O Google atualizou sua política de contas inativas. A partir de dezembro de 2023, contas inativas há mais de dois anos serão apagadas. Há diversas exceções, como as que tenham assinaturas pagas ativas ou vídeos no YouTube. Antes da exclusão, o usuário receberá alguns alertas. O Google justifica a medida do ponto de vista da segurança, dizendo que contas inativas são mais suscetíveis a invasões. Parece-me uma boa iniciativa. Via Google (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Não bastasse ter sido um dos primeiros países a avançar na criação de legislação sobre o uso de inteligência artificial gerativa, ao que tudo indica a China é pioneira em realizar uma prisão pelo uso impróprio do ChatGPT.

O motivo: usar o programa para criar notícias falsas sobre um acidente de trem que teria resultado em nove mortos. O caso aconteceu em final de abril e se encaixou na legislação já vigente de perturbação da paz pública — que inclui o ciberespaço, explica o The China Project.

O rascunho da legislação sobre IA e ferramentas como o ChatGPT ainda está em tramitação. Vale muito a pena ouvir o episódio mais recente do Sinica Podcast sobre toda essa regulação, com Kendra Schaefer e Jeremy Daum. O próprio Daum também fez um fio recente no Twitter sobre a publicação de conteúdo gerado por IA no Douyin (a versão chinesa do TikTok).

A Apple anunciou uma série de novos recursos de acessibilidade para suas plataformas, no que já é uma espécie de tradição anual da empresa, que aproveita o Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade (18/5) para promover seus esforços na área.

Dois destaques:

  • Acesso Assistido, que simplifica bastante a interface do iOS e iPadOS para facilitar o uso. Lembra aqueles launchers para idosos que existem aos montes no Android (e que é o diferencial do celular da brasileira Obabox.) No link abaixo, para a Apple, tem imagens da interface e dos aplicativos adaptados/compatíveis.
  • Voz Pessoal, uma inteligência artificial no próprio dispositivo que, com 15 minutos da voz do usuário, consegue treinar e reproduzir a voz para ajudá-lo a conversar. Parece um primeiro passo para outras IAs locais (leia-se: com mais privacidade) que a Apple poderá lançar no futuro.

Via Apple (em inglês).

Às vésperas das eleições na Turquia, nesse domingo (14), o Twitter passou a censurar a oposição ao candidato à reeleição, Recep Tayyip Erdoğan, por determinação do governo turco.

O Twitter não resistiu, não recorreu, apenas cumpriu a determinação e seguiu a vida. Como todo valentão, quando alguém maior gritou com ele, enfiou o rabo entre as pernas e não fez nada.

O jornalista Matthew Yglesias questionou abertamente a decisão, uma contrariedade flagrante ao discurso do “absolutista da liberdade de expressão” Elon Musk. Musk mordeu a isca e tentou justificar-se:

Seu cérebro caiu da sua cabeça, Yglesias? A escolha é ter o Twitter limitado em sua totalidade ou limitar o acesso a alguns posts. Qual você deseja?

Jimmy Wales, da Wikipédia, deu a letra em resposta a Musk:

O que a Wikipédia fez: defendemos nossos princípios e lutamos até Suprema Corte da Turquia e ganhamos. É isso que significa tratar a liberdade de expressão como um princípio e não como um slogan.

Musk não respondeu.

A Fairphone lançou, lá fora, fones de ouvido reparáveis do tipo “over the ear”. O Fairphone XL (€ 249, ~R$ 1,3 mil) chamou a atenção da mídia especializada e fez alguns brasileiros se lembrarem da Kuba, marca local que já vende há alguns anos o Disco 2, headphones modulares que podem ser reparados pelo próprio consumidor final.

O último lançamento da Kuba, ainda em pré-venda, é a versão Bluetooth, por R$ 999. O mais legal é que quem já tem a versão cabeada terá a opção de comprar apenas o arco com o módulo Bluetooth, economizando metade do valor da versão completa e reaproveitando as demais partes do modelo cabeado. Dica do dflopes.

No palco do Google I/O, o Google anunciou com orgulho que o Bard, seu chatbot concorrente do ChatGPT, fora disponibilizado em 180 países no idioma inglês. Brasil, Canadá e todos os países da União Europeia ficaram de fora, como se vê ao tentar acessar o site e nesta página de suporte.

A empresa não especificou o motivo. Lá fora, publicações especializadas especulam que a ausência do Bard nesses locais tenha a ver com cautela legal por parte do Google. A Itália, por exemplo, baniu o ChatGPT brevemente. No Brasil, como se sabe, o Google trava uma guerra contra o Congresso e o governo federal no momento em que essas instituições tentam regular as grandes empresas de tecnologia. Via 9to5Google (em inglês).

por Shūmiàn 书面

A PDD Holdings, uma das gigantes de tecnologia chinesas, trocou a localização de sua sede de Shanghai para Dublin, capital da Irlanda.

A empresa, conhecida por possuir o Pinduoduo e o aplicativo de e-commerce Temu, notificou a mudança em documentos enviados a autoridades financeiras dos Estados Unidos.

Além de impulsionar sua internacionalização, a medida também pode ser vista como uma maneira de se proteger da pressão de parlamentares estadunidenses que vêm criticando supostos laços da PDD com violações de direitos humanos. Apesar dessa circunstância, vale notar também que a Irlanda é um destino de muitas empresas de tecnologia que buscam pagar menos impostos, como a Apple e a Meta.

O Pinduoduo, no entanto, deve continuar sediado na China, segundo o South China Morning Post.

O Thunderbird abriu a contabilidade referente a 2022 e os números são muito bons:

  • Receita de US$ 6,4 milhões em 2022, sendo 99% de doações;
  • Despesas de US$ 3,5 milhões no mesmo período, sendo 79,8% com pessoal.
  • Aumento do número de funcionários de 15 para 24;
  • Anúncio de que o aplicativo para iOS deverá entrar no planejamento ainda em 2023;
  • Promessa de “novas ferramentas e serviços” focados em produtividade para criar novas fontes de receita.

Para uma iniciativa que estava em modo de sobrevivência em 2018, é uma mudança e tanto. E também um contraste enorme com a Mozilla, de onde o Thunderbird se separou, que mantém uma estrutura corporativa considerável e ainda depende do dinheiro do Google — 83% do faturamento de US$ 450 milhões em 2021 veio da big tech. Via Thunderbird (em inglês).

Não é só o Congresso Nacional que tenta regular as plataformas digitais. Em paralelo, os outros poderes tentam influenciar o debate legislativo e agir por conta própria.

A decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes nesta quarta (10), contra o Telegram, parece uma interferência arbitrária. Leia na íntegra (PDF).

Leitura leiga e inicial do texto não encontra fundamentação jurídica. Moraes refere-se a decisões do próprio Supremo, ao famigerado inquérito das fake news que corre no STF e a certa “imoralidade” para justificar a ameaça de suspender o Telegram por 72 horas, caso a empresa não se retrate da mensagem lamentável enviada a seus usuários na terça (9).

Em tons mais republicanos, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, pautou o julgamento das ações que contestam a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o da responsabilidade das plataformas por conteúdo gerado por usuários, para a próxima quarta (17). O resultado pode embolar o meio-campo da votação do PL 2630/20, o PL das fake news, ainda sem data para ir à votação.

O governo federal, por sua vez, tem usado a Senacon (ligada ao Ministério da Justiça) para agir contra as investidas irresponsáveis das big techs, como Google e Telegram. A justificativa da prensa dada no Google, por exemplo, de que ela feriria o Código de Defesa do Consumidor, é classificada por alguns especialistas como “malabarismo jurídico”.

Por fim, o adiamento da votação do PL das fake news, que pegou a todos de surpresa, deixa-nos todos apreensivos. O primeiro fatiamento, anunciado nesta terça (9), que separa o assunto da remuneração dos jornais pelas plataformas, não é ruim — era um tema estranho ao texto original e grande, importante demais para estar no PL 2630/20. Merece, de fato, uma lei própria e um debate à parte. O que virá depois, porém, é uma incógnita. Via Poder360, Folha de S.Paulo.

A Apple anunciou versões para iPad dos seus aplicativos profissionais, Final Cut Pro (para vídeo) e Logic Pro (para músicas). Eles serão lançados em 23 de maio.

O mais curioso é que, pela primeira vez, a Apple venderá um aplicativo próprio no modelo de assinatura. Ambos custarão US$ 4,99 cada por mês — na “cotação Apple”, em torno de R$ 30/mês. Via Apple (em inglês).

O Telegram disparou uma mensagem em seus canais oficiais, nesta terça (9), pedindo aos usuários para que pressionem deputados para votarem contra a aprovação do projeto de lei.

A mensagem do Telegram traz trechos que alegam que o PL “matará a internet moderna” se aprovado, e que “brasileiros merecem uma internet livre e um futuro livre”.

O tom da mensagem, de ameaça, é polvilhado por vários trechos questionáveis ou de desinformação pura.

É uma escalada na oposição acirrada que as empresas afetadas, como o Google, tem feito ao projeto de lei.

Atitudes como essa do Telegram reforçam a necessidade de regulação das plataformas digitais no Brasil. A mensagem institucional do Telegram está no mesmo nível das que as plataformas deveriam elas próprias combaterem. Por mais que o PL 2630/20 tenha problemas, nada justifica um ataque baixo e gratuito do tipo. Via @TelegramBR/Telegram.

Atualização (16h13): No plenário da Câmara, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do PL 2630/20, disse que irá à Justiça contra o Telegram.

Atualização (16h51): A Meta publicou uma nota refutando a citação a ela pelo Telegram. “A Meta refuta o uso de seu nome pelo Telegram na referida mensagem, e nega as alegações no texto.” Imagine estar tão errado no seu argumento para que a Meta, em plena campanha de lobby buscando alcançar o mesmo resultado que você, venha a público para se distanciar.

A Câmara deve votar nesta terça (9) a urgência do projeto de lei 2370/2019, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que trata da remuneração de empresas jornalísticas pelas empresas de tecnologia.

O tema era parte do PL 2630/2020, o PL das fake news, e um grave ponto de discordância entre os deputados. O “fatiamento” do tema foi acordado entre as lideranças da Casa e contou com o aval do relator do PL das fake news, Orlando Silva (PCdoB-SP).

Enquanto isso, nos Estados Unidos o Google fechou um acordo em que pagará US$ 100 milhões com o New York Times, maior jornal do país (e provavelmente do mundo), em um contrato de três anos.

O episódio serviu de combustível para críticas no Brasil. No Twitter, Orlando disse:

Curiosa a postura do Google. Nos EUA, faz acordo e paga para usar conteúdo jornalístico alheio. No Brasil, isso vira “censura” e vai destruir a internet livre. Acham que somos uma república de bananas! Regulação também é questão de soberania. PL 2630 SIM!

Achei o cutucão estranho. A natureza do acordo entre Google e NYT é puramente comercial, não tenha relação com regulação estatal — o que está se tentando no Brasil.

O Google, aliás, no passado fez acordos do tipo com publicações brasileiras, como Estadão e Folha de S.Paulo, ainda que com cifras muito menores.

Via O Globo, Reuters, @orlandosilva/Twitter.

Com cerca de dez funcionários, o Bluesky tem sofrido para apagar os múltiplos incêndios gerados pela sua pequena base de usuários, de ~60 mil pessoas.

  • Semana passada, uma falha no software da rede social combinada com inteligências artificiais gerativas e uma “trend” que inundou os feeds de fotos de bumbuns gerou o caos no Bluesky.
  • Antes disso, a chegada do jornalista norte-americano Matthew Yglesias, famoso por suas provocações gratuitas, gerou uma chuva de xingamentos e ameaças contra ele. Problema? O Bluesky ainda não tinha um botão de bloquear perfis.
  • Aqui e ali, há relatos de conteúdo e/ou posts indicando como lidar com neonazistas que teriam conseguido acesso à plataforma.
  • No sábado (6), talvez temendo dores de cabeça com as quais não pode lidar no momento, o perfil oficial do Bluesky anunciou uma proibição um tanto estranha: chefes de Estado estão proibidos de ingressar na rede.

Enquanto isso, a federação segue desligada, o que na prática faz do Bluesky uma rede centralizada no momento, com apenas um servidor ativo.

O Google virou a chave e habilitou as passkeys, ou chaves-senha, para a Conta Google. A ideia desse novo padrão é substituir senhas e o segundo fator de autenticação por um dispositivo: o próprio celular torna-se uma chave física, protegida por biometria ou código de desbloqueio.

A iniciativa é apoiada por todas as gigantes da tecnologia — a Apple implementou suporte às chaves-senha no iOS 16, Chrome e Android já suportam… A promessa é de mais conveniência e maior segurança.

O desafio, porém, é comunicar isso e explicar os cenários improváveis, mas críticos, como o que acontece em caso de perda ou roubo do celular. Até mesmo em publicações especializadas, como o The Verge, muitos leitores/comentaristas manifestam dúvidas e confusão com o padrão.

Caso queira ativar a chave-senha em sua Conta Google, basta entrar nesta página e seguir as orientações. Via Blog de segurança do Google (em inglês).

Em entrevista à Bloomberg, Arvind Krishna, CEO da IBM, disse que a empresa suspenderá contratações de cargos que ele acha podem ser substituídos por inteligência artificial. Nas contas do executivo, em áreas que não lidam diretamente com clientes, como recursos humanos, cerca de 30% dos trabalhadores podem ser trocados por uma IA. São cerca de 7,8 mil cargos que, ainda de acordo com Krishna, serão desativados nos próximos cinco anos. Via Bloomberg (em inglês).