O Brasil escapou do reajuste nos preços de aplicativos e compras dentro de apps da App Store, mas não saiu ileso: alguns serviços da Apple, como Apple TV+, Apple Music e Apple One, ficaram até 50,5% mais caros (caso do streaming, que foi de R$ 9,90 para R$ 14,90/mês), segundo levantamento do MacMagazine.

Chama a atenção o reajuste do Apple Music, que de streaming mais barato (R$ 16,90/mês) saltou para o topo dos mais caros (R$ 21,90; rivais como Deezer e Spotify cobram R$ 19,90). Via Apple (em inglês), MacMagazine.

Quatro anos parece pouco tempo, mas às vezes esse intervalo separa eras muito distintas.

Em 2018, celulares com TV digital estavam em alta, impulsionados pela Copa do Mundo da Rússia. Havia tantos no mercado que dava para montar listas, como esta que fizemos no jornal-que-virou-panfleto-extremista Gazeta do Povo.

A Samsung contratou o técnico da seleção brasileira, Tite, como garoto-propaganda, e o levou ao anúncio de um desses aparelhos furrebas com TV digital, um Galaxy J-qualquer-coisa.

Faz tempo que não se ouve falar em novos celulares com sinal de TV aberta. Os eventos esportivos migraram para o streaming — a maioria dos campeonatos de times, do Brasil aos europeus, é transmitida por plataformas distintas, do YouTube ao HBO Max, passando pelo Star+ (Disney).

No Brasil, a Copa do Mundo do Catar será transmitida pelo Globoplay (em 4K), segundo o Notícias da TV, e talvez em outro serviço, ainda indefinido, graças a um acordo firmado em 2021 entre Globo e FIFA (via Uol).

Sabe aqueles anúncios não puláveis de 6 a 15 segundos que o YouTube exibe antes dos vídeos? Alguns usuários têm relatado verem até dez (!) deles em sequência.

Entendo que a crise bateu e o Google quer vender assinatura do YouTube Premium, mas calma lá. Isso aí é um abuso.

Na TV é difícil ignorar os anúncios do YouTube sem morrer em R$ 20 por mês, valor da mensalidade do YouTube Premium. No computador e em celulares, por outro lado, dá para fazer. Via 9to5Google (em inglês).

A Avast comprou, por um valor não divulgado, a extensão I don’t care about cookies, que, como o nome sugere, elimina aqueles popups chatos em sites que pedem ao usuário para aceitarem ou rejeitarem cookies.

É uma boa hora para desinstalá-la. Aquisições do tipo geralmente ocorrem pelo acesso direto aos usuários — e a IDCAC tem muitos deles, pelo menos 1,5 milhão no Chrome, Firefox e Edge somados.

A funcionalidade pode ser replicada usando esta lista de regras de domínio, da própria extensão, em outra, a uBlock Origin. Via I don’t care about cookies (em inglês).

O TikTok anunciou nesta quinta (15) o TikTok Now, um “desafio diário” em que a plataforma envia uma notificação e os usuários tiram uma foto ou fazem um vídeo de até dez segundos usando as câmeras principal e frontal do celular. Já disponível nos EUA, em breve em outros países.

Até na hora de copiar o Instagram, que vem “testando” um recurso similar, fica atrás do TikTok.

O BeReal, que criou o recurso, está sendo jantado em praça pública pelas plataformas. Nem deu tempo de receber propostas e abrir capital, como aconteceu com o Snapchat. Será que aguenta até o fim do ano? Via TikTok.

A Adobe anunciou a compra do Figma por US$ 20 bilhões, em dinheiro e ações. O negócio depende da aprovação de órgãos reguladores e deve ser finalizado em 2023.

A compra é vista como um movimento para neutralizar um concorrente promissor — A Adobe já tem um aplicativo similar, o Adobe XD — e com grande potencial de receita. O valor pago pela Adobe é 100% maior que o do último “valuation” do Figma, de US$ 10 bilhões, anunciado em junho de 2021, quando a startup havia levantado US$ 200 milhões junto a investidores. Via Adobe, TechCrunch (ambos em inglês).

Andy Baio compilou comunicados de algumas comunidades online que baniram o uso de ilustrações/imagens geradas por inteligências artificiais, como o DALL-E 2, Midjourney (que já ganhou um concurso) e Stable Diffusion.

O DeviantArt, uma das maiores do tipo, ainda não tomou partido, mas Andy diz que as reclamações de usuários humanos do enorme volume de ilustrações geradas artificialmente têm aumentado.

O Lexica dá uma boa dimensão do problema que essas IAs representam a tais comunidades: trata-se de um banco de imagens pesquisáveis que já contém 10 milhões de imagens, todas geradas em poucas semanas por alguns beta testers da Stable Difussion. O volume de produção está em outra magnitude, em uma escala não-humana. Via Waxy (em inglês).

O Roku OS 11.5, anunciado nesta segunda (12) pela Roku, traz novos recursos que aproximam o sistema dos das rivais Apple e Google.

As duas novidades mais práticas são a criação de uma lista de “assistir depois” global e acesso também global à continuidade de filmes e séries a que o usuário está assistindo. Em vez de compartimentadas em cada streaming, agora o Roku OS oferece interfaces do tipo unificadas, o que deve facilitar a vida de quem assina/tem acesso a vários serviços.

Outra novidade é uma espécie de feed chamado The Buzz. Os serviços de streaming poderão usá-la para divulgar novos produtos e trailers, com direito a botões para iniciar a transmissão ou salvar para assistir depois.

Há outras novidades menores, envolvendo áudio e a loja de aplicativos. A Roku também anunciou um novo subwoofer e uma versão atualizada do Roku Express, sua caixinha de entrada, agora com suporte a Wi-Fi dual band (5 GHz) e mesmo preço de antes — lá fora; por aqui, ainda sem detalhes. Via Roku (em inglês).

A Amazon atualizou o Kindle de entrada e, talvez eu esteja perdendo algum detalhe, mas eliminou os principais motivos para alguém pagar mais caro no modelo Paperwhite e superiores?

O novo Kindle ganha a tela de alta definição (300 PPI), dobra a memória interna para 16 GB e troca a velha porta microUSB por uma USB-C. Está disponível em duas cores, o tradicional preto e um azul “calça jeans”.

Os únicos diferenciais do Paperwhite, um produto R$ 200 mais caro, são a tela ligeiramente maior (6,8 polegadas contra 6 do Kindle comum), resistência à água e o sistema de iluminação melhor, com mais LEDs e sensor que ajusta automaticamente o brilho.

O novo Kindle ficou um tiquinho mais caro, saindo a R$ 499 — o modelo anterior, de 10ª geração, continua à venda por R$ 449. A pré-venda já começou, com entregas previstas para 13 de outubro. Via Amazon.

O macOS Ventura só chega em outubro (data ainda não especificada), mas o Safari 16 já está entre nós, compatível com as versões 11 (Big Sur) e 12 (Monterey). O iOS 16, lançado nesta segunda (12), também já conta com a última versão do navegador da Apple.

Para atualizar o Safari, siga o caminho de atualizações do sistema, ou seja, entre em Preferências e depois em Atualização de software. O Safari 16 já deverá estar disponível.

A maioria das novidades, como de praxe, é destinada a desenvolvedores web. Das perceptíveis ao usuário final, temos suporte a chaves-senha, ao formato de imagem *.avif e a pagamentos recorrentes no Apple Pay. A lista completa pode ser lida no link ao lado. Via Apple, WebKit (ambos em inglês).

O Wall Street Journal obtive um documento interno da Meta, intitulado “Creators x Reels State of the Union 2022”, com dados suculentos da rixa entre Instagram e TikTok. Destaques de lá:

  • A audiência acumulada dos Reels, a resposta do Instagram ao TikTok, é de 1/10 do rival chinês: 17,6 milhões de horas por dia consumidas em Reels no Instagram contra 197,8 milhões de horas por dia no TikTok.
  • Nos EUA, apenas 20,7% dos cerca de 11 milhões de criadores de conteúdo do Instagram estão produzindo Reels.
  • Cerca de 1/3 dos Reels publicados no Instagram são originários de outras redes sociais, em especial o TikTok.
  • O engajamento dos usuários do Instagram com Reels tem caído. Em agosto, data da publicação do documento, a audiência dos Reels estava em queda de 13,6% em relação às quatro semanas anteriores.
  • Do documento: “A maioria dos usuários de Reels não têm qualquer engajamento.”

A Meta disse, via porta-voz, que os números são desatualizados e não refletem a realidade. Só não especificou qual realidade, se a nossa ou a em que Mark Zuckerbergh parece estar vivendo. Via Wall Street Journal (em inglês).

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, analisou o impacto psicológico do uso do Twitter.

Os pesquisadores descobriram que o uso do Twitter está associado com diminuição do bem-estar, aumento da polarização, aumento do senso de pertencimento, aumento da indignação e aumento do tédio.

Apesar disso, eles não recomendam o abandono do Twitter, porque variações no modo de uso da rede resultam em efeitos distintos, às vezes contrário aos relativos à média. Leia o paper (em pre-print, em inglês) na íntegra clicando aqui.

O AdGuard, empresa especializada em soluções de bloqueio de conteúdo/anúncios, lançou a primeira extensão do Chrome adaptada ao Manifesto V3, a nova (e polêmica) API de extensões do navegador do Google que limita a ação de bloqueadores de anúncios e será obrigatória a partir de janeiro de 2023.

A extensão ainda tem caráter experimental. Ciente disso, baixe-e aqui.

Em um post no blog oficial, a empresa explica detalhadamente todos os entraves que o Manifesto V3 impôs ao desenvolvimento de uma versão da extensão do Chrome compatível — alguns, intransponíveis. Apesar da dor de cabeça, ela conclui que:

Embora a extensão experimental não seja tão efetiva quanto sua antecessora, a maioria dos usuários não sentirá a diferença. A única coisa que você talvez note são anúncios piscando devido ao atraso na aplicação de regras cosméticas.

Via AdGuard (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Em mais um capítulo da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, Washington mandou a AMD parar de vender seu chip de inteligência artificial mais avançado para a China, medida que se estendeu também à Nvidia.

Pequim considerou o banimento um ato de “hegemonismo tecnológico”, mas representantes do setor na China consideram que, apesar das dificuldades iniciais, a decisão dos EUA deve impulsionar a indústria chinesa de chips. Mas, em contraste, as restrições ao compartilhamento de tecnologia com a Huawei foram aliviadas para conter o avanço chinês na padronização tecnológica global, segundo apurou a Bloomberg.

De todo modo, os EUA estudam ainda limitar os investimentos feitos por empresas do país em companhias de tecnologia da China: o governo Biden estaria negociando com o Congresso a formulação de uma lei que exija a divulgação antecipada de investimentos em determinados setores industriais chineses e que dê ao governo o poder de vetá-los.

Ainda no campo da tecnologia, autoridades chinesas acusaram os EUA, especificamente a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), de tentarem hackear a Universidade Politécnica do Noroeste em Xi’an. A instituição participa ativamente em pesquisas envolvendo os programas aeronáutico e espacial chinês. Será que o jogo virou?

Falando de relações China-EUA, a pesquisadora Yuen Yuen Ang publicou um excelente texto na revista Noema sobre o que está em jogo na competição das grandes potências. Segundo a autora, longe de um “confronto civilizacional” ou de uma “nova guerra fria”, Pequim e Washington estão em uma corrida para domar os excessos do capitalismo, cada um a seu modo. Vale um cafezinho.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Um alerta do tipo “first world problems”, mas… né, importante: se você tem um iPad ou Mac além do iPhone, talvez seja uma boa esperar para atualizar o celular para o iOS 16, a nova versão disponível ao público nesta segunda (12).

O iPadOS 16 e o macOS 13 Ventura saem mais tarde, provavelmente em outubro. Nesse ínterim, usar o iOS 16 no celular pode causar algumas anomalias na sincronização entre esses dispositivos, daí a recomendação para adiar a atualização do iPhone.

Às vezes, essas incompatibilidades são sutis e difíceis de detectar. Mês passado, por exemplo, notei que o Safari do meu MacBook não estava sincronizando com o celular e o tablet. Daí vi que o notebook era o único do trio que ainda não estava na versão mais recente, que corrigia umas falhas, entre elas uma no Safari. Bastou atualizado o macOS e o Safari voltou a sincronizar direito.

O iOS 16 traz algumas novidades relevantes, com destaque para a nova tela de bloqueio personalizável e com suporte a widgets. Apesar disso, eu escolhi esperar.