Botões do tipo “não curti” são raros na internet. O YouTube, um dos poucos lugares onde é possível manifestar o desapreço por um conteúdo apertando um desses, anunciou mudanças para desestimular campanhas coordenadas de assédio a canais pequenos e, segundo o YouTube, criar “um ambiente inclusivo e respeitoso” para os criadores.

O botão com o polegar para baixo continua existindo, mas perdeu o contador público. Apenas o(a) dono(a) do canal continuará vendo dados de uso do botão, no YouTube Studio. A novidade foi anunciada após um período de testes, iniciado em março. Segundo o YouTube, a remoção do contador desestimulou abusos.

Não é a primeira grande rede social que detecta problemas decorrentes dos inúmeros contadores de popularidade (e desprezo, no caso) em suas interfaces. Em julho de 2019, o Facebook fez um teste no Brasil e escondeu o contador de curtidas no Instagram. A versão final da ferramenta, lançada em maio deste ano, ficou bem aquém do que era esperado, porém. Via YouTube.

Post livre #294

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira à noite, para aproveitarmos o feriadão.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O Facebook está tendo o seu momento “big tobacco reconhece que fumar faz mal”. Em uma publicação no blog de negócios da Meta, holding dona da rede social, Graham Mudd, vice-presidente de marketing  de produto e anúncios, anunciou que a partir de 19 de janeiro de 2022 a empresa removerá as “opções de direcionamento detalhado relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis” no Facebook e no Instagram.

O “direcionamento detalhado” refere-se a critérios de segmentação de anúncios com os quais um anunciante pode inferir características íntimas do público-alvo. Por essas referências, ele poderia direcionar ou ocultar anúncios a certos públicos, como homossexuais, negros, fiéis de certa religião e filiados a partidos políticos. Graham lista alguns exemplos de direcionamento detalhado no texto:

  • Causas de saúde (por exemplo, “Conscientização do câncer de pulmão”, “Dia Mundial da Diabetes”, “Quimioterapia”).
  • Orientação sexual (por exemplo, “casamento entre pessoas do mesmo sexo” e “cultura LGBTQIA+”).
  • Práticas e grupos religiosos (por exemplo, “Igreja Católica” e “feriados judaicos”).
  • Alinhamentos políticos, questões sociais, causas, organizações e figuras políticas.

Até hoje, o Facebook adotava uma “estratégia whac-a-mole” para os inevitáveis problemas causados por esse tipo de direcionamento: sempre que um escândalo estoura na imprensa, a empresa tapa o buraco, mas mantém o restante da estrutura problemática intacta. Foi explorando o “direcionamento detalhado” que anunciantes conseguiram, no passado, direcionar anúncios a antissemitas e ocultar anúncios de imóveis e de vagas de emprego de negros, hispânicos e outras etnias. As denúncias foram feitas pela ProPublica.

Como lembra o The Verge, o movimento pode ser visto como uma antecipação à União Europeia, que prepara novas regras para a internet com o objetivo de proibir esse tipo de publicidade direcionada. Mais detalhes no TechCrunch (em inglês).

Graham, o executivo da Meta, lembra que ainda continuará sendo possível segmentar anúncios de diversas formas nas redes sociais da empresa, Facebook e Instagram. Via Facebook para Empresas, The Verge (em inglês).

Atualização (19/1/2022): A redação original informava que as novas proibições do Facebook passariam a valer em 22 de janeiro, e não em 19 de janeiro.

No fim de outubro, o Manual do Usuário apontou que o Bradesco estava violando as diretrizes da App Store ao condicionar a liberação de recursos do aplicativo Bradesco Cartões para iOS à permissão para rastrear o usuário. Graças à repercussão, o Bradesco alterou o funcionamento do Bradesco Cartões.

Alguns dias atrás, um colaborador e leitores do MacMagazine, que repercutiu o caso, notaram o sumiço da mensagem irregular no app Bradesco Cartões e a disponibilidade de todos os recursos antes bloqueados a quem se negava a conceder a permissão de rastreamento. Também confirmei a mudança de forma independente.

Perguntamos — Manual e MacMagazine — à assessoria do Bradesco a confirmação da mudança. A empresa enviou o seguinte comunicado:

O Bradesco prioriza a segurança dos clientes e no processo de melhoria contínua em produtos e serviços. Com base nos pontos citados e outros que fazem parte da estratégia do Banco, são realizadas alterações constantes nas jornadas digitais, sempre partindo da centralidade do cliente. Em 2021 foram promovidas uma série de implantações nos serviços digitais do Banco, incluindo novos e alterando existentes para melhorar a experiência dos clientes Bradesco, e essa foi uma das alterações promovidas mantendo a segurança do processo.

A Microsoft anunciou o Windows 11 SE, uma versão feita para estudantes até 14 anos com algumas diferenças em relação ao Windows 11 convencional. Uma das principais é de distribuição: ele não será vendido no varejo. Em vez disso, o sistema será embarcado em notebooks novos, montados por parceiros de hardware. Entre os listados pela Microsoft está a brasileira Positivo, além de outras marcas que operam aqui, como Acer, Asus e Dell. O Windows 11 SE é uma resposta da Microsoft à enorme popularidade do Chrome OS do Google nas escolas. Via Microsoft (em inglês), The Verge (em inglês).

Não há bolso fundo o suficiente capaz de sustentar eternamente um empreendimento global com 500 milhões de usuários, por isso o Telegram começou a testar sua plataforma de publicidade.

Os detalhes estão nesta página. E… são bem bons? Os anúncios só são exibidos em canais com mais de mil inscritos, estão limitados a 160 caracteres, não podem conter links externos e não têm o desempenho (cliques) salvo ou analisado.

Os únicos critérios para a veiculação de anúncios são o idioma e o assunto/tema do canal. “Isso significa que nenhum dado do usuário é minerado ou analisado para veicular anúncios e que todos os usuários que estiverem em um canal específico no Telegram veem as mesmas mensagens patrocinadas”, diz o Telegram.

Os anúncios precisam seguir certas diretrizes que, entre outras coisas, proíbem discurso de ódio e conteúdo político.

Em seu canal russo, Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, deu mais detalhes. Usuários poderão pagar uma “assinatura barata” para não verem anúncios e estuda-se a opção de permitir que donos de canais desliguem os anúncios para todos os seus inscritos — desde que haja “condições econômicas” para isso.

O Telegram queima cerca de US$ 100 milhões por ano, segundo o Wall Street Journal (sem paywall), e no começo do ano teve que emitir dívidas entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão para manter a operação rodando e restituir um rombo de US$ 700 milhões de investidores que entraram na frustrada emissão de criptomoedas do serviço, em 2017.

A publicidade é, segundo Durov, um dos artifícios que ele e sua companhia estão empregando para “permitir que o Telegram feche as contas.” Via Telegram (em inglês), @durov_russia/Telegram (em russo).

Já está disponível o novo Raspberry Pi OS baseado no Debian 11 “Bullseye”, lançado em agosto. Além das atualizações, melhorias e correções do sistema base, esta versão do Raspberry Pi OS traz mudanças importantes, como a atualização para o GTK+ 3 e a consequente mudança do gerenciador de janelas para o mutter (em dispositivos com +2 GB de RAM), um sistema de notificações globais e alertas de atualizações direto na barra de tarefas. Mais detalhes e links para instalador e imagens no link ao lado. Via Raspberry Pi (em inglês).

De acordo com o New York Times, o Facebook cogita abrir uma rede de lojas físicas para apresentar os produtos do Reality Labs, a divisão da empresa responsável pelo ferramental do metaverso — óculos e capacetes de realidade virtual, no momento.

Um documento obtido pelo jornal detalha que as lojas seriam úteis para “instigar emoções como ‘curiosidade, aproximação’, bem como uma sensação de ‘bem-vindo’ enquanto experimenta fones de ouvido em uma ‘jornada livre de julgamentos’”. Um porta-voz do Facebook não confirmou os planos de abrir lojas físicas. Via O Globo.

Em 2018, um executivo da Oculus, subsidiária de realidade virtual do Facebook, usou o termo “meatverse” para se referir ao mundo real — “meat” significa carne em inglês. É no mínimo irônico, e talvez diga muito, que para alardear os benefícios do metaverso o Facebook precise criar uma presença opulenta no “meatverse”. Via CNBC (em inglês).

Em nota mais ou menos relacionada, fiquei impressionado com a presença de publicidade do Facebook nos jogos do Campeonato Brasileiro neste fim de semana. Placas do Instagram e inserção do WhatsApp na narração da Rede Globo. Fica a sensação de que é uma resposta às investidas do TikTok. A disputa pelo usuário, afinal, se dá no “meatverse”.

Achados e perdidos #41

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

***

Teclado com base preta e três teclas brancas, lado a lado, conectado a um cabo USB.
Foto: Stack Overflow/Divulgação.

(mais…)

Sem aviso, o WhatsApp começou a liberar nesta sexta (5) o acesso às suas versões para computadores (aplicativo e web) sem depender do celular ligado e conectado. O recurso foi anunciado em julho e estava em testes/versão beta.

Testei a novidade com o WhatsApp do iOS (versão 2.21.211) e o aplicativo web no Firefox 94 rodando no macOS. Mesmo com o celular desligado, foi possível acessar o site do WhatsApp Web e conversar com outras pessoas. Que mágico!

É possível conectar até quatro dispositivos nesse novo sistema, que preserva a criptografia de ponta a ponta para conversas entre pessoas físicas (com contas Business, não há mais essa garantia). Mais detalhes técnicos nesta página (em inglês).

Atente-se, porém, que é preciso relogar, ou seja, fazer aquele procedimento de apontar a câmera do celular a um QR code na tela, devido a mudanças no sistema. O WhatsApp/Facebook avisou que isso é normal. Via @WhatsApp/Twitter (em inglês).

Claro, Vivo e TIM levaram os lotes nacionais da faixa de 3,5 GHz do 5G, considerada a mais suculenta do leilão que o governo federal faz nesta quinta (4). A faixa de 700 MHz ficou com o Winity II (ligada aos fundos Patria e Blackstone).

Nos lotes regionais de 3,5 GHz, houve disputa nas regiões Nordeste, que acabou com a Brisanet vencendo, e Sul, que ficou com o Consórcio 5G Sul (do qual fazem parte Copel e Sercomtel). A Cloud2U se tornou uma nova empresa de telefonia ao vencer o lote que abrange Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A Algar levou o último lote regional, que compreende triângulo mineiro, e partes do Mato Grosso do Sul e Goiás.

O leilão segue, com previsão de terminar somente amanhã (5).. Ainda estão em disputa as faixas de 2,3 e 26 GHz. O governo federal espera arrecadar R$ 50 bilhões, sendo que 80% desse valor será utilizado pelas empresas nas obrigações estabelecidas. Mais detalhes e valores pagos nos links ao lado. Via Agência Brasil, Folha de S.Paulo, Teletime.

Celular com câmera vence câmera fotográfica

Mês passado fui visitar minha família no interior1 e tive a chance de, enfim, usar aquela câmera para outra coisa que não me filmar ou tirar fotos de comida. Concluí que, para fotos de família, talvez não precise mais de uma câmera. Talvez ninguém precise mais. Temos celulares.

(mais…)

Isto talvez te surpreenda, mas o Facebook (a rede social) tem um programa de incentivo para criadores, uma espécie de Patreon/Catarse próprio. Nesta quarta (3), Mark Zuckerberg anunciou que os “criadores” participantes ganharão uma nova ferramenta para burlar a taxa de 30% que a Apple cobra de qualquer pagamento feito em apps no iOS (e, de quebra, os 15% do Google na Play Store também).

(A pira dele com metaverso está tão intensa que, de algum modo, conseguiu enfiar o assunto neste anúncio. Em seu perfil no Facebook, Zuckerberg disse que taxas como as que a Apple cobra dificultam desbloquear oportunidades para criadores “à medida que construímos para o metaverso”. Ok?)

Não se trata de uma tecnologia das mais avançadas. Segundo o CEO da Meta, o recurso é “um link promocional para criadores”. Esse link leva o usuário/assinante à web, onde ele pode fazer o pagamento usando o sistema do Facebook, livre de taxas extras (as do pagamento em si ainda são cobradas).

Embora a Justiça norte-americana tenha obrigado a Apple a permitir que aplicativos anunciem meios de pagamento alternativos no iOS, o prazo ainda está correndo — a Apple tem até 9 de dezembro para virar essa chave.

O Facebook também permitirá que os criadores baixem uma lista de e-mails dos seus seguidores e pagará um bônus, entre US$ 5 e US$ 20, para cada novo assinante pago. Via Mark Zuckerberg/Facebook (em inglês), Facebook for Creators (em inglês).