A App Store agora aceita centenas de novos preços, incluindo valores redondos (R$ 5,00), menores que o antigo piso (no Brasil, era de R$ 4,90) e que podem chegar a US$ 10 mil (os 100 maiores preços só serão liberados mediante solicitação).

Outra novidade importante é uma automação para manter a equivalência de preços em todas as fachadas (175) e moedas (44) com que trabalha.

A conferir como essa maior granulação afetará os preços dos aplicativos e assinaturas da App Store.

A medida, vale mencionar, é resultado de um acordo que a Apple costurou com a Justiça dos Estados Unidos em agosto de 2021. Via Apple (em inglês).

Faz tempo que aplicativos de mensagens deixaram de ser versões melhoradas do SMS. Eles evoluíram: hoje são, também, utilitários e a base de comunidades, e as empresas que os desenvolvem têm apoiado essas transformações.

Recursos como as comunidades do WhatsApp e os tópicos do Telegram reconhecem o uso dos aplicativos de mensagens para comunidades. São versões limitadas de aplicativos mais modernos que têm isso no DNA, como Slack e Discord, ainda que simplificadas para não assustar quem não tem familiaridade com o formato.

Se vai colar, é outra história. Por um lado, comunidades/tópicos prometem ajudar na organização de grupos que por vezes se tornam caóticos, mas ao mesmo tempo jogam contra a simplicidade que permitiu a esses aplicativos se tornarem onipresentes.

O Telegram lançou nesta terça (6) uma expansão dos tópicos, agora disponíveis para grupos com pelo menos 100 membros (antes, o piso era 200). A explicação no anúncio oficial é confusa; talvez na prática seja mais simples. Devo ativar isso no grupo de assinantes do Manual. (Apoie o site para participar.)

Quanto ao WhatsApp, o recurso de comunidades, que já foi liberado lá fora, só será lançado no Brasil em 2023. Culpa das eleições, ou do mau uso do WhatsApp em eleições passadas. Via Telegram.

Os gringos estão fascinados com o ChatGPT, a nova inteligência artificial de conversação da OpenAI — de onde saiu o GPT-3, outra IA capaz de gerar textos completos do nada.

O uso mais provável do ChatGPT é tornar os chatbots ainda mais detestáveis a médio ou longo prazo e engambelar chefes tóxicos (gosto) e professores (zoado). Por ora, a tecnologia tem sido usado como mera curiosidade, uso recreativo. Porque é divertido, sim, mas também porque os usos sérios não demoram a aparecer, como textos completamente equivocados, mas que parecem corretos.

O Stack Overflow, fórum de dúvidas para programadores, baniu temporariamente respostas geradas pelo ChatGPT porque:

[…] a taxa média de respostas corretas obtidas do ChatGPT é muito baixa, e a publicação de respostas criadas pelo ChatGPT é significativamente danosa ao site e aos usuários que perguntam ou buscam por respostas corretas.

O principal problema é que embora as respostas que o ChatGPT produz tenham uma taxa elevada de equívocos, elas geralmente parecem ser boas e as respostas são muito fáceis de serem produzidas.

O banimento é temporário, o que significa que ele poderá ser revertido em breve. Esse dilema, porém, em algum momento atingirá todos os espaços que aceitam conteúdo gerado por usuários (UGC). A questão primordial é: qual a definição de “usuário”?

A Adobe anunciou que vai aceitar e vender imagens geradas por IAs como DALL-E e Stable Diffusion. A única exigência é que elas sejam rotuladas como tais. O Getty Images, o contrário: não aceitará comercializar imagens do tipo.

Como a Adobe garantirá que a rotulagem das imagens submetidas está sendo feita? Até quando o Getty Images resistirá?

Outros conteúdos do Manual para pensar:

Via Stack Overflow, Axios, The Verge (todos em inglês).

Não é novidade que executivos de grandes empresas sejam escorregadios em entrevistas, mas Fabricio Bloisi, CEO do iFood, talvez tenha definido um novo parâmetro em falar, falar e falar sem dizer nada.

A chamada da entrevista à Folha de S.Paulo diz que o iFood defende leis trabalhistas que “conciliam proteção e flexibilidade”. É visível o esforço da editora Joana Cunha em arrancar alguma fala que faça sentido, uma posição concreta, sem sucesso. Quando perguntado se acha que a CLT inviabiliza negócios como o do iFood, uma pergunta simples, binária (“sim ou não”), Fabricio nos brinda com este lero-lero corporativo:

“Nós acreditamos em equilíbrio no iFood. Achamos que ser inovador e investir em educação e no futuro e ser liberal para criar novos negócios é fundamental para gerar valor. E, também, dividir esse valor é essencial para ter uma sociedade menos desigual. Então, apesar de estarmos saindo de uma eleição de polarizações, em que metade da população acha que a outra metade está completamente errada, e todo mundo se vê na metade certa, nós acreditamos que os dois lados são importantes: proteção social e liberdade econômica para fazer empresas funcionarem bem.”

Parece uma resposta gerada por essas inteligências artificiais novas, tipo a ChatGPT que todo mundo está comentando essa semana. Aliás, será que…? Nah, não pode ser. Via Folha de S.Paulo.

Em São Paulo, 9 em cada 10 sequestros em 2022 foram originados em aplicativos de relacionamentos — o sugestivo “golpe do Tinder”. Os criminosos escolhem vítimas que ostentam na apresentação e os atraem para lugares isolados. A matéria da BBC News, que trouxe os números da Secretaria de Segurança Pública de SP, tem algumas dicas para mitigar os riscos. Via BBC News.

Morreu neste domingo (4) o advogado e especialista em proteção de dados Danilo Doneda. Ele tinha 52 anos e deixa esposa e três filhos. Segundo a Folha de S.Paulo, Danilo lutava contra um câncer no intestino há três meses.

Doutor em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Danilo fez parte do seu doutorado na Itália, onde trabalhou ao lado de Stefano Rodotà, na Autoridade de Proteção de Dados do país europeu.

No Brasil, envolveu-se em projetos-chaves da área, como a aprovação do Marco Civil da Internet, em 2014, da Legislação Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e, mais recentemente, da proposta de substitutivo para a regulação da inteligência artificial no Brasil.

Lecionou em diversas universidades e, sempre solícito, aparecia com frequência na imprensa compartilhando seu conhecimento e opiniões acerca da privacidade de dados. A este Manual, falou numa pauta sobre “cookie pools” em 2018. Via Folha de S.Paulo, Uol Tilt.

Defender a privacidade dos usuários é uma posição que vai além do discurso. É estrutural. Vide este caso do Telegram na Índia, onde o aplicativo entregou à Justiça os dados de administradores de canais suspeitos de pirataria — nomes, números de telefone e endereços IP. O processo foi movido por uma professora, Neetu Singh, que teve seus materiais de estudo, que ela vende, pirateados e revendidos em canais do Telegram.

O caso ilustra bem desafios e falhas de privacidade no modelo do Telegram, algo que Pavel Durov, CEO do Telegram, costuma ignorar quando argumenta que o Telegram seria o aplicativo de mensagens mais privado do mercado.

Quando a Justiça de um país faz uma demanda, a empresa detentora do aplicativo não pode se negar a cumprir a ordem. A única saída que ela tem para não atender à exigência é não possuir os dados pedidos.

Que é o que o Signal faz. Em duas ocasiões, a Justiça dos Estados Unidos solicitou dados de usuários do Signal. Em ambas, ficou sem porque o Signal não coleta dados dos usuários. Da última vez, em abril de 2021:

É impossível entregar dados a que nunca tivemos acesso. O Signal não tem acesso às suas mensagens; sua lista de conversas; seus grupos; seus contatos; suas figurinhas; seu nome ou avatar; nem mesmo aos GIFs que você pesquisa. Por isso, nossa resposta a essa intimação parecerá familiar. É o mesmo conjunto de “Informações da Conta e do Assinante” que entregamos em 2016 [no outro caso do tipo]: registro do dia e horário em formato Unix de quando cada conta foi criada e a data em que elas se conectaram pela última vez ao serviço do Signal.

Via TechCrunch (em inglês).

Nosso clube de descontos nasceu com dez parceiros, empresas super legais que disponibilizaram cupons de desconto e vantagens especiais para os assinantes do Manual do Usuário. (Se você ainda não é, agora é uma boa hora de tornar-se.)

Em dezembro, o clube ganhou três novos parceiros! São eles:

Na próxima terça (6), os assinantes receberão por e-mail a lista com os descontos/vantagens e os cupons para usufruir deles. Apoie o Manual do Usuário para recebê-la também.

O Spotify teve uma ideia genial em dezembro de 2016: uma retrospectiva baseada nos hábitos de consumo dos próprios usuários. Desde então, o Spotify Wrapped virou uma espécie de celebração anual da vigilância tecnológica música.

Demorou, mas enfim o recurso foi copiado por todos os principais rivais do Spotify. Em 2022, Apple Music, Deezer e YouTube Music lançaram suas próprias retrospectivas personalizadas aos usuários.

O LastPass sofreu outra invasão — a segunda em 2022. De acordo com a empresa, os invasores usaram informações obtidas no ataque anterior, de agosto, para acessar uma nuvem de terceiros usada pela empresa e conseguirem informações dos clientes/usuários. As senhas armazenadas no serviço, que são criptografadas, não foram afetadas.

Desde 2015, somente em dois anos (2018 e 2020) o LastPass não foi alvo de ataques ou apresentou falhas de segurança. Para um serviço que gerencia senhas, é um histórico ruim, ainda que, segundo a empresa, em nenhum momento as senhas em si tenham sido afetadas. Fica difícil confiar.

Felizmente, existem alternativas melhores no mercado, como 1Password, Bitwarden e KeePassXC — os dois últimos, gratuitos e de código aberto. Se você é um dos 33 milhões de usuários que o LastPass alega ter, talvez seja boa ideia começar a planejar uma migração. Via LastPass (em inglês).

A Tapbots, pequeno estúdio que desenvolve o melhor aplicativo para Twitter, o Tweetbot, anunciou que está trabalhando em um aplicativo para Mastodon.

O vindouro aplicativo já tem nome, Ivory, e terá versões para iOS e macOS.

O Tweetbot continuará sendo desenvolvido e deve ganhar, em breve, uma nova versão para macOS.

Uma versão alpha do Ivory já está em testes, mas ainda não há data de lançamento. Via @ivory@tapbots.social (em inglês).

por Shūmiàn 书面

O papel dos entregadores de aplicativos na mudança das regulações de algoritmos das plataformas é o tema deste artigo de Matt Sheehan e Sharon Du para o think tank Carnegie.

No início do ano, as plataformas de entrega tiveram que responder às novas exigências de regulação das autoridades. A precarização desses trabalhadores levou a discussões na China sobre políticas de seguridade social para a categoria. A decisão da Suprema Corte do país em agosto de 2021 que pôs fim ao trabalho 996, também incluía a inspeção dos algoritmos dessas plataformas de entrega.

Aliás, um movimento parecido de fortalecimento dos “gig workers” também é visto na Índia.

Deixamos mais duas dicas de leitura para se informar: o relato do dia a dia de um entregador em Pequim e o texto traduzido por Jeffrey Ding (que já foi sugestão mais de uma vez), que havia sido publicado na revista Rénwù.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Yahoo anunciou uma parceria de 30 anos (!) com a Taboola, empresa responsável pelos anúncios mais abjetos da internet — aqueles cartões apelativos que aparecem no rodapé de notícias como se fossem “notícias relacionadas”.

A Taboola terá exclusividade na veiculação de anúncios “nativos” nas propriedades do Yahoo. A expectativa da dupla é alcançar 900 milhões de pessoas e gerar US$ 1 bilhão por ano em receita.

A escala das coisas chama a atenção. Quase um bilhão de pessoas vendo todo aquele chorume, por tanto tempo. Via Yahoo (em inglês; use um bloqueador de anúncios antes de acessar).

Atualização (10h15): Como bem observado pelo leitor Sobral, o acordo prevê a transferência de 24,99% da Taboola e um assento em seu conselho administrativo ao Yahoo.

A Apple divulgou os vencedores do App Store Awards, a premiação anual dos melhores aplicativos das suas plataformas. O do BeReal, rede social “autêntica”, foi eleito o aplicativo do ano para iOS — em um momento curioso em que a Apple se estranha com o Twitter.

No iPadOS, a honraria foi do GoodNotes 5, aplicativo de anotações com bom suporte à caneta. No macOS, MacFamilyTree 10, um aplicativo de quase R$ 200 para criar árvores genealógicas.

Veja os demais ganhadores no link ao lado. Via Apple (em inglês).

Elon Musk tem sido o maior promotor de redes sociais alternativas ao Twitter, como o Mastodon. O Twitter está se tornando, rapidamente, o grande lixão a céu aberto da internet. É um bom momento para migrar para o Mastodon.

Duas ferramentas lançadas recentemente ajudam usuários a fazerem a migração:

  • Esta lista de instâncias brasileiras do Mastodon (entenda o que é isso) é dinâmica e informa, com bolinhas verdes e vermelhas, quais estão abertas para novos cadastros. Ela é atualizada a cada 15 minutos. Criação do Santiago Lema.
  • O Movetodon encontra perfis do Twitter que você segue que já fizeram a migração para o Mastodon. É preciso dar permissões de acesso (somente as necessárias, pelo que pude ver) aos seus perfis no Twitter e no Mastodon, e você pode seguir um a um os perfis que o site encontrar ou tocar em um botão para seguir todo mundo. Depois, não se esqueça de revogar as permissões dadas. Criação do Tibor Martini.