Segundo a consultoria DappRadar, o volume transacionado na OpenSea, maior marketplace de NFTs do mundo, despencou 99% em relação a maio — de US$ 2,7 bilhões em 1º de maio para pouco mais de US$ 9 milhões no último domingo (28).

A OpenSea contestou os números, dizendo que prefere mensurar essas flutuações tendo como base o volume de ETH. Nesse caso, a queda foi de 62%. Posso estar enganado, mas ainda me parece bem ruim. Via Fortune (em inglês).

A Apple revelou ao 9to5Mac que 95% dos usuários do iCloud têm a autenticação em dois fatores (2FA) ativada. Ainda que alguns serviços, como as AirTags e a sincronia de senhas (Chaves), exijam essa camada extra de segurança, é um percentual impressionante. (O vindouro Passkey, ou chaves-senha, do iOS 16/macOS 13, também exigirá.)

(A título comparativo, no segundo trimestre de 2020 apenas 2,3% dos usuários do Twitter tinham a 2FA ativada em suas contas.)

Um aspecto pouco comentado, mas que me parece problemático na solução de 2FA da Apple é a obrigatoriedade de se registrar um número de telefone como segundo fator. Da documentação oficial:

É necessário confirmar pelo menos um número de telefone confiável para poder se inscrever na autenticação de dois fatores.

O envio de códigos de autenticação por SMS costuma ser um “backup” — o método principal é usar outro dispositivo da Apple vinculado à conta para autorizar novos logins.

Faz sentido do ponto de vista da praticidade. Nem todo mundo conhece ou quer ter o trabalho extra de gerenciar um aplicativo de 2FA, como o Authy ou o Google/Microsoft Authenticator. Àqueles que querem se dar a esse trabalho, a exigência do número de telefone cria um ponto fraco na estratégia de segurança.

Talvez quando o problema das quadrilhas “limpa contas” ou outro similar acometer os Estados Unidos, esse problema entre no radar da Apple. Via 9to5Mac (em inglês).

Relacionado: O jeito certo de proteger sua conta no Instagram [e outras que aceitam 2FA) de invasões de hackers.

por Shūmiàn 书面

A Xiaomi anunciou na sexta-feira (19) que, nos três meses anteriores, demitiu 900 pessoas, ou quase 3% de sua força de trabalho, como reportou o South China Morning Post.

O período foi marcado por uma queda de 83,5% no lucro líquido da empresa, que ficou em ¥ 1,4 bilhão (cerca de R$ 1 bilhão) — no mesmo período no ano anterior, o lucro tinha sido de ¥ 8,3 bilhões (cerca de R$ 6 bilhões).

Em declaração a analistas, o presidente da companhia explicou que os resultados negativos podem ser atribuídos aos impactos da covid-19 no mercado chinês e à inflação global, além de um ambiente político “complexo” — a empresa vem tendo problemas na Índia, seu maior mercado fora da China.

Como comentamos na semana passada, no mesmo trimestre a Alibaba realizou 10 mil demissões. Reforçando o pessimismo, no começo da semana passada o fundador da Huawei circulou um memorandointerno para funcionários pedindo foco na lucratividade da empresa para aguentar a recessão global dos próximos três anos.


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“Silicon Values”

“Silicon Values” (em inglês), por Nick Heer no Pixel Envy:

A ideia de um mundo digital não mais influenciado em grande parte pelo “soft power” dos EUA nos traz de volta à tensão com o TikTok e a sua propriedade chinesa. É compreensível que algumas pessoas fiquem nervosas com a plataforma de meios de comunicação social mais popular para muitos norte-americanos tendo o apoio de um regime autoritário. Alguns preocupam-se com a possibilidade de influência externa do governo na política pública e no discurso, embora um estudo que encontrei reflita uma clara distinção dos princípios de moderação entre TikTok e o seu correspondente chinês, o Douyin. Alguns estão preocupados com a coleta em massa de dados privados. Eu entendo.

Mas do meu ponto de vista canadense, parece que a maior parte do mundo está envolvida em um debate entre uma superpotência e uma quase-superpotência, sendo preferível que os Estados Unidos continuem a dominar apenas por comparação e familiaridade. Vários países europeus proibiram o Google Analytics porque é impossível para os seus cidadãos se protegerem da vigilância das agências de inteligência norte-americanas. Os Estados Unidos podem ter processos legais para restringir o acesso “ad hoc” de seus espiões, mas esses são quase que uma formalidade. Seus processos são conduzidos em segredo e com uma supervisão pública falha. O que se sabe é que eles raramente rejeitam mandados para vigilância e que as empresas privadas têm de cumprir calmamente os pedidos de documentos com poucas oportunidades de refutação ou transparência. Às vezes, esses processos são totalmente burlados. O negócio dos data brokers permite a vigilância de qualquer pessoa disposta a pagar — incluindo as autoridades norte-americanas.

O Telegram retomou o controle de nomes de usuários ligados a canais inativos ou vazios há pelo menos um ano. O aplicativo disponibilizará novamente esses nomes em breve, desta vez sob novas regras:

  • 99% desses nomes serão disponibilizados novamente ao público, desta vez com limitações geográficas e algorítmicas, a fim de evitar abusos; e
  • 1% será leiloado — nomes curtos e valiosos, que Durov já havia sugerido que poderiam ser vendidos e convertidos em NFTs.

Um dado curioso que ajuda a entender tal cuidado: 70% de todos os nomes de usuários reservados no Telegram eram de propriedade de “cybersquatters” iranianos.

No post/anúncio, Durov disse que não duvida que os acumuladores de nomes de usuários do Telegram ficarão decepcionados, mas que “esta mudança beneficiará a maioria dos nossos usuários”. É isso aí, camarada Durov!

O canal do CEO do Telegram continua sem receber emojis de reações desde a chuva de “não curti” do penúltimo post, quando ele ventilou a ideia de transformar nomes de usuários com poucos caracteres em NFTs. Aí não, né? Via @durov/Telegram (em inglês).

Denunciar contas falsas no Facebook era “esvaziar oceano com peneira”, diz ex-funcionária

por Natália Viana

A imagem de Sophie Zhang aparece na tela do computador para uma chamada via Zoom. Jovem, de óculos de aros grossos e fones de ouvido que parecem aqueles que gamers usam para uma experiência mais imersiva, sua fala é entrecortada por uma gagueira que poderia ser atribuída à timidez ou nervosismo. Mesmo assim, essa americana de 30 anos fala de maneira resoluta. Em setembro de 2020, Zhang tornou-se, sem querer, uma denunciante, quando decidiu compartilhar um longo relatório com seus colegas do Facebook em uma rede interna, alertando para os problemas que a empresa fingia não ver.

“Eu sei que tenho sangue nas minhas mãos agora”, escreveu no memorando, cujo objetivo era encorajar os colegas a mudarem a empresa de dentro. “Encontrem outros colegas que compartilham das suas convicções e trabalhem juntos. O Facebook é muito grande para qualquer pessoa sozinha consertá-lo”, escreveu.

Sophie acabava de ser demitida por “baixa performance”, e negou um acordo de US$ 64 mil que a obrigaria a permanecer calada. A postagem foi feita no seu último dia de trabalho, e logo foi removida pelo Facebook.

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Como otimizar imagens para gerar arquivos menores e mais fáceis de compartilhar

Um dos segredos do WhatsApp para parecer ágil é redimensionar e otimizar imagens antes do envio. Arquivos menores levam menos tempo para serem transferidos. Ótimo, mas como fazer isso em outros ambientes digitais?

Existe um punhado de algoritmos que otimizam imagens. Eles removem partes que, embora sejam relevantes em alguns contextos, para imagens corriqueiras podem ser dispensadas, como meta dados e partes “brutas” (de alta qualidade) nas imagens em si.

Na dica desta semana, mostrarei três métodos para otimizar imagens. Use um deles antes de compartilhar imagens por e-mail, em outros aplicativos de mensagens, publicar em sites… enfim, onde quiser.

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Vídeos de limpeza de pequenos orifícios de celulares e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O WhatsApp/Meta acatou a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), feita no final de julho, e adiou o lançamento do recurso de Comunidades no Brasil para 2023.

A recomendação do MPF foi feita a fim de evitar que as Comunidades, que multiplicam o total de contatos alcançáveis em grupos no WhatsApp, contribuísse com manifestações violentas como as vistas no pós-eleições norte-americano, em 6 de janeiro de 2021.

Um porta-voz da Meta disse que “não temos a expectativa de lançar ‘Comunidades’ no Brasil antes de 2023”. Via G1, Folha de S.Paulo.

O serviço de proteção de e-mails do DuckDuckGo (DDG), ainda em beta, agora está aberto a qualquer interessado. (Até então, era necessário aguardar o convite em uma lista de espera.)

O DuckDuckGo Email Protection permite criar endereços de e-mail @duck.com que servem como “máscaras” para o seu e-mail verdadeiro — é algo similar ao que a Apple oferece no iCloud+ e o Fastmail em parceria com o 1Password.

Além disso, no encaminhamento das mensagens o DuckDuckGo consegue remover códigos, links e pixels de rastreamento e criptografar o que estiver exposto.

O serviço é gratuito, mas para se inscrever em um navegador que não seja o do DDG, é preciso instalar a extensão oficial. Por quê? Boa pergunta. Via DuckDuckGo (em inglês).

Uma das grandes ausências nos dispositivos de streaming da Amazon, como o Fire Stick, foi solucionada: nesta quinta (25), o aplicativo oficial do Globoplay chegou à loja de aplicativos da Amazon. Via G1.

O período de degustação do Apple TV+, o streaming da Apple que já acumula algumas produções bem legais, como Ruptura, é de sete dias, mas quem tem uma TV da Samsung elegível (modelos vendidos a partir de 2018) ou um dispositivo da Roku, como o Roku Express, ganha três meses grátis.

A oferta pode ser aproveitada até 28 de novembro e só vale para quem nunca assinou o Apple TV+. Via Roku, Samsung (em inglês), MacMagazine.

HalloApp: o segundo ato de um ex-executivo arrependido do WhatsApp

Em maio, um post no Twitter de Neeraj Arora viralizou. No fio, ele contou como foi engambelado por Mark Zuckerberg em 2014, quando o então Facebook comprou o WhatsApp por US$22 bilhões. Neeraj era diretor de negócios do aplicativo de mensagens e esteve diretamente envolvido na venda para o Facebook.

O desenrolar daquela história é conhecido a essa altura: Zuckerberg violou alguns dos compromissos que assumiu em 2014 com os fundadores do WhatsApp, como o de não cruzar dados dos usuários do Facebook com os de outras propriedades, e os fundadores acabaram saindo da empresa enquanto o WhatsApp continuou crescendo até se consolidar como um dos principais motores de comunicação da humanidade.

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Post livre #331

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