Como o TikTok acabou com o maior trunfo das redes sociais comerciais

Silhueta de uma mão segurando um celular com o logo do TikTok na tela. Ao fundo, listas azul, branca e vermelha.

por Guilherme Felitti

Tecnologia cria hábitos e hábitos criam memórias. Um dos hábitos alimentados por tecnologia que a juventude brasileira de classe média na década de 1990 tinha era, na sexta à noite, ir até uma videolocadora. Na época, a mídia ainda era física e, consequentemente, limitada — hoje, a mídia é um apanhado de dados gravado num disco rígido (na sua máquina ou num servidor na nuvem), o que a torna ilimitada pela reprodutibilidade. Quando o videocassete se tornou barato no fim da década de 1970, explodiu o fenômeno do homevideo e os apocalípticos de ocasião juraram que o reprodutor doméstico mataria os cinemas. Na real, os cinemas ficaram bem e os estúdios encontraram uma nova forma de recuperar o investimento na produção dos filmes. Mas como comprar mídia física original era caro, surgiu um modelo do aluguel. As locadoras de vídeo dominaram a maneira como consumíamos multimídia — não apenas filmes, mas games também — na década de 1990.

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Pixelmator Pro 3.0 “Muse” traz +200 templates personalizáveis de alta qualidade

Print da tela de boas-vindas do Pixelmator Pro 3.0 anunciando os novos templates.

Do nada, saiu o Pixelmator Pro 3.0 “Muse”, uma grande atualização que traz como destaque +200 templates e mockups prontos para serem usados e bem personalizáveis. Parece muito uma resposta à facilidade do Canva.

Para quem já tem o Pixelmator Pro (à venda exclusivamente pela Mac App Store por R$ 225), a atualização é gratuita. O Pixelmator é a antítese da Adobe: preço único, sem pegadinha, custo-benefício imbatível. Das coisas de que sentiria falta se migrasse para outra sistema operacional desktop. Via Pixelmator (em inglês).

TikTok Now ganha aplicativo à parte e chega ao Brasil

Três dias depois de anunciar o TikTok Now, seu clone da BeReal, nos Estados Unidos, a ByteDance lançou no domingo (18) um aplicativo dedicado ao recurso no resto do mundo. (Só encontrei o link do do iOS, embora a documentação oficial mencione a versão para Android.) Download para iOS e Android.

Com poucos dias no ar e sem muita repercussão (não rolou nem um comunicado à imprensa), o TikTok Now já galga os rankings de mais baixados nas lojas de aplicativos. A consultoria Sensor Tower disse ao The Verge na quinta (21) que ele estava entre os dez mais baixados da categoria redes sociais em 39 países e no top 100 geral em 24 países.

No Brasil, na manhã desta quinta (22), o TikTok Now para iOS estava em 7º lugar na categoria redes sociais da App Store, da Apple, e em 115º lugar no ranking dos aplicativos gratuitos mais baixados. Via TechCrunch e The Verge (ambos em inglês).

Gnome 43

O Gnome 43 está disponível. A nova versão do ambiente gráfico destaca o novo menu de configurações rápidas no canto superior direito e uma nova leva de aplicativos adaptados ao GTK 4 e libadwaita, incluindo o Arquivos (Nautilus). Não menos importante, o som de alerta padrão mudou — dizem os que ouviram, para um mais agradável.

O Gnome 43 fará sua estreia para valer no Fedora 37, que já está em beta e deve chegar à versão estável no final de outubro. Distribuições Linux do tipo “rolling release” devem disponibilizá-lo antes. Aos curiosos, dá para baixar a imagem do Gnome OS e rodá-la virtualizada no Boxes. Via Gnome (em inglês).

Para quem são as placas de vídeo de nova geração da Nvidia (RTX 40)?

A Nvidia anunciou sua nova geração de chips gráficos, a linha GeForce RTX 40. O topo de linha, RTX 4090, é de duas a quatro vezes mais potente que o RTX 3090 TI. No Brasil, a placa de vídeo custará R$ 15 mil. (A versão mais simples, RTX 4080 de 12 GB, sairá por R$ 8,2 mil.) Elas começam a ser vendidas já no próximo dia 12 de outubro.

Um detalhe curioso é o consumo energético dessas placas. (É um assunto tão fora do meu dia a dia que sempre me impressiono quando topo com esses números.) O chip RTX 4090 consumirá 450 W para rodar. É… bastante coisa. Para colocar o gasto em perspectiva, o notebook em que escrevo estas palavras consome 10 W em média, com picos de 20 W.

A desvalorização das criptomoedas gerou um excedente de placas de vídeo no mercado após um longo período de escassez e preços elevados. Com placas sobrando e os preços de referência das novas placas nas alturas (lá fora também; a GTX 4090 custará insanos US$ 1,6 mil nos EUA), tem gente se perguntando para quem são essas placas. Algum palpite? Via Nvidia (em inglês), Tecmundo.

Botões de feedback negativo do YouTube são meio que de enfeites, aponta estudo da Mozilla

A Mozilla conduziu uma pesquisa para atestar a efetividade das ferramentas de feedback negativo do YouTube, aquelas em que o usuário sinaliza não ter gostado ou não querer mais recomendações similares.

Sem surpresa, o resultado é péssimo (íntegra em PDF). A mais efetiva, a sinalização “Parar de recomendar este canal”, só preveniu 43% de novas recomendações erradas. A pior, o botão de não curti, apenas 11%.

O YouTube, via porta-voz, reclamou que a Mozilla “não entende” o funcionamento da plataforma, que não tem por objetivo remover por completo qualquer canal ou tipo de vídeo. Acho que a Mozilla entende muito bem e esse é o problema: as ferramentas de controle do YouTube são ruins. Essa sensação foi confirmada por entrevistas qualitativas que os pesquisadores fizeram com uma amostragem dos usuários voluntários que ajudaram no estudo.

Os botões de feedback negativo do YouTube parecem com aqueles botões físicos de semáforo de pedestres — não funcionam. Qualquer um que já tentou extirpar um canal popular indesejado do algoritmo de recomendações do YouTube sabe disso. Via Mozilla, The Verge (ambos em inglês).

YouTube vai dividir receita de anúncios com criadores de Shorts (vídeos curtos)

O YouTube deu um passo importante na briga dos vídeos curtos. Nesta terça (20), a plataforma de vídeos do Google anunciou que, a partir de 2023, dividirá a receita de anúncios veiculados nos Shorts com os criadores de conteúdo. Esses ficarão com 45% do valor. Nem TikTok, nem Instagram dividem receita de publicidade com os criadores.

O anúncio traz outras novidades:

  • Uma nova faixa do programa de parcerias, com critérios mais baixo, que dá acesso a algumas ferramentas de monetização;
  • Licenciamento e divisão de receita publicitária de músicas comerciais.

O lance das músicas já está em beta nos Estados Unidos e chegará a mais países em 2023. As novidades dos Shorts chegam em 2023. Via YouTube (em inglês).

China exige que empresas de telecomunicações e financeiras ajam contra fraudes online

por Shūmiàn 书面

No começo deste mês, o Comitê Permanente do Politburo aprovou uma Lei Contra Fraudes Online e via Telecomunicações. A lei define responsabilidades para empresas de telecomunicação, do setor financeiro e provedores de internet para prevenir e controlar os riscos de fraudes realizadas por meio desses serviços.

Segundo o Ministério de Segurança Pública chinês, nos 15 meses que antecederam julho de 2022, foram resolvidos 594 mil casos desse tipo e, apenas em 2021, foi possível evitar que 1,5 milhão de pessoas transferisse ¥ 329,1 bilhões (US$ 47,5 bilhões) para golpistas.

Um aspecto importante da lei é seu foco em colaboração transfronteiriça. Como comentamos em julho, têm se tornado muito comuns os casos de pessoas na China continental, Taiwan, Tailândia, Vietnam e Hong Kong que são iludidas com promessas de trabalho no Camboja, em Laos e Myanmar e que acabam se tornando vítimas de tráfico humano para praticar golpes em escala industrial.

Na última terça-feira (13), a ProPublica trouxe uma longa reportagem sobre o assunto, detalhando a crueldade e profissionalização desse tipo de crime. Segundo a ONG Global Anti-Scam Organization, pelo menos 1.838 pessoas em 46 países perderam, em média, US$ 169.000 cada uma em golpes do tipo no ano de 2021.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Microsoft libera atualização 2022 do Windows 11

Já está disponível a atualização 2022 do Windows 11. A nova versão do sistema traz um punhado de pequenas melhorias, incrementos e novos aplicativos.

A primeira grande atualização do Windows 11 será liberada aos poucos, via Windows Update. E talvez seja a última.

No comunicado do lançamento, a Microsoft reforçou um aviso de fevereiro, de que o Windows 11 receberá novos recursos em atualizações menores e mais regulares em adição à grande atualização anual do sistema.

A primeira dessas menores já chega em outubro, tendo como destaque o recurso de abas no Windows Explorer. (Ainda essa novela.)

Para um (longo) passeio pelas novidades da atualização 2022, veja este vídeo do Windows Central (em inglês). Via Microsoft (em inglês).

Atualização (21/9, às 12h50): A primeira versão desta nota dizia erroneamente que a Microsoft não lançaria mais grandes versões do Windows 11. O texto foi atualizado para corrigir o equívoco.

A Codecon começa nesta quinta — e quem lê o Manual tem 30% de desconto na inscrição

Nesta quinta (22) começa a Codecon, evento online de tecnologia que reúne código, conteúdo, networking e muita diversão. Gabriel Nunes, idealizador e chapa deste Manual do Usuário, convida os leitores para participarem:

Acredito que a Codecon é um evento que traz pra discussão diversos assuntos pertinentes pra quem é da área de desenvolvimento de software. O que gosto é que não são apenas palestra técnicas, mas tem muitos painéis com assuntos interessantes para a carreira como um todo.

A inscrição do evento, que acontece na internet de 22 a 24 de setembro, custa R$ 59. Leitores do Manual têm direito a 30% de desconto com o cupom MANUALDOUSUARIO.

Oppo estreia no Brasil na próxima segunda com celular de R$ 3 mil

A Oppo, quinta maior fabricante de celulares do mundo, estreia no mercado brasileiro na próxima segunda (26). (Quando anunciou a chegada ao país, em julho, era a quarta.) O modelo escolhido para o desembarque no país é o Reno7, com preço sugerido de R$ 3 mil.

Em entrevista ao G1, Jim Zhang, presidente-executivo da operação brasileira da Oppo, foi bastante cauteloso. Disse que quer entender bem o mercado local antes de alçar voos maiores por aqui, como iniciar a fabricação local. (O discurso padrão de todas as marcas que chegaram ao Brasil após o fiasco da primeira vinda da Xiaomi, em 2014.)

O Reno7 será vendido via Amazon e lojas físicas da operadora Vivo. A distribuição ficará por conta da Usina de Vendas. Por ora, o escritório local da Oppo se dedicará ao marketing dos produtos. Via G1.

LibreOffice chega à Mac App Store por R$ 49,90

A Document Foundation, responsável pelo LibreOffice, lançou a versão Community da suite de aplicativos na Mac App Store como um aplicativo pago. No Brasil, sai por R$ 49,90.

A fundação explica, no comunicado, que o lançamento é uma maneira de apoiar “usuários finais que queiram obter todos os seus softwares de desktop do canal de vendas proprietário da Apple”, e que o valor levantado ali será investido no desenvolvimento do projeto.

Usuários do macOS que quiserem baixar o LibreOffice gratuitamente podem baixá-lo pelo canal tradicional, direto do site oficial.

Esse expediente não é novo. Vários aplicativos de código aberto gratuitos para macOS são cobrados quando distribuídos pela Mac App Store. Além do LibreOffice, conheço outros dois que fazem o mesmo: Maccy (R$ 54,90 via Apple) e GrandPerspective (R$ 16,90 via Apple).

Quase sempre, a cobrança de aplicativos gratuitos na Mac App Store é uma forma de financiar o desenvolvimento. Se o intuito da compra for ajudar os projetos, porém, é mais jogo doar diretamente a eles — pela loja da Apple, a empresa dona do macOS retém com 30% do valor total pago. Via Document Foundation (em inglês).

Apple reajusta serviços no Brasil em até 50,5%

O Brasil escapou do reajuste nos preços de aplicativos e compras dentro de apps da App Store, mas não saiu ileso: alguns serviços da Apple, como Apple TV+, Apple Music e Apple One, ficaram até 50,5% mais caros (caso do streaming, que foi de R$ 9,90 para R$ 14,90/mês), segundo levantamento do MacMagazine.

Chama a atenção o reajuste do Apple Music, que de streaming mais barato (R$ 16,90/mês) saltou para o topo dos mais caros (R$ 21,90; rivais como Deezer e Spotify cobram R$ 19,90). Via Apple (em inglês), MacMagazine.

Em quatro anos, celulares com TV aberta sumiram do mercado

Quatro anos parece pouco tempo, mas às vezes esse intervalo separa eras muito distintas.

Em 2018, celulares com TV digital estavam em alta, impulsionados pela Copa do Mundo da Rússia. Havia tantos no mercado que dava para montar listas, como esta que fizemos no jornal-que-virou-panfleto-extremista Gazeta do Povo.

A Samsung contratou o técnico da seleção brasileira, Tite, como garoto-propaganda, e o levou ao anúncio de um desses aparelhos furrebas com TV digital, um Galaxy J-qualquer-coisa.

Faz tempo que não se ouve falar em novos celulares com sinal de TV aberta. Os eventos esportivos migraram para o streaming — a maioria dos campeonatos de times, do Brasil aos europeus, é transmitida por plataformas distintas, do YouTube ao HBO Max, passando pelo Star+ (Disney).

No Brasil, a Copa do Mundo do Catar será transmitida pelo Globoplay (em 4K), segundo o Notícias da TV, e talvez em outro serviço, ainda indefinido, graças a um acordo firmado em 2021 entre Globo e FIFA (via Uol).