Primeiras impressões do Lumia 630

Mais um dia, mais um smartphone desembarca aqui. Desta vez foi o Lumia 630, da Microsoft, o palco para a estreia no Windows Phone de dois recursos de muito apelo no segmento de entrada: suporte a dois SIM cards e TV digital.

Atualização: O review completo do Lumia 630 já está no ar.

Lumia 630.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Gostei: o tamanho é bem legal. Se encaixa bem na mão, no bolso e a espessura, embora não seja das mais finas, também fica dentro dos limites confortáveis para o manuseio. Ele tem um design bem simples, ainda mais do que a média dos Lumias — nada de botão dedicado a fotos, ou os táteis do sistema, que agora são virtuais. Ajuda na composição de um visual mais clean. Já vem com Windows Phone 8.1 instalado.

Não gostei: a unidade que recebi está bem gasta, com a tampa de trás suja (e ainda por cima é branca) e umas marcas na tela deixadas pelo adesivo de fábrica que a cobre. A primeira impressão da tela é ruim: além da resolução que não empolga, o brilho no médio está mais para baixo (e não há sensor de luminosidade) e a sensação do toque é ruim. Lembra muito aqueles smartphones abaixo de R$ 500 que testei ano passado.

O que mais: não sei se alguém esqueceu dele ou se não existe mesmo, mas diferente de outros smartphones com suporte a TV digital este Lumia 630 não tem aquela antena externa que vai no plug dos fones de ouvido. Pelo Twitter o Guilherme me avisou que a antena do Lumia 630 está embutida nos fones de ouvido. Vieram na caixa o carregador de parede, a bateria (solta) e os fones, que parecem extremamente básicos. A caixa, aliás, é bem diferente daquelas azuis padrão Nokia. Gostei da mudança, o novo desenho tem um ar mais moderno.

Nova caixa do Lumia 630.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O próximo review da fila é o do Xperia Z2 (o da SmartBand, que vem no pacote, saiu semana passada), depois vem o Moto E e, aí sim, Lumia 630. Se tiver alguma dúvida ou quiser sanar uma curiosidade sobre o Lumia 630, use os comentários abaixo.

A dupla dinâmica do Foursquare parte em uma missão de vida ou morte

Na última terça-feira, em São Paulo, notificações do Swarm apareceram com mais frequência na tela do meu smartphone. Muitos contatos moram na cidade e, estando nas redondezas, o app espertamente passou a exibir as atividades deles.

Havia (ainda há) dúvidas sobre o Swarm, o app exclusivo para check-ins do Foursquare. Apesar de promissor e cheio de oportunidades para se encontrar cara a cara com seus amigos (é isso o que importa, certo?), a remoção das medalhas, prefeituras e sistema de pontos foi um banho de água fria nos usuários mais assíduos.

Parece, porém, que para um público maior o racha do app principal foi positivo. No anúncio das futuras novidades do Swarm, o blog oficial informou que “tem sido intenso [o trabalho] para acompanhar o crescimento (o Foursquare não teve tantos usuários por alguns anos)”. Novos stickers e mudanças sutis no funcionamento do app estão nos planos para o futuro próximo, junto com o app oficial para Windows Phone.

O renovado Foursquare.
Imagem: Foursquare.

Quem também está na boca do forno é o renovado Foursquare. Com novo logo, visual reformulado e foco total na descoberta de lugares, o app tentará mais uma vez se livrar do estigma dos check-ins.

Para aqueles que viam o Foursquare apenas como um jogo e ignoravam todo o resto, vale a dica: dê uma olhada no banco de venues e nas dicas deixadas pelos usuários. É um conteúdo rico e mais organizado do que, por exemplo, o do Facebook — reparou como os locais do Instagram ficaram bagunçados recentemente? Migraram o banco de dados do Foursquare para o do Facebook.

O novo app é todo sobre esse eterno “lado B” da antiga experiência do Foursquare. Agora que não precisa mais abrigar toda a mecânica de check-ins e dividir as atenções, ele se dedicará a fornecer informações úteis, relevantes e, em conjunto com o Swarm, atualizadas: em tempo real, baseado no uso desse, o Foursquare poderá indicar quais locais ao redor estão bombando, criando um mapa vivo e vibrante do mundo. É uma combinação de fatores interessante e sem igual na indústria hoje.

É mais fácil alguém estar em busca de um restaurante bacana do que de jogar na cara dos amigos que foi a mais lugares, daí o interesse do Foursquare em promover seu lado Yelp, de transformar o “lado B” em hit. Além do público em potencial ser maior, paga-se bem por boa informação. A Microsoft despejou US$ 15 milhões para botar as mãos nas venues do Foursquare e, recentemente, os maiores usuários/parceiros do Foursquare, que somam menos de 1% do total, passaram a ser cobrados por esse acesso.

Casos de serviços que não estouram para o mainstream e, a despeito disso, continuam operando por tanto tempo não são muito comuns. O Foursquare surgiu no começo de 2009; no universo de apps e startups, cinco anos é uma era. A sorte é que ninguém, incluindo Facebook e Google (que tenta mais uma vez atropelá-lo), ainda conseguiu quebrar o código da geolocalização. A dupla Swarm + app principal renovado é a aposta mais alta já feita pelo Foursquare. Se não for agora, talvez não fosse para ser.

Oi é multada pelo Navegador, da Phorm. Antes tarde do que nunca?

A parceria da operadora Oi com a empresa Phorm, que tem sede em Londres, para utilização de uma ferramenta de identificação de preferência dos usuários na internet para fins publicitários está levantando dúvidas nos órgãos federais que avaliam ou monitoram o assunto. O tema está sob análise tanto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto do Ministério da Justiça […]

O parágrafo acima é de uma notícia de 2010, mas somente nesta semana a Oi foi multada em R$ 3,5 milhões por ferir os princípios da boa fé e transparência na oferta do Navegador, uma tecnologia da inglesa Phorm que monitora os hábitos de navegação do usuário de banda larga para construir perfis de consumo e vendê-los a empresas de publicidade.

A parceria entre Oi e Phorm terminou em março do ano passado. A Oi disse que recorrerá da multa.

Como as empresas de tecnologia se saíram no último trimestre fiscal (2Q2014)

Diversas empresas de tecnologia com capital aberto estão divulgando seus relatórios trimestrais nesta semana. Esses documentos públicos são uma exigência da Bolsa e trazem, resumidamente, números: vendas, faturamento e lucro (ou prejuízo).

Por que você está lendo isso aqui? O site não virou um Manual do Investidor, nem mudou de foco. Esses relatórios, porém, servem ao mesmo tempo de indicativos para o futuro das empresas e termômetro para suas ações mais recentes. Tomemos a BlackBerry como exemplo. As mudanças radicais em comando, estratégia e abertura se devem ao mau desempenho dos seus papéis. Como empresa de capital aberto, agradar aos investidores e manter seu valor de mercado em alta passa a ser uma meta importantíssima, talvez a mais importante.

Abaixo, um resumo das que já divulgaram seus números e seus destaques relativos ao segundo trimestre (terceiro, para a Apple) do ano fiscal1 de 2014. (mais…)

O Lumia 530 empurra o Windows Phone ainda mais para baixo na tabela de preços

https://www.youtube.com/watch?v=T663YbyHzDY

A Microsoft anunciou o Lumia 530 mirando no segmento low-end. Na Europa, ele custará € 85, o que lhe dá o título de Windows Phone mais barato já lançado pela Nokia/Microsoft. (Para colocar em perspectiva, o Lumia 520 foi lançado por € 139.) Apesar da numeração dos modelos, não se engane: o sucessor do Lumia 520 é o Lumia 630, lançado no final de maio.

O Lumia 520 é (justificadamente) um sucesso de vendas. Responde por 1/3 dos Windows Phone vendidos pela Nokia/Microsoft e abriu os olhos da Microsoft para o segmento de entrada. Com a absorção da Nokia e o fim das linhas mais baratas com S40 e Android AOSP (leia-se Nokia X), a missão de conquistar o consumidor que chega agora ao mundo dos smartphones recai toda no Windows Phone.

O Lumia 630 (review em breve) traz várias melhorias e similaridades em relação ao Lumia 520. Já o Lumia 530 é um downgrade: com exceção do processador, algumas configurações são iguais e várias, inferiores.

O Lumia 530 mantém a limitada RAM de 512 MB e a câmera de 5 mega pixels, e essa, para piorar, perdeu a capacidade de gravar vídeos em alta definição e o foco variável. Outra baixa notável é a memória interna, que de 8 GB no 520, caiu para 4 GB. Tudo bem, existe o slot de para cartão SD, o problema é que gastar mais para expandir uma memória limitadíssima vai contra a motivação de quem compra um smartphone de entrada, que é gastar menos. Ele também é mais grosso e pesado que o Lumia 520, e perdeu o painel IPS da tela.

Os Lumia 530 e 630 parecem variantes de projetos multiplataforma, como notou Paul Thurrott. Eles têm botões virtuais e carecem do (físico) dedicado à câmera, característica marcante e, até então, onipresente nos Windows Phone da Nokia. Talvez a ideia da Nokia, antes de ser vendida e de focar totalmente num sistema só, fosse compartilhar esse projeto entre as linhas Lumia e X. Isso, claro, além de custo: é seguro presumir que o valor alcançado pelo Lumia 530 só foi possível economizando aqui e ali, em detalhes que isoladamente são quase inexplicáveis.

No Brasil o Lumia 530 sai ainda neste trimestre, apenas nas cores preta e branca — lá fora existem também as opções laranja e verde. A Microsoft do Brasil ainda não revelou o preço. Ano passado o Lumia 520 foi lançado, inicialmente, por R$ 599, então é de se esperar que o novo aparelho chegue por menos que isso.

Tela, câmera e estilo são os pontos fortes do G3, smartphone topo de linha da LG agora no Brasil

Ontem (22) a LG anunciou a chegada do G3 no Brasil, seu novo smartphone topo de linha. A empresa ressaltou o poder e a simplicidade do aparelho para tentar ganhar o consumidor premium (leia-se com mais de R$ 2.000 para gastar em um celular) e aproveitou para exibir, também, o relógio inteligente G Watch e a nova família de tablets G Pad. Tudo isso na companhia da atriz Cleo Pires numa vibe bem estranha e mais um punhado de gente da imprensa em São Paulo. (mais…)

Perguntas sobre a (não) redução de US$ 300 para US$ 150 na cota de importação em viagens por via terrestre

Vários erros nessa história da diminuição da cota de isenção em produtos importados por via terrestre, fluvial ou lacustre de US$ 300 para US$ 150, não? Acompanhe a linha do tempo comigo — e corrija-me se eu escrever alguma bobagem.

A notícia do Zero Hora, de ontem, informou que um funcionário da Receita Federal em Santana do Livramento disse que turistas se surpreenderam com medida, que já estaria valendo. Ela se embasa na Portaria nª 307, publicada no Diário Oficial da União. Mas hoje, Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita Federal, disse ao G1 que o valor antigo é o que está valendo e assim continuará por até um ano, já que a mesmo publicada no Diário da União, a redução ainda precisa de regulamentação da Receita.

A redução se deve a outra novidade da Portaria 307, que estabelece uma cota extra, de US$ 300, para lojas francas (os free shops comuns em aeroportos internacionais) que serão implantadas em “cidades gêmeas”. O problema é que nem toda cidade de fronteira tem uma gêmea no país vizinho. Como ficam esses casos? A Receita não sabe. Segundo Barreto, “não sabemos como vamos fazer. Porque tem uma regulamentação própria do Mercosul que regula tudo isso. Neste período, a gente espera amadurecer”. As cidades elegíveis ainda precisam de lei municipal para autorizar esse tipo de comércio.

Outra coisa é a discrepância com as regras para quem viaja de avião. A cota, para quem compra no free shop no retorno ao país, também é cumulativa e igual à das compras feitas fora — ou seja, US$ 500 + US$ 500. Segundo a portaria, para viagens internacionais terrestres essa soma ficará US$ 150 + US$ 300. Por que a diferença?

[Review] SmartBand SWR10, a pulseira da Sony que quer saber tudo da sua vida

Enquanto LG, Motorola e Samsung se aventuram com relógios com Android Wear que ainda precisam provar terem cérebros competentes, a Sony apresentou um gadget vestível mais prosaico, uma pulseira que conta passos. A SmartBand SWR10 não faz muito, mas promete fazer bem o que se propõe. Consegue na prática? É o que descobriremos. (mais…)

O Salvar do Facebook pode melhorar os links que você vê na timeline

Salve para ler/ver/ir depois.
Imagem: Facebook.

O Facebook anunciou hoje a função salvar. É como o Pocket, ou o Instapaper, mas fechado na rede social, com separadores para cada tipo de conteúdo (links, locais, filmes) e lembretes. Para Android, iOS e web, com liberação gradual — aqui já aparece o botão “Salvar” em eventos; o link para acessar os itens salvos, não.

Embora prefira soluções agnósticas, como o já citado Pocket (que uso), a exposição que qualquer coisa que o Facebook faz em seu serviço principal pode apresentar esse conceito, até hoje meio de nicho, a um público enorme. O que pesa contra é a posição do botão de salvamento: na seta do canto superior direito, bem escondida.

Além de ser um adianto na curadoria de links e indicações que pulam na timeline, há dois desdobramentos que podem ser interessantes e só possíveis dentro do Facebook.

Primeiro, avisos contextuais. O anúncio diz que esporadicamente os apps e o site web lembrarão o usuário dos itens salvos. Se os lembretes se aproveitarem da mobilidade dos apps móveis e utilizarem dados como localização e horário, pode acabar sendo um diferencial e tanto. Imagine salvar um restaurante indicado por um amigo e, num dia qualquer, passando perto dele dentro do horário de funcionamento, o app emitir uma notificação? Do ponto de vista técnico não é impossível, tanto que outros apps, como o Google Keep, já fazem isso.

https://twitter.com/alexismadrigal/status/491268614297620481

A outra é a alimentação do algoritmo. O Pocket faz algo assim, colocando rótulos em posts populares e/ou de qualidade. Novamente, a exposição maciça do Facebook pode fazer com que bons posts emerjam do lamaçal de conteúdo raso que é publicado por lá, sendo mais um sinal (e um poderoso) no rankeamento gerado pelo algoritmo da timeline. Se o Facebook quer mesmo ser o nosso jornal, dar preferência às melhores histórias, não necessariamente as mais populares, é imprescindível.

Resta ver se o recurso será usado já que para fazer diferença, é necessário que haja uma grande base servindo dados brutos para a otimização do algoritmo.

Buscador do Baidu estreia no Brasil

Saulo Pereira Guimarães, na Exame:

Uma cerimônia realizada hoje em Brasília marcou o lançamento da versão brasileira do Baidu, serviço de buscas mais usado na China.

No evento, estiveram presentes a presidente Dilma Rousseff, o presidente chinês Xi Jinping e Robin Li, chefe executivo do Baidu – entre outros.

“Nossa entrada no mercado brasileiro servirá para torná-lo mais competitivo, impulsionando a inovação local e proporcionando mais e melhores opções para os brasileiros”, afirmou na cerimônia Johnson Hu, diretor de negócios internacionais do Baidu.

A versão localizada está em br.baidu.com. Estranhamente, baidu.com não redireciona automaticamente para o site brasileiro. Ele é limpo e bem direto, filtra resultados por imagens e vídeos, e traz um mecanismo que tenta adivinhar os termos enquanto são escritos e outro que parece uma espécie de ranking de notícias mais populares do momento. Do lado esquerdo flutuam links para o Postbar, uma espécie de fórum online sobre temas segmentados. Não fiz testes suficientes para ter uma noção da qualidade do algoritmo que retorna os resultados.

O buscador do Baidu é o maior produto da empresa chinesa. Líder na China, responde por 70% das pesquisas online feitas em seu país natal. Apesar de só agora trazer seu carro-chefe ao Brasil, a empresa Baidu atua por aqui há mais tempo.

Ano passado lançou diversos produtos, como antivírus, “otimizador” de PCs, o navegador Spark e um diretório de sites, o Hao123. A promoção deles tem sido agressiva, com publieditoriais em vários sites e a inclusão deles em instaladores de outros apps, tática no mínimo questionável e que até hoje rende críticas e comentários irritados de usuários afetados.

O lapso entre esses apps intrusivos e o buscador localizado talvez tenha uma razão de ser, como sugeriu o Emerson nesta nota do Tecnoblog no final do ano passado:

No evento [do início das operações no Brasil], a empresa justificou a aposta nestes aplicativos e a gratuidade de todos eles dizendo que, na fase inicial, a ideia é utilizá-los para conhecer melhor os hábitos dos usuários brasileiros. Exatamente como? Não disseram, mas dá para imaginar…

O lançamento em Brasília e com a presença dos presidentes do Brasil e da China me soa meio atípico. Ele faz parte dos esforços da China em difundir suas empresas de tecnologia no ocidente e em países orientais com fortes laços com esse lado do mundo. Em março, por exemplo, o presidente Xi Jinping fez visita à Coreia do Sul acompanhado dos CEOs do Baidu, Alibaba, Huawei e o chairman do Banco da China a fim de estreitar os lados em áreas como comércio, finanças, meio ambiente e assuntos diplomáticos.

O Baidu é mais um buscador que tenta derrubar a hegemonia do Google, que é especialmente alta no Brasil — diversos indicadores dão mais de 90% do mercado nacional ao serviço americano. E à luz das revelações de espionagem de Edward Snowden, feitas ano passado, o fato de ter sua sede em outro país que não os EUA parece um bônus interessante ao governo, mesmo ciente do histórico de interferências e censura do Partido Comunista da China na Internet do país.

Kindle Unlimited, a Netflix dos livros, não resolve o maior problema do leitor moderno: a falta de tempo

Esqueça a pirataria por um momento. Considerando apenas o mercado formal, endossado por produtoras, estúdios, editoras, todos os envolvidos no caminho que a obra faz do autor até o consumidor, hoje é possível ouvir, assistir e ler quantidades absurdas de conteúdo gastando menos de R$ 50 por mês.

É uma conta fascinante. Com a entrada da Amazon na onda dos “Netflix de [insira aqui um mercado de consumo]”, as três frentes se fecham. Não que o Kindle Unlimited seja pioneiro; Oyster e Scribd oferecem planos similares há mais tempo. Juntas, porém, elas não têm o peso da Amazon, que nos EUA domina 65% do mercado editorial. Daí a repercussão do anúncio. (mais…)

Independente e a caminho do Android e iOS, o futuro do MixRadio é incerto

Tela inicial do MixRadio.
Imagem: Microsoft.

Como parte do seu plano de reestruturação, a Microsoft se desfará do MixRadio, um app de streaming de música herdado da Nokia.

Ao Guardian, Jyrki Rosenberg, responsável pelo MixRadio, disse que ele se tornará independente, continuará vindo pré-instalado nos Lumias e, talvez o mais importante, deve ganhar versões para Android e iOS.

Embora faça streaming de música, o MixRadio diverge um pouco das ofertas de Spotify, Rdio, Deezer e Xbox Music. Ele não tem música sob demanda, é num esquema mais parecido com rádio — ou, se você estiver familiarizado, com o Pandora. Sempre que testo algum Windows Phone acabo usando-o, e é bem legal por ser “frictionless”: você abre, indica um artista e ele monta a playlist baseada nisso e nas curtidas suas nas músicas. Mais simples, impossível.

No Brasil o MixRadio só está disponível na versão gratuita. Em alguns dos 31 países onde existe, os usuários podem pagar uns trocados por mês (£ 3,99 no Reino Unido) e obter vantagens como cache de playlists para ouvir offline e pular músicas sem limites (na versão grátis o limite é de cinco por hora).

Embora a chegada ao Android e iOS abra possibilidades, o MixRadio terá dificuldades em se manter sem uma gigante por trás. Players muito maiores não têm vida fácil — o Spotify, maior do gênero, já perdeu US$ 200 milhões desde que foi lançado.

Os trunfos do MixRadio são a presença forte no Windows Phone e a facilidade de uso: dispensa cadastro, não exige pagamento, é só abrir e dar o play. Se isso, mais a chegada a outras plataformas mais populares, serão suficiente para ganhar relevância comendo pelas beiradas, ninguém sabe. O futuro do MixRadio é tão incerto quando era o da Nokia pós-aquisição pela Microsoft.

Kindle Unlimited no Brasil

Os rumores se confirmaram e a Amazon lançou hoje, nos EUA, o Kindle Unlimited, serviço de assinatura mensal similar à Netflix — por US$ 9,99, o assinante tem direito a baixar e ler todo o acervo de e-books. Tipo uma biblioteca, só que com livros digitais e paga.

Perguntei à assessoria da Amazon no Brasil se esse programa virá para cá. A resposta?

“A Amazon não comenta planos futuros.”

Àqueles que não têm dificuldade com o inglês e se interessaram no Kindle Unlimited, a boa notícia é que ele funciona em terras brasileiras. Para tanto, é preciso migrar sua conta para os EUA e usar um endereço americano (o cartão atrelado não precisa ser um emitido nos EUA). A Amazon oferece 30 dias de degustação gratuita para novos assinantes.

Microsoft: 18 mil demissões, vários projetos engavetados e foco total no Windows Phone

Microsoft.
Foto: Robert Scoble/Flickr.

A Microsoft anunciou hoje que até o ano que vem demitirá até 18 mil funcionários. Desses, 12500 serão da Nokia, adquirida no começo do ano.

Esse não foi o único anúncio de hoje. Em uma carta direcionada a funcionários, Stephen Elop, vice-presidente da divisão de Dispositivos e Serviços da Microsoft, anunciou que a empresa passará a focar no Windows Phone, inclusive no segmento de entrada. Isso significa que o Nokia X, a linha de smartphones de entrada com Android, será descontinuado — e o anúncio da segunda versão, algumas semanas atrás, fica ainda mais estranho.

A linha Asha continua, a cargo de outra divisão liderada por Jo Harlow, só que em “modo manutenção”. Segundo um memorando de Harlow, esses aparelhos e outros mais simples, incluindo os icônicos celulares básicos com bateria duradoura e teclado numérico, não receberão novidades e serão descontinuados gradativamente ao longo dos próximos 18 meses. MixRadio e Xpress Browser, apps da Nokia para ouvir música por streaming e navegar com economia de dados, terão o mesmo destino até serem vendidos. Algumas fábricas ao redor do mundo serão fechadas, outras, reestruturadas. A do Brasil, em Manaus, aparentemente passará intacta por essa turbulência.

Passada essa fase, tudo o que restará na Microsoft em relação a smartphones será o Windows Phone. Não chega a ser exatamente uma surpresa.

Tem mais: o Xbox Entertainment Studios, responsável por séries de TV exclusivas para a Xbox LIVE, também será fechado. As séries já em produção, que incluem uma sobre a franquia Halo e outra sobre os primórdios dos video games, serão finalizadas. É o fim prematuro da promessa de produzir conteúdo audiovisual original para bater de frente com a Netflix.

Demissões são sempre ingratas, mas a notícia parece ter agradado os investidores — os papéis da MSFT operam em alta de 3%. Além da Bolsa, analistas também acham que essa reestruturação será benéfica, até necessária nesses novos tempos em que de líder disparada a Microsoft passou a responder por apenas 14% dos equipamentos vendidos no mundo, considerando outros form factors além de desktops e notebooks.

Defendi esse ponto algum tempo atrás e, na WPC desse ano, Kevin Turner disse que a mentalidade dentro da empresa é essa mesma:

“A realidade é que o mundo mudou, o mundo evoluiu. Agora mensuramos nós mesmos no espaço de dispositivos no total. Temos uma oportunidade bem maior do que já tivemos no passado para aumentar nosso negócio, mas temos que repensar como o encaramos.”

Apesar do excesso de jargões corporativos e da prolixidade, aquele e-mail de Satya Nadella antecipava mudanças nesse sentido. Mais do que demissões, ele parece estar disposto a mudar a cultura interna. Faz um bom tempo que a Microsoft é vista como uma empresa lenta, sempre correndo atrás depois que as concorrentes inovam. Mudar essa percepção é importante.

Há quem diga que essa nova postura reflete um posicionamento mais humilde, como se a Microsoft soubesse que não é mais protagonista da tecnologia de consumo e estivesse agindo de acordo. O tempo dirá se essa impressão se confirma na prática. Apesar das demissões, a Microsoft continua enorme, com milhares de funcionários inteligentes e um portfólio de produtos para o consumidor doméstico que, embora não seja a melhor opção hoje, tem bastante potencial.

Assine o Manual do Usuário

Bill Murray fazendo propaganda para o exército.A partir de hoje o Manual do Usuário passa a ter planos de assinatura com valores flexíveis, começando em US$ 1 por mês.

Essa mudança foi possível graças ao Patreon, serviço que é similar ao Kickstarter, mas para projetos continuados. São seis planos que além de bancarem a existência do site, dão direito a benefícios variáveis, do mais básico (meu agradecimento e acesso ao grupo fechado do Facebook) ao mais avançado (com todos os benefícios, mais um canal direto comigo para tirar dúvidas).

Enfim, entre lá na página, veja o vídeo, leia as instruções e, se achar que o Manual do Usuário vale alguma coisa, torne-se um assinante.