por Guilherme Felitti
Criar um serviço online onde as pessoas interagem, como uma rede social, não é fácil. Ao oferecer ferramentas para que seres humanos publiquem qualquer coisa com o intuito de interagir na internet, você é confrontado(a) com algumas questões sérias que quase nunca têm respostas fáceis ou óbvias.
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por Guilherme Felitti
Tudo bem? Como tá? O ano tá pesado, né? Todo jornalista interessado/a sofre com um problema: o excesso no consumo de informações. O Twitter é uma desgraça por pegar exatamente nesse ponto fraco: o fluxo infinito de notícias cria aquela sensação de que ficar fora por 10 minutos é o suficiente para que uma notícia de enorme importância tenha passado reto no seu radar. É aquele papo de FOMO1 do qual você já ouviu falar incontáveis vezes, aqui no Tecnocracia inclusive.
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por Guilherme Felitti
Em 1988, James Cameron era um diretor em franca ascensão em Hollywood, mas ainda tinha a ingrata obrigação de provar que seus filmes de ficção futuristas tinham apelo ao grande público a ponto de virarem sucessos comerciais. Cinco anos antes, em 1984, ele já tinha dirigido O exterminador do futuro que, você sabe bem, virou uma das maiores franquias dos anos 1980 e ocupa um espaço na cabeça de muita gente até hoje. Aquele primeiro filme não foi de cara o sucesso estrondoso que ele imaginava que seria. Os resultados bons, porém, lhe abriram algumas portas, como o convite da Fox para filmar Aliens, o Resgate, uma espécie de continuação do enorme sucesso criado e dirigido pelo Ridley Scott em 1979. O primeiro Alien continua sendo um dos grandes clássicos de terror futurista do cinema e Cameron soube aguentar bem a pressão para dirigir a continuação e entregou um filme que, se não ultrapassou o primeiro, foi muito bem recebido e envelheceu bem.
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por Guilherme Felitti
Há alguns acontecimentos na história que parecem fadados a acontecer, que é só questão de tempo até que aquilo se concretize, mas que no fim não acontecem. Na política brasileira, existe a presidência de Tancredo Neves e o caso clássico de Fernando Henrique Cardoso posando para fotógrafos sentado na cadeira de prefeito de São Paulo dias antes da eleição de 1985, tamanha era sua confiança. Quando Jânio Quadros levou, declarou à imprensa: “gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram”. Na política internacional, o melhor exemplo é a esperada vitória do candidato republicano Thomas Dewey sobre o democrata Harry Truman pela Casa Branca em 1948. Truman não só levou como posou com um jornal que adiantava sua derrota, em uma das cenas mais clássicas do jogo político global. No esporte, a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1982, o Cavaliers perder do Warriors na final da NBA em 2016 e o rebaixamento do Fluminense no Brasileirão de 2009.
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por Guilherme Felitti
Na primeira onda de personagens da Marvel, lá na década de 1960, um dos favoritos do público que já consumia história em quadrinhos era um herói longe daquele ideal de Apolo que Superman e Capitão América carregam até hoje. O Coisa, do Quarteto Fantástico, exercia um certo fascínio por mostrar um sujeito que, transformado num amontoado de pedras à revelia, tinha que lidar com os lados bons — a força e a invulnerabilidade — e os nem tanto — basicamente você parece um muro com pernas.
Com isso na cabeça, Stan Lee e Jack Kirby, as mentes criativas da Marvel na época, se colocaram a pensar em um novo herói. De um lado, havia o racional. “Por um longo tempo eu percebi que as pessoas preferem alguém que não seja perfeito. É uma aposta segura que você lembra do Quasimodo, mas você consegue nomear personagens mais heróicos, bonitos e glamurosos de O Corcunda de Notre-Dame? E também tem o Frankenstein. Sempre tive um ponto fraco pelo monstro de Frankenstein. Ninguém vai me convencer que ele era o vilão. Ele nunca quis machucar ninguém. Ele simplesmente forçou seu caminho em uma segunda vida tentando se defender e neutralizar quem tentava destruí-lo. Decidi que também poderia pegar algo emprestado também do Dr. Jekyll e Mr. Hyde — nosso protagonista iria se transformar constantemente da sua identidade normal para seu alter ego super-humano”, segundo o Stan Lee.
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por Guilherme Felitti
Quando eu entrei no jornalismo e, especificamente, no jornalismo de tecnologia, o clima que conduzia a área era de otimismo. Meu primeiro texto foi publicado em 2003, quando eu estava no terceiro ano de faculdade, o Google ainda era uma startup a se provar, Microsoft e GE se alternavam como maior empresa do mundo, a Nokia estava a quatro anos de lançar seu primeiro smartphone realmente popular, o N951, e Mark Zuckerberg era apenas um estudante de Harvard que fundaria o Facebook no ano seguinte2. O mundo ainda estava escalando a ladeira do “tecno-otimismo”, incentivado por algumas novidades que soavam, à primeira vista, como se fossem piadas.
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por Guilherme Felitti
Ouviu o Tecnocracia e veio aqui em busca dos links citados?
Poucas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, um dos candidatos, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou que havia registrado seu plano de governo em uma blockchain, a tecnologia por trás do bitcoin. No site da campanha, já fora do ar, mas ainda disponível na Wayback Machine, o comunicado oficial explicava que o registro na blockchain era uma forma de garantir que as propostas, “constantemente modificadas para a manipulação de eleitores”, chegariam a eles na íntegra. Eleitores em dúvida sobre as “teorias criadas pela rede de desinformação do candidato opositor” poderiam, em tese, conferir se era mentira ou não.
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por Guilherme Felitti
Em 1954, a Suprema Corte dos Estados Unidos julgou inconstitucional, por unanimidade, a segregação racial nas escolas do país. Até então, os governos estaduais definiam se alunos brancos e negros seriam misturados ou se cada um iria para uma escola diferente — em sua maioria esmagadora, as escolas frequentadas pelos brancos não eram as mesmas escolas frequentadas pelos negros. Estudos feitos nas décadas seguintes mostraram que as escolas dos brancos recebiam mais dinheiro do governo e eram melhores em qualidade educacional que as escolas dos negros.
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por Guilherme Felitti
Além do cappuccino, do Vaticano e do fascismo, a sociedade moderna deve à Itália o conceito de empresa. Ainda que grupos de pessoas venham se unindo sob uma mesma organização para fazer comércio desde a Mesopotâmia, 3 mil anos antes de Cristo, foi durante o Império Romano que tomou forma a estrutura da empresa que conhecemos até hoje.
“Eles certamente criaram alguns dos conceitos fundamentais de legislação corporativa, particularmente a ideia de que uma associação de pessoas pode ter uma identidade coletiva separada dos seus componentes humanos. Eles ligavam as companhias à família, a unidade básica da sociedade. Os sócios — ou ‘socii’ — deixavam a maior parte das decisões gerenciais para os gerentes, que, por sua vez, operavam o negócio, administravam os agentes no campo e mantinham ‘tabulae accepti et expensi’, os livros de contabilidade”. Ainda que os romanos tenham dado a primeira forma, foram outros italianos que, baseado no que os romanos já tinham criado, aperfeiçoaram o modelo. Esse trecho é de um livro excepcional chamado The company: A short history of a revolutionary idea, de dois jornalistas da revista The Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldridge.
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