SmartBand SWR10, da Sony.

[Review] SmartBand SWR10, a pulseira da Sony que quer saber tudo da sua vida


22/7/14 às 14h18

Enquanto LG, Motorola e Samsung se aventuram com relógios com Android Wear que ainda precisam provar terem cérebros competentes, a Sony apresentou um gadget vestível mais prosaico, uma pulseira que conta passos. A SmartBand SWR10 não faz muito, mas promete fazer bem o que se propõe. Consegue na prática? É o que descobriremos.

O núcleo e as pulseiras, as duas partes da SmartBand

Core.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Testei a SmartBand que vem na caixa com o Xperia Z2 (review em breve). O kit é composto por duas pulseiras e a pequena peça que se comunica com o smartphone, chamada Core. A Sony diz que ele é o menor gadget do mundo, por isso é bom mantê-lo dentro da pulseira para não correr o risco de perdê-lo.

O Core é encaixado na pulseira do mesmo modo que o Flex, da Fitbit. Existem algumas vantagens nesse sistema: se a pulseira estragar o prejuízo é menor, e quem gosta de mudar o visual com frequência pode comprar modelos de outras cores, incluindo a agora démodé verde e amarela, e trocá-las como se troca de roupa. Pena que no Brasil apenas essa versão Louro José e o modelo preto estejam disponíveis…

O Core é removível, dá para trocar de pulseira.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O encaixe é firme e a qualidade da pulseira, boa, feita de um material emborrachado que emana confiança. Ela se fecha por dois pontos de encaixe que, do lado inverso, tem a forma de um círculo prata com ranhuras em radial e o logo da Sony.

A pulseira é bonita e discreta — pelo menos essa que usei, na cor preta. Ela tem um pequeno calombo no topo, devido ao Core, e isso é o que mais se destaca. Durante os testes, foi normal amigos e conhecidos perguntarem o que ela fazia, se era uma Power Balance (!) e outros comentários do tipo. Mesmo discreta, ela não passa invisível, o que é legal. É um gadget vestível esteticamente agradável. Senti-me confortável usando a SmartBand e, por achá-la bonita, gostei de exibi-la no pulso mesmo ela não fazendo muita coisa útil na prática.

No braço, a SmartBand é discreta.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Após quase duas semanas de uso ela já tem alguns sinais de uso: marcas levemente brilhantes na parte externa onde começa e termina o Core. Meio decepcionante, mas nada muito grave. Infelizmente não é o tipo de avaria que some com uma lavada. Para outras, como sujeira e suor, um banho resolve. O Core e as pulseiras são à prova d’água (IP58), característica importante em um gadget que, após uma corrida, fica todo suado (parte do Core fica em contato com a pele).

Configuração e uso

A SmartBand se comunica com smartphones rodando Android 4.4 via Bluetooth 4 Low Energy (BLE), inclusive com aparelhos de outras fabricantes que não a Sony. A conexão é feita via NFC e não poderia ser mais fácil: basta encostar o Core no smartphone e seguir os passos exibidos na tela. Um app gratuito da Sony, o Lifelog, registra as atividades e serve de interface para analisar as estatísticas, que vão muito além dos passos dados pelo usuário.

Antes de mergulharmos no Lifelog, precisamos entender a interface do Core. Ela é composta por um botão físico, uma superfície sensível a toques e três LEDs indicadores, além da vibração que, para um dispositivo de 6 g, é bem potente, ótima como despertador e para avisar sobre novos e-mails e quando a conexão com o smartphone é perdida.

Um botão, três LEDs e superfície sensível.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O botão serve para parar o alarme, gravar um “marcador da vida”, usar a SmartBand como extensor do smartphone e mudar o modo do Core. São dois modos, um diurno e outro noturno, sendo que nesse último ele passa a registrar a qualidade do seu sono. Não encontrei informações sobre que critérios ele usa para diferenciar o sono leve do profundo, mas fiquei intrigado com as minhas estatísticas. Se isso estiver correto, meu sono é muito leve!

A SmartBand não tem um mecanismo inteligente para alternar entre eles; ou é o manual, ou um automático, com horários pré-definidos no app do smartphone, o que funcionaria bem se fossemos robôs que deitam e se levantam na mesma hora todos os dias. Usei o manual e, em duas oportunidades, esqueci ou configurei errado na hora de dormir, o que bagunçou bastante as minhas estatísticas.

Um toque no botão grava um “marcador da vida”, que grava, no Lifelog, a hora, temperatura e local, e permite escrever uma mensagem. Acaba funcionando como um diário com meta dados. A superfície do Core é sensível e pode funcionar para controlar músicas ou como disparador remoto da câmera. É meio confuso, dada a falta de indicadores. Os LEDs apontam estados e alterações neles, mas é preciso decorá-los aprendendo o que cada combinação significa durante o uso mesmo.

Por fim, mas não menos importante, a autonomia da SmartBand ficou dentro da prometida pela Sony, de quatro a cinco dias. O smartphone emite um alerta quando a bateria do Core está acabando com antecedência suficiente para não exigir atenção imediata — de cinco a seis horas antes do pequeno gadget apagar. Como a recarga é rápida, feita com um cabo microUSB convencional, esse detalhe que tanto joga contra gadgets vestíveis passa sem maiores transtornos aqui.

Lifelog

O Lifelog é o app que acompanha a SmartBand e a única saída para as informações geradas por ela. O que é um problema; adoraria poder ver também quantos passos dei e como dormi mal em um navegador. Se faltam saídas, ambição o app tem de sobra. O Lifelog registra tudo o que é feito no smartphone, as fotos tiradas, músicas ouvidas, filmes assistidos e até as interações sociais feitas em apps do gênero, como Facebook e Twitter. Ou seja, além de apontar que você é sedentário e dorme mal, ele ainda joga na cara a sua condição de antissocial.

Esse detalhamento pode escalar rapidamente para um patamar esquisito ou mesmo assustador. Até dá para ocultar certas atividades da interface multicolorida do Lifelog, mas em segundo plano elas continuam sendo registradas. Não há uma maneira de delimitar o que o app monitora, é tudo ou nada.

E são muitas atividades, 14 delas, mais os “marcadores da vida”. O Lifelog se divide em duas áreas: em cima, exibe uma pessoinha em uma linha do tempo horizontal. Ao longo do dia ela mostra, em círculos coloridos, tudo o que você fez, e oferece um botão de play para rever seu dia. Embaixo, cada um dos 15 blocos de informações, com contadores especializados em cada um deles. Um toque exibe informações mais detalhadas e permite definir metas.

Lifelog, o app companheiro creepy da Sony.
Screenshots do Lifelog.

Deixando de lado a curiosidade, não demora muito para bater aquela dúvida existencial — não sua, mas a do Lifelog. Embora limitado, entendo o apelo da contagem de passos, queima de calorias e tempo correndo. Até o lance de dormir, por mais obscuro que sejam seus métodos de aferição. Mas no que essa amostragem limitada e falha das outras coisas que faço no celular ajuda, não sei. “Falha”, aliás, por dois motivos:

  1. O app ignora que as pessoas, principalmente quem tem dinheiro para gastar numa SmartBand, usa mais que um dispositivo para as mesmas atividades; e
  2. Não existe uma API para ele, ou seja, se ouço música no Rdio, Spotify ou algum outro player que não o Walkman, ele não contabiliza isso como tempo gasto ouvindo música.

O que nos leva àquela pergunta de sempre.

A SmartBand vale a pena?

Um gadget vestível bonito.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Foi legal usar a SmartBand. Ela é bonita e esse fator, mais do que a contagem de passos e o Lifelog creepy, é o que mais me motivaria a mantê-la no pulso. Do app, gostei de ver as estatísticas de passos dados e quanta diferença há entre os dias em que corro e os que não. Em utilidade, ficou um tanto a desejar. Mesmo para esses dados que me agradaram não encontrei vazão ou formas de utilizá-los para que eu melhore enquanto ser humano, atleta ou o que quer que eu seja.

Ok, dei 10 mil passos hoje. E agora? É um problema que afeta toda essa categoria de pulseiras e apps de malhação. Falta um objetivo, ou evidências mais claras sobre os benefícios de bater metas e se disciplinar a isso. Talvez profissionais da área, como instrutores de academias, personal trainers e educadores físicos saibam como processar esses dados. O problema é que restringir esse conhecimento a tal público acaba com a vantagem da SmartBand, que é (teoricamente) dar esse poder a leigos.

Por R$ 399, o preço sugerido pela Sony, é complicado indicar a compra da SmartBand. Fosse (bem) mais barata, o apelo funcional limitado não incomodaria tanto e a aparência bacana talvez justificasse a aquisição. Por esse valor dá quase para comprar um smartphone (ruim, mas ainda assim). Aos compradores do Xperia Z2, porém, é um brinde bacana, um diferencial de respeito em um segmento que cobra caro e, nos últimos tempos, tem carecido de mimos.

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