quem tem lábia boa. Não é de hoje que a engenharia social é a técnica mais bem sucedida no intento de obter informações privadas.