Tela, câmera e estilo são os pontos fortes do G3, smartphone topo de linha da LG agora no Brasil

Evento do G3, em São Paulo.

Ontem (22) a LG anunciou a chegada do G3 no Brasil, seu novo smartphone topo de linha. A empresa ressaltou o poder e a simplicidade do aparelho para tentar ganhar o consumidor premium (leia-se com mais de R$ 2.000 para gastar em um celular) e aproveitou para exibir, também, o relógio inteligente G Watch e a nova família de tablets G Pad. Tudo isso na companhia da atriz Cleo Pires numa vibe bem estranha e mais um punhado de gente da imprensa em São Paulo.

O desafio do G3: ser simples e vender bem

Ano passado a LG fez barulho com o G2. Para concorrer com os produtos de Sony e Samsung, ele tinha câmera e bateria acima da média e algumas invencionices como o posicionamento dos botões físicos na parte de trás do aparelho, solução então inédita.

Para esse ano as apostas e expectativas em torno do G3 são maiores. O último dos grandes a ser anunciado, ele traz refinamentos e mais ineditismos que saltam à vista no papel, mas que ainda precisam se provar úteis no dia a dia para fazerem frete aos renovados (ainda que com sabor de mais do mesmo) Galaxy S5 e Xperia Z2.

Versão dourada do G3.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nesse aspecto, aliás, o G3 larga na frente: desse trio, foi o que mais mudou em relação ao antecessor. A LG classifica esse ponto como “estilo” e o elegeu como um dos três pilares para a promoção do aparelho. O G3 é ergonômico e tem um acabamento bonito que imita aço escovado. Só que não é, trata-se de policarbonato — o bom e velho plástico.

Até que ponto isso é ruim depende muito do que o consumidor valoriza. No review do Xperia T2 Ultra Dual, por exemplo, disse que ser enganado por plástico que se assemelha materiais nobres não chega é sempre o fim do mundo, desde que o disfarce seja convincente. Parece (!) ser esse o caso aqui.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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A tela do G3 é equivalente a papel?
Marcel Inhauser, da LG. Foto: Rodrigo Ghedin.

Tela e câmera complementam o tripé de destaques do G3. A tela é QuadHD, de 2560×1440 pixels, e a promessa é que a densidade de 538 PPI pese a favor. Na prática não senti tanta diferença no hands-on após a apresentação, o que nos leva à conclusão de que o ganho não é tão substancial quanto foi o salto do padrão standard para a alta definição, ou mesmo como o do Full HD para o 4K. Talvez todos esses pixels façam diferença em cenários específicos; isso, mais o impacto na autonomia, são considerações que somente mais tempo de uso podem dar.

Outra característica da tela, essa decididamente positiva, é a área que ela ocupa: mais de 3/4 da parte frontal do G3. Menos borda significa tamanho físico menor, o que é importante para um smartphone com tela de 5,5 polegadas. Ele é enorme, mas não chega a ser um phablet, nem pesar como um. A comparação de tamanho com o Optimus G Pro, lançado há um ano e meio também pela LG, dá uma boa ideia da evolução em termos espaciais.

Na câmera, o destaque é o foco automático a laser. Outros smartphones usam o difundido método de phase detection, que faz o alinhamento de pixels do objeto a ser focado e, então, dispara. Com o auxílio do laser (que, antes que alguém pergunte, não é visível), o foco é mais rápido. Quanto? Menos de 0,3 segundos em relação ao do Galaxy S5. Se isso fará diferença na prática? Acho que não. É mais provável que uma consequência dessa tecnologia, a interface super simplificada da câmera similar à do Windows Phone e do Moto X (o viewfinder é um grande disparador), ganhe mais pontos na satisfação dos futuros clientes. A câmera ainda conta com um sistema de estabilização ótica de imagens aprimorado (legal!) e um mecanismo de fazer selfie cerrando o punho contra a câmera frontal (meh).

A nova interface do Android da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O G3 ainda ganhou um banho de loja na personalização do Android da LG. O visual ficou “flat”, a paleta de cores, ganhou tons pastéis bem menos berrantes e no geral, pela rápida olhada de ontem, o saldo parece positivo.

A importância de lapidar apresentação e experiência de uso vai além dos ganhos estéticos. A grande premissa da LG para posicionar o G3 como alternativa desejável pelos consumidores é a simplicidade. A antiga camada de software, presente no G2, G Flex e todos os demais modelos, era tudo menos simples. Com recursos confusos e em excesso, vários de utilidade questionável, configurações de fábrica mal feitas e apelo estético limitado, havia muito espaço para melhorar. Mais do que tela e câmera, determinar se o resultado dessa mexida foi de fato positivo é algo que demandará mais tempo de uso, apesar do prognóstico otimista.

G3, novo smartphone topo de linha da LG.
Foto: LG.

O G3 chega ao Brasil apenas na opção de 16 GB de memória interna, com 2 ou 3 GB de RAM1, nas cores preto, branco, dourado e roxo. Kudos pela variedade, coisa rara no Brasil mesmo entre fabricantes que têm (ou poderiam ter) nas cores um diferencial. A LG está investindo pesado em marketing, com spots comerciais na TV, campanha em revistas e outras ações.

O preço sugerido do G3 é de R$ 2.299, menos que os iniciais de Galaxy S5 (R$ 2.599) e Xperia X2 (R$ 2.499, com a pulseira SmartBand na caixa). A LG ainda garante dois brindes bem bacanas: os fones de ouvido Bluetooth TONE+ e um carregador sem fio. Ambos custam R$ 299 e R$ 199, respectivamente. O carregador faz parte do pacote, já o TONE+ será oferecido por tempo limitado — até 1º de agosto ou enquanto durarem os estoques.

O mais curioso, porém, foi acordar hoje cedo e me deparar com o G3 sendo vendido a menos de R$ 1.800 em uma grande loja virtual. Se antigamente era comum smartphones Android desvalorizarem depois alguns meses à venda, uma nova tendência de aparelhos que desvalorizam antes de chegarem ao varejo começa a se formar. Semana passada tinha sido a vez do Galaxy K Zoom da Samsung. Com preço sugerido de R$ 2.099, ele já era encontrado por R$ 1.699 um dia depois de anunciado oficialmente aqui!

G Watch, o relógio inteligente que parece de brinquedo

G Watch avisa sobre e-mail recebido.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nos pulsos dos funcionários e executivos da LG era possível ver o G Watch, relógio inteligente rodando Android Wear. Renato Russano, instrutor de treinamento da LG, fez uma demonstração detalhada a mim e outros jornalistas.

Não me pareceu nada espetacular, de outro mundo. Fora o Android Wear (bem responsivo, com alguns truques bacanas, longe de ser revolucionário), o hardware do G Watch é meio desengonçado e a pulseira, bizarramente ruim — tem o aspecto de relógios infantis. Por sorte o tamanho dela segue um padrão, ou seja, dá para (deve-se!) trocá-la sem susto por uma que seu sobrinho de sete anos não usaria.

É legal a conectividade, ter notificações no pulso e realizar algumas ações simples, como trocar de música e responder SMS. Se isso vale o trabalho de ter mais um gadget para gerenciar, recarregar toda noite e tomar cuidado? Creio que não. O G Watch estará disponível ainda em julho por R$ 699 nas cores preta e branca. O preço assusta um pouco, mas não ficou muito longe do que a LG cobra nos EUA (US$ 219, o que convertido dá ~R$ 485).

Os novos membros desprivilegiados da família G Pad

O menor G Pad.
G Pad 7.0. Foto: Rodrigo Ghedin.

O G Pad 8.3, um dos tablets Android mais legais que passaram por aqui recentemente, ganhou novos irmãos. Os três novos G Pad têm telas de 7, 8 e 10,1 polegadas, acabamento colorido e com bordas arredondadas, e a mesma interface do (smartphone) G3.

Infelizmente o SoC sofreu um downgrade. Em vez do potente Snapdragon 600 com CPU Krait 300 quad-core rodando a 1,7 GHz que equipa o G Pad 8.3, os três novos modelos vêm com o modesto Snapdragon 400, um quad-core de 1,2 GHz e núcleos Cortex-A7, figurinha carimbada em vários smartphones intermediários (Moto G, Xperia M2/T2 Ultra Dual, para citar alguns). A resolução também caiu bastante. A linda tela de 1920×1200 (273 PPI) do G Pad 8.3 cedeu espaço aos 1280×800 pixels, resolução que não muda nem no modelo de 10,1 polegadas.

A (única?) boa notícia é que o G Pad de 8 polegadas terá uma versão com conectividade 4G (!), atendendo o público que busca um tablet intermediário com suporte a redes móveis e que não deseja ir de Samsung.

G Pad 7.0 e 10.1 saem agora em julho por R$ 599 e R$ 1.099, respetivamente, e o G Pad 8.0, em agosto, por R$ 799.

Viajei a São Paulo a convite da LG.

  1. As especificações que acompanham o release falam assim, “2/3 GB DDR3 RAM”. Não ficou claro quando ou onde essas versões serão comercializadas. Pedi à assessoria esclarecimentos sobre esse detalhe e, assim que recebê-lo, atualizarei o post.

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4 comentários

  1. Tenho um lg3 e concordo que a tela, câmera e estilo são os pontos fortes do dele. Ele tem alguns defeitos mais no geral ele é muito bom!!

  2. Aff…que bosta de matéria. Principalmente com os comentários do GWatch. Ele é lindo, fica muito bonito e estiloso, as pessoas elogiam pela beleza, antes mesmo de saber que se trata de um gadget. E vale muuuito a pena ter sim. Não há trabalho nem cuidados excessivos. Carregar??? Grande coisa! Ninguém dorme de relógio, você tira ele para dormir e deixa na base, não há trabalho nenhum nisso. Ele é, inclusive, a prova d’agua. Sem preocupação de tomar chuva, molhar ao lavar a mão ou esquecer de tirar ao tomar banho. Vale sim, e vale muito o conforto que ele proporciona.

    1. Até reli o que escrevi para ter certeza de que não foi algo tão grave. Calma, @cclimeni:disqus :-)

      Como disse, esta matéria foi feita com base em um primeiro contato, rápido e em um lugar tumultuado. Tenho minhas restrições quanto a essa primeira geração do Android Wear (leia-as aqui), mas estou no aguardo de um G Watch (ou Gear Live, ou Moto 360) para usar e, aí sim, com propriedade, escrever o que achei.

  3. Triste ver o downgrade dos tablets da LG . O Gpad 8.3 parece ótimo mesmo, teve reviews positivos em todos os blogs que vi. Até comprei um em uma promoção do extra por 585 dilmas, que chega nos próximos dias. Quando vi esse downgrade não tive dúvidas em comprar o anterior que tem melhor hardware, ainda mais com esse preço.

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