A Jana tem uma plataforma chamada mCent que oferece amostras de apps com conectividade gratuita através de parcerias com mais de 200 operadoras ao redor do mundo. (Pense numa Internet.org sem a panfletagem beneficente.) Graças a isso, a empresa libera vez ou outra alguns estudos estatísticos sobre o estado da Internet móvel no mundo.
O último mostra que hardware não é mais a maior barreira ao acesso. Desde 2013 o preço mínimo do smartphone caiu pela metade; hoje, ele é de US$ 31. A Jana estima que em 2020 seremos 6,1 bilhões de pessoas com smartphones.
O problema, atualmente, é a conectividade. De acordo com o mesmo levantamento, na Índia 50% dos usuários mantêm seus aparelhos com a conexão de dados desativada por padrão. Nos mercados emergentes, 85% dos proprietários de smartphones usam planos pré-pago.
Chamou-me a atenção o Brasil no ranking de horas trabalhadas para bancar um plano de dados de 500 MB/mês. Numa outra pesquisa do começo do ano, a Jana nos posicionou na lanterna, dizendo que era preciso trabalhar quase 35 horas (!) para cobrir esse custo. Já no post mais recente, o gráfico aponta 13 horas. Como é improvável que tenhamos melhorado tanto em tão pouco tempo, pintou a dúvida: qual é o certo?
O salário mínimo no Brasil hoje é de R$ 788. Considerando uma jornada de 44h semanais, e quatro semanas de trabalho por mês, nosso ganho fica em R$ 5,40/hora. De acordo com um levantamento recente do Tecnoblog, um plano pós-pago de 500 MB/mês custa, em média, R$ 49,90 (Oi e Vivo). Assim:
49,9 / 5,4 = 9,24 horas
Ainda não é exatamente barato e o fato de ser R$ 49,90 numa tacada só, num compromisso mensal, afasta esse cenário da realidade. O brasileiro usa pré-pago. (Pelos dados mais recentes que encontrei, de junho de 2013, a nossa realidade, de 83% da base no pré-pago, bate com a estimativa da Jana, de 85%.) Independentemente das discrepâncias, essa ainda é uma grande barreira — não só aqui, aliás. (mais…)