A portaria 167 da Receita Federal, publicada no Diário Oficial da União nesta terça (19), autoriza o Serpro a vender dados pessoais sob a guarda da Receita para terceiros. Se nada mudar até lá, a medida passa a valer em 1º de maio.

Entre os dados possíveis de serem vendidos estão alguns considerados sensíveis e que, se frutos de vazamento, devem ser comunicados às autoridades, segundo a LGPD. Coisas como e-mail, telefone, CPF e CNPJ. A lista completa é quilométrica e está anexada à portaria.

No mesmo dia, o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) deu entrada em um projeto de decreto legislativo na Câmara para sustar os efeitos da portaria. Ele alega que a decisão da Receita Federal fere a LGPD e o inciso X do artigo 5º da Constituição, e que falta transparência quanto ao modo como a venda de dados pelo Serpro será feita. Via Convergência Digital, Capital Digital.

A Netflix esperava ganhar 2,5 milhões de novos assinantes no primeiro trimestre de 2022. Perdeu 200 mil. Foi a primeira retração da base de assinantes desde 2011. Não só: a previsão para o próximo trimestre é de nova retração, uma perda de 2 milhões de assinantes.

Parece, afinal, que a Netflix bateu no teto. E isso não vai sair barato para os usuários — literalmente.

Na conversa com investidores após a divulgação do balanço, Reed Hastings, CEO da empresa, sugeriu a criação de um plano mais barato sustentado por anúncios, similar ao que a HBO Max oferece nos Estados Unidos.

Reed também falou do compartilhamento de senhas, que a Netflix começou a atacar. Hoje, a empresa tem 222 milhões de assinantes pagantes e outras 100 milhões de casas usam senhas compartilhadas pelos assinantes (leia-se: sem pagar nada). A Netflix já está testando uma cobrança adicional para essa galera que não paga pelo acesso.

O compartilhamento de senhas é um dos motivos apontados pela empresa para justificar a retração. O acirramento da competição no setor de streaming nos últimos três anos e os “macro-fatores”, como a pandemia, a guerra da Ucrânia e a inflação, também são citados na carta aos investidores.

As ações da Netflix despencaram 25% nas negociações pós-pregão. Via Netflix (PDF), CNBC (ambos em inglês).

Na última quinta (14), a Meta anunciou uma grande atualização do WhatsApp: as comunidades, recurso que agrega grupos em HUBs e permite disparar mensagens para até ~2,5 mil pessoas de uma só vez.

A empresa reafirmou o compromisso feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de não alterar o funcionamento do WhatsApp até as eleições deste ano. No Brasil, as comunidades só chegarão depois de outubro, quando ocorre o pleito.

Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição presidencial, não gostou da exceção feita ao Brasil. “É inadmissível, inaceitável, e não vai ser cumprido”, disse em uma motociata em São Paulo, na sexta (15). No dia seguinte, o presidente disse que solicitaria uma reunião com o WhatsApp.

Do outro lado, o Ministério Público Federal (MPF) quer adiar ainda mais as comunidades do WhatsApp. Em um ofício do órgão enviado ao WhatsApp e obtido pela Reuters, o MPF sugeriu a possibilidade de deixar as comunidades no Brasil para 2023.

O MPF citou expressamente os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos, quando, incitada pelo então presidente norte-americano, o republicano Donald Trump, uma turba invadiu o Capitólio, causando ferimentos e mortes.

O WhatsApp tem dez dias para responder o questionamento do MPF.

Em nota à Reuters, o WhatsApp esclareceu que a decisão de congelar novas funcionalidades antes do fim das eleições brasileiras de 2022 não é fruto de um acordo com o TSE, mas sim uma iniciativa da empresa. Via LABS News, O Globo.

Demorou, mas enfim o aplicativo oficial do Mastodon chegou ao Android. O aplicativo é bem parecido com a versão para iOS, lançada em julho de 2021.

Feito para usuários iniciantes no fediverso, o ambiente descentralizado onde o Mastodon foi construído, o aplicativo oficial é criticado por usuários de longa data por ocultar algumas características avançadas da plataforma, como o feed da instância.

Para quem está chegando agora, porém — e parece ser bastante gente, preocupada com a possibilidade de Elon Musk adquirir o Twitter —, o app é uma introdução suave e bem feita ao universo do Mastodon.

Encontre o aplicativo aqui. (Se você usa iPhone, o link é este.) Via @Gargron@mastodon.social.

O Twitter optou por não ceder — ao menos, não sem lutar — à investida de Elon Musk para adquirir 100% da empresa por US$ 43 bilhões e torná-la privada outra vez.

Na sexta-feira (15), o conselho de administração do Twitter votou por unanimidade a favor do uso da “poison pill” (“pílula venenosa”, em tradução livre) para dificultar a vida de Musk.

A “poison pill” é um mecanismo de defesa contra aquisições hostis previsto no estatuto de empresas listadas na bolsa. Ao engolir a pílula envenenada, as regras acionárias mudam.

Se um indivíduo ou grupo adquirir mais de 15% das ações do Twitter no mercado aberto, ou seja, sem o aval do conselho, outros acionistas ganharão o direito de comprar ações com desconto.

Essa manobra compra tempo para o conselho negociar a aquisição com o proponente da aquisição hostil e encarece o prêmio sobre o valor das ações que ele teria que desembolsar para comprar toda a empresa.

A “poison pill” do Twitter tem validade até 14 de abril de 2023. Via Seu Dinheiro, Valor Investe.

O varejo brasileiro é digital. Levantamento feito pela repórter Daniele Madureira, da Folha de S.Paulo, a partir dos balanços financeiros de grandes varejistas nacionais, constatou que elas já vendem mais pela internet do que nas lojas físicas:

  • Via (Casas Bahia e Ponto): 59% das vendas no digital;
  • Magazine Luiza: 71%; e
  • Lojas Americanas: 76%.

Apesar disso, as lojas físicas ainda são importantes pela logística, como ponto de apoio e até para emanar confiança aos consumidores. Tanto que, nesse mesmo período, as varejista continuaram abrindo novas lojas físicas.

Esse caldeirão do novo varejo brasileiro ainda tem outros ingredientes importantes, como o WhatsApp, os marketplaces e a pandemia. Via Folha de S.Paulo.

O fundador e CEO do DuckDuckGo, Gabriel Weinberg, foi ao Twitter desmentir relatos — repercutidos neste Manual — de que o buscador estaria suprimindo sites de pirataria e do youtube-dl do seu índice.

Segundo Gabriel, “nosso operador site: (que quase ninguém usa) está com problemas, e estamos cuidando disso”.

O operador site: restringe os resultados da pesquisa a um domínio. Se você pesquisar por site:manualdousuario.net duckduckgo, por exemplo, verá apenas resultados relacionados ao termo “duckduckgo” no site manualdousuario.net.

No momento, a busca acima não retorna resultados, sinal de que o operador está mesmo quebrado. Via @yegg/Twitter (em inglês).

Atualização (17/4, às 9h15): O CEO do DuckDuckGo foi ao Twitter explicar o problema. Veja o que ele disse.

Ainda não se sabe o motivo, mas o DuckDuckGo removeu do seu índice diversos sites de pirataria e o site oficial do youtube-dl, um popular aplicativo de linha de comando para baixar conteúdo do YouTube.

O TorrentFreak, que deu a notícia em primeira mão, cogita que tais remoções possam estar relacionadas a direitos autorais — mesmo no caso do youtube-dl, que não é, em essência, uma ferramenta destinada à pirataria. Eles tentaram contato com o DuckDuckGo, mas não tiveram resposta até o momento.

Tal prática é comum em buscadores, mas costuma ser motivada. O Google, por exemplo, remove sites de seu índice a pedido da Justiça e, quase sempre, de modo regionalizado. As remoções do DuckDuckGo afetam o mundo todo e não foram justificadas até o momento. Via TorrentFreak (em inglês).

A Meta (ex-Facebook) quer estar vendendo “dezenas de milhões” de óculos de realidade virtual até o fim da década, e os primeiros modelos comerciais desse ambicioso plano devem chegar ao mercado em 2024.

Os detalhes foram revelados pelo The Verge, que obteve o cronograma da empresa.

Mark Zuckerberg, co-fundador, CEO e manda-chuva da Meta, encara os óculos de realidade aumentada como um “novo momento iPhone” e está disposto a arriscar bilhões de dólares e o futuro da empresa neles.

“O ego de Zuck está interligado [aos óculos]”, disse uma fonte anônima à reportagem. Via The Verge (em inglês).

O empresário Elon Musk fez uma proposta de aquisição hostil da totalidade das ações do Twitter por US$ 54,20/ação, um negócio de US$ 43 bilhões.

O valor representa um prêmio de 54% sobre o preço das ações da empresa no dia 28 de janeiro, véspera da primeira compra de ações feita por ele.

Após o anúncio, as ações do Twitter sobem 11% no pré-mercado.

Em documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, espécie de CVM dos Estados Unidos), Musk disse que o Twitter “não irá prosperar nem servir ao imperativo social [da liberdade de expressão] em sua forma atual. O Twitter precisa ser transformado como uma empresa privada”.

E deu um ultimato: “Se o negócio [aquisição] não funcionar, visto que não tenho confiança na diretoria nem acredito que consiga fazer as mudanças necessárias no mercado aberto, precisaria reconsiderar minha posição como acionista.”

“O Twitter tem um potencial extraordinário. Eu o liberarei”, finalizou Musk. Via SEC, Bloomberg (ambos em inglês).

Lembra do NFT do primeiro post de Jack Dorsey no Twitter, vendido por US$ 2,9 milhões em março de 2021?

Seu dono, o empreendedor iraniano de criptoativos Sina Estavi, resolveu colocá-lo à venda em um leilão na OpenSea. Ele esperava arrecadar US$ 48 milhões com a revenda.

Foi um fiasco. Até esta quarta (13), quando a CoinDesk, uma publicação especializada em criptomoedas, noticiou o leilão, o maior lance havia sido de US$ 280, um prejuízo de 99,99%.

Após a publicação, alguns lances maiores foram feitos. No momento em que escrevo esta nota, o maior é de US$ 6,8 mil, o que ainda representa uma queda de 99,76% em relação ao preço original.

Paris Marx, no Twitter:

Quer dizer que aqueles grandes negócios como a venda do Beeple de US$ 69 milhões e o post no Twitter de Jack de US$ 2,9 milhões foram projetados para ganhar manchetes de modo a incentivar as pessoas a despejar dinheiro em bens especulativos onde a maior parte dos ganhos seria capturada por um pequeno número de baleias?

Surpreendente.

É assim que pirâmides começam a desmoronar? Via CoinDesk.

Sem alarde, o Google lançou um aplicativo para iOS que facilita a migração de dados de usuários que estão do iPhone para um Android. O aplicativo, que é gratuito, foi batizado Mudar para o Android.

A estratégia é similar à que a Apple emprega desde 2015 com o aplicativo para Android Migrar para iOS. Via TechCrunch (em inglês).

O KeePassXC é ótimo no macOS, mas para quem usa o Safari ele tem um problema chatinho: não preenche automaticamente as senhas no navegador.

Existem aplicativos alternativos que suprem essa lacuna e mantêm compatibilidade com os arquivos *.kdbx, como o Strongbox e o MacPass. Esse último, gratuito e de código aberto, há muito estava defasado, sem compatibilidade com as últimas versões do macOS (Big Sur e Monterey) nem com os chips M1, da Apple.

Não mais. Em fevereiro, o MacPass foi enfim atualizado (versão 0.8) e voltou a funcionar sem sustos nas últimas versões do macOS. Digo, quase: uma mini-atualização, a 0.8.1, foi lançada às pressas para sanar uma falha que travava o app quando se tentava salvar alterações no banco de dados.

O ícone do MacPass ainda não segue o padrão estabelecido no Big Sur, mas… né? Detalhes. Baixe a última versão aqui ou, usando o Homebrew, instale-o com o comando brew install --cask macpass.

A Polícia Civil de São Paulo investiga a participação da facção PCC na onda de furtos e roubos de celulares para desfalcar contas bancárias via Pix.

Reportagem da Folha de S.Paulo desta terça (12) detalhou o golpe com base no depoimento de um homem de 22 anos ligado ao esquema:

O homem preso na semana passada contou, segundo a polícia, que insere o chip do celular furtado ou roubado em um segundo aparelho para “quebrar” senhas e então acessar o telefone da vítima.

A partir daí, um segundo “especialista” entra em ação, para “quebrar” senhas bancárias e acessar as contas. “Ainda estamos investigando como fazem isso”, afirma o delegado.

Na sequência vem o “tripeiro”, como é conhecido o responsável pelo gerenciamento dos “conteiros” — pessoas que negociam o uso de seus dados bancários em troca de um percentual do lucro — ou então de contas abertas com documentação falsa. É ele quem coordena saques e transferências.

Compreender o golpe ajuda a levantar defesas mais eficazes.

Com base nesse relato, presume-se que uma das melhores é definir um PIN (senha) para o chip/SIM card. Dessa forma, toda vez que o celular for reiniciado ou o chip/SIM card for inserido em outro aparelho, será necessário inserir o PIN, uma senha numérica de quatro dígitos, para ativá-lo.

A Apple explica como configurar o PIN no iPhone — segundo a reportagem, o modelo de celular mais visado. No Android, procure a opção “Configurar bloqueio do SIM” nas configurações do sistema.

Esta página traz os códigos PIN padrões das operadoras brasileiras.

De volta à Folha:

Tudo, de acordo com o delegado, é muito rápido, para evitar que bancos tenham tempo de bloquear as contas das vítimas. “Tem que ser, no máximo, no mesmo dia”, explica. Por isso, ele ressalta, quem teve o celular levado deve registrar logo o caso, além de avisar o banco.

Vale lembrar que, no caso do iPhone, o acesso ao Buscar, que permite localizar e bloquear ou excluir o conteúdo do celular remotamente, dispensa o segundo fator de autenticação. Se perder o celular, faça isso o mais rápido possível, comunique a operadora, os bancos, troque senhas e registro um boletim de ocorrência. Via Folha de S.Paulo.

Atualização (11h45): Acrescentada orientação de como configurar o PIN do SIM card em celulares Android.

O DuckDuckGo liberou, em caráter beta, seu navegador para macOS. (A versão para Windows chega em breve; Linux não está nos planos.)

O navegador chama a atenção logo de cara por não ser baseado no Chromium, caso de todos os navegadores recentes que não se chamam Safari ou Firefox. Em vez disso, o DuckDuckGo para macOS usa uma API do próprio sistema para renderizar sites. Em outras palavras, é um Safari envelopado com recursos do DuckDuckGo.

Esses recursos são parecidos com os existentes nos navegadores da marca para celulares, como um bloqueador de rastreamento simples e o botão da chama/fogo, que exclui todos os dados de um site. Não espere, porém, a mesma complexidade e poder de extensões como uBlock Origin ou 1Blocker.

Por ora, o DuckDuckGo para macOS não suporta extensões. Os desenvolvedores dizem que as mais populares costumam ser as de bloqueadores de anúncios e gerenciadores de senhas, ambos os recursos presentes nativamente. O problema é abandonar gerenciadores de senhas multiplataforma em prol do do DuckDuckGo, que, por ora, só existe no navegador desktop.

Para usar o DuckDuckGo beta para macOS, é preciso entrar em uma lista de espera no aplicativo móvel. O link ao lado explica. Via DuckDuckGo (em inglês).