O que aprendemos nesse processo é que acho que a praça pública não é a direção em que queremos seguir. Essencialmente, acho que é útil como um mecanismo de descoberta, mas somos muito inspirados por empresas como o Reddit.

Mulher com traços asiáticos e cabelo escuro longo e liso, sorrindo.Rose Wang
COO do Bluesky.

Acho muito difícil que essa mudança seja bem sucedida no Bluesky.

O dado mais surpreendente da reportagem, porém, é o de que o Bluesky tem apenas 600 mil pessoas que publicam ativamente na plataforma.

“Demetricando” a web

Em 2012, o artista Ben Grosser lançou uma extensão de navegador chamada Facebook Demetricator. Ao ser instalada, ela ocultava todas as métricas da interface do Facebook: número de curtidas, comentários, notificações, mensagens não lidas etc.

“O que aconteceu aqui é que esses números de conexão social brincam com o nosso desejo interno (inspirado pelo capitalismo) por mais”, justificou-se.

Ao criar sua extensão, Ben questionou a razão de tantos números “em um sistema (e por uma empresa) que depende do trabalho gratuito contínuo do usuário para produzir a informação que preenche seus bancos de dados”.

Isso tudo em 2012!

Mais de uma década depois, sinto que não internalizamos as descobertas à frente do tempo feitas por Ben. Mesmo alternativas que se posicionam como opostas às práticas abusivas de plataformas comerciais como o Facebook, casos de Bluesky e Mastodon, insistem em interfaces recheadas de números. Parece até que perdemos a capacidade de imaginarmos outros modelos de interações digitais.

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De saída do Mastodon: alguns comentários

por Rob Shearer

Texto publicado originalmente no blog do Rob Shearer em 10/4/2025.

Nota do editor: Embora eu seja afeito ao Mastodon e aposte no ActivityPub há muito tempo (o primeiro post do assunto aqui saiu em 2019), eles estão longe de serem uma solução perfeita. Não concordo com todos os argumentos do Rob, o que não os invalida. Pelo contrário: alguns verbalizam incômodos subjetivos que tenho com o protocolo e outros foram revelações desconfortáveis, mas importantes. Espero que a tradução do textão dele nos ajude na eterna busca por melhorias.

Estou desativando os robôs do Mastodon que usava para publicar os horários do nascer e pôr do Sol. O evento que precipitou isso foi que o administrador da instância que hospeda essas contas exigiu que elas se tornassem praticamente impossíveis de descobrir, mas o motivo subjacente é que ficou cada vez mais claro que o Mastodon não é, e nunca será, uma boa plataforma para “notificações efêmeras assíncronas de qualquer tipo”. Eu também argumentaria (de forma mais controversa) que simplesmente não é uma boa infraestrutura para redes sociais de qualquer tipo. Há muitas pessoas interessantes usando o Mastodon, e tenho certeza que ele continuará como um espaço satisfatório para certos nichos. Mas não há dúvida de que ele jamais oferecerá a diversão do Twitter em seus primórdios, muito menos a vivacidade do Twitter durante sua fase de crescimento. Já faz tempo que removi o Mastodon da minha tela inicial e migrei para o Bluesky para redes sociais focadas em texto.

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Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Calibre 8.0: Melhorias no suporte a dispositivos Kobo, um novo “motor neural” que lê os livros com uma voz mais realista e melhorias diversas no visualizador de livros digitais são alguns destaques desta atualização grande do Calibre. (Atente que já tem a versão 8.0.1 disponível.) / Linux, macOS, Windows

Day One: O popular app de diários da Automattic chegou ao Windows. Por tempo limitado, o uso não contará contra o limite de dispositivos, ou seja, pode ser usado de graça. / Windows

Debian 12.10: Atualização ponto-qualquer-coisa do Debian é aquilo: correções de segurança (43) e bugs (66) e pequenos ajustes, nada que vá mudar a sua vida ao mesmo tempo em que não custa nada (e é recomendável) instalá-las. / Linux

elementary OS 8.0.1: Ao contrário do Debian, esta atualização x.0.1 do elementary OS tem bastante coisa nova — poderia, fácil, ter sido uma 8.1. (Dilemas do versionamento de softwares.) Muitos detalhes e imagens no post. / Linux

digiKam 8.6: O gerenciador de imagens do KDE ganhou melhorias em reconhecimento facial, etiquetas (tags), filtros por qualidade de imagens e até corretor de olhos vermelhos (isso ainda é um problema?). / macOS, Linux, Windows

Daruma: Uma lista de tarefas baseada naquele bonequinho tradicional japonês, em que você pinta o olho direito com sua “tarefa”, depois o esquerdo quando ela se realiza e, no fim do ano, queima o coitado. (Eu não sabia dessa última parte; foi o desenvolvedor que disse que é assim.) / macOS

LookAway 1.11: Já falei do LookAway no Manual: um aplicativo da barra de menus para te lembrar de tirar os olhos do monitor. Esta atualização traz suporte a automações e compatibilidade com os filtros de foco, além de outras novidades menores. / macOS

MacWhisper 12.0/12.1: Esta grande atualização passa a identificar automaticamente as pessoas que estão falando em um áudio. (É um app que transcreve falas usando o LLM Whisper, da OpenAI.) A novidade é só para a versão Pro (paga), porém. / macOS

Openvibe 1.9: Agora o Openvibe se lembra da posição na timeline, facilitando continuar o “doomscrolling” de onde você havia parado. (É um app para acompanhar Bluesky, Mastodon, Nostr e Threads ao mesmo tempo 😵‍💫) / Android, iOS

PeerTube 7.1: O leiaute de algumas áreas foi melhorado e, agora, o PeerTube pode ser usado para hospedar podcasts. / Web

Vivaldi 7.2 (Android, iOS): Três atualizações com a mesma numeração, mas com novos recursos e alterações distintas em cada plataforma. Não vou detalhá-las aqui; clique nos links ali e descubra por conta própria. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Bluesky: Vídeos agora podem ter até 3 minutos de duração (antes, o teto era de 1 minuto). As DMs passam a ter um filtro de triagem para novos remetentes, provavelmente para conter o envio de spam. / Android, iOS, Web

Pocket Casts: O web player, antes restrito a assinantes pagantes, foi aberto a todos — funciona até sem uma conta gratuita no serviço. / Web

TikTok: Mudanças para famílias. Horários de pausa de menores de idade podem ser definidos pelos pais/responsáveis. Esses também passam a ter acesso a listas da conta do menor — quem ele segue, por quem é seguido e quem bloqueou. Após as 22h, menores de idade serão agraciados com um “recurso de relaxamento” (?). / Android, iOS

Tuta Calendar: Ganhou regras avançadas para repetições de eventos e uma nova visualização de três dias. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

Após quatro meses desempregado e algumas candidaturas frustradas a um novo emprego, Gildásio Filho, criador do deck.blue, um cliente para Bluesky que lembra o finado Tweetdeck, vai tentar viver da sua criação.

Os quase 1 mil usuários pagantes já sustentam “aluguel e comida”, mas o valor não se equipara ao salário que recebia no emprego anterior. Gildásio mexeu nos planos pagos do deck.blue e nos recursos oferecidos em cada um deles. A assinatura é feita via Patreon.

A Tapbots informou que está desenvolvendo o Phoenix, um app de iOS e macOS para acessar o Bluesky — nos mesmos moldes do que o Ivory é para o Mastodon e o Tweetbot foi para o finado Twitter. Deve ser lançado em meados de 2025.

Nas poucas horas em que o TikTok ficou indisponível nos EUA, os rivais Bluesky, X e até Flipboard (com o novo app Surf, em testes) lançaram “feeds de vídeos” tentando capitalizar o momento. Concorrência justa, como se sabe, é um dos pilares do capitalismo estadunidense. / @bsky.app/bsky.app, @X/x.com, techcrunch.com (todos em inglês)

A Meta entupiu o Instagram de novos recursos — que, de verdade, quem se importa? — e anunciou um clone sem vergonha do CapCut que só será lançado em março. / @mosseri/threads.net (em inglês)

A grande ironia é que o TikTok voltou ao ar por iniciativa da mesma pessoa que, muitos anos atrás, deu início à caça às bruxas que culminou no seu banimento. / g1.globo.com

US$ 30 milhões para reinventar a roda

Tenho pensado e lido um bocado a respeito da Free Our Feeds, uma campanha para “salvar as redes sociais da captura por bilionários”. / freeourfeeds.com

A Free Our Feeds consiste em um grupo de especialistas disposto a levantar US$ 30 milhões via doações, em um intervalo de três anos, para criar uma fundação e “transformar a tecnologia fundamental do Bluesky — o protocolo AT — em algo mais poderoso que um único app”.

É um fim nobre, porém pouco original. No site do Bluesky, uma das primeiras frases da capa diz:

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Dia agitado para as plataformas sociais descentralizadas. O Mastodon anunciou que migrará a propriedade de seus componentes-chave para uma organização sem fins lucrativos. Eugen Rochko, fundador e atual CEO do projeto, não seguirá no cargo; em vez disso, focará em estratégia de produto. / blog.joinmastodon.org (em inglês)

Do outro lado da arena, um grupo de especialistas se juntou para criar a Free Our Feeds, uma futura fundação independente que terá como missão libertar o protocolo AT, do Bluesky, da centralização exercida pela startup. / freeourfeeds.com (em inglês)

É bom correrem: segundo fontes do Business Insider, o Bluesky está próximo de fechar uma nova rodada de investimentos, a terceira, que o avaliaria em US$ 700 milhões. / businessinsider.com (em inglês)

Todo o conteúdo do Bluesky e Mastodon, em tempo real e no mesmo lugar 

As APIs escancaradas de protocolos abertos, como o protocolo AT (Bluesky) e ActivityPub (Mastodon e outros), permite que qualquer um observe todo (ou quase todo) o conteúdo que rola nelas.

Primeiro apareceu o Firesky, uma “mangueira” (“firehose”) de todos os posts publicados no Bluesky, em tempo real. (Dá para filtrar por idioma.) / firesky.tv

Alguém fez um equivalente para o ActivityPub/fediverso, o Fedi on Fire. / fedionfire.stream

O Fedi on Fire saiu do ar após o criador da ferramenta receber um feedback negativo.

Aliás, vale o alerta de que tudo que é publicado nessas redes é, no mínimo, semi-público. Aja de acordo 👀

Robôs do Marreta estão disponíveis no Bluesky e Telegram

O Marreta agora tem robôs no Bluesky e Telegram para facilitar a derrubada de paywalls.

No Bluesky, você pode publicar o link e mencionar o perfil do Marreta, @marreta.pcdomanual.com, ou mencionar esse mesmo perfil em resposta a um post com link (exemplo).

O robô do Bluesky é criação do Joselito.

No Telegram, adicione o robô @leissoai_bot e envie links de notícias com paywall para receber outro link do Marreta ou de outros quebradores de paywall. (Esse robô é do Renan Altendorf, criador do Marreta.)

Dados de 1 milhão de posts do Bluesky são usados para treinar IAs

No último dia 15, o perfil oficial do Bluesky disse que “não usamos seu conteúdo para treinar IAs generativas e não temos a intenção de usá-lo”. / @bsky.app/Bluesky (em inglês)

Na noite desta terça (26), Daniel van Strien, funcionário da Hugging Face, uma espécie de marketplace de grandes modelos de linguagem (LLM), disponibilizou um conjunto de dados composto por 1 milhão de posts coletados da API do Bluesky. Ops! / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app, huggingface.co (ambos em inglês)

O protocolo AT, base do Bluesky, é completamente público. É por isso que ainda não é possível “trancar” um perfil. Tudo — posts, curtidas, RTs, quem segue quem — é disponibilizado em tempo real por uma API que eles chamam de “firehose”, ou mangueira de incêndio, em referência à alta vazão de dados que passa por ali.

Isso não é ruim. É graças a essa API que se pode criar aplicações criativas, análises jornalísticas e científicas e toda a sorte de coisas legais. E nem tão legais, como o conjunto de dados para treinar IAs.

Diante da repercussão, van Strien removeu o conjunto de dados do Bluesky da Hugging Face. Antes disso, o pacote estava entre os mais baixados da plataforma, ou seja, apesar de ter sido rápido, a remoção pode ter ocorrido tarde demais. / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app (em inglês)

O perfil do Bluesky também se manifestou. Disse que “é uma rede pública e aberta, como sites na internet”, e que estão analisando a inclusão de uma opção que permita aos usuários sinalizarem que não consentem com o uso de seus dados para o treinamento de IAs, como o famigerado robots.txt em sites. O que não garantiria qualquer coisa, visto que o robots.txt e uma opção similar no Bluesky não têm qualquer peso jurídico nem eficiência técnica. / @bsky.app@bsky.app (em inglês)

Isso não é exclusivo do Bluesky. A diferença é que outras empresas do setor fecharam suas APIs nos últimos anos para cobrarem (caro) por ela, casos do Reddit e do X, por exemplo.

Em qualquer lugar, mas ainda mais naqueles onde um terceiro controla seus dados e que não ofereça criptografia de ponta a ponta, é boa ideia considerar que tudo que for publicado, em público ou não, pode ser acessado por pessoas indesejadas em algum momento.

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Ainda no departamento das dores de crescimento do Bluesky, na segunda (25), a União Europeia deu um puxão de orelha na startup pela falta de uma página em seu site informando o número de usuários que residem no bloco e onde fica sua sede.

O Bluesky ainda está longe do piso para ser considerado uma “plataforma muito grande” segundo o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). A obrigação de expor as informações acima, porém, vale para todas as empresas que atuam na UE, disse o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, ao Financial Times. / ft.com (em inglês)