A Tapbots, pequeno estúdio que desenvolve o melhor aplicativo para Twitter, o Tweetbot, anunciou que está trabalhando em um aplicativo para Mastodon.

O vindouro aplicativo já tem nome, Ivory, e terá versões para iOS e macOS.

O Tweetbot continuará sendo desenvolvido e deve ganhar, em breve, uma nova versão para macOS.

Uma versão alpha do Ivory já está em testes, mas ainda não há data de lançamento. Via @ivory@tapbots.social (em inglês).

por Shūmiàn 书面

O papel dos entregadores de aplicativos na mudança das regulações de algoritmos das plataformas é o tema deste artigo de Matt Sheehan e Sharon Du para o think tank Carnegie.

No início do ano, as plataformas de entrega tiveram que responder às novas exigências de regulação das autoridades. A precarização desses trabalhadores levou a discussões na China sobre políticas de seguridade social para a categoria. A decisão da Suprema Corte do país em agosto de 2021 que pôs fim ao trabalho 996, também incluía a inspeção dos algoritmos dessas plataformas de entrega.

Aliás, um movimento parecido de fortalecimento dos “gig workers” também é visto na Índia.

Deixamos mais duas dicas de leitura para se informar: o relato do dia a dia de um entregador em Pequim e o texto traduzido por Jeffrey Ding (que já foi sugestão mais de uma vez), que havia sido publicado na revista Rénwù.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Yahoo anunciou uma parceria de 30 anos (!) com a Taboola, empresa responsável pelos anúncios mais abjetos da internet — aqueles cartões apelativos que aparecem no rodapé de notícias como se fossem “notícias relacionadas”.

A Taboola terá exclusividade na veiculação de anúncios “nativos” nas propriedades do Yahoo. A expectativa da dupla é alcançar 900 milhões de pessoas e gerar US$ 1 bilhão por ano em receita.

A escala das coisas chama a atenção. Quase um bilhão de pessoas vendo todo aquele chorume, por tanto tempo. Via Yahoo (em inglês; use um bloqueador de anúncios antes de acessar).

Atualização (10h15): Como bem observado pelo leitor Sobral, o acordo prevê a transferência de 24,99% da Taboola e um assento em seu conselho administrativo ao Yahoo.

A Apple divulgou os vencedores do App Store Awards, a premiação anual dos melhores aplicativos das suas plataformas. O do BeReal, rede social “autêntica”, foi eleito o aplicativo do ano para iOS — em um momento curioso em que a Apple se estranha com o Twitter.

No iPadOS, a honraria foi do GoodNotes 5, aplicativo de anotações com bom suporte à caneta. No macOS, MacFamilyTree 10, um aplicativo de quase R$ 200 para criar árvores genealógicas.

Veja os demais ganhadores no link ao lado. Via Apple (em inglês).

Elon Musk tem sido o maior promotor de redes sociais alternativas ao Twitter, como o Mastodon. O Twitter está se tornando, rapidamente, o grande lixão a céu aberto da internet. É um bom momento para migrar para o Mastodon.

Duas ferramentas lançadas recentemente ajudam usuários a fazerem a migração:

  • Esta lista de instâncias brasileiras do Mastodon (entenda o que é isso) é dinâmica e informa, com bolinhas verdes e vermelhas, quais estão abertas para novos cadastros. Ela é atualizada a cada 15 minutos. Criação do Santiago Lema.
  • O Movetodon encontra perfis do Twitter que você segue que já fizeram a migração para o Mastodon. É preciso dar permissões de acesso (somente as necessárias, pelo que pude ver) aos seus perfis no Twitter e no Mastodon, e você pode seguir um a um os perfis que o site encontrar ou tocar em um botão para seguir todo mundo. Depois, não se esqueça de revogar as permissões dadas. Criação do Tibor Martini.

A deterioração do Twitter segue a olhos vistos, impulsionada por atitudes intempestivas, inexplicáveis e/ou apenas estúpidas de Elon Musk.

Metade dos 100 maiores anunciantes do Twitter interrompeu a compra de anúncios na plataforma.

Pipocam casos de falhas crassas no sistema de moderação — passa 99% dos posts racistas da Copa, vídeos de um atentado na Nova Zelândia, campanhas de desinformação patrocinadas pela China.

Musk, quando não está exibindo fotos constrangedoras do seu criado-mudo no Twitter, tem feito ameaças à Apple devido à taxa que a empresa cobra de aplicativos distribuídos na App Store.

Parece um movimento preparatório. A proliferação no Twitter de discursos de ódio e outros mal vistos pela Apple, como pornografia, somada ao enfraquecimento da marca Twitter, pode culminar com a remoção do aplicativo da rede social da App Store. Essa possibilidade parece já ter sido aventada pela Apple, de acordo com este post de Musk.

A maioria das pessoas acessa o Twitter por celulares, e usando o aplicativo oficial.

Isso seria desastroso, mas não sem precedentes. Em 2018, a Apple removeu o aplicativo do Tumblr devido à presença de imagens de abusos sexuais infantis.

Para Musk, a solução caso isso aconteça é simples: criar um celular próprio. O ego do homem mais rico do mundo é proporcional à sua fortuna. Boa sorte com isso.

A matéria da Folha de S.Paulo falando mal do @Choquei/Twitter é, fora evidenciar uma dor de cotovelo do jornal, um caso prático das regras que regem a indústria de conteúdo, assunto que abordei na última coluna da newsletter.

As inteligências artificiais que produzem conteúdo aceleram um movimento que já acontece há algum tempo e que tem as redes sociais como origem e propulsoras.

Nas redes, características que se pensam importantes (e que são) em outros contextos, como qualidade, confiança e responsabilidade, beiram o inútil. O que importa é a circulação e, já de cara, o Choquei larga na frente no mínimo por dois motivos:

  • É um perfil de fofocas comentando guerras e política institucional, algo inusitado e reforçado pelos “🚨 GRAVE” e outros artifícios quase caricatos, a fim de viralizar;
  • Aproveita-se do trabalho alheio (a parte chata/difícil: apuração, checagem) para focar no conteúdo em si, o que lhe confere uma agilidade que jornal (sério) algum conseguiria rivalizar.

Fora isso, a Folha poderia ter escolhido outro exemplo que não um erro próprio de apuração (!) para bater no Choquei. Na dinâmica das redes sociais, uma “correção adicionada ao texto do jornal dias depois”, citada como sinal de virtude e superioridade do jornal, talvez tenha o mesmo efeito que apagar o post sem explicações (a atitude tomada pelo Choquei). Via Folha de S.Paulo.

O YouTube desmonetizou todos os canais da Jovem Pan nesta quarta (23) por iniciativa própria, ou seja, sem ser provocado pela Justiça. A’O Globo, a plataforma de vídeos do Google justificou a decisão afirmando que o programa “Os Pingos nos Is”:

Incorreu em repetidas violações das nossas políticas contra desinformação em eleições e nossas diretrizes de conteúdo adequado para publicidade, incluindo as relacionadas a questões polêmicas e eventos sensíveis, atos perigosos ou nocivos, além de outras políticas de monetização

Teria sido uma grande decisão se tomada meses, anos atrás, quando esse e outros canais já infringiam regras da plataforma e o YouTube/Google, em vez de punir a Jovem Pan, promovia os canais da emissora em seu algoritmo de recomendação. Via O Globo.

Brasília recebe a partir desta quarta (23) uma mostra de filmes em realidade virtual. Quem avisa é o Filipe Gontijo, que ao lado de Henrique Siqueira assina a direção dos filmes. Eles trabalham com o formato há quase uma década — muito antes do ~metaverso surgir; entrevistei o Filipe para esta matéria, em 2016.

A mostra será no Museu Vivo da História Candanga, de 23 a 26 de novembro. Veja os filmes que serão exibidos nesta página.

A demissão em massa da Amazon, que atingiu ~10 mil funcionários, pesou bastante na divisão responsável pela Alexa e dispositivos relacionados.

O Business Insider obteve documentos internos da Amazon e falou com funcionários para entender os motivos. O principal é uma falha grotesca de estratégia. Os dispositivos compatíveis com a Alexa são vendidos a preço de custo com o intuito de gerar receita durante o uso. Acontece que os casos de uso limitados (a maioria usa a Alexa para definir timers e pedir a previsão do tempo) não geram receita.

Ainda segundo as fontes e documentos, a Alexa deve dar um prejuízo de US$ 10 bilhões à Amazon em 2022. A iniciativa, lançada em 2014, era um projeto queridinho do fundador e ex-CEO da empresa, Jeff Bezos, que deixou o cargo em 2021. Desde 2020, porém, Bezos já demonstrava desinteresse pela Alexa. Via Business Insider (em inglês).

Como quem não quer nada, em uma resposta no Twitter, Matt Mullenweg, CEO da Automattic, prometeu que o Tumblr ganhará suporte ao protocolo ActivityPub, o mesmo usado pelo Mastodon e que lhe garante descentralização e federação.

Isso é muito promissor. Embora seja uma rede social pequena para os padrões comerciais, o Tumblr é maior que qualquer instância e a Automattic, que comprou o que sobrou do Tumblr com um troco de pinga em 2021, tem grana, pessoal e expertise para aproveitar o momento.

O Tumblr pode se tornar a principal porta de entrada para quem deseja conhecer o fediverso, mas se frustrou com a experiência complicada de escolher (ou mesmo saber o que é) uma instância do Mastodon. Não há prazo para essa novidade ser implementada, mas Mullenweg disse que será “o quanto antes”. Via @photomatt/Twitter (em inglês).

Os banimentos perpétuos de Donald Trump, Jordan Peterson e Kanye West no Twitter foram revertidos por Elon Musk. Trump, o caso mais notório, como resultado de uma enquete feita por Musk na própria plataforma — a mesma que meses atrás ele acusava de estar repleta de robôs e perfis automatizados. A promessa de só tomar decisões de moderação depois de instituir um conselho? Quem se importa? O Twitter de Musk é uma grande e cara piada de mau gosto. Via @elonmusk/Twitter, Semafor (ambos em inglês).

A InfoMoney foi atrás de investidores que perderam tudo com a quebra da FTX, ex-segunda maior corretora de criptoativos do mundo.

Um engenheiro civil de Passo Fundo (RS) fez dois empréstimos bancários que somou às suas economias para investir no negócio. Perdeu R$ 700 mil. Longe de mim culpar a vítima, mas é difícil pensar em ideia pior que fazer um empréstimo junto ao banco (quiçá dois!) para investir num negócio extremamente volátil.

As chances de recuperar o prejuízo são baixas, como explica o advogado consultado na matéria. Primeiro porque há peixes mais graúdos na fila — a FTX deve US$ 3,1 bilhões aos 50 maiores credores.

Segundo porque a FTX era uma bagunça. John J. Ray III, CEO que assumiu o lugar do fundador Sam Bankman-Fried, classificou a situação da empresa como “sem precedentes”. A fala tem maior peso vindo de quem vem — Ray III esteve à frente da reconstrução de outra empresa envolvida em um mega-escândalo de fraude, o da Enron no início dos anos 2000. Via InfoMoney, Bloomberg, Coindesk (os dois últimos em inglês).

Elon Musk deu um ultimato aos funcionários que sobraram no Twitter: comprometa-se com jornadas extenuantes de trabalho ou caiam fora. Mais gente que o esperado optou por cair fora.

O Twitter está na UTI e seus sistemas podem quebrar a qualquer momento, em grande parte porque falta gente para manter as coisas funcionando.

Musk é tão tóxico que, por comparação, conseguiu a proeza de fazer Mark Zuckerberg/Meta e a Amazon ganharem confete por demitirem dezenas de milhares de pessoas de forma ~humanizada — leia-se com o mínimo de dignidade. (Foram 11 mil demissões na Meta e 10 mil na Amazon.) Via The Verge (2) (em inglês).

O Evernote, aplicativo de anotações pioneiro, foi vendido por valor não divulgado à Bending Spoons, empresa italiana especializada em aplicativos móveis.

No comunicado oficial, Ian Small, CEO do Evernote, diz que com a venda, o Evernote “aproveitará a comprovada experiência e as amplas tecnologias proprietárias” da Bending Spoons para melhorar o aplicativo — que, não faz muito tempo, em 2020, passou por uma reformulação profunda em todas as plataformas, adotando o framework Electron.

Um “case” de pioneirismo que não se converteu em domínio, o Evernote parecia inescapável em algum momento do início dos anos 2010, com seus aplicativos onipresentes e, até então, funcionais.

A startup levantou US$ 290 milhões entre 2007 e 2014 e, em algum momento depois disso, meio que se perdeu: funcionalidades básicas passaram a falhar, aplicativos diversos foram lançados e até produtos físicos, como cadernos Moleskine e meias (!), passaram a ser vendidos com a marca Evernote.

Em paralelo, algumas decisões de negócio, em especial a imposição de limitações rígidas ao plano gratuito (sincronia apenas entre dois dispositivos) somada a um forte aumento dos planos pagos e uma tentativa desastrosa de atualizar a política de privacidade em 2016, afugentaram muitos usuários. Via Evernote (em inglês).