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O bizarro caso de assédio via WhatsApp perpetrado por um atendente da NET

Troca de mensagens entre o atendente da NET e a Ana.
Clique para ampliar.

Receber ligações de operadoras oferecendo serviços que você não tem interesse já é chato demais. Imagine, então, ser assediado pelo atendente via WhatsApp? Foi o que aconteceu com a jornalista Ana Prado, horas depois de receber uma proposta (de plano) de um atendente da NET.

A troca de mensagens, que ela printou e publicou em seu perfil no Facebook, mostra uma abordagem cínica, com frases ameaçadoras (e preocupantes) do tipo “Nos (sic) temos acesso a todos os dados dos clientes.”

Além de machista e inoportuno, o atendente ainda desdenhou a possibilidade de ser processado: “Agora, caso queira me processar ou processar quem quer que seja, fique a vontade… Terei o prazer de ganhar a causa hahahahaha.”

Assédios do tipo, infelizmente, ainda são comuns, mas aqui envolve uma empresa que, bem ou mal, detém informações (teoricamente) privadas de muita gente. Para piorar, outras pessoas relataram casos similares ocorridos nos comentários da postagem original da Ana, como o Rafael: “Cara, aconteceu A MESMISSIMA coisa comigo. E o cara ficou me mandando msg, perguntando se eu gostava de filme porno, se eu era casado, etc. Falei com a ouvidoria da Net e falaram que nunca tinham autorizado contato por Whatsapp..”

Pelo Twitter, o perfil oficial da NET se desculpou pelo ocorrido e prometeu tomar as “devidas medidas quanto à isto.” Entrei em contato com a assessoria da NET pedindo um posicionamento e, em resposta, a empresa disse que irá “apurar e tomar as medidas necessárias.”

Atualização (27/5, às 17h40): A assessoria da NET elaborou e encaminhou ao Manual do Usuário uma nota de esclarecimento sobre o caso relatado acima. Reproduzo-a, abaixo, na íntegra:

“Com base nas informações tornadas públicas pela cliente Ana Prado em 26/05/2015, a NET informa que está averiguando o fato relatado e tomará todas as medidas cabíveis para apurar, identificar e afastar sumariamente qualquer colaborador ou prestador de serviço que faça uso indevido de informações pessoais, confidenciais e sigilosas de nossos clientes;

Estamos, ainda, solicitando à cliente para que faça registro de um Boletim de Ocorrência na Polícia, a fim de que o fato seja apurado também na esfera criminal;

Cumpre ainda esclarecer a todos os nossos clientes que tratamos suas informações pessoais com as mais rigorosas práticas e políticas de proteção ao sigilo. Todos os prestadores de serviços da companhia estão obrigados contratualmente a assegurar a proteção dos dados dos consumidores e são proibidos de utilizar estas informações para qualquer outro fim. Também ficam cientes das sanções contratuais, cíveis e criminais aplicáveis em caso de descumprimento;

Além disso, os colaboradores envolvidos em atividades de atendimento ao cliente têm acesso aos dados estritamente necessários para executar suas funções, sempre de forma individualizada e rastreável.

Atenciosamente
NET

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32 comentários

  1. Poxa, de acordo com a Ana no Facebook dela, ela informou que a NET está pensando em criar um canal de denúncias. Isso seria muito interessante.

    Torcer que para que disso saia algo muito proveitoso.

    Mas que a NET está em gestão de crise agora, está com certeza.

    1. Isso seria tão absurdo que nem dá para considerar. E tem outros detalhes: a vítima é jornalista, sabe o poder que a palavra tem, e outras vítimas se manifestaram nos comentários da postagem original.

      1. Eu concordo que seria muito absurdo. E concordo que não deve ser a primeira e nem a última vez que isso irá acontecer.

        O que eu penso é que nos dias de hoje tudo é passível de adulteração. Nem sempre esperamos uma repercussão tão grande de alguma coisa que iremos fazer ou falar. Não dá para acreditar fielmente que isso é de fato uma verdade.

        1. Depois procuro uma “charge” do Salimena que tem algo sobre isso.

          De fato, concordo contigo. Existe a possibilidade de isto se fake. Só que volta a linha que o Ghedin colocou. Esta denúncia tem um fundamento básico, e ainda pela voz de uma jornalista conhecida por eles e que se há credibilidade.

          O que mutios se esquecem é que tudo é periciável, rastreável. Por mais que alguém apague os dados de um equipamento, é possível recuperar dados. Por mais que se perda as provas de um print como este, ainda há como ir nos servidores do serviço e pedir um log de acesso. Veracidade não se comprova só com palavras, mas com provas sólidas. E isso, a justiça faz uso de seu poder para pedir estas provas. (Por isso a implicância de alguns do Whatsapp não abrir seus dados para a polícia).

  2. A pior coisa é ter que lidar com o ser humano. No Brasil existe toda uma legislação contra empresas, mas, em compensação para essa atitude de funcionários é bem devagar.

  3. Na boa, falando sério mesmo. Um cara desse, mesmo sendo processado e demitido, sempre que tiver oportunidade, vai fazer isso de novo com outras pessoas. Então, não minha opinião, só matando mesmo um cara desses. Sem drama, matar ou ao menos espancar o cara até quebrar vários ossos do corpo. Só na ignorância para um cara desses aprender.

  4. Cara, não acredito que vou escrever isso agora (que é uma frase bem clichê), mas “isso é culpa do ‘machismo'”. Pior que na verdade, queria achar outra palavra para “machismo”. Um termo que preferiria usar seria “cultura arcaica de submissão e dominação sexual”, mas obviamente é meio “tucanês” :p

    Como escrevi ao Thiagones, isso cai em assédio e uso indevido de dados. Dá processo e quem no final ganha a causa é a assediada, não o assediante.

    Só que do jeito que hoje anda o “tribunal da internet”, provavelmente já pegaram os números de celular dos assediantes e começaram a assedia-lo também. Do jeito cínico que ele agiu, deve estar rindo. E se o “tribunal da internet” (ou inquisição popular) começar a cavucar mais, já acha os dados do cara e daqui a pouco vai ter pixação na casa dele e até gente perseguindo-o.

    E não duvido que o mesmo pode acontecer agora com as assediadas também. Há gente que defende “boçalidades” (quem manda o Hermes e Renato inventarem o Boça e banalizarem as boçalidades – ironia aqui :p ) e também farão o mesmo: perseguir as assediadas e tudo mais.

    Não sei se é impressão minha ou estamos chegando em um novo ciclo de falta de respeito as leis e respeito ao próximo. “Olho por olho, dente por dente”.

    1. Um grande “poisé”, lembro do caso da menina que chamou o goleiro de macaco, sim, o que ela fez foi errado, mas ela teve sua casa incendiada, seu carro com os pneus furados e não vai achar um emprego por um bom tempo. O código de Hammurabi está pegando.

  5. Cara… Q absurdo!!! Sabe o que é pior!? Não vai acontecer nada com o malandro… No máximo demissão.

    1. Tem artigo que pode ser usado pela lei para punir o malandro, e advogados podem falar melhor (Ghedin, tem alguma coisa que se lembre dos tempos de faculdade?)

      Mas imagino que caia em uso indevido de dados, assédio e ameaça.

      1. estou levemente descontente com justiça, principalmente a trabalhista.

        Se a NET der um belo JC (justa causa) no indivíduo, será processada por ele e possivelmente vai perder.

        Já a moça do What´s, vai perceber que é mais fácil processar a net que o individuo.

        1. Duvido muito que, caso a NET demita ele por justa causa (ainda acho que ela vai tentar um acordo pra tentar abafar esse caso), ele consiga reverter na justiça trabalhista.

          Qual poderia se a alegação dele com a quantidade de provas que se tem?

          1. pelo pouquinho que vejo as coisas ocorrendo na trabalhista (não sou advogado, mas acompanho casos) é basicamente: a empresa entra pra amenizar o prejuízo. O “trabalhador” já entra ganhando. Isso inclusive está causando um curioso ciclo: trabalhador faz tudo pra ser demitido > ganha o seguro desemprego > processa a empresa > ganha o processo (é rápido) > só volta pro mercado de trabalho alguns meses depois.

            Não que as empresas sejam santinhas, existem casos justos. Mas tem muito, mas muito caso escabroso que o funcionário ganha indenização ou buscam o acordo. A demissão não reverte nesse caso, mas o dim dim dele, sim… no fim, sai ganhando.

          2. Entendo o ponto, mas não vejo como aplicar qualquer defesa no caso acima. Ele poderia entrar com outro tipo de alegação (aquelas coisas que sabemos que assolam quem trabalha em empresas de telecom com vendas [meta irreais, assédio moral dos chefes, etc]).

            Não vejo a justiça trabalhista assim como pintam, sei de muitos casos de pessoas com pouco poder aquisitivo quer foram detonadas pelas empresas na justiça, mesmo depois de já terem sido detonadas quando trabalhavam (acidentes de trabalho, jornadas absurdas de mais de 14h, pouca ou nenhuma infra-estrutura de trabalho, péssimas condições de trabalho, etc). Mas isso é outro assunto bem diferente, sem falar que é puro conhecimento empírico meu, nada sedimentado estatisticamente ou por qualquer outro meio.

          3. estou comentando em cima da experiência em um ramo especifico, em que temos que lidar com decisões arbitrárias.

            Claro que existem exemplos bons e ruins, mas, no geral é consenso que a justiça do trabalho é excessivamente paternalista.

          4. Eu não a classificaria assim, mas entendo o ponto.

            Mas, mesmo que ela fosse paternalista, eu ainda defendo que o lado mais fraco, i.e. o trabalhador, seja beneficiado em caso de duvida, dificuldade de julgamento, etc.

            Cabe uma observação: não sei como funciona, não sou advogado e nunca coloquei causas na justiça trabalhista – mas já fui lesado muitas vezes por empresas, só não coloquei por total desconhecimento da legislação.

          5. Aos dois:

            Entendo ambos os caso. O ponto aqui é que é uma situação pública, com uma jornalista no meio e provas contundentes. É caso perdido para o garoto caso ele entre na justiça.

            E pelo dito na atualização com a nota da NET, já há a orientação de fazer um boletim de ocorrência pela própria operadora, ou seja, todo este caso está sendo tratado como crime, não só como algo bobo.

            Isso é até bom pois cria novas referências para futuros casos de assédio via telecomunicações.

    1. Se eu descobrir seus dados e ficar lhe enchendo o saco, não duvido que você tomaria alguma atitude também. ;)

    2. não, não é só bloquear. E não, não é frescura….

      São dados e informações pessoais. Se pra você, isso não tem valor algum, paciência.

      Quem sabe a importância e o valor real das informações pessoais, naturalmente exige profissionalismo por parte das empresas e entende o quão escandaloso é esse tipo de ação invasiva.

  6. Olha o ponto que chegamos. Melhor que o “cara” ainda mostra que já fez isso antes. Muito bizarro!!

  7. Olha o ponto que chegamos. Melhor que o “cara” ainda mostra que já fez isso antes. Muito bizarro!!

  8. Que cara chato!
    O pior de tudo é que se ele perder o emprego, com certeza irá, também tem o endereço dela!
    Imagino o drama qie essa moça está sofrendo.

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