O DuckDuckGo (DDG) declarou guerra ao FLoC, novo método de rastreamento que o Google usará para direcionar anúncios no lugar do rastreamento individual, via cookies. Todas as ações no buscador do DDG serão blindadas do FLoC e sua extensão oficial estenderá a proteção a toda a web. Outra forma de escapar da vigilância do Google é usando qualquer navegador que não seja o Chrome, até agora único compatível com a nova tecnologia. Via DuckDuckGo (em inglês).

Veja também:

A Globo fechou um acordo de sete anos com o Google Cloud. Além de mover toda a sua infraestrutura de internet para os servidores do Google, processo que deve levar 24 meses para ser finalizado, a parceria integrará o app do Globoplay no Android TV e resultará na criação de novos produtos digitais com a aplicação de tecnologias como inteligência artificial e aprendizado de máquina. Para o Google, que no mercado de nuvem fica atrás da Amazon (AWS) e Microsoft (Azure), ganhar a conta da maior empresa de comunicação da América Latina é uma grande vitória. Via Globo, Valor.

No Twitter, a cientista da computação e pesquisadora Nina Da Hora publicou um fio questionando as práticas de privacidade do Google em relação ao conteúdo dos usuários guardado no Google Drive.

O assunto é antigo. Em 2012, quando o Google unificou suas políticas de uso e privacidade, levantamos a questão no Gizmodo Brasil. O texto dava margem à interpretação de que os direitos sobre arquivos enviados ao Drive fossem compartilhados com o Google. Não era bem assim.

Ao longo dos anos, o texto da documentação do Google foi refinado. Hoje, a parte que se refere ao conteúdo do usuário armazenado pelo Google está mais fácil de ler. De qualquer modo, o alerta da Nina é válido; sobram histórias de arquivos apagados e contas Google excluídas sem aviso prévio ou chance de revisão.

O Google removeu a extensão ClearURLs da loja do Chrome. Esta extensão remove automaticamente elementos de rastreamento das URLs, comuns no buscador do Google e em newsletters (não na do Manual), o que aumenta a privacidade dos usuários. Os motivos alegados pelo Google são vários e alguns deles, segundo o desenvolvedor, Kevin Roebert, contraditórios. Ele já preparou uma atualização e a submeteu ao Google. Até a publicação desta nota, a extensão ainda não havia sido restabelecida. Ela pode ser usada, porém, no Firefox e no Edge. Via Bleeping Computer (em inglês).

Parece que o FLoC, novo método de rastrear usuários que o Google usará no lugar de cookies em sites de terceiros (entenda), é incompatível com a GDPR, legislação pró-privacidade europeia, e por isso não será testado em países do bloco. Vale aquela máxima: se não funciona com a GDPR, provavelmente é ruim para o mundo todo. Via AdExchanger (em inglês).

Em 2020, 64,82% das buscas feitas no Google terminaram no próprio Google, ou seja, não levaram o usuário a outro site. É o que, no jargão, se chama “zero-click searches”, ou pesquisas sem clique. Em celulares, o percentual foi ainda maior: 77,22%. Via Sparktoro (em inglês)

Por que isso importa? O Google é uma espécie de HUB da web, o ponto de partida para que negócios, publicações (como o Manual) e toda a sorte de sites sejam descobertos pelos usuários. O Google é, afinal, um buscador. Ao moldar a experiência para que o usuário permaneça em seus domínios, o Google consegue exibir anúncios mais rentáveis, sem ter que dividir receita com parceiros.

Levantamentos do tipo pegam mal para o Google, tanto que esse motivou uma resposta direta da empresa questionando dados e conclusões. Como diria o Tino, “sentiu”. Via Google (em inglês).

A partir de 1º de julho, o Google passará a cobrar 15% sobre itens digitais e serviços de apps distribuídos pela Play Store até US$ 1 milhão em vendas em cada ano. A nova política, que representa um corte de 50%, vale para todos, do desenvolvedor indie que vive do app à Netflix e ao Spotify. O que passar de US$ 1 milhão no ano será taxado em 30% (e somente o excedente, ou seja, o primeiro milhão continuará taxado em 15%). Via Android Developers Blog (em inglês).

Eu esperaria algo assim da Apple, dado o histórico das duas empresas. A solução que a Apple inventou para aliviar a pressão sobre o monopólio da App Store é super complicada e coloca desenvolvedores cujo faturamento anual ronda US$ 1 milhão em um dilema que poderia ser evitado — cessar as vendas para não furar o teto e perder o benefício, ou furá-lo e ter todo o faturamento do ano taxado em 30%?

Nesta quinta (11), o blog da equipe do Chromium publicou um post detalhando avanços na economia de memória e outros recursos do computador rodando o Chrome 89. Faz alguns anos que não uso o Chrome e, quando o usava, não tinha problemas com uso excessivo de memória. Tenho a sensação de que todo mês/toda nova versão do navegador do Google traz “melhorias de gerenciamento de memória e de desempenho”. A quem o usa, tem surtido efeito? Via Chromium Blog (em inglês).

À luz da polêmica recente na Austrália, o Uol Tilt recuperou o processo movido pelo Cade contra o Google, aqui no Brasil, relacionado aos “snippets”, trechos de notícias que são exibidos no Google Notícias. As partes envolvidas — Google, Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e veículos jornalísticos — foram ouvidas até dezembro. Ainda não há previsão para o órgão decidir o caso.

Muitos membros da ANJ estão naquele programa de “Destaques” do Google, que distribui migalhas, digo, remunera jornais parceiros. A ANJ diz que o dinheiro recebido por ali “tem valor meramente simbólico”. Pode ser, mas é uma arma poderosa que o Google dispõe para se defender nesse caso. Se é “simbólico”, por que aceitá-lo? Pesa a favor do Google, ainda, o fato de que a adesão ao Google Notícias não é compulsória, ao contrário do buscador web. Um jornal ou site precisa realizar tomar a iniciativa e se submeter à aprovação para aparecer no Notícias — e é um processo complexo; o Google faz uma série de exigências.

Em 2014, jornais da Espanha se revoltaram contra o Google Notícias. Queriam, a exemplo dos jornais brasileiros, que o Google pagasse para veicular links e “snippets” no serviço. O Google fechou o Notícias no país e nunca mais voltou.

Google, privacidade e mais do mesmo

por Rob Horning

“A publicidade é essencial para manter a web aberta para todos, mas o ecossistema web corre riscos se as práticas de privacidade não acompanharem as mudanças de expectativas”. Esta é a frase inicial de uma atualização recente do Google do seu projeto de substituir os cookies de terceiros nos navegadores — que nos rastreiam individualmente — por algo que a empresa chama de FLoCs: grupos de interesse ad hoc aos quais indivíduos seriam designados com base em seus históricos de navegação. Como Shoshana Wodinsky explica no Gizmodo, “Qualquer dado gerado individualmente seria mantido no navegador e a única coisa que os anunciantes poderiam rastrear e segmentar seria um ‘rebanho’1 contendo um grupo agregado de pessoas semi-anonimizadas”.

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A bagunça em produtos do Google não está restrita aos apps de mensagens. Além da migração do Google Play Music para o YouTube Music, a empresa resolveu agora migrar a base do Google Pay para para uma nova versão que mantém o nome, mas exige um recadastro vinculado ao número do celular e passa a cobrar por transferências a partir do cartão de débito.

Por ora, o novo app só vale para Índia, onde foi gestado e estreou com o nome Tez em 2017, e Estados Unidos, onde chegou em novembro passado e passará a ser obrigatório para transferências a partir de 5 de abril (o recurso sumirá da versão web/desktop). Via Ars Technica (em inglês).

Bônus: a nova versão traz um serviço de troca de mensagens (!) embutido.

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

O Nubank, apesar de ser todo moderninho, até hoje resistia à integração com carteiras digitais de celulares, como Apple Pay e Google Pay. Parece que isso mudou. Nesta terça (23), a fintech liberou a integração dos seus cartões de crédito ou débito ao Google Pay, o que permite que usuários de celulares Android elegíveis façam pagamentos com o cartão apenas aproximando o celular das maquininhas. Via Nubank.

Mais de dois meses depois das últimas atualizações para seus principais apps no iOS, o Google voltou à ativa na plataforma da Apple. O primeiro foi o YouTube. No histórico de atualizações, a mais recente, 15.49.6 de 13 de fevereiro, se limita a dizer que “Corrigimos bugs, melhoramos o desempenho e tomamos muito café”. Pouco antes, o Google havia incluído o “rótulo nutricional” de privacidade do YouTube na App Store. Como era de se esperar, a lista é looonga…

Outros apps populares do Google, como o homônimo (de pesquisa), Gmail, Google Maps e Chrome, seguem sem atualização e sem os rótulos de privacidade. A última atualização do Chrome foi em 23 de novembro de 2020 e o app, na versão 87 no iOS, já está atrasado em relação às demais plataformas. Via 9to5Mac (em inglês).

O Google removeu o app Barcode Scanner da Play Store. Com mais de 10 milhões de downloads, ele servia para ler QR codes. Aparentemente, o app foi vendido em 2020 a uma empresa chamada LavaBird, que achou que seria uma boa ideia incluir no app, em novembro, um código que passava a abrir anúncios no celular do usuário. Via Malwarebytes (em inglês), Android Police (em inglês).

» O Google não excluiu o aplicativo dos celulares de quem já o baixou. Se você tem o Barcode Scanner instalado, é uma boa ideia removê-lo.

» É bem provável que o app da câmera nativo do seu aparelho consiga ler QR codes. Verifique. Se sim, é um app a menos para ocupar espaço e gerar esse tipo de brecha no seu celular.