Elon Musk limitou a quantidade de posts que alguém pode ver no Twitter para combater a raspagem de dados da plataforma. Usuários não verificados (leia-se: não pagam a assinatura) podem ver 800 posts por dia. (Antes, o limite era 600.) Do ponto de vista do Twitter, é uma das decisões mais estúpidas que a direção poderia tomar — ver posts é a base de todo o negócio. Para os usuários, é uma boa notícia, meio que um tratamento de choque para reduzir o vício em um ambiente tóxico. Via @elonmusk/Twitter (2) (ambos em inglês).

O Twitter bloqueou o acesso a perfis e posts sem estar logado. Não houve comunicado algum da mudança, o que pode significar uma de duas coisas: é um erro/problema no site, ou apenas Elon Musk sendo covarde outra vez. (Em janeiro, o Twitter quebrou apps de terceiros sem aviso prévio.) Considerando que dia desses ele estava reclamando da Microsoft supostamente usar dados do Twitter para treinar IAs, talvez seja a segunda opção.

Com essa “mudança”, nossa instância do Nitter, no PC do Manual, quebrou. Vamos acompanhar a situação para ver o que fazer com ela.

Atualização (1º/7, às 8h46): De acordo com Musk, o bloqueio é uma medida temporária devido a “várias centenas de startups” coletando dados do Twitter para treinar inteligências artificiais.

Dez anos do fim do Google Reader

Neste sábado (1º/7), completa-se dez anos do encerramento do Google Reader, o querido agregador de feeds RSS do Google.

Ainda hoje, não é difícil ouvir lamentações saudosas do Reader, quase como se, com ele, o Google tivesse acabado com o RSS e não houvesse serviços similares, na época e depois, capazes de suprir sua ausência.

Eu usava o Reader, lamentei seu fim, mas nunca entendi a dimensão da comoção.

O The Verge publicou uma boa matéria (em inglês) com falas dos criadores do Reader. Tem alguns dados suculentos ali, como o máximo de usuários que o serviço alcançou (30 milhões) e o desprezo que a direção da empresa manifestava pelo Reader.

O texto também me ajudou a entender melhor a saudade que ainda persiste, uma década depois. A parte social do Google Reader, parece, era muito importante. Eu seguia muitas pessoas e sempre conferia as recomendações delas. Era legal, mas não era o meu principal uso. Acho que, por isso, consegui me adaptar a alternativas que não tinham (e não têm) um componente social.

Na época, o Google ainda estava comprado no Google+, sua ambiciosa aposta para fazer frente ao Facebook. Foi um fracasso monumental. O Google Reader faleceu nessa época, de causas naturais. Quando puxaram o fio da tomada, ele já estava moribundo, em modo manutenção.

Os criadores do Reader acham, ainda hoje, que o serviço poderia ter tido um futuro brilhante com investimento e apoio da direção do Google. Talvez. Ou talvez essa parte social não estivesse mesmo no DNA da empresa e o domínio do Facebook, naquelas circunstâncias, era inevitável.

Ah, em tempo: quem assina o Manual tem direito a uma conta no Miniflux, um agregador de feeds RSS de código aberto e super elegante. Detalhes da assinatura aqui.

Clientes do Ame, a carteira digital da Americanas, receberam um e-mail (veja) informando que a partir de 5/7, contas com saldo de cashback e sem transação há mais de 90 dias terão uma tarifa de manutenção de R$ 2,99, debitada apenas do saldo de cashback.

Não dá para dizer que a Americanas não está inovando para sair da “crise”: é a primeira vez que vejo cobrança de taxa sobre cashback. É tipo pedir um presente de volta. Feio.

É hoje, 30 de junho: último dia dos aplicativos de terceiros do Reddit mais populares, como Apollo e RIF. A partir de amanhã, só com o (terrível) oficial. Minha conta lá precede o uso do Apollo, mas só passei a frequentar o Reddit pelo e por causa do Apollo, que descobri em meados de 2018. Foi bom enquanto durou.

Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).

Estava lendo o perfil de @Fiatjaf, o misterioso criador do protocolo Nostr, quando descobri que ele é brasileiro, nasceu na região Sudeste e tem ~30 anos. Tem outras curiosidades no perfil escrito por Michael del Castillo, como a influência neoliberal (sem surpresa) na formação do programador e… números muito estranhos do Nostr, em especial o de usuários: 18 milhões. Tenho dificuldade em crer que um negócio que depende de pares de chaves criptográficas para ser usado tenha quase o dobro de usuários do Mastodon (que não é fácil, eu sei, mas achei mais fácil que o Nostr). Via Forbes (em inglês).

Muitos de vocês podem estar se perguntando como temos uma equipe no buscador que está iterando e construindo todas essas coisas novas e, de alguma forma, os usuários ainda não estão muito contentes.

— Prabhakar Raghavan, vice-presidente sênior do Google.

A CNBC obteve o áudio de uma reunião interna do Google em que a empresa debateu o impacto da crise do Reddit na satisfação dos seus usuários. Raghavan lidera o buscador do Google.

Faz algum tempo que uma galera acrescenta “reddit” aos termos da pesquisa para ir direto às comunidades do Reddit, onde pessoas reais escrevem, evitando o oceano de chorume escrito para SEO que polui o Google. Agora imagine o estrago que IAs gerativas tipo ChatGPT causarão… Via CNBC (em inglês).

O mundo Linux está em polvorosa com o anúncio da Red Hat de que passará a distribuir o código-fonte do Red Hat Enterprise Linux (RHEL) apenas para clientes, pondo em risco a continuidade de projetos que prometem compatibilidade com o RHEL, como Rocky Linux, AlmaLinux e a distro da Oracle.

Essa é uma história mais corporativa e jurídica que técnica, com implicações profundas para o ecossistema — profundas demais para o escopo deste Manual. A nós, o que importa é: e o Fedora, a distro para usuários finais patrocinada pela Red Hat? Aparentemente, ele está a salvo, pois deriva do CentOS Stream (a mesma “fonte” do RHEL), que continuará sendo distribuído abertamente. Turbulências na Red Hat, porém, podem ter algum impacto a longo prazo, visto que a empresa é a principal financiadora do Fedora e de vários projetos importantes para o Linux. Via The Register (em inglês).

Shein leva influenciadoras dos EUA à China e posts delas geram questionamentos

por Shūmiàn 书面

A Shein convidou seis influenciadores de moda e beleza estadunidenses para visitar seu centro de inovação em Guangzhou e um centro de distribuição em Zhaoqing. Até aí, normal.

O que causou alvoroço foram as afirmações que as jovens fizeram em seus posts: de que as condições de trabalho nas fábricas da marca seriam ótimas (“eles nem suam!”), que só ouviram depoimentos elogiosos dos funcionários e que dizer o contrário seria uma narrativa usada nos EUA contra a marca.

Muito rapidamente, seguidores começaram a encontrar indícios de que os cenários e pessoas escolhidas para a visita talvez não fossem tão autênticos quanto as jovens afirmavam e que elas estavam fazendo um trabalho de limpeza de imagem para a empresa — algo de que a Anitta também vem sendo acusada.

Talvez não tenha valido o investimento do time de marketing: algumas influenciadoras acabaram apagando as postagens ou mesmo se retratando, e as redes sociais receberam uma onda de comentários negativos sobre a empresa, relembrando notícias negativas sobre as condições trabalhistas associadas a seus produtos.

O Banco Central está desapontado com a falta de criatividade dos bancos na exploração do open finance, o sistema que permite aos clientes movimentarem seus dados bancários entre instituições. A declaração foi feita por Matheus Rauber, assessor sênior de regulação no BC, no evento setorial Febraban Tech. Os bancos, de seu lado, se justificam com o “dilema tostines”: não entregam produtos melhores porque os clientes não compartilham dados, e esses não compartilham dados por falta de produtos interessantes. Via Convergência Digital.

O diálogo é para melhorar uma regulação, para que ela não seja aparentemente boa, mas que possa vir a ser perversa para todo mundo. Essa é a nossa ideia.

— Fabio Coelho, presidente do Google Brasil.

O comentário refere-se a iniciativas como o projeto de lei 2630/20, empacado no Congresso, em parte, por pressão de Google e Meta. O que significam “aparentemente boa” e “perversa” para o Google, porém, suspeito que Coelho não diria em público.

O executivo falou a jornalistas durante o Google for Brasil, evento anual da empresa para o mercado local, nesta terça (27). Lá, o Google anunciou um bocado de coisas, como um novo escritório para o Google Cloud em São Paulo e projetos em parceria com o governo e empresas privadas. Via Folha de S.Paulo [sem paywall], Google.

Quando começará o processo de “merdalização” do WhatsApp?

Já são raras as oportunidades de lidar com uma pequena ou média empresa, ou com profissionais liberais, sem passar pelo WhatsApp.

No mundo inteiro, o WhatsApp Business é usado por 200 milhões de pessoas. O número é quatro vezes maior o de três anos atrás.

Com o empenho da Meta para gerar receita cada vez mais explícito (e esse crescimento vertiginoso é reflexo disso), fica a dúvida de quando começará o processo de “enshittification” do WhatsApp.

O termo, um neologismo que poderia ser traduzido como “merdalização”, foi cunhado por Cory Doctorow em um popular ensaio publicado no início de 2023. Ele resume o processo de degradação pelo qual passam plataformas digitais. Assim:

É assim que as plataformas morrem: primeiro, elas são bons para seus usuários; então elas abusam de seus usuários para melhorar as coisas para seus clientes corporativos; no fim, eles abusam desses clientes corporativos para agarrar de volta todo o valor para si mesmas. Daí elas morrem.

Chamo isso de “enshittification”. É uma consequência pelo visto inevitável, decorrente da combinação da facilidade de mudar a forma como uma plataforma aloca valor combinada à natureza de um “mercado de dois lados”, onde uma plataforma fica entre compradores e vendedores, mantendo cada refém do outro, coletando uma parte cada vez maior do valor que corre entre eles.

O ensaio todo (em inglês) é uma leitura indispensável.

A Apple aumentou os preços do iCloud+, assinatura que garante mais espaço na nuvem da empresa e alguns outros benefícios. O aumento foi expressivo: o plano de 50 GB foi de R$ 3,50 para R$ 4,90 (+40%); 200 GB foi de R$ 10,90 para R$ 14,90 (+36,7%); e 2 TB foi de R$ 34,90 para R$ 49,90 (+42,9%). Os novos valores já estão valendo. Via MacMagazine.