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¡macOS 27 estas loco!

Outro efeito colateral do macOS 27 que tenho notado é a despirocada em áreas relacionadas a idiomas.

Os nomes dos aplicativos pararam de serem “traduzidos” no Spotlight. O que é um problema para os da própria Apple, que têm nomes descritivos — Fotos, Telefone, Calendário. Alguns ainda aparecem nos resultados da busca quando escritos em português. O Fotos, por algum motivo, mostra um grupo de seis resultados. Para acessar o aplicativo Fotos via Spotlight, só escrevendo “photos”.

Aliás, perdi as contas das vezes em que abri o Editor de Scripts (Script Editor) tentando abrir o Editor de Texto (TextEdit) ao pesquisar por “editor” no Spotlight.

Outra coisa que quebrou foi a tradução contextual. É um recurso muito legal, esse, que uso direto: selecione um texto, clique com o botão direito e em “Traduzir ‘texto selecionado’…” Meu macOS está configurado para o português brasileiro, mas o macOS 27 acha que falo espanhol, porque agora ele traduz o inglês para este idioma por padrão. Só faltou dizer que a capital do Brasil é Buenos Aires…

Instalar bloqueador de anúncios é um gesto de amor

O laboratório de ameaças da Netskope detectou um anúncio malicioso distribuído pelo Google que induz a vítima a ligar para um número a fim de resolver supostos problemas no computador. Os “problemas” são encenações usando tecnologias web — o computador não é infectado de fato. É um golpe do tipo “phishing scam”.

Episódios do tipo não são novos nem incomuns. Por isso, o uso de bloqueadores de anúncios deixou de ser só uma defesa da privacidade; hoje é, também, uma medida de segurança. Instale extensões de navegador e filtros de rede nos computadores e celulares de quem você ama, especialmente pessoas mais velhas ou menos letradas no digital.

Bloqueio a aplicativos não verificados no Android começa nesta quinta (1º/10)

Falando em F-Droid, começa a valer nesta quinta (1º/10), aqui no Brasil, o novo arranjo do Google para a instalação de aplicativos não verificados no Android.

Indonésia, Singapura e Tailândia também estão no grupo dos primeiros países a serem afetados pela novidade.

A F-Droid e outras iniciativas livres e/ou independentes do Google têm feito barulho contra as mudanças. Elas são, de fato, um obstáculo extra a aplicativos distribuídos fora da Play Store e sem o aval do Google. A verificação de aplicativos implica em identificar-se ao Google, o que — compreensivelmente — muitos desenvolvedores não querem.

Atenção. Em julho, o Google anunciou que a primeira fase, que vai de 30 de setembro até 2027, afetará apenas aplicativos distribuídos em lojas específicas: Play Store, Honor, Oppo, Samsung, Transsion, Vivo/Jovi e Xiaomi. Em outras palavras, a F-Droid ganhou um fôlego extra até 2027. Que confusão!

Comentei o caso neste Manual antes do Google revelar o tal “fluxo avançado” para liberar o celular à instalação de aplicativos não verificados. O fluxo funcionará assim:

  • Ative o modo desenvolvedor nas configurações do Android. “Isso evita ativações acidentais ou contornos do tipo ‘um clique’ usados em golpes que pressionam o usuário.”
  • Confirme que não está sendo assistido por alguém.
  • Reinicie o celular e se autentique. Esse passo serve para cortar acessos remotos ou ligações telefônicas que um golpista possa ter empregado para garantir que a vítima instale o aplicativo dele.
  • Aguarde um dia. É só na primeira vez. A espera arrefece o senso de urgência que golpistas adotam para pressionar a vítima à instalação do aplicativo.
  • Instale aplicativos não verificados. Há duas opções: liberá-los por sete dias ou indefinidamente. E toda vez que for instalar um do tipo, um alerta será exibido.

Serei o do contra para dizer que… parece uma boa medida? Eu sei que no mundo ideal (ou de quem respira tecnologia) o celular é seu e você faz o que quiser, mas no mundo real há milhões de idosos, semi-analfabetos, adolescentes e pessoas que têm mais o que fazer à mercê de golpistas o dia inteiro, todos os dias.

Vale dizer que esse arranjo só vale para celulares com o Android certificado do Google. Em sistemas alternativos sem as fundações do Google, como LineageOS (sem microG), GrapheneOS e HarmonyOS (da Huawei), nada muda.

Para quem sabe o que está fazendo, o “fluxo avançado” só precisa ser feito uma vez. A liberação até migra para novos celulares.

Por coincidência, a entrada em vigor da verificação de aplicativos do Android coincide com a proibição das bets no Brasil, instituída pelo governo Lula por medida provisória na última sexta (25). A dificuldade extra para instalar aplicativos não verificados pode ajudar na defesa contra aplicativos de bets ilegais — desde que não sejam verificados junto ao Google, o que não é o caso das que tinham outorga no país.

F-Droid 2.0

A F-Droid, loja de aplicativos Android livres e de código aberto (FOSS, na sigla em inglês), ganhou a sua primeira grande atualização desde que foi lançada, há dez anos.

O longo intervalo entre as duas versões se nota no F-Droid 2.0: o aplicativo exibe um visual mais moderno, com novos recursos e se aproveita de melhorias recentes no Android (motivadas por órgãos reguladores) para aproximar a experiência à da Play Store na instalação e atualizações de aplicativos.

Foi feito um trabalho intenso para melhorar a descoberta de aplicativos. A loja passa a ter sub-categorias, a pesquisa agora consulta as descrições dos apps e traduções, há novas opções de filtragem e, na página inicial, listas dinâmicas e destaque às categorias.

O comunicado detalhando as novidades é enorme — e vale a leitura, se o inglês não for obstáculo.

Eu uso a F-Droid no meu tablet e a acho maravilhosa. Nunca tive problemas com a linha 1.x; ainda assim, o F-Droid 2.0 é, à primeira vista, uma atualização sem pontos negativos, mesmo que imperfeita: alguns recursos de privacidade pouco usados foram removidos e melhorias no “Por perto”, para compartilhar aplicativos presencialmente sem depender da internet, não entraram nesta versão.

Dica: existe uma variante do aplicativo da F-Droid, chamada F-Droid Básico, que remove alguns recursos e adota métodos mais modernos à custa da retrocompatibilidade. (O Básico exige Android 13; o F-Droid comum, Android 7 e a clássica, ainda disponível, Android 4.4.)

O que eu perdi?

Você está lendo um blog pessoal com foco em tecnologia. Na prática, isso significa que não tenho o compromisso de cobrir todos os acontecimentos da área. Faço muito uso dessa ~prerrogativa.

Este post semanal tem o objetivo de preencher eventuais lacunas com a ajuda dos leitores. O que eu perdi? Que notícias, lançamentos ou curiosidades em tecnologia que rolaram durante a semana que não apareceram no Manual? Vale tudo relacionado ao tema e que não foi abordado no blog.

Além de sugerir assuntos, vale comentá-los também — os que você trouxer e os dos outros.

IA no KDE Plasma

No final de agosto saiu o resultado de uma resolução geral a respeito do uso de IA generativa (LLMs) no Debian. Venceu a opção 5: “Uso responsável de IA generativa.” O desfecho — você já deve imaginar — deixou muita gente insatisfeita.

Nesta semana, foi a vez do projeto KDE ficar no meio do fogo cruzado ao tentar propor uma política de uso (ou não uso) de IA em seu código. Os ânimos se acirraram quando ~a internet descobriu que uma das palestras do Akademy, evento anual do projeto, propunha “um KDE com IA nativa, adorável e soberano” por duas pessoas que já estiveram envolvidas na programação do KDE, mas não mais.

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LLM AssBench 
assbench.com

O teste definitivo para as IAs generativas: qual cria o bumbum mais fidedigno. Tem vários modelos disponíveis e dá para ler o prompt (em inglês). Não se esqueça de avaliar, também, a reação da nádega ao tapinha. Dica do Renan, que se negou a responder onde diabos ele encontrou isso.

Coisas estranhas no editor de texto do macOS 27

A Apple seguiu a cartilha das empresas bitoladas em IA, adotando no macOS 27 a ausência de consentimento para instalar arquivão gigante da Apple Intelligence. Não quer a IA embebida no seu sistema? Azar.

O espaço ocupado pelos modelos locais é irrecuperável, mas pelo menos dá para desativar a maioria dos recursos de IA e a vindoura (no Brasil) Siri AI.

Olha… não é fácil.

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Walking Men 
walking-men.com

A fotógrafa Maya Barkai juntou dezenas de bonecos usados no sinal verde de semáforos de pedestres ao redor do mundo e os expôs ao ar livre em algumas cidades no início dos anos 2010. (O Brasil é representado pelo Rio de Janeiro.) Também fez outra coleção com aqueles bonecos que sinalizam “pessoas trabalhando”.

Gadgetbridge simplifica a relação entre o celular e relógios e pulseiras fitness

Colocar um relógio ou pulseira “inteligente” no pulso pressupõe instalar um aplicativo no celular. Faz sentido, considerando a tela diminuta desses dispositivos.

O problema é que tais aplicativos costumam fazer mais do que se esperaria de um do tipo. O da Huawei, por exemplo, tem uma loja de faces para o relógio e treinamentos por inteligência artificial e sabe-se lá mais o que ele faz nos bastidores. O da Apple (Fitness), que é dos mais calminhos, reserva local de destaque para o botão do Fitness+, assinatura paga para ter acesso a aulas gravadas.

A IA, aliás, tem se alastrado nos aplicativos que acompanham os relógios. (Daqui em diante, entenda “relógios” como “relógios e pulseiras”.) As principais empresas do setor jogaram suas respectivas IAs nos aplicativos de saúde para dar sentido à tonelada de dados que os relógios coletam e armazenam no celular. Que elas “alucinem” parece ser (mas não deveria) mero detalhe.

Existe uma saída (que eu conheça, pelo menos) que não passa por esses aplicativos oficiais. E apenas se você tiver um celular Android. É o Gadgetbridge.

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degr° 
degr.app

Um protetor de tela que exibe, em números garrafais, a temperatura e/ou a hora contra um fundo preto. Há 30 opções de fontes, combinações diversas e uma opção que move os píxeis um pouquinho vez ou outra para evitar “burn-in” em telas OLED. Gratuito, para macOS e Windows.

Este utilitário desliga o monitor do MacBook quando este se conecta ao monitor externo

Pode colocar na lista de coisas triviais que o macOS inexplicavelmente não faz: desligar o monitor do notebook quando este se conecta a um monitor externo.

O que eu fazia até ontem era, com a ajuda de um utilitário — o MonitorControl —, reduzir o brilho do monitor embutido ao máximo. Ele fica efetivamente desligado, mas ainda ativo, o que significa que o mouse “vaza” para a escuridão e a depender da configuração dos monitores, a Dock fica oculta no monitor sem brilho.

Por acaso topei com um aplicativozinho gratuito do Jeremy Kanter, com o sugestivo nome One Display, que desliga (de verdade) o monitor embutido assim que o notebook é conectado a uma tela externa.

Para a minha surpresa, funciona!

Existem só duas opções no One Display:

  1. Abrir junto com o sistema (Start at login).
  2. Atalho no teclado para ativar e desativar o monitor do notebook. O padrão é Control + Command + B.

No mundo (ou sistema operacional) ideal, essa funcionalidade é nativa. Sei que o ambiente gráfico Plasma, do KDE, faz isso. No macOS, para o lamento das pessoas que preferem trabalhar com apenas um monitor, não é uma prioridade, pelo visto.