O canal de YouTube Cinema com Rapadura testou o novo plano com anúncios da Netflix, de R$ 18,90 por mês, lançado nesta quinta (3). Há inserções no início e no meio das séries e filmes, que não podem ser puladas e têm duração de até 45 segundos.

Experiência de YouTube gratuito pagando quase R$ 20 por mês e com uma série de limitações — acervo menor, impossibilidade de download, qualidade de vídeo limitada a 720p. Difícil engolir isso. Valeu pela dica, Gustavo!

O WhatsApp começou a liberar o recurso de comunidades, que o transforma em uma espécie de mini-Slack (ou Discord), com “canais” que abrigam grupos temáticos.

À parte os possíveis maus usos, é uma abordagem interessante. O WhatsApp/Meta diz ter trabalhado “com mais de 50 organizações em 15 países para criar Comunidades que atendam às necessidades delas”, um esforço que transparece — pelas imagens, parece algo mais simples e acessível que outros aplicativos do tipo, algo essencial em um produto tão massificado.

O WhatsApp também ganhou grupos com até 1.024 usuários, chamadas de vídeo com 32 participantes e enquetes. Todas essas novidades só devem chegar ao Brasil em 2023, porém. Via WhatsApp.

por Shūmiàn 书面

O grande assunto nas mídias sociais chinesas neste final de semana foram as imagens do êxodo de centenas de trabalhadores de uma fábrica da Foxconn em Zhengzhou.

As fotografias e vídeos mostram pessoas caminhando por avenidas vazias com seus pertences, por receio de serem detidas em checkpoints de covid-19 caso usassem transporte público.

Desde então, a situação evoluiu rapidamente: no domingo (30), a Foxconn confirmou a circulação do vírus em suas fábricas e anunciou que disponibilizaria transporte para os trabalhadores que quisessem deixá-las; na terça (31), passou a oferecer incentivos financeiros para quem quisesse continuar trabalhando; nesta quarta (2), o governo declarou lockdown de uma semana ao redor da fábrica, afirmando que a situação é “severa e complicada”.

Metade dos iPhones do mundo é montada nessas instalações onde trabalham 300 mil pessoas. Além da apreensão na Foxconn, há também a preocupação de que os trabalhadores que se retiraram estejam infectados e levem o vírus para suas cidades.


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A confirmação da compra do Twitter por Elon Musk causou um novo pico de cadastros no Mastodon. Desta vez, segundo Eugen Rochkon (fundador do projeto), foram 70.849 novas contas em múltiplas instâncias só no sábado (29).

É um número pequeno perto dos mais de 200 milhões de usuários que acessam o Twitter todo dia, mas significativo. O Mastodon, ao contrário do Twitter, é um projeto de código aberto e descentralizado — nosso arquivo tem bons materiais que explicam essas diferenças e o modo de funcionamento do Mastodon.

O pico de atenção causou alguns distúrbios na operação. Rochkon, que comanda a mastodon.social, maior instância do mundo, teve que incrementar a infraestrutura dela para aguentar a demanda. Ele se disse exausto e reclamou (algo que, diz, raramente faz) do tanto de trabalho que tem em troca de uma remuneração baixa para os padrões do setor, de ~US$ 36 mil por ano. Via @Gargron@mastodon.social (2) (3) (em inglês).

O Manual está no Mastodon também. Siga o perfil em @manualdousuario@masto.donte.com.br.

O PicPay vai encerrar o Guiabolso em novembro. Compra em julho de 2021 para transformar-se em “protagonista em OpenBanking e acelerar marketplace financeiro”, o Guiabolso é (era?) um aplicativo simples de controle financeiro que se conectava às instituições bancárias do país.

“O objetivo é centralizar todas as funcionalidades, serviços e produtos em um único app, que é ainda mais completo”, disse a empresa em seu blog. O PicPay afirma que todas as funcionalidades do Guiabolso foram migradas para o app do PicPay.

Usuários do Guiabolso serão avisados do fim do aplicativo ao longo da semana e poderão baixar seus dados em formato de planilha eletrônica. Ótima escolha, aliás: bem flexível e à prova de aquisições e encerramentos abruptos. Via PicPay.

A Adobe e a Pantone™ encerraram uma parceria de longa data e, como resultado, agora é preciso pagar uma mensalidade pelo plugin Pantone™ Connect para que arquivos do Photoshop, Illustrator e InDesign que usem cores da paleta proprietária da Pantone as exibam corretamente. Não quer pagar? As cores Pantone™ são substituídas por preto.

Os preços variam por região. No Brasil, a assinatura anual do Pantone™ Connect custa R$ 37,85 por mês (12 meses pagos numa tacada só), com 7 dias de gratuidade.

A Pantone™ conseguiu, de alguma maneira, tornar-se proprietária de cores (o que estou escrevendo?) e após décadas de colaboração com a Adobe, decidiu tirar uma lasquinha do mercado de SaaS que a Adobe vem explorando há alguns anos com grande sucesso financeiro.

O “legal”, nos lembra Cory Doctorow, é que, sendo softwares alugados, não existe a possibilidade de estacionar numa versão do Photoshop para não ser afetado pela mudança. Há relatos de arquivos criados há 20 anos que tiveram cores Pantone™ trocadas por preto. Via @funwithstuff/Twitter, Kotaku, Pluralistic (todos em inglês).

Atualização (15h20): Stuart Semple lançou o Freetone, um plugin gratuito que faz o “matching” de cores com a paleta Pantone™.

John Gruber, blogueiro norte-americano especializado em Apple, escreveu na quinta (27) que estava “mais otimista com o futuro do Twitter do que jamais esteve em anos” após Elon Musk divulgar uma carta aberta aos anunciantes da plataforma que assumiria como sua no dia seguinte.

Esse sentimento de esperança numa boa gestão de Musk à frente do Twitter tem encontrado eco em outros espaços, ainda que seja, por ora, um incompreensível. Lembra muito as reações pós-vitória de Jair Bolsonaro em 2018: de que, apesar dos fartos indícios apontando para o caos, o então novo presidente poderia fazer um bom governo. (Não fez, muito longe disso.)

Em seu primeiro dia à frente do Twitter, Musk demitiu executivos. Entre eles, Vijaya Gadde, chefe de segurança, confiança e políticas, alguém que, apesar dos problemas de moderação do Twitter, seria de grande ajuda para reformar as regras da plataforma dada sua experiência no assunto.

No dia seguinte, sábado (29), Musk sugeriu uma teoria da conspiração em resposta a um post da ex-secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que manifestou solidariedade ante a notícia do espancamento que Paul Pelosi, marido da congressistas Nancy Pelosi, sofrera na véspera.

O dono do Twitter espalha desinformação para seus 110 milhões de seguidores. O que poderia dar errado? (Ele apagou o post, sem dar explicações, no dia seguinte.)

Outra ideia controversa que circula é a de condicionar o selo de verificado ao pagamento de US$ 19,99 por mês. Musk não confirmou a notícia, limitou-se a dizer que o processo de verificação está sendo reformulado, mas a informação não surgiu do nada — veio de fontes internas no Twitter vazadas à imprensa.

Nesse ritmo, o Twitter será dominado por golpistas de criptomoedas e celebridades com o selinho azul, uma ferramenta de autenticidade deturpada para sinalizar autoridade por quem pode pagar, como se não houvesse pessoas de relevância pobres. É uma ideia obviamente ruim.

Os primeiros atos de Musk no Twitter são desanimadores. A tendência é piorar. Via The Verge, The Independent (ambos em inglês).

Agora é oficial: Elon Musk é o novo dono do Twitter. Nesta quinta (27), ele visitou o escritório do Twitter, demitiu Parag Agrawal, CEO da empresa, e outros executivos do alto escalão (segundo o Washington Post), e iniciou alguns processos burocráticos inerentes ao negócio, como a retirada do Twitter da Bolsa de Nova York e a dissolução do conselho administrativo.

Musk assumirá o cargo de CEO interinamente, de acordo com o New York Times e o TechCrunch.

Antes, também na quinta, Musk publicou uma carta aberta aos anunciantes do Twitter em seu perfil. Com um tom mais comedido, afirmou que, apesar das suas promessas anteriores de “liberdade de expressão absoluta”, não espera que o Twitter vire uma terra sem lei.

O Twitter sob a direção de Musk é uma incógnita. Se por um lado a saída do mercado de capitais diminui pressões externas, por outro as ideias e visão de mundo de Musk são… esquisitas, para dizer o mínimo. (Dia desses ele estava planejando uma solução para o conflito na Ucrânia como se fosse uma briga de crianças da quinta série. O ego desse homem deve ser infinito.)

Considerando que o Twitter já não vinha bem das pernas desde… sempre?, é esperar para ver. Mas espere usando o colete salva-vidas. São grandes as chances de estarmos em um barco afundando. Via Washington Post, New York Times, TechCrunch (todos em inglês).

Uma coisa é preciso reconhecer: o sangue frio que Mark Zuckerberg tem mantido no último ano da Meta.

Nesta quarta (26), a empresa apresentou seu balanço do terceiro trimestre. Os números vieram abaixo do esperado, Zuck avisou geral que vai continuar torrando bilhões de dólares no metaverso, mesmo com o prejuízo tendo aumentado consideravelmente e os produtos mornos que a Meta tem lançado.

Neste momento (~13h30), o papel da Meta na Nasdaq cai quase 30%, colocando seu valor de mercado abaixo dos US$ 300 bilhões. E pensar que em setembro de 2021 esta mesma empresa valia quase US$ 1 trilhão… Via CNBC (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da Forbes na última quinta-feira (20), a ByteDance teria planejado em ao menos duas ocasiões utilizar dados de geolocalização coletados pelo seu aplicativo TikTok para monitorar cidadãos estadunidenses. A reportagem não concluiu se a estratégia teria sido de fato utilizada, nem definiu o perfil dos usuários alvos desse tipo de iniciativa.

A falta de detalhes sobre o caso atraiu ceticismo por parte de especialistas em China e tecnologia, como neste fio do editor da DigiChina Graham Webster. O TikTok respondeu às acusações afirmando que a reportagem omitiu sua declaração de que não coleta os tipos de dados indicados pela reportagem.

A acusação da Forbes ocorre em um momento em que a empresa chinesa se aproxima de fechar acordo com a administração Biden. Essa decisão garantiria a segurança dos dados dos usuários estadunidenses e evitaria que a ByteDance precisasse vender suas operações locais.


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Desenvolvedores de aplicativos para iOS estão desde segunda (24) se lamentando dos novos anúncios da App Store. (Aparentemente, os anúncios não estão ativos no Brasil.)

Com a expansão, a Apple agora exibe anúncios nas páginas dos aplicativos. Pior: parece não haver filtro e há muitos anúncios de aplicativos de apostas, jogos caça-níqueis e outras atividades suspeitas, para dizer o mínimo.

É lamentável que uma empresa que lucra dezenas de bilhões de dólares por trimestre (US$ 19,4 bi no mais recente) se sujeite a isso, mas não surpreendente. Nesse arranjo, o que importa é crescer — não importa o quão grande você já seja.

Seria ótimo se esses desenvolvedores insatisfeitos se voltassem a plataformas abertas, em que uma empresa mesquinha não detenha a exclusividade na distribuição de aplicativos.

Alguns exemplos da choradeira nos links ao lado. Via @simonbs/Twitter, @marcoarment/Twitter, @cabel/Twitter, @TimothyBuckSF/Twitter (todos em inglês).

Atualização (27/10): Após a pressão, a Apple suspendeu “anúncios de aplicativos de apostas e outras categorias da App Store”. Não disse quais, nem por quanto tempo, porém. Via Macrumors (em inglês).

Junto às novas versões do iPadOS e macOS, a Apple atualizou várias diretrizes da App Store nesta segunda (24). Destaque para a que estende a “taxa Apple” (até 30%) às compras de impulsionamento em aplicativos de redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram.

No mesmo movimento, a Apple diminuiu consideravelmente o apelo dos NFTs no iOS (apps não podem vincular recursos e benefícios à venda de NFTs) e aumentou seu poder de controle, dando a si mesma o poder de rejeitar aplicativos que faturam/lucram com “eventos recentes” prejudiciais, como conflitos violentos e ataques terroristas (aplicativos de jornais entram nessa classificação?).

A partir do raciocínio de Neil Katz, dá para dizer que Apple é uma empresa “sui generis”: aumenta sobremaneira seu poder centralizador no momento em que a pressão por suas práticas momopolistas atinge o ápice e, ao mesmo tempo, consegue vender sua marca como premium mesmo vendendo várias dezenas de milhões de produtos todo trimestre. Via Apple, FOSS Patents, @neilkatz/Twitter (todos em inglês).

Já estão disponíveis para download as versões estáveis do iPadOS 16.1 e do macOS 13 Ventura. O iOS 16.1 também foi liberado nesta segunda (24).

Abaixo, as listas de dispositivos compatíveis e links diretos para os comunicados à imprensa da Apple (por ora apenas em inglês) detalhando as novidades de cada sistema:

  • iPadOS 16.1: iPad (5ª geração em diante), iPad mini (5ª geração em diante), iPad Air (3ª geração em diante) e todos os modelos de iPad Pro.
  • macOS 13 Ventura: iMac (2017 em diante), iMac Pro, MacBook Air (2018 em diante), MacBook Pro (2017 em diante), Mac Pro (2019 em diante), Mac Studio, Mac mini (2018 em diante) e MacBook (2017).

Uma nova ferramenta para burlar paywalls está disponível, o Leia Isso. Ele funciona e até lembra um tanto o finado Outline.

Há algumas semanas, troquei uns e-mails com o criador do Leia Isso, que prefere manter-se anônimo. “O que motivou a criação da ferramenta foi a vontade de ter um ambiente favorável à leitura”, explicou. “Sempre assinei feed [RSS] e newsletters para consumir conteúdo em razão da simplicidade na entrega do material. Pensei em levar essa experiência para leitura de artigos e notícias em geral.”

O funcionamento do Leia Isso é similar ao do Outline e 12ft Ladder, ou seja, ele recarrega a página indicada pelo usuário sem JavaScript, o que em muitos casos basta para derrubar paywalls porosos.

Por isso, o criador anônimo se diz tranquilo quanto a retaliações, “pois o robô não faz nada além de exibir o conteúdo que o próprio site divulga”. Ele lembra que publicações insatisfeitas podem bloquear o Leia Isso, o que seria “tecnicamente muito simples”. “A ideia não é infringir qualquer tipo de direito, apenas auxiliar de algum modo no aprimoramento da divulgação de informação pela internet brasileira”, defende-se.

Existem outras maneiras de burlar paywalls porosos de sites de notícias. Aqui no Manual tem um guia completo com quatro maneiras de burlá-los.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução que endurece o combate à desinformação nas eleições a dez dias do segundo turno. Na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, após um bom primeiro turno nesse sentido, o segundo tem sido um desastre.

São várias medidas que têm a intenção de acelerar a remoção de conteúdo que desinforma deliberadamente e frear canais e veículos que agem de má fé, como a Jovem Pan e canais bolsonaristas do YouTube.

Plataformas de vídeo — YouTube, Kwai e TikTok — têm sido as principais fontes de dores de cabeça.

Há quem diga que as novas regras chegaram tarde e me pergunto, sem desmerecer o trabalho que tem sido feito nem sua importância, se isso não é enxugar gelo. O ambiente está contaminado por uma força política mitomaníaca que, infelizmente, conseguiu enganar metade do país.

Para ler o que muda, sugiro as coberturas dos veículos ao lado. Via Folha de S.Paulo, Jota, Núcleo.