Post livre #254
Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.
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— Hackers que invadiram o site do Ministério da Saúde
A mensagem foi deixada na sexta-feira (29) no FormSUS, serviço do DataSUS para a criação de formulários. Dá para ter um gostinho do nível de qualidade do site na mensagem (legítima, do Ministério da Saúde) embaixo da do hacker, que pede aos usuários para que não usem aspas nos campos do formulário porque “em várias linguagens de programação [o caracter] é usado para delimitar uma cadeia de caracteres.” Em qualquer sistema minimamente bem feito, o próprio formulário trata de limpar as inserções desses caracteres problemáticos. Via Estadão.
Relembrando: no final de 2020, duas falhas nos sistemas do Ministério da Saúde expuseram dados de brasileiros — uma delas, de 243 milhões de pessoas.
O YouTube baniu os canais do site bolsonarista Terça Livre — havia dois, o principal, que estava impedido temporariamente de subir novos vídeos, e um reserva, criado para burlar o impedimento do principal. O YouTube alega que o canal, comandado por Allan dos Santos, violou regras sobre a integridade das eleições e por incitar violência contra indivíduos ou grupos. Via Folha.
Em outubro de 2020, o governo federal, entidades independentes e as operadoras lançaram a campanha #FiqueEsperto para “para alertar usuários sobre segurança e tentativas de golpes na internet.” A cada mês, a campanha aborda um tema específico para trabalhar junto à população.
O tema de fevereiro são as tentativas de fraudes com a utilização de links em mensagens. Recebi o comunicado esta manhã, contendo uma lista de dicas, entre elas verificar se o remetente é confiável e tomar cuidado com links.
A ironia? Uma das frentes da #FiqueEsperto consiste no disparo de mensagens de SMS, sem identificar o remetente, com links para seu site. O Henrique recebeu a deste mês e, embora certamente não seja, parece de propósito. Não cabe em palavras a ironia de alguém receber, de um remetente desconhecido e duvidoso, uma mensagem com link dizendo para tomar cuidado com links em mensagens enviadas por remetentes desconhecidos e duvidosos.
Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.
Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.
Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.
O O&O ShutUp10 é um pequeno utilitário com mais de uma centena de opções para tornar o Windows 10 menos bisbilhoteiro. Ele permite desativar recursos de telemetria e “inteligentes”, que embora possam ser convenientes, por vezes só o são à custa da privacidade do usuário. O app é gratuito para usuários domésticos e não precisa ser instalado, e oferece botões simples para fazer configurações em lote (“ativar configurações recomendadas” ou “ativar tudo”, por exemplo). Download aqui.

O Facebook vai se antecipar e pedir aos usuários de iPhone que permitam que sejam rastreados em outros apps. O novo recurso, chamado App Tracking Transparency (ATT), estreou no iOS 14 e será obrigatório no iOS 14.5, que teve o primeiro beta foi liberado nesta segunda (1). Via CNBC (em inglês).
Na mensagem que o Facebook disparará aos usuários (acima), a empresa diz que o rastreamento a ajuda a fornecer anúncios mais personalizados e a apoiar pequenos negócios que dependem de anúncios para alcançarem seus clientes.
Apple e Facebook vêm se bicando não é de agora, mas o clima esquentou desde a introdução do ATT no iOS 14, em novembro de 2020, que obriga apps que queiram rastrear o comportamento do usuário em outros apps e em sites a obterem o consentimento expresso dele. A medida deve impactar diretamente o faturamento do Facebook, cujo principal negócio, o da publicidade, está calcado na coleta e processamento de grandes quantidades de dados dos usuários.
Semana passada, em um evento virtual organizado pela União Europeia, Tim Cook, CEO da Apple, teceu duras críticas direcionadas ao Facebook — sem mencionar o nome da empresa —, como a de que priorizar engajamento em detrimento da privacidade leva à violência e polarização. Via 9to5Mac (em inglês).
Fenômeno curioso se desenrola na internet em torno do Big Brother Brasil. No Telegram, canais e grupos têm arregimentado audiências enormes para acompanhar o reality show da Globo. O canal @Espiadinha conta com 101 mil inscritos e cada post chega fácil a 400 comentários. Já o @canalbbb tem 134 mil e ainda mais comentários por post. O grupo @chatbbb21 tem 7,4 mil membros e, na tarde desta segunda (1), 1,2 mil deles estavam online debatendo o programa. Dica do @pinguinsmoveis.
Há poucos perfis no Twitter com mais de 50 mil seguidores — a exceção é o @RadarBBB, com 239 mil. (Do Instagram não sei porque impossível verificar isso sem ter conta lá.)
Os super grupos e canais do Telegram são, sim, um risco à plataforma, mas também uma força para popularizá-la.
Começou nesta segunda (1) a primeira fase do Open Banking, iniciativa do Banco Central para aumentar a competitividade no setor bancário — e, com isso, baratear custos. Nessa fase, as instituições bancárias compartilharão entre elas dados gerais de operação, como canais de atendimento, produtos, condições e taxas cobradas. Via Metrópoles.
O cronograma do Open Banking prevê quatro fases, todas programadas para 2021. Leia esta matéria para saber o que esperar do Open Banking.
O desenvolvedor Allan Fernando Armelin da Silva Moraes criou o FuiVazado!, um site para que brasileiros consultem se seus dados (e quais deles) estão no mega vazamento de janeiro. Após alguns dias praticamente inacessível devido ao volume de acesso (quase meio milhão só no dia 29), na manhã desta segunda (1) ele não estava congestionado.
Especialistas divergem sobre a legalidade do site, porém. Para fazer a consulta, ele pede CPF e data de nascimento. Na tela seguinte, exige uma lista apontando quais dos 37 tipos de dados presentes no vazamento há os do usuário que fez a consulta. Via Uol Tilt.
Atualização (13h30): O Allan divulgou o código-fonte do site no GitHub.
Atualização (11h25): Muita gente levantou suspeitas da idoneidade do site FuiVazado!. Risco sempre existe, e se por um lado o fato do autor ter se identificado ajuda a mitigá-lo, por outro o código do site não ser aberto joga contra. Não me parece, porém, pelas declarações do Allan e seu histórico, que ele esteja por trás de algum plano mirabolante para coletar dados e/ou validar os do banco vazado. Em todo caso, o receio é compreensível e caso se sinta desconfortável com as circunstâncias do FuiVazado!, é aconselhável não fazer a consulta.
O Banco Central pretende turbinar o Pix em 2021. As novas funcionalidades do sistema de pagamentos instantâneos são muitas e variadas — de movimentação em contas salário a saques, passando por parcelamento e débito automático (para viabilizar pagamentos recorrentes). Via LABS.
O mega vazamento de dados pessoais no Brasil já está sendo explorado por estelionatários, segundo o G1. Eles estariam usando o CPF e outros dados para se cadastrarem no INSS e, informando um e-mail falso, sacarem o FGTS. A dica para evitar transtornos é antecipar-se a eles e fazer o cadastro no Caixa Tem. Via G1.
Sem divulgar valores, nesta semana o Twitter anunciou a compra da Revue, um serviço de newsletters, e imediatamente implementou mudanças: liberou os recursos “Pro” para usuários gratuitos e baixou a comissão cobrada das newsletters pagas para 5%, metade da do Substack. O modelo de negócio da Revue é similar ao do Substack, rival que teve um crescimento meteórico em 2020. Para mudar essa história, o Twitter vai alavancar sua rede social para promover as newsletters da Revue. O histórico da empresa com aquisições do tipo não é bom, porém — lembra dos fiascos que foram as do Periscope e do Vine? Via Twitter (em inglês), @wongmjane/Twitter (em inglês).
Na primeira rodada de decisões do Comitê de Supervisão independente do Facebook, vimos resultados meio esquisitos. Em um dos casos julgados, o Comitê reverteu a exclusão de um post em Mianmar em que alguém dizia que muçulmanos têm algo errado na cabeça por não reagirem ao tratamento dado pela China aos uigures muçulmanos com a mesma intensidade com que reagem a caricaturas de Maomé na França. “Embora o post possa ser considerado ofensivo, ele não atingiu o nível de discurso de ódio,” diz a decisão. Via Comitê de Supervisão.
A grande polêmica, porém, foi a reversão na exclusão do post de um homem na França, publicado em um grupo em outubro de 2020, que reclamava do governo pela falta de autorização para o uso de hidroxicloroquina combinada com azitromicina no tratamento da COVID-19. O texto também questionava o que a sociedade tinha a perder ao permitir que médicos receitassem um “remédio inofensivo” quando os sintomas da doença aparecessem. O Facebook havia justificado a exclusão com as suas regras específicas de COVID-19 e de risco iminente de dano físico — o que, e o Brasil é prova disso, está correto.
Surpreendentemente, o Facebook informou, por nota, que não acatará a decisão do Comitê relacionada ao post da COVID-19. Provavelmente a coisa certa a ser feita, mas já na largada esse caso coloca em xeque o poder do Comitê.
Em tempo: é esse Comitê que decidirá o futuro de Donald Trump nas plataformas do Facebook.
A gravidade com que são tratados os vazamentos de dados pessoais tem uma justificativa muito simples: boa parte deles não é substituível. Um número de telefone ou endereço são do tipo de dado mais simples de trocar, e mesmo esses já dão dor de cabeça e, para muitos, são trocas inviáveis. Documentos ou o nome de alguém são ainda mais complexo, e só possível em situações excepcionais. Trocar os biométricos, como impressões digitais ou o rosto? Boa sorte com isso.
Nesta semana, soubemos que um oceano de dados pessoais de praticamente todos os brasileiros vivos (e alguns mortos) está à venda na internet, fruto do que alguns já consideram o maior e mais lesivo vazamento da história no Brasil, um dos maiores do mundo.