A nova onda da Huawei é faturar com patentes

por Shūmiàn 书面

Para driblar as sanções estadunidenses ou ao menos diminuir seus efeitos negativos, a Huawei está focada em licenciar suas patentes — conceder a outras empresas o direito de uso mediante pagamento — nas tecnologias 4G e 5G. Em comunicado, a empresa falou que a maioria dos smartphones de ponta vendidos hoje contém tecnologia sua, inclusive os da rival Samsung. Mas a Huawei não está interessada apenas em celulares: carros inteligentes também são um mercado em expansão. No mundo, já há mais de 8 milhões de veículos conectados à rede graças a tecnologias da empresa, que espera ver esse número triplicar nos próximos anos, segundo o South China Morning Post.

Cerca de 20% da receita da Huawei é investido em pesquisa e desenvolvimento. O Global Times informou que é a empresa chinesa que mais pede patentes na China e no mundo. De acordo com o SCMP, ela tem mais de 110 mil patentes internacionais ativas e ano passado entrou com pedido para o registro de mais 7 mil, tendo liderado o ranking global nos últimos cinco anos. Aliás, o GizmoChina noticiou que a Huawei pediu sua primeira patente de computação quântica, um chip e um aparelho. O computador quântico deve se tornar o próximo grande salto tecnológico na próxima década.


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O protocolo Gemini completa três anos nesta segunda (20). No post que celebra a data, Solderpunk, o criador anônimo do protocolo, diz que o número de cápsulas (como são conhecidos os sites no Gemini) mais que dobraram no último ano, mesmo com uma desaceleração nos eventos oficiais e desenvolvimento.

“Apesar das falhas de comunicação e liderança, as pessoas ainda está descobrindo o Gemini, ainda estão achando-o atraente o bastante em seu estado atual para darem uma chance, e encontrando softwares, documentação e assistência da comunidade o bastante para criar cápsulas.”

O Manual do Usuário foi um desses que descobriu o Gemini recentemente. O nosso meta blog, o Bastidores, também é uma cápsula no Gemini (gemini://). Via Official Project Gemini news feed (em inglês).

A assinatura paga do Telegram foi liberada neste domingo (19). No Brasil, ela custa R$ 24,90 por mês. Em troca, o usuário pagante do chamado Telegram Premium recebe limites dobrados, como envio de arquivos de 4 GB, e um monte de figurinhas e reações e outros elementos visuais exclusivos. Via Telegram.

Remova trechos de silêncio de vídeos automaticamente com o Auto-Editor

Se você faz vídeos e os edita — para redes sociais, treinamentos, aulas ou qualquer outro motivo —, deve detestar a parte de remover os momentos de silêncio deles. É fácil, mas demorado. E se existisse uma ferramenta para fazer esse trabalho braçal automaticamente?

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O BEREC, espécie de Anatel da União Europeia, revisou suas regras para “zero-rating” na quarta-feira (15) e passou a proibir a prática no bloco europeu.

O novo entendimento do BEREC é de que o zero-rating fere a neutralidade da rede, ou seja, o preceito de que os dados que trafegam pela internet não devem ser discriminados, e prejudica a competitividade entre empresas na internet.

Pode parecer que não à primeira vista, mas há entendimentos consolidados de que o zero-rating é prejudicial.

Primeiro, por dificultar a competição de empresas menores — como um aplicativo de mensagens poderia competir com o WhatsApp, que não desconta dados da franquia e funciona mesmo quando o consumidor não tem mais dados?

Segundo, como explica a pesquisadora Barbara van Schewick, do Centro para Sociedade e Internet, da Universidade de Stanford, o subsídio do zero-rating costuma vir de dados de uso geral.

Ela usa o exemplo da Alemanha, que havia se antecipado à União Europeia e banido o zero rating em abril. Depois disso, as duas maiores operadoras do país aumentaram as franquias dos consumidores sem alterar preços.

Por aqui, o Marco Civil da Internet garante a neutralidade de rede, mas, em 2017, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entendeu que o zero-rating não gerava efeitos anticompetitivos e liberou a prática. Via BEREC, Centro para Sociedade e Internet (ambos em inglês), TeleSíntese.

Agenda dos jogos da Copa do Mundo e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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A Bitz, carteira digital do Bradesco, foi o aplicativo de bancos digitais/fintechs mais baixado do Brasil em maio, com 3,4 milhões de downloads, de acordo com levantamento do Bank of America (BofA).

Ao Neofeed, Curt Zimmermann, CEO da Bitz, disse que “Sem dúvida, as pessoas abrem conta devido aos estímulos. Cada vez que tem o estímulo, aumenta o número de downloads”.

No momento, a Bitz dá R$ 15 no cadastro, um bônus para indicações e, segundo o site oficial, cashback em todas as compras (sem especificar quanto). Fica a dúvida de até que ponto isso se sustenta. Via Neofeed.

O Plasma 5.25, nova versão do ambiente gráfico para Linux do pessoal do KDE, chegou na última terça (14) cheia de novidades. Destaques para os gestos no trackpad e novos modos de visualização da área de trabalho, cor de realce automaticamente extraída do papel de parede e ainda mais personalização. No anúncio (link ao lado) tem um punhado de vídeos para demonstrar o que há de novo. Via KDE (em inglês).

HP Dev One e o espaço de notebooks Linux na era do Linux no desktop dos outros

por Cesar Cardoso

Num mundo em que o grande consumidor de PCs são os desenvolvedores (comprando ou recebendo da empresa onde trabalham), os containers Docker são a unidade básica de computação, os containers Docker funcionam bem somente em Linux sob x86, e os dois grandes sistemas operacionais de desktop têm suporte a Linux sob x86 na primeira classe (WSL sob Windows 10/11 e Rosetta 2 sobre macOS Ventura)… qual o espaço dos notebooks Linux puro-sangue?

Já sabemos que a HP e a System76 tentam responder a esta pergunta com o HP Dev One. E por isso estava esperando ansiosamente que brotasse no lab de Michael Larabel e de lá virasse um review.

A HP não inventou, foi direto ao assunto: pegou um setup palatável para todo um enorme espectro de desenvolvedores (a não ser que seu desenvolvimento seja para CUDA, porque não tem Nvidia e sim AMD Radeon) e para os power users que querem um notebook Linux sem muito blob proprietário (sim, não tem Coreboot e sim a boa e velha BIOS/UEFI proprietária, mas as GPUs Radeon não precisam de módulos proprietários para funcionarem etc). Em ambos os casos, com uma distro suportada por padrão (Pop!_OS), mimos que só gente grande consegue dar (tipo a HP trabalhar com a AMD para que o terror de qualquer usuário de notebook Linux, suspend/resume, funcionar direito) a um preço interessante, competitivo com outras máquinas Linux de fabricantes menores e mesmo da Dell+Ubuntu.

No geral, é uma boa ideia de colaboração entre uma OEM grande mas que não tinha nada competitivo (tirando uns notebook ultra especializados para cientistas de dados e desenvolvedores IA) em Linux e um OEM menor, especializado em Linux e que tem sua própria distro. E, o mais importante, abre um espaço para os notebooks Linux puro-sangue no mundo em que é possível rodar apps Linux em praticamente qualquer outro sistema operacional.


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Um memorando da Meta assinado por Tom Alison, responsável pelo Facebook, e vazado pelo The Verge, revelou a próxima grande mudança prevista para o Facebook: mais conteúdo recomendado de perfis e páginas que o usuário não segue. Sem surpresa, a rede social original da empresa ficará mais parecida com o TikTok.

O que poderia dar errado?

Outra novidade, também inspirada no TikTok, é trazer de volta o Messenger para o aplicativo principal do Facebook. (Há oito anos, numa decisão controversa, a empresa separou as duas áreas em aplicativos distintos.)

Nem o memorando, nem Tom especificam quando as mudanças chegarão ao Facebook, mas a julgar pela urgência da Meta em transformar os aplicativos da casa numa tentativa desesperada de conter o avanço do TikTok, não deve demorar muito. Via The Verge (em inglês).

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo (em inglês), por Kyle Chayka na New Yorker:

A dinâmica que [Kate] Eichhorn descreve é familiar a qualquer pessoa que use redes sociais com qualquer regularidade. Ela não rompe com a nossa compreensão da internet tanto quanto esclarece, em termos eloquentemente diretos, como ela criou uma corrida brutal ao fundo do poço. Sabemos que o que publicamos e consumimos nos meios de comunicação social parece cada vez mais vazio, e mesmo assim somos impotentes para interromper isso. Talvez se tivéssemos uma linguagem melhor para o problema, seria mais fácil resolvê-lo. “Conteúdo gera conteúdo”, escreve Eichhorn. Tal como com o ovo do Instagram, a melhor maneira de obter mais capital de conteúdo é já tê-lo.

Em novembro de 2021, o Nubank comprou a fintech Olivia, que tinha uma inteligência artificial que ajudava os usuários a conhecer seus hábitos de consumo e a economizar. Agora, o neobanco avisou que o aplicativo e a marca Olivia serão encerrados no próximo dia 15 de julho.

O comunicado oficial ensina a exportar os dados da Olivia num arquivo *.csv. Do lado do Nubank, os dados dos usuários armazenados pela Olivia serão, em grande parte, excluídos — “apenas cerca de 5% dos dados de transações na base da Olivia devem ser anonimizados para estudos internos”.

Sem dar prazos, o Nubank diz que aos poucos o aprendizado obtido com a Olivia será integrado ao seu aplicativos. Via Nubank.

Relacionado: A boa e velha planilha eletrônica para o controle de gastos.

Em 2021, o WhatsApp passou a permitir a migração de contas, incluindo todo histórico de conversas, do iPhone para celulares Android — ainda que, até o momento, de forma bastante limitada, somente em celulares Samsung e Google.

Agora, passa a ser possível o caminho contrário, ou seja, migrar de um Android para o iPhone (veja como fazer). Via @zuck/Facebook (em inglês).

A Microsoft aposentou o Internet Explorer. A partir desta quarta (15), o IE 11, última versão do navegador, não tem mais suporte da empresa.

Ao longo dos próximos meses, usuários que ainda usam o IE serão redirecionados aos poucos para o Edge com o “IE Mode”, uma espécie de “Internet Explorer dentro do Edge” para aplicações legadas que dependem de algum recurso exclusivo do IE. No futuro, uma atualização do Windows desabilitará o IE e removerá ícones dele.

O IE foi pivô do grave processo antitruste que a Microsoft respondeu no final dos anos 1990, quando usou o domínio do Windows para tirar a Netscape do mercado e empurrar o IE aos seus usuários. No início dos anos 2000, o IE 6 era tão dominante que sua estagnação significou a estagnação da própria web. O Firefox começou a mudar esse cenário em 2004, mas foi só em 2008 que o nêmesis do IE surgiu: o Chrome, do Google. Via Microsoft (em inglês).

Post livre #321

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