Inteligência Artificial: o que é aprendizado de máquina?

por Gabriel Arruda

Nota do editor: O Gabriel é leitor das antigas e fiquei muito feliz quando ele mandou um e-mail perguntando se tinha interesse em publicar este texto. Além de sempre aparecer nos comentários do Manual, ele é programador, graduado em Sistemas de Informação e mestrando em Ingeligência Artificial. Siga-o no Twitter e leia outros textos dele no Medium.


Stephen Hawking e Stuart Russel alertaram as pessoas sobre os perigos do avanço da Inteligência Artificial (IA). O temor é que os avanços estão ocorrendo muito rapidamente e não estamos preocupados o bastante com as implicações disso:

Os benefícios potenciais são grandes; tudo que a civilização tem a oferecer é produto da inteligência humana; nós não podemos prever o que poderemos atingir quando essa inteligência é amplificada pelas ferramentas que a IA pode prover, mas erradicação da guerra, doença e pobreza seriam as prioridades na lista de qualquer um. O sucesso na criação da IA seria o maior evento da história humana. Infelizmente, ele pode ser o último, a não ser que saibamos como evitar os riscos.

Apesar de ser tentador discutir a dominação pelas máquinas, esse é um problema a longo prazo. Acho que estamos preocupados até demais com ele e menos do que deveríamos com os mais imediatos. Hoje e a curto prazo, os possíveis problemas trazidos pela IA são menos apocalípticos.

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Este é o Who is Happy, o app que está sendo chamado de Foursquare da maconha

O Facebook é um campo minado para opiniões polêmicas e tabus — todo mundo tem alguma história sobre saias justas com familiares ou colegas distantes que sem tato algum transformam, armados com nonsense e preconceito, atualizações de status despretensiosas em batalhas sangrentas de opiniões divergentes. Quando o primo de João Paulo Costa publicou em sua linha do tempo a notícia de um app apelidado de “Foursquare da maconha”, sua mãe não perdoou: “É um absurdo, o fim do mundo!”, bradou ela em um comentário. Onde João entra nessa história? Foi ele quem desenvolveu o Who is Happy, o app em questão.

Lançado há pouco tempo, o Who is Happy chamaria a atenção mesmo que não quisesse. A função do app é fazer check-in, como o Foursquare, mas em vez de indicar o local onde você se encontra, ele serve para dizer ao mundo que está fumando um baseado naquele momento. É uma rede social de maconheiros. 420 vidaloka, mano! Não, brincadeira. Na verdade, é isso também. Só que, além desse lado bem humorado que se faz notar já no nome do app, o Who is Happy é antes de tudo um empreendimento sério. Seus criadores, João e Henrique Torelli, trabalham para que o app exploda em popularidade pegando carona na legalização da maconha em alguns países, especialmente os Estados Unidos que só no ano passado estima-se que tenha movimentado mais de US$ 2 bilhões nesse segmento. (mais…)

O futuro do Windows Phone como plataforma de baixo custo

O ano que acabou de ficar no passado foi um de altos e baixos para o Windows Phone. Fomos de um início promissor, com a consolidação da venda da Nokia para a Microsoft e atualizações expressivas do sistema para um desânimo endêmico com o lançamento de apps superiores da própria Microsoft para plataformas rivais. Isso tudo, mais o foco em dispositivos baratos, transformaram o futuro do sistema em uma incógnita. O que esperar do Windows Phone?

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Como funciona a Teoria de Resposta ao Item (TRI) usada para estimar as notas do Enem

por Eloy Machado

Em breve o resultado do Enem será divulgado e, com ele, virão muitas dúvidas. Isso ocorre porque o Enem não segue o padrão de pontuação a que estamos acostumados; consequentemente, muitas pessoas não entendem como a nota é calculada. Estamos aqui para mudar isso! Embora o Enem provavelmente não faça parte da vida do leitor do Manual do Usuário, a metodologia por trás das notas do exame é bem interessante e pode até ser útil em algum momento da sua vida profissional, na hora de classificar ou selecionar pessoas. Vamos ver como é? (mais…)

[Comparativo] TVs por assinatura no Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=TfLfHoicvjo

Entre celulares pré-pagos, Internet residencial e TV por assinatura, qual você acha que é o item mais popular entre a nova classe média brasileira? Acertou quem respondeu TV por assinatura1.

Intrigado com esse número e com a ajuda dos gaúchos da Coisa Filmes (a produtora parceira a que me referi no post de aniversário do blog), juntamos alguns dados para ajudar esse público ávido por canais diferentes dos da TV aberta, em HD e com preços convidativos. O vídeo acima, caprichado, é o resultado desse trabalho.

Nele, comparamos quatro serviços, todos do tipo DTH (por satélite): Claro TV, GVT TV, Oi TV e Sky. Em vez de ficar apenas na programação e valores, investigamos também quais as tecnologias que cada uma usa, como a disponibilidade de transponders em cada satélite e o tipo de compressão de vídeo usado nas transmissões. E, claro, ao final o veredito: qual ou quais valem mais a pena? Para saber mais, dê um play no vídeo ali em cima.

  1. Segundo este estudo do Mundo Marketing, a TV por assinatura é o objeto de desejo de 32% da nova classe média, à frente dos celulares pré-pagos (30%) e da conexão à Internet (28%).

No AdoteUmCara, a iniciativa é sempre delas

Em 2012 Paris ganhou uma loja pop-up diferente — para dizer o mínimo. Em vez de produtos industrializados ou mesmo orgânicos, homens em embalagens gigantes estavam expostos na vitrine. Um deles foi parar dentro de um carrinho de mercado! Ao olhar para a fachada lia-se AdopteUnMec.com, endereço de uma rede social de encontros. (mais…)

10 minutos com o Android 5.0

O Android 5.0 é a maior atualização da história do sistema. Ela traz gráficos mais leves, cores chapadas e animações fluídas — o Material Design é tão gostoso que quase dá vontade de morder. Mas há mais do que visual nesse novo Android sabor pirulito. Passei alguns minutos com um Nexus 5 recém-atualizado e conto, com palavras, fotos e vídeo, o que achei.

https://www.youtube.com/watch?v=Q-7xuXq0SLw
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Quem salvará a indústria da música?

A viabilidade do modelo de negócios dos serviços de streaming de música voltou a ser o centro das atenções essa semana. Culpa de Taylor Swift, que removeu todo o seu acervo do Spotify e boicotou o novo álbum, 1989, de todos os serviços do tipo. Ganância, mal entendido ou a cantora tem razão nas críticas que vem fazendo?

Não foi a primeira vez que Swift se posicionou contrariamente à ideia de ouvir quanta música quiser pagando menos de dez dólares por mês. No começo do ano ela escreveu um editorial no Wall Street Journal dizendo acreditar que o apoio dos fãs (e a venda de álbuns completos) é o que sustenta artistas como ela. Talvez, pelo menos no seu caso, seja verdade: só na semana de lançamento, 1989 vendeu 1,2 milhão de cópias, número estratosférico para os padrões atuais. Para colocar isso em perspectiva, Random Access Memory do Daft Punk vendeu 339 mil cópias em seus primeiros sete dias e PRISM, da Kary Perry, 286 mil cópias no mesmo período. Ambos foram  os mais vendidos no ranking da Billboard em suas respectivas semanas de lançamento. (mais…)

Do Orkut ao WhatsApp, como a música brasileira retrata os apps e redes sociais que todos usamos

Desde que os primeiros batuques foram ouvidos a música tem sido usada para, entre outras coisas, exaltar as paixões humanas. Traduzimos em ritmo e poesia as maravilhas naturais do mundo, nossas musas, os grandes heróis e seus feitos; descrevemos épocas, histórias e comportamentos dos mais diversos. Muita gente não vive sem música; não seria exagero dizer que o contrário também é verdadeiro.

Se estendermos o conceito de “tecnologia” para além de bits e pastilhas de silício, o barulho (com o perdão do trocadilho) da sua participação na música é ouvido de longe. Do aprimoramento dos primeiros tambores aos sintetizadores e editores digitais de hoje, essas áreas sempre foram indissociáveis. Não há música sem a tecnologia garantindo a execução, captação e reprodução nos bastidores.

Capa do álbum Leandor & Leonardo Vol. 4, de 1990.
Leandro & Leonardo.

Eventualmente os papéis se misturam e de um suporte ou auxílio, a tecnologia passou a ser o motivo da arte, a temática da narrativa. Isso nos remete ao início do texto: cantamos sobre tudo. É algo tão óbvio que não raramente nos escapa. Quando Leandro & Leonardo cantaram pela primeira vez “Pense em mim, chore por mim, liga pra, não, não liga pra ele”, em 1990, eles colocaram no cancioneiro popular brasileiro uma tecnologia super avançada que, de tão massificada, passou despercebida: o telefone. Àquela altura, fazer ligações já era algo trivial e tal papel coadjuvante, apesar do grande avanço que essa tecnologia representou, se repetiu na letra da música.

A tecnologia de consumo, essa embarcada em smartphones, tablets e outros gadgets contemporâneos, evoluiu a passos largos nas últimas décadas. Nos anos recentes, sua popularidade teve uma guinada sem precedentes. Embora quase 1/3 da população mundial já use smartphones, ele ainda não está tão enraizado como o telefone estava na época em que Pense em mim foi composta. Esse detalhe, porém, não impediu que os compositores começassem a explorar essa nova realidade criando músicas sobre os apps e redes sociais que tanto usamos. (mais…)

5 coisas sobre o Orkut, a rede social mais brasileira que já existiu

O fim chega para todos, amigo. Hoje é a vez do Orkut, a primeira rede social do Google e de muitos de nós, brasileiros, dar adeus ao ciberespaço.

Criado em janeiro de 2004 pelo engenheiro turco Orkut Büyükkökten, não demorou muito para a rede ser invadida por brasileiros. Qual o motivo? Até hoje não se sabe muito bem o porquê. Certo mesmo é que apesar da ostracismo em que afundou nos últimos anos, primeiro eclipsado pelo Facebook, depois rejeitado pelo próprio pai, o Google, o Orkut ficará para sempre marcado na história digital do Brasil.

Hoje, muita gente compra smartphone para usar WhatsApp; em 2004, o Orkut teve o mesmo efeito no comércio de computadores. Ele foi a iniciação de muita gente à Internet e daquele jeito meio desengonçado, politicamente incorreto e cheio de tretas e piadas internas, ganhou os nossos corações e navegadores.

Para celebrar esta data, separei cinco coisas muito “Orkut”. Engula o choro, prepare o coração e venha comigo. (mais…)

Entenda o Shellshock, a falha no Bash tão grave quanto o Heartbleed

Stephane Chazelas, um entusiasta de software livre, descobriu uma falha de 22 anos (!) no Bash, interpretador de comandos bastante popular em sistemas *nix, como Linux e o OS X, da Apple.

A falha permite que alguém tome o execute comandos remotamente em máquinas afetadas. Dada a amplitude com que o Bash é usado, de servidores a sistemas embarcados (câmeras fotográficas, roteadores, terminais comerciais), o potencial de danos é tão grande, ou até maior, que o do Heartbleed, outra falha encontrada no OpenSSL no começo do ano.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA atribuiu ao Shellshock nota 10, a máxima na escala, em termos de gravidade, impacto e exploração, e para piorar o mesmo órgão disse que a falha é de baixa complexidade, o que significa que pode ser facilmente usada. (mais…)

Vida e morte digital

Rubem Alves, que nos deixou mês passado, escreveu:

“Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: ‘Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.’ A vida é tão boa! Não quero ir embora…”

Alguns dias depois de ler essa frase viajei de avião para São Paulo e com tantos acidentes aéreos então recentes, o pior passou pela cabeça. (No fim, foram voos tranquilos.)

A morte traz várias implicações a um monte de gente, menos a quem morre. O que importa depois que nada mais importa? O problema é a saudade aos que ficam. Basta ir a um velório para presenciar o desespero e a agonia que o adeus definitivo causa. O velado? Nunca vi mais calmo.

Lidar com o fim é um assunto espinhoso desde que tomamos consciência da vida — por ser uma só ela nos é tão cara. Antigamente eram as fotos reveladas e as histórias contadas pelos mais próximos o que aliviada a dor. Hoje, o digital dá uma grande força e faz, às vezes, parecer que quem se foi continua entre nós. (mais…)

O Grupia quer ocupar o espaço que será deixado pelas comunidades do Orkut

O Orkut foi um fenômeno no Brasil por muito tempo. Há quase três anos, porém, o Facebook o superou por aqui. De lá para cá a rede social do Google caiu no underground da Internet e resistiu como piada ou reduto daqueles mais apegados às comunidades, o trunfo ainda inigualado por outras redes sociais. Para ocupar essa lacuna, surge o Grupia.

A ideia de criar uma versão modernizada das comunidades do Orkut precede o anúncio do fim da rede, feito pelo Google no final do mês passado. Conversei com Felipe Felisberto, um dos quatro fundadores do Grupia, que revelou essa e outras curiosidades sobre o projeto: (mais…)

5 culpados pela primeira geração do Android Wear não empolgar

A primeira safra de relógios inteligentes rodando Android Wear está em pré-venda nos EUA e vários sites já publicaram análises e comentários sobre G Watch, Gear Live e Moto 360, as apostas de LG, Samsung e Motorola. Pelo que se viu até agora, não será dessa vez que relógios que fazem mais do que mostrar as horas se tornarão populares. (mais…)

Os sete pecados capitais na era digital: ainda há salvação

Numa dessas coincidências da vida, dia desses assisti a Seven, filme de David Fincher, e na manhã seguinte, ao sentar-me em frente ao computador, caí neste especial sobre os sete pecados capitais digitais do Guardian.

Lançado em 1995, Seven acontece em um tempo quase remoto, quando smartphone não existia, a ideia de não sermos contatados era concebível e as palavras “não sei” não eram sempre precedidas de uma consulta ao Google. Filmes como esse, se passados hoje, precisariam ser totalmente repensados. Vários conflitos imprescindíveis ao desenvolvimento da trama seriam evitáveis com SMS, buscadores (quem vai a bibliotecas?), redes sociais, big data.

Não sei se você faz isso, mas sempre que vejo filmes situados em épocas passadas fico imaginando duas possibilidades: 1) como eles seriam se seus enredos fossem contemporâneos, e 2) como eu me sentiria se vivesse naquele período. No caso, 1995 nem está tão longe no tempo. Tenho algumas lembranças vagas dos meus 9 anos, terceira série na escola, um ano meio apagado — não teve o Tetra de 1994, nem as grandes amizades escolares, os momentos divertidos da quarta série, e o PlayStation que ganhei em 1996.

Criança jogando Minecraft em um Galaxy Nexus.
Foto: rom/Flickr.

Hoje, alunos processam professores que lhes tomam o smartphone durante a aula. E piora: o aluno, amparado pela mãe, recorre à justiça, alegando “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”. Longe de mim ser o cara nostálgico, o chato do “no meu tempo…” É que essa notícia, além do espanto que a situação por si só causa, coloca no seu devido lugar, ou seja, no centro um objeto que de inexistente passou a ter um valor enorme na sociedade.

O smartphone, não me entenda mal, é um aparelho fascinante. Sempre que paro para pensar nele acabo chegando ao fato de que em sete anos esse aparelho mudou nosso comportamento — inclusive em centros menores, como aqui no interior do Paraná. Até onde isso vai? Os limites, como ilustra o caso do aluno que processa o professor por ter o celular confiscado durante a aula, ainda não são muito claros.

Os pecados capitais digitais da linda matéria do Guardian apontam para um cenário ainda mais preocupante. Quando a diversão passa a obsessão? Em que ponto o que apenas distraía vira prioridade? Qual a medida saudável para o uso de redes sociais?

Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, orgulho. As adaptações digitais conseguem abranger muitos comportamentos que, sob olhares críticos, são no mínimo questionáveis. Aos nossos, às vezes passam imperceptíveis. E não adianta se esquivar: pode parecer maluquice ficar 10 horas por dia jogando League of Legends, mas a esse cara, talvez, tirar selfies o dia todo para postar no Instagram cause a mesma estranheza — e, certamente, alguns abalos sociais. Se não isso, que tal ficar xingando no Twitter e em portais de notícias? Ou então sentir a inveja que você sentirá das fotos e declarações dos casais de namorados e seus relacionamentos pretensamente perfeitos daqui a alguns dias?

A ciência já estuda algumas dessas implicações. Sabe-se, por exemplo, que o excesso de fotos prejudica a memória. A ratificação dos pesquisadores vai de encontro ao que alguns sentem, ainda que nem sempre manifestem, na prática. É humanamente impossível tirar 300 fotos de uma tarde no parque sem que alguns bons momentos sejam presenciados pelo viewfinder, mediados por uma tela.

Se tivermos a dimensão dos estragos que o excesso no uso do smartphone está nos causando via estudos científicos, nos reeducaremos?

Dois caras fumando.
Foto: olsch/Flickr.

Talvez chegaremos a um ponto em que isso passará a ser encarado como problema grave e, sob essa ótica, passível de tratamento. Uma doença? Ou um comportamento socialmente reprovável, como o tabagismo virou nas últimas duas décadas? O paralelo com o fumo, aliás, parece adequado. Quando vejo grupos à espera de alguma coisa ou alguém, todos com celulares na mão, absortos, olhando fixamente e passando os dedos nas telinhas, é como se presenciasse uma versão digital-moderna do cigarro que tira a ansiedade e relaxa. Aparentemente, um menos degradante ao organismo. Será? Até que ponto?

A plaquinha do bar que diz que não tem Wi-Fi e pede às pessoas que conversem é uma bobagem. Uma que expõe, de modo meio torto, sem querer, o verdadeiro problema: não deveríamos ser orientados a fazer o que ela diz, mas sim termos essa atitude naturalmente. Quando precisamos de placas e lembretes para sermos humanos, para demonstrarmos o mínimo de empatia a quem escolhemos estar junto em um ambiente social como um café, é sinal de que alguma coisa deu errado e precisa ser revista.