De todos os ataques sofridos pelo PL das fake news, o que me deixou mais intrigado foi o de que ele atentaria contra a liberdade religiosa, com a previsão de uma suposta censura à publicação de versículos da Bíblia nas redes sociais.

A mentira cresceu tanto que o relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), fez vídeo ao lado de outro deputado conservador prometendo alterar o texto para afastar essa possibilidade.

A “fake news” apareceu em um documento apócrifo, distribuído a deputados contrários ao PL. Eles pensaram que o remetente era a Meta, mas a empresa negou. Aí a Câmara Brasileira de Economia Digital (camara-e.net), associação que tem entre seus membros empresas que fazem forte oposição ao PL — Meta, Twitter, TikTok, Kwai e Google —, deu um alô ao Guilherme Amado, do Metrópoles, assumindo a autoria documento, que teria sido feito a pedido de parlamentares.

As empresas do setor estão jogando baixo contra o PL das fake news. Há pouco, o diretor de relações governamentais e políticas públicas do Google Brasil, Marcelo Lacerda, publicou um artigo no blog da empresa intitulado “Como o PL 2630 pode piorar a sua internet” — quase uma fake news do Google. Seria um sinal de desespero essa absoluta falta de sutileza? Via Metrópoles, O Globo, Blog do Google Brasil.

A sangria da tecnologia é consequência de um “novo normal” que nunca chegou

por Guilherme Felitti

Queremos conhecer quem ouve o Tecnocracia. Se puder, tire dois minutinhos para responder a primeira pesquisa demográfica do podcast. Ajuda bastante e não custa nada.

Em janeiro de 1953, estreou no Théâtre de Babylone, em Paris, a nova peça de um dramaturgo irlandês chamado Samuel Beckett. Na peça, dois mendigos passam dois atos conversando sobre a vida, interagindo com outros três personagens e esperando um sujeito que só conhecemos pelo nome. Dado que em janeiro de 2023 completaram-se 70 anos da estreia, não tem por que se preocupar com spoiler, não é mesmo? Então um leve spoiler para você: no fim, o tal Godot não aparece e os mendigos, Estragon e Vladimir, terminam a peça revoltados com a ausência, mas imóveis, incapazes de se movimentarem. Ambos, em outras palavras, se mantêm Esperando Godot, o que vem a ser o título da peça. Esperando Godot é um clássico do teatro moderno, reencenado centenas de vezes com diferentes abordagens e panos de fundo e dissecada atrás de significados políticos, psicológicos, filosóficos, sexuais…

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O poder que a Meta, com seus aplicativos sociais, tem no ambiente digital é algo difícil de dimensionar. As apostas de Zuckerberg, como os reels e o conteúdo recomendado por inteligência artificial, estão se pagando lindamente, segundo o balanço do primeiro trimestre divulgado nesta quarta (26). O trio de aplicativos sociais da empresa — Facebook, Instagram e WhatsApp — bateu a média de 3,02 bilhões de usuários ativos diários (DAUs). De alguma forma, o Facebook ganhou 37 milhões de novos usuários em relação ao mesmo período de 2022.

O metaverso, por outro lado, segue sem dar sinais de estar próximo de estancar a hemorragia de dinheiro. Nesses três meses, o prejuízo foi de US$ 3,99 bilhões. Ainda assim, Zuck disse que os rumores de que estaria desiludido com a tecnologia eram só isso, rumores. Via Meta, New York Times, CNBC (todos em inglês).

O Instagram oficializou a expansão do número de links nos perfis, o famoso “link na bio”. De um, passamos agora para cinco. Bom ver que as mentes geniais da Meta, com muito trabalho duro e engenharia de ponta, conseguiram superar todos os desafios e colocar cinco links numa tela de um aplicativo.

Brincadeiras à parte, ficamos agora na expectativa do estrago que esse movimento causará ao mercado dos sites de “link na bio”. O Linktree, por exemplo, que há um ano era avaliado em US$ 1,3 bilhão, será afetado? (Imagina que loucura: um site que cria listas de links que vale mais ou menos o mesmo que uma BRF hoje.) Via TechCrunch (em inglês).

Demorou, mas a Meta conseguiu completar a jornada do consumidor dentro do WhatsApp. Nesta terça (11), o aplicativo ganhou o recurso de pagamentos a pequenos negócios. Dá para procurar empresas, escolher produtos e pagar por eles — tudo isso sem sair do WhatsApp. Nota-se a importância da notícia quando Mark Zuckerberg, CEO da Meta, faz um comentário em sua página no Facebook. Via Meta.

O grande executivo Mark Zuckerberg anunciou mais uma rodada de demissões em massa na Meta depois demitir, em dezembro, 11 mil pessoas. A carta de Zuck divulgada aos funcionários e publicada no site da empresa é… uma coisa.

Logo no início, Zuckerberg diz que espera “fazer essas mudanças organizacionais o quanto antes para que passemos por esse período de incerteza e foquemos no trabalho crítico à frente”, apenas para, no parágrafo seguinte, traçar uma linha do tempo que se estende até o final de 2023, com 10 mil demissões previstas concentradas entre abril e maio, mas que “em um pequeno número de casos” pode se estender pelo ano inteiro.

E essas mudanças não se aplicam aos escritórios internacionais da Meta, que… bem, só sabem que vem mais destruição por aí. Zuck não detalha como ela se dará.

Atenção a este outro trecho:

Todos os dias, a Meta cria novas maneiras para as pessoas se sentirem mais próximas. Essa é uma necessidade humana fundamental que talvez seja mais importante que nunca no complexo mundo atual. Um dia, esperamos possibilitar que cada pessoa sinta uma conexão forte da mesma maneira que você sente quando está fisicamente próxima a alguém que ama.

Muito bonito, ainda que impraticável. Aí descemos algumas linhas e o mesmo Zuckerberg, na mesma carta, manda esta:

Nossas análises preliminares de dados de desempenho sugerem que engenheiros que ingressaram na Meta no [trabalho] presencial e depois se transferiram para o remoto ou que permaneceram no presencial desempenham melhor, na média, do que pessoas que ingressaram remotamente. […]

Como parte do nosso Ano da Eficiência, vamos focar em entender mais e encontrar maneiras de garantir que as pessoas construam as conexões necessárias para trabalharem efetivamente. Enquanto isso, encorajo todos vocês a buscarem mais oportunidades de trabalharem com seus colegas presencialmente.

Pelo visto, as reuniões no metaverso usando headsets desengonçados de US$ 1,5 mil só servem para outras empresas.

Via Meta (em inglês).

Por ora, vamos encerrar os coleccionáveis digitais (NFTs) para nos concentrarmos em outras formas de apoiar criadores, pessoas e empresas.

— Stephane Kasriel, Líder de comércio e tecnologias financeiras da Meta.

A investida da Meta no delírio coletivo chamado NFTs não durou um ano.

O Medium abriu sua instância ao público, me.dm. O ingresso é um benefício da assinatura do próprio Medium, de US$ 5/mês.

Dias atrás, o Flipboard abraçou o Mastodon: deu suporte à integração com a rede descentralizada em seu aplicativo e lançou uma instância própria.

O Manual tem uma revista no Flipboard.

Antes deles, o navegador Vivaldi havia lançado uma instância própria, aberta a todos os usuários cadastrados.

Nesta quinta (9), a Meta, do Facebook, Instagram e WhatsApp, confirmou estar trabalhando em uma nova rede social baseada em posts de texto, codinome P92, e compatível com o ActivityPub — o protocolo por trás do Mastodon.

E ainda tem o Bluesky, gestado dentro do Twitter, que usa outro protocolo, mas a mesma abordagem do ActivityPub/Mastodon. E Flickr e Tumblr, que prometeram compatibilidade com o ActivityPub em algum momento futuro. A Mozilla, do Firefox, também vai lançar sua instância própria.

O cenário é promissor para redes sociais descentralizadas. Só é preciso cuidado para que nenhuma dessas empresas, em especial a Meta, se torne dominante num espaço que é, por definição, plural. Via Medium, Flipboard, Platformer (todos em inglês).

Meta só garante privacidade de usuários europeus do WhatsApp

Nesta segunda (6), a Meta chegou a um acordo com a União Europeia (UE) acerca da política de privacidade do WhatsApp.

A confusão começou em janeiro de 2021, quando o WhatsApp atualizou a sua política de privacidade para abrir uma brecha na criptografia de ponta a ponta em conversas entre usuários pessoas físicas e empresas.

Na Europa, a Meta se comprometeu a permitir que os usuários do WhatsApp declinem da nova política (e de futuras atualizações) sem serem importunados “ad infinitum”. (Até hoje, mais de dois anos depois, tenho que descartar o popup pedindo para aceitar aquela política de privacidade todo santo dia.)

A Meta também garantiu à UE que não compartilha dados pessoais de cidadãos europeus que usam o WhatsApp com empresas de fora nem com as suas (Facebook e Instagram) para fins de publicidade.

Tudo muito bonito, ainda que tardio, mas e o resto do mundo?

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Redes sociais são um micro-cosmo da humanidade. É curioso ver, em tempo real, ainda que tardiamente, elas se darem conta disso.

No final de fevereiro, a Meta “aperfeiçoou” seu sistema de punições/moderação. Em vez de aplicar penas restritivas (bloqueios e proibições de interagir) na primeira violação no Facebook e Instagram, a empresa será menos rígida e apostará em conscientização, dando mais chances aos “réus primários” e transparência às suas decisões.

Nossa análise revelou que quase 80% dos usuários com baixo número de advertências não voltam a violar as nossas políticas nos 60 dias subsequentes. Isso significa que a maioria das pessoas reage bem a um aviso e explicação, uma vez que não querem violar as nossas políticas.

Agora, segundo a Meta, penalidades restritivas serão a exceção, usadas apenas em violações graves ou reiteradas.

Da mesma forma que prender ladrões de galinha não ajuda a ressocializá-los, só gera incentivos para uma piora, punir de maneira desmedida quem comete um deslize “culposo” no Facebook só contribui para aumentar o sentimento de injustiça e uma percepção por vezes equivocada de que a plataforma “censura” as pessoas. Via Meta (em inglês).

É natural que conteúdos sobre grandes acontecimentos apareçam nas redes sociais, pois é assim que as pessoas se comunicam há anos. Mas a responsabilidade pelos acontecimentos ocorridos no Brasil em 8 de janeiro é de quem infringiu a lei ao invadir e destruir prédios públicos.

— Meta, em comunicado à imprensa não assinado.

A Meta publicou alguns números de conteúdos relacionados às eleições de 2022 no Brasil removidos do Facebook e Instagram para tirar o corpo fora do caos que se instalou em Brasília no 8 de janeiro, quando golpistas bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes da República.

É desejável que o Poder Público se envolva mais nessa questão, que haja uma regulação, mas a coisa não foi bem como a Meta tenta pintar com esse comunicado. Estudo recente sobre o papel das redes no episódio concluiu que elas poderiam ter feito mais. Via Meta.

Tendo a Meta como grande expoente — a dona do Facebook e autora de práticas abusivas e continuadas de extração de dados pessoais dos usuários —, a privacidade em ambientes de realidade virtual (~metaverso) passa a ser um tema relevante.

Pesquisadores da Universidade de Stanford conseguiram identificar pessoas no mundo real a partir de dados extraídos de sessões curtas de realidade virtual, que não chegam a somar cinco minutos. Dos 511 participantes, 95% foram identificados. (Link para o paper, em inglês.)

Meta e HTC (fabricante do headset Vive) reservam a si mesmas o direito de compartilhar dados “anonimizados” com terceiros. Isso acende um alerta, pois de anônimos esses dados não têm nada, como demonstra o estudo.

Trata-se de mais um estudo que coloca em xeque as técnicas e garantias de anonimização, artifício usado de forma recorrente por empresas de tecnologia para repassarem dados dos usuários a terceiros. Via TechDirt (em inglês).

Durante anos, a Meta encheu o saco dos usuários para que eles usassem apenas uma conta e tivessem suas identidades verificadas. Os comentários desta matéria do nosso arquivo dão uma amostra desse “cuidado”.

Por isso estranha a novidade anunciada por Mark Zuckerberg neste domingo (19): uma assinatura paga para garantir a identidade de alguém e evitar a clonagem de perfis.

(Estranha também que alguém tenha achado o plano de Elon Musk no Twitter, de vender selos de verificação, tão boa ideia a ponto de copiá-la.)

A assinatura “Meta Verified” vale para Facebook e Instagram. Ela garante o selo azul e a confirmação de que sua conta foi autenticada com um documento oficial. Em outras palavras, você paga para dar mais dados — cópias do seu RG ou CNH — à Meta.

Fora o absurdo do arranjo no âmbito individual, esse arranjo abre margem para questionar os números de usuários que a Meta se gaba ter (+2 bilhões!).

Por ora, em testes na Austrália e Nova Zelândia. O custo do Meta Verified é de US$ 12 se assinado pela web, e US$ 15 por aplicativos móveis, no que parece mais um ataque da Meta esfregar na cara o “Custo Apple” que recai em produtos e serviços digitais. (Embora o valor extra também valha no Android, Zuckerberg só falou em “iOS” em seu post.) Via Meta, @zuck/Facebook (ambos em inglês).

A Meta, de alguma forma, anunciou que 2023 será o “ano da eficiência” e que pretende torrar mais de US$ 14 bilhões no mesmo período com o metaverso e, em paralelo, recomprar até US$ 40 bilhões em ações. Os dados foram compartilhados pela empresa na divulgação do balanço de 2022, nesta quarta (1º).

Outro dado chocante: apesar de tudo, a família de aplicativos legados (Facebook, Instagram e WhatsApp) bateu a marca de 2 bilhões de usuários acessando pelo menos um deles todos os dias. Via Meta, The Verge (ambos em inglês).

A volta de Donald Trump às redes da Meta, Facebook e Instagram, dois anos após ser suspenso indefinidamente por incitar o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, é uma tragédia anunciada.

Nick Clegg, ao anunciar a decisão, disse que foram criadas “salvaguardas para conter ofensas repetidas” do ex-presidente dos Estados Unidos. Alguém acha, de verdade, que Trump irá se conter?

A Meta precisa de Trump para gerar engajamento (e dinheiro) e Trump, da Meta (para criar o caos). O retorno se dará “nas próximas semanas”. Trump tinha o perfil no Facebook mais seguido do mundo antes de ser suspenso. Via Meta (em inglês).