Coisas estranhas no editor de texto do macOS 27
A Apple seguiu a cartilha das empresas bitoladas em IA, adotando no macOS 27 a ausência de consentimento para instalar arquivão gigante da Apple Intelligence. Não quer a IA embebida no seu sistema? Azar.
O espaço ocupado pelos modelos locais é irrecuperável, mas pelo menos dá para desativar a maioria dos recursos de IA e a vindoura (no Brasil) Siri AI.
Olha… não é fácil.
Este documento (ainda sem tradução) descreve os muitos lugares onde a IA se embrenhou no macOS 27. O mais estranho é que a maioria dos seletores fica em uma tela enterrada na área “Tempo de Uso” (?), nos Ajustes.
É lá que se esconde o seletor das “Ferramentas de Escrita”, um painel flutuante que se insinua em todos os campos de texto editável do sistema. Para quem escreve, é quase um insulto.
Desativei o que pude. Mesmo depois disso, tive vislumbres de “respostas inteligentes” no Mail e no Mensagens. (Uso o último na Célere, aproveitando-me do suporte ao RCS.) Eram, como o documento citado acima explica, *outras* opções dos respectivos aplicativos. Essa bagunça não é ao acaso.
O macOS 27 trouxe outra novidade ao português do Brasil que, a princípio, não soube dizer se pertence à Apple Intelligence ou não. Agora, o corretor automático também sugere correções gramaticais, que se somam às ortográficas presentes há anos.
As novas são diferenciáveis pela cor do sublinhado pontilhado, que é azul, em vez do vermelho da ortografia.
Eu, alguém que escreve muito e que escreve certo (na maior parte do tempo) porque parece certo (“vibe writing”?), tenho me incomodado com as sugestões/correções gramaticais do sistema. Na maioria dos casos, elas estão gramaticalmente erradas.
Ao longo da semana, coletei alguns exemplos que pintaram durante sessões de escrita no Editor de Texto — o “Bloco de Notas do Mac” — e no Mail. Reitero que elas aparecem em qualquer aplicativo em que seja possível inserir texto.

Podem parecer “alucinações”, mas desconfio que não seja por dois motivos: IAs baseadas em LLMs não cometem erros bobos do tipo; e no inglês, onde as correções gramaticais existem há mais tempo, o índice de acertos é quase perfeito.
A documentação da Apple indica que é possível desativar apenas a correção gramatical em cada aplicativo, desmarcando a opção “Verificar Gramática com Ortografia” a partir do menu Editar, Ortografia e Gramática. Ótimo — se funcionasse. Ela está desmarcada no Editor de Texto e, mesmo assim, sublinhados azuis pipocam no meu texto.
Nas opções universais, no aplicativo Ajustes, é oito ou oitenta: desativar todas as verificações (ortografia e gramática) ou nenhuma. Eu gosto das correções ortográficas. Ajudam-me com os “typos” (erros de digitação).
O português e o Brasil não são prioridades para a Apple, ok. Nada justifica soltarem um recurso tão falho, porém. É tão ruim que estaríamos melhor sem.
ainda não usei e não sei se funciona, mas encontrei esse projeto que diz remover os arquivos da apple intelligence do macos: https://github.com/minagishl/apple-intelligence-remover
atualização: o repositório acima está arquivado, mas encontrei essa alternativa: https://github.com/OleksandrKrupko/mac-os-debloat
Topei com esse repositório ontem! Parece muito promissor, mas aqui as alterações não estão persistindo após a reinicialização do sistema. Tem uma issue fechada onde comentei — não sou o único com esse problema.
E, de qualquer forma, quando um sistema operacional precisa de “debloater”, a situação é grave.
Ghedin…
Sabe quem está te olhando agora?
Sabe qual sistema operacional com opções que não forçam IA no usuário?
Sim, sou eu… seu pinguim favorito :)
Prevejo (e espero) que o Apple Intelligence seja o seu ponto de saída da prisão (ou sendo mais educado, do ecossistema) da Apple.
Estou bem inclinado a migrar para o Linux quando este MacBook bater as botas. Antes disso, acho difícil. Não consigo justificar a compra de outro notebook quando este funciona tão bem.
Ah, esqueci de dizer: apesar desse contratempo com o novo corretor gramatical, escrever no macOS continua sendo mais prazeroso do que em qualquer outro sistema. O dicionário embutido é bom, a correção automática mitiga os meus erros de digitação e toda a dinâmica de escrever e movimentar o cursor pelo texto é suave.
Talvez seja melhor no vim e derivados, mas a curva de aprendizado é tão íngrime que me desanima começar.
O dia que você usar um ThinkPad com sua distro preferida instalada e configurada redondinha, você poderá experimentar esse prazer também ;-p
Pior que eu já usei. No começo do ano, peguei um ThinkPad T14 acho que de 2ª geração (tinha um Core i5 de 10ª geração), com Debian Testing e KDE Plasma 6.6. Achei decente, mas inferior ao MacBook Air em todos os aspectos. Da Lenovo, acho que só o ThinkPad X1 se equipara.
Como não reclamar?