Achados e perdidos #41

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Teclado com base preta e três teclas brancas, lado a lado, conectado a um cabo USB.
Foto: Stack Overflow/Divulgação.

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Sem aviso, o WhatsApp começou a liberar nesta sexta (5) o acesso às suas versões para computadores (aplicativo e web) sem depender do celular ligado e conectado. O recurso foi anunciado em julho e estava em testes/versão beta.

Testei a novidade com o WhatsApp do iOS (versão 2.21.211) e o aplicativo web no Firefox 94 rodando no macOS. Mesmo com o celular desligado, foi possível acessar o site do WhatsApp Web e conversar com outras pessoas. Que mágico!

É possível conectar até quatro dispositivos nesse novo sistema, que preserva a criptografia de ponta a ponta para conversas entre pessoas físicas (com contas Business, não há mais essa garantia). Mais detalhes técnicos nesta página (em inglês).

Atente-se, porém, que é preciso relogar, ou seja, fazer aquele procedimento de apontar a câmera do celular a um QR code na tela, devido a mudanças no sistema. O WhatsApp/Facebook avisou que isso é normal. Via @WhatsApp/Twitter (em inglês).

Claro, Vivo e TIM levaram os lotes nacionais da faixa de 3,5 GHz do 5G, considerada a mais suculenta do leilão que o governo federal faz nesta quinta (4). A faixa de 700 MHz ficou com o Winity II (ligada aos fundos Patria e Blackstone).

Nos lotes regionais de 3,5 GHz, houve disputa nas regiões Nordeste, que acabou com a Brisanet vencendo, e Sul, que ficou com o Consórcio 5G Sul (do qual fazem parte Copel e Sercomtel). A Cloud2U se tornou uma nova empresa de telefonia ao vencer o lote que abrange Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A Algar levou o último lote regional, que compreende triângulo mineiro, e partes do Mato Grosso do Sul e Goiás.

O leilão segue, com previsão de terminar somente amanhã (5).. Ainda estão em disputa as faixas de 2,3 e 26 GHz. O governo federal espera arrecadar R$ 50 bilhões, sendo que 80% desse valor será utilizado pelas empresas nas obrigações estabelecidas. Mais detalhes e valores pagos nos links ao lado. Via Agência Brasil, Folha de S.Paulo, Teletime.

Celular com câmera vence câmera fotográfica

Mês passado fui visitar minha família no interior1 e tive a chance de, enfim, usar aquela câmera para outra coisa que não me filmar ou tirar fotos de comida. Concluí que, para fotos de família, talvez não precise mais de uma câmera. Talvez ninguém precise mais. Temos celulares.

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Isto talvez te surpreenda, mas o Facebook (a rede social) tem um programa de incentivo para criadores, uma espécie de Patreon/Catarse próprio. Nesta quarta (3), Mark Zuckerberg anunciou que os “criadores” participantes ganharão uma nova ferramenta para burlar a taxa de 30% que a Apple cobra de qualquer pagamento feito em apps no iOS (e, de quebra, os 15% do Google na Play Store também).

(A pira dele com metaverso está tão intensa que, de algum modo, conseguiu enfiar o assunto neste anúncio. Em seu perfil no Facebook, Zuckerberg disse que taxas como as que a Apple cobra dificultam desbloquear oportunidades para criadores “à medida que construímos para o metaverso”. Ok?)

Não se trata de uma tecnologia das mais avançadas. Segundo o CEO da Meta, o recurso é “um link promocional para criadores”. Esse link leva o usuário/assinante à web, onde ele pode fazer o pagamento usando o sistema do Facebook, livre de taxas extras (as do pagamento em si ainda são cobradas).

Embora a Justiça norte-americana tenha obrigado a Apple a permitir que aplicativos anunciem meios de pagamento alternativos no iOS, o prazo ainda está correndo — a Apple tem até 9 de dezembro para virar essa chave.

O Facebook também permitirá que os criadores baixem uma lista de e-mails dos seus seguidores e pagará um bônus, entre US$ 5 e US$ 20, para cada novo assinante pago. Via Mark Zuckerberg/Facebook (em inglês), Facebook for Creators (em inglês).

Post livre #293

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira ao meio-dia.

“Sideloading” é o melhor amigo dos criminosos digitais e exigir isso no iPhone seria uma corrida do ouro para a indústria do malware.

— Craig Federighi, vice-presidente sênior da Apple.

A fala de Craig, na Web Summit, em Lisboa, Portugal, foi uma resposta à intenção da União Europeia de forçar a Apple a abrir o iOS ao “sideloading”, ou seja, à instalação de aplicativos por fora da App Store.

A posição da Apple é, obviamente, influenciada pelo pedágio que cobra de desenvolvedores que publicam apps no iOS, mas não é despida de mérito. O assunto dá um bom debate, mas que acaba interditado quando se adota essa linguagem terrorista. Sem surpresa, a Apple ou seus executivos não citam pontos potencialmente positivos do sideloading no iOS. Dá para imaginar o porquê. Via The Verge (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A versão final do Fedora 35, popular distribuição Linux, foi lançada nesta terça (2). Ela traz o Gnome 41, que tem como destaques a loja de apps reformulada, suporte a modos de energia e um novo app para conexões remotas, o Conexões; melhorias no servidor de áudio e vídeo PipeWire, no suporte a GPUs da Nvidia e outras novidades menores. Baixe a versão Workstation aqui. Via Fedora Magazine (2) (em inglês).

A Meta anunciou que desativará o sistema de reconhecimento facial automático do Facebook. O recurso era um dos epítomes do mote “move fast, break things”: anunciado em 2010, foi ativado automaticamente aos (à época) milhões de usuários da rede social, que passaram a ter suas fotos identificadas e etiquetadas.

A justificativa dada pelo Facebook é a mesma que ativistas e especialistas dão desde o começo: o emprego dessa tecnologia pode ter consequências imprevistas desastrosas.

O Facebook removeu todos os “templates” de rostos em seu banco de dados e não etiquetará mais os rostos automaticamente. Em vez disso, estimula os usuários que marquem seus amigos e familiares em fotos de modo manual.

Fora o comunicado oficial, há outros motivos e detalhes relevantes em torno da decisão. Em fevereiro deste ano, o Facebook concordou em pagar US$ 650 milhões para encerrar uma ação civil pública nos Estados Unidos que acusava a empresa de usar a tecnologia de reconhecimento facial sem o consentimento dos usuários. Ao Gizmodo, a Meta confirmou que a decisão só afeta, a princípio, o Facebook, ou seja, o reconhecimeno facial no Instagram e Spark AR, sem falar na inteligência artificial DeepFace, criada especificamente para esse fim, continuam existindo. Não deixa de ser uma boa notícia, ainda que tardia e parcial. Típico do Facebook. Via Meta (em inglês), Associated Press (em inglês), Gizmodo (em inglês).

A partir desta quarta (3), o aplicativo da Netflix para Android passa a oferecer jogos. São apenas cinco títulos, todos sem publicidade, compras in-app ou pagamentos extras, mas o acesso está condicionado à assinatura do streaming. Para iOS, os jogos chegam “em breve”.

A corrida para dominar a nossa atenção se intensifica. Via Netflix (em inglês).

Algo muito estranho aconteceu no iFood nesta terça (2). Milhares de restaurantes, em várias cidades do Brasil, foram vandalizados e tiveram seus nomes trocados por ataques ao PT e à esquerda, propaganda anti-vacina e ovações a Jair Bolsonaro (sem partido).

Pelo Twitter, o iFood disse que “o incidente foi causado por meio da conta de um funcionário de uma empresa prestadora de serviço de atendimento que tinha permissão para ajustar informações cadastrais dos restaurantes na plataforma, e que o fez de forma indevida.” A empresa afirma que seus sistemas não foram invadidos indevidamente e que não houve vazamento de dados dos clientes.

A história está mal contada. Em nota à Folha de S.Paulo, o iFood informou que o problema afetou 6% da sua base de restaurantes. Considerando que, segundo a própria empresa, ela tem 270 mil restaurantes parceiros, estamos falando de pouco mais de 16 mil restaurantes vandalizados num espaço curto de tempo. Como isso é possível? Via @iFood/Twitter, Folha de S.Paulo.

Os impactos da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso do iOS 14.5 que obriga aplicativos a obterem o consentimento expresso do usuário para rastrear suas atividades no celular, têm sido grande. Segundo a empresa de publicidade digital Lotame, o ATT custou US$ 9,85 bilhões a Facebook, Snap, Twitter e YouTube no terceiro e quarto trimestres, uma baixa de 12% no faturamento esperado. Via Financial Times (em inglês, com paywall).

Esse episódio joga duas verdades nas nossas caras:

  1. As pessoas se importam com privacidade. Diversas análises apontam que uma ampla maioria, ao ser apresentada ao pedido do ATT, nega que aplicativos rastreiem suas atividades. Pode não ser a maior preocupação de muitos, mas quando a opção é dada às claras, sem pegadinhas, a preferência quase unânime é por privacidade.
  2. Os “esforços” em privacidade que Google, Facebook e outras empresas de publicidade segmentada fazem são, se muito, maquiagens — ou, como argumentei nesta coluna, uma espécie de “greenwashing” da privacidade. Se fizessem diferença significativa, esta seria refletida nos relatórios financeiros trimestrais, coisa que jamais ocorreu.