O PC do Manual, nosso espaço para aplicações web, ganhou mais uma: Libreddit, um front-end alternativo para o Reddit. Com ele, é possível navegar de maneira privada pelas comunidades e conversas do Reddit. Mais detalhes aqui. O PC do Manual é mantido por Jonatas “jojo” Baldin.

De volta ao Mastodon

Quando subimos um servidor próprio para a presença do Manual no fediverso, optei pelo Microblog em vez do Mastodon.

Isso pode soar complexo — como muitas coisas do fediverso —, mas vamos lá: no fediverso, diferentes softwares/aplicações podem “conversar” entre si usando o mesmo protocolo. No caso, o ActivityPub. Além desses dois, existem ainda o GoToSocial, Misskey, Calckey, Pleroma… só entre os similares ao Twitter. O fediverso é amplo.

O Microblog é uma aplicação mais leve que o Mastodon, feita para ser usada por apenas um usuário. Funciona bem, é compatível com bastante coisa do Mastodon/fediverso, mas, ao longo dos meses, parece ter sido abandonada. Tickets no fórum de suporte ficam semanas sem resposta, não por falta do que fazer, mas por falta de tempo dos desenvolvedores.

Por isso, nessa segunda (25) voltei ao Mastodon. No caso, estou no mastodon.social, o servidor dos desenvolvedores do Mastodon.

Fiz essa opção para evitar os dramas do fediverso brasileiro e, assim, manter abertos os canais de comunicação com o maior número de comunidades nacionais possível.

Quem já me acompanhava no Microblog ou em outros perfis no fediverso foi migrado automaticamente para o novo. Quem ainda não, é só pesquisar por @manualdousuario@mastodon.social e seguir o perfil.

Quinta passada (22), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) listou em um evento três frentes de trabalho para viabilizar a aprovação do PL 2630/20. Entre elas, uma alteração no texto para tornar a responsabilidade das plataformas por conteúdo impulsionado (pago) subsidiária, em vez de solidária — Google e Meta, por exemplo, só seriam responsáveis caso o anunciante infrator não fosse identificado. Via Convergência Digital.

Um aplicativo de mensagens chamado IRL fechou as portas após revelar que 95% dos seus 20 milhões de usuários eram robôs ou contas falsas. O mais bizarro dessa história é que, antes disso, a IRL havia convencido investidores a colocar US$ 200 milhões no negócio (85% do valor foi em uma rodada liderada pelo SoftBank) e chegou a ser avaliada em US$ 1,1 bilhão. Mais um unicórnio do chifre falso.

Fico imaginando o tanto de robôs, perfis falsos, contas abandonadas e de pessoas que morreram que não tem por aí. É difícil fazer essa análise por causa dos feeds algorítmicos, mas suspeito que sejam muitas. Elon Musk, antes de adquirir o Twitter, também achava isso. Via The Information ($), Fortune (ambos em inglês).

Após muita pressão dos protestos, o Reddit anunciou um cronograma de melhorias em acessibilidade para as ferramentas de moderação dos seus aplicativos para Android e iOS, entre 1ª de julho e agosto. Medida tardia e que não aplaca a perda dos aplicativos de terceiros, mas bem-vinda mesmo assim. (E quem diabos é u/joyventure? Desde quando apelido no Reddit substitui o nome verdadeiro de diretores de empresas?) Via r/modnews (em inglês).

No Estadão, Daniel Weterman e Julia Affonso relatam os bastidores da ofensiva de Google e Meta contra o PL 2630/20, o PL das fake news. Muito dinheiro (R$ 2 milhões só do Google), união com a bancada evangélica do Congresso, diretores passeando pela Câmara e fake news religiosa com ameaças de mordaça contra parlamentares, caso o projeto de lei passasse. Mais de 30 deputados mudaram de voto. O PL 2630/20, antes prioritário, acabou caindo em um limbo. Arthur Lira (PP-AL), o poderoso presidente da Câmara e favorável ao PL, culpou as big techs pelo travamento da pauta. A atuação delas, segundo Lira, “ultrapassou todos os limites do contraditório democrático”. Via Estadão [sem paywall], CartaCapital.

Controle de video game e gambiarras

Chegou ao fim, da pior maneira possível, a aventura de cinco homens ricos que queriam ver de perto os destroços do Titanic, afundado em 1912 durante sua viagem inaugural após se chocar com um iceberg.

Destroços do Titan, submersível da empresa OceanGate usado pelo grupo para descer até o Titanic, foram encontrados nesta quinta (22), dias após ele perder contato com o resto do mundo. A Guarda Costeira dos Estados Unidos informou que a embarcação implodiu.

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O Banco Central divulgou o cronograma do Pix Automático, modalidade para pagamentos recorrentes que poderá ser usado no lugar do débito automático e do cartão de crédito. A previsão é que seja lançado ao público em abril de 2024. A proposta parece bem amarrada, com gratuidade para os pagadores e controles do limite máximo permitido e cancelamento unilateral. Via Banco Central.

Para OpenAI, risco existencial de inteligências artificiais é só na dos outros

Quando o governo decide regular um setor emergente, é sinal de que as coisas estão prestes a sair do controle — se já não saíram.

A União Europeia — a exemplo do Brasil — está debatendo uma lei para regular a inteligência artificial, chamada lá de AI Act.

Sam Altman, CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, fez um tour pelo continente em maio e, revelou nessa semana a revista Time, muito lobby para modificar o texto aprovado pelo Parlamento Europeu no último dia 14.

O lobby deu certo: as IAs gerativas generalistas, como o GPT-3/4 e o DALL-E 2, não são consideradas de “alto risco” pelo texto do AI Act, classificação que demandaria mais transparência, rastreabilidade e supervisão humana.

Como disse Timnit Gebru, Altman e seus pares, os cavaleiros do apocalipse, adoram alardear que a inteligência artificial representa um risco existencial à humanidade, mas só a dos outros — a IA deles, não. Via Time, @timnitGebru@dair-community.social (ambos em inglês).

O Reddit não confirmou quando questionado pelo The Verge, mas há indícios de que a empresa começou a destituir moderadores ainda engajados no “apagão” contra a cobrança da API. Algumas comunidades grandes em inglês, como r/TIHI, r/MildlyInteresting e r/interestingasfuck, que haviam alterado o status para “NSFW” (de conteúdo sexual), estão sem moderadores. Via r/ModCoord, The Verge (ambos em inglês).

A FTC abriu um processo contra a Amazon nesta quarta (21). O órgão, espécie de Cade dos Estados Unidos, acusa a Amazon de enganar consumidores a fim de forçá-los à assinatura do Prime e de dificultar seu cancelamento. Esse procedimento, segundo reportagem do site Insider, é conhecido dentro da Amazon como “Ilíada”, referência ao trabalho homérico exigido do consumidor que não quer mais o Prime. Via FTC (em inglês).

Comitê de Supervisão publica primeiro relatório comentando decisões de moderação do Manual

O primeiro relatório de transparência do Comitê de Supervisão do Manual do Usuário pode ser baixado clicando aqui (PDF).

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Uma comunidade é reflexo do cuidado que se tem com ela. Fomentar debates, estimular trocas saudáveis e combater abusos são tarefas indispensáveis em qualquer ambiente digital que reúna pessoas e se queira agradável.

Desde a sua concepção, o Manual do Usuário dedica tempo e esforço para cultivar um espaço nos comentários. É um trabalho perene e, no geral, tranquilo. Vez ou outra uma discussão mais acirrada ou o surgimento de “trolls” demandam a minha interferência, porém.

Em abril de 2023, algumas decisões minhas na moderação dos comentários geraram questionamentos legítimos de leitores. Relatei a situação aos assinantes e um deles sugeriu uma espécie de “comitê de supervisão”. Achei a ideia ótima.

Este relatório é o primeiro fruto daquela ideia. A cada dois meses, o comitê revisará as minhas decisões. Todo ano, um novo comitê será eleito entre os assinantes.

Moderar implica na tomada de decisões a todo momento, com um poder muito maior que os leitores regulares têm. Não quero que o Manual seja visto como o domínio de um ditador; isso afastaria vozes dissonantes e, no fim, empobreceria os nossos debates. O comitê é mais uma medida para evitar que tal situação se configure.

Agradeço à Cíntia Reinaux, ao Emanuel Henn e à Michele Strohschein por terem topado essa iniciativa e pelo excelente trabalho realizado.

O pacto anti-Meta

Não é mais segredo que a Meta prepara uma nova rede social para aproveitar o vácuo que Elon Musk criou após destruir, digo, assumir o Twitter.

O Projeto 92 — provável nome comercial Threads — já teve imagens vazadas e, ouviu-se da boca de um executivo da Meta, será compatível com o ActivityPub, o protocolo por trás do Mastodon e de outras aplicações do fediverso.

No último fim de semana, um burburinho insinuava que administradores de grandes servidores do Mastodon teriam se encontrado, em segredo, com representantes da Meta.

A suposta notícia virou uma bola de neve com centenas de administradores assinando um “pacto anti-Meta”: desde já, eles se comprometem a bloquear a nova rede social da Meta assim que ela for lançada.

Entendo essa postura. Se tem uma empresa nessa área que não é confiável, é a Meta. Há todos os motivos do mundo para desconfiar das suas intenções. Imaginar que Mark Zuckerberg ameace a existência do fediverso não é um delírio; é uma avaliação sensata de um risco real.

Só a escala com que a Meta é capaz de lidar, e que provavelmente terá no primeiro dia da sua nova rede (ela será derivada do Instagram, com +2 bilhões de usuários), já coloca em xeque a sobrevivência da maioria dos servidores no fediverso. Uma conexão abrupta com um par gigantesco pode sobrecarregar sistemas e nocauteá-los.

Lembremo-nos da migração em ondas do Twitter para o Mastodon, que, em uma escala muito menor, fez muito servidor suar para continuar de pé.

Por outro lado — e corro o risco de estar sendo ingênuo —, pesa o genuíno interesse em estabelecer contato com gente que apenas não se importa tanto a ponto de buscar alternativas às redes sociais comerciais e saber ou aprender o que é “Mastodon”, “ActivityPub” e “fediverso”.

Essa galera é maioria e continua no Instagram, no Facebook, no Twitter. A perspectiva de ficar onde estou e poder interagir, daqui, com mais gente, é empolgante.

Até onde sei, duas instâncias brasileiras, bantu.social e nuvem.lgbt, assinaram o pacto anti-Meta. O meu humilde servidor monousuário, não. Seguirei atento.

O WhatsApp ganhou uma tela chamada Controle/Verificação de Privacidade (dentro da aba Configurações, Privacidade) que apresenta as várias opções do tipo de outra maneira, organizadas por tópicos. Achei intuitiva, com rótulos e conjuntos que fazem mais sentido. Por que não é assim por padrão? Via WhatsApp.