Todas as redes sociais convergirão até que se tornem idênticas

Nesta semana, o Snapchat anunciou mudanças em seu app. Ele vai separar amigos de mídia (publicações profissionais e influenciadores) e organizá-los com o uso de algoritmos, deixando de lado a organização cronológica a que recorria até então. Igual à criticada mudança que o Instagram fez em 2016. (mais…)

O maior problema do Snapchat foi ter escolhido mal os seus rivais

Quando o Snapchat se tornou uma febre no Brasil, eu estava no lugar e na hora certos. O ano era 2013 e o lugar, uma universidade pública repleta de gente jovem que descobre e antecipa tendências. Aderi ao Snapchat e tive bons momentos lá. Era difícil explicar, mas tentei. Se a explicação for insuficiente, confie em mim: era divertido. Nesta semana, o anúncio das reformulações no app do Snapchat confirmou que aquele app ingênuo, esquisito e intimista jamais voltará. Todos os indícios apontam para uma “facebookzação” do Snapchat. (mais…)

O novo app do Facebook é ótimo para quem detesta o Facebook

Muita gente está no Facebook por não ter outra opção. São profissionais liberais, sites de conteúdo, pequenos estabelecimentos comerciais e pessoas que têm ali um importante, ou até o único canal de comunicação com gente que importa. Manter um perfil lá dentro sem se perder nas muitas distrações e/ou ser subjugado pela vigilância pesada que a rede social faz não é fácil, mas às vezes o próprio Facebook facilita. Um novo app oficial, chamado Creator, ajuda nesse sentido. (mais…)

Tribunal do júri

por Adam Kotsko

Nota do editor: Adam Kotsko é professor assistente do Shimer College, em Chicago, e autor de livros sendo o mais recente The Prince of This World (sem tradução no Brasil).


A maioria de nós provavelmente assistiu ao filme A Rede Social, ou ao menos ouviu falar sobre como ele retrata os primeiros momentos do Facebook. Uma noite, um entediado Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) programa — dramatizado no estilo holywoodiano como digitar muito rápido — um site que permite aos visitantes julgar o quão gostosas são as mulheres de Harvard. Ele se prova tão popular que ameaça derrubar toda a rede de computadores da universidade. Essa foi a semente do Facebook, um gostinho do que viria a ser um sucesso mundial. (mais…)

Hackeando a economia da atenção

por danah boyd

Nota do editor: danah boyd é uma estudiosa da interseção entre tecnologia e sociedade. É pesquisadora do Microsoft Research, fundadora do Data & Society, professora visitante do Programa de Telecomunicações Interativas da Universidade de Nova York e autora dos livros It’s Complicated: The Social Lives of Networked Teens e Participatory Culture in a Networked Era (ambos ainda sem tradução no Brasil). Siga-a no Twitter.


Para a maioria dos leigos em tecnologia, o termo “hackear” invoca a noção do uso de técnicas sofisticadas para burlar a segurança de um sistema corporativo ou governamental para fins ilícitos. A maioria das pessoas engajada na quebra da segurança desses sistemas não estava ali necessariamente por espionar nem por crueldade. Nos anos 1990, cresci entre hackers adolescentes que queriam invadir sistemas de computadores de grandes instituições que eram parte fundacional do establishment de segurança, apenas para mostrar que eram capazes. O objetivo era desfrutar de uma sensação de poder em um mundo onde eles se sentiam bastante impotentes. A adrenalina estava em ser capaz de fazer algo e se sentir mais esperto do que os aclamados poderosos. Era pura diversão, um jogo. Pelo menos até eles começaram a ser presos. (mais…)

A HMD, empresa formada por ex-funcionários da Nokia, revelou recentemente o primeiro smartphone com a marca finlandesa que será lançado após a venda da divisão de dispositivos móveis à Microsoft. O Nokia 6, um intermediário sem muitos atrativos óbvios, será exclusivo para o mercado chinês. Ainda assim, muita gente comemorou por aqui. Há motivos?

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O Dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como a palavra do ano. O termo, que nem é novo, é um adjetivo definido como “relativo ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e às crenças pessoais.” Diz respeito, neste momento, à proliferação de notícias falsas ou distorcidas em redes sociais que servem de combustível ao viés de confirmação. Mas não é um problema só delas, do Facebook e do Twitter. É nosso.

Venho pensando sobre como combater esse problema. Há muitos riscos envolvidos, do chatear/brigar com alguém até o de soar condescendente ou, pior, autoritário.

Talvez a melhor via, ou pelo menos a mais conciliadora e promissora, seja a mesma usada por quem produz todo esse chorume: a da (no caso, boa) informação. Argumentos bem articulados, contrapontos bem fundamentados, num processo longo, tortuoso e sem garantias. (Sigo aberto, e pensando também, em outras iniciativas!)

Não é um problema só da eleição presidencial dos Estados Unidos ou do Brexit no Reino Unido. Já acontece aqui, no Brasil. No grupo da família no WhatsApp, nos perfis dos seus amigos no Facebook. Como evidencia este levantamento publicado hoje (“Notícias falsas da Lava Jato foram mais compartilhadas que verdadeiras”), o problema é real, urgente e pede a nossa atenção.

O papel do Facebook na eleição de Donald Trump

Quase todas as pesquisas eleitorais apontavam a vitória da democrata Hillary Clinton na corrida pela presidência dos Estados Unidos. Assim, o triunfo do candidato republicano Donald Trump, eleito presidente nesta madrugada, foi uma surpresa. Analistas estão revendo suas previsões e muita reflexão terá que ser feita daqui em diante. Não tenho bagagem para entrar no debate político, mas creio que alguns dados sobre o papel do Facebook no pleito podem ajudar a entender o fenômeno. (mais…)

Gab, a rede social dos conservadores, testa os limites da liberdade de expressão

Uma rede social recém-lançada chamada Gab vem ganhando manchetes por promover a liberdade de expressão sem limites e se posicionar como um refúgio àqueles desconfortáveis com as políticas de convivência de outras redes sociais, em especial o Twitter. Manual do Usuário conseguiu acesso (no momento, apenas mediante convite) e foi conferir o que rola lá dentro. (mais…)

Como combater a epidemia de informações falsas ou imprecisas no Facebook?

Em grupos de WhatsApp é relativamente comum alguém publicar uma notícia falsa ou imprecisa seguida do “na dúvida, achei melhor compartilhar”. É preciso mudar esse padrão, invertê-lo. Na dúvida, não compartilhar.

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O que há por trás das hashtags #SDV (segue de volta) do Twitter

Em um dos nossos podcasts recentes em que o tema era redes sociais, me vi, em dado momento, lendo os trending topics do Twitter para demonstrar um ponto. Lia o termo e explicava do que se tratava em seguida, e assim foi até chegar à hashtag #SextaDetremuraSDV. Sem ter a mínima noção do que era isso, ignorei. Mais tarde, soube que se tratava de uma hashtag do tipo “segue de volta”, o elo entre um monte de gente que usa o Twitter de uma forma bem… peculiar.

Desmembrar aquela hashtag nos dá algumas pistas. “Sexta”, a parte óbvia, é o dia da semana. “SDV” é a abreviação de “segue de volta”, o comando que se espera daqueles que aderem à prática. “Detremura”, descobri depois, faz referência a uma pessoa, quem organiza a maior parte dessas hashtags que ascendem com facilidade nos trending topics brasileiros do Twitter com a promessa de impulsionar bases de seguidores. Intrigado com o que leva as pessoas a se juntarem em torno disso, fui investigar. (mais…)

Como a tecnologia engana as mentes das pessoas — por um mágico e especialista em ética do design no Google

por Tristan Harris

Tristan Harris foi Filósofo de Produtos no Google até 2016, onde estudou como a tecnologia afeta a atenção, o bem estar e o comportamento de um bilhão de pessoas. Ele é parte do Time Well Spent, um esforço que encoraja as empresas de tecnologia a oferecer escolhas honestas e que respeitem o tempo dos usuários.


“É mais fácil enganar pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas.”
— Autor desconhecido

Sou especialista em como a tecnologia assalta as nossas vulnerabilidades psicológicas. Foi por isso que passei os últimos três anos trabalhando com ética do design no Google, cuidando de como desenvolver coisas de um jeito que defenda as mentes de bilhões de pessoas de serem exploradas.

Quando estamos utilizando tecnologias, frequentemente focamos de forma otimista em todas as coisas que ela faz por nós. Mas eu quero te mostrar onde ela pode fazer o oposto.

Onde a tecnologia explora as fraquezas da nossa mente? (mais…)

Onde estão os detratores de Pokémon Go e da Olimpíada?

Desde que Pokémon Go estreou no Brasil e a Olimpíada do Rio teve início, tenho me deparado diariamente com posts em redes sociais de gente criticando quem critica o joguinho de celular ou os atletas ou evento olímpicos.

Nada muito fora do normal em se tratando de redes sociais, mas eu me perco numa fase bem específica e imprescindível desse processo: onde estão essas pessoas que criticam os jogos (da Niantic e do COI)?

Trata-se de um fenômeno mais antigo, mas que se acentuou com esses dois eventos grandiosos que se desenrolam no momento. Leio muitas críticas a quem critica essas coisas, mas essa crítica original, teoricamente infundada de pessoas sem coração que falam mal mesmo e não estão nem aí, me escapa. Quando muito, é escavada de impressões ou suposições ou amplificada a partir da fala de algum maluco, que serve mais de desculpa pra fazer textão do que alguém que mereça uma resposta — na real, não vale o esforço e todos ganharíamos mais ignorando-o.

Talvez seja o algoritmo do Facebook em ação e a bolha que criei no Twitter me isolando de opiniões divergentes, mas, parece-me (corrija-me se eu estiver enganado) que a ameaça de uma crítica contundente a algo de que gostamos muito gera uma esquizofrenia coletiva e, como resultado, um punhado de textos defensivos quixotescos que, desculpem-me quem os faz, não acrescentam nada. Pior, tiram o brilho das temáticas defendidas. Estragam o clima, resumindo.

Foto do topo: Sadie Hernandez/Flickr.

Os não verificados

por Choire Sicha

Alguns anos atrás, Mike Hayes, repórter sênior do BuzzFeed que também cuida ou cuidava do perfil oficial do BuzzFeed no Twitter, enviou um e-mail para o pessoal da redação. O Twitter, ele informou, iria verificar toda a equipe de uma vez. Para serem elegíveis, os funcionários só precisavam vincular seus e-mail do trabalho aos seus perfis no Twitter.

E então, um dia em março daquele ano, boom! Um monte de BuzzFeeders com o tique azul de verificado em seus perfis no Twitter. Outras empresas como o The Verge vieram em seguida. (mais…)

A hiper-realidade das selfies editadas com o Facetune

Abrir o Instagram é dar um pause na vida e se jogar em pequenos mundos perfeitos, com gente bonita em lugares paradisíacos “curtindo a vida” e recebendo presentes de #marcas. Parece um negócio fácil e rentável, tanto que virou meta de vida. A criança dos anos 2010 não quer ser jogadora de futebol, astronauta ou bailarina, ela quer ser youtuber ou blogueira de moda/fitness/[categoria da vez], ou, para colocar todos no mesmo grupo, “influenciadora”. Com esse fim em vista, se espelha nas ações que deram certo para quem se estabeleceu.

Há inúmeros sinais dessa influência que, com frequência, passam despercebidos sob o manto de uma pretensa normalidade. Caso em tela: selfies. (mais…)