Depois do PayPal, agora foi a vez do PagSeguro banir Olavo de Carvalho da sua plataforma de pagamentos. A ação é creditada ao Sleeping Giants, que organizou um abaixo assinado que disparava um e-mail à CPP Investments, acionista do PagSeguro, a cada assinatura feita. Foram mais de meio milhão de assinaturas. Via Época.

Atualização (17h40): A assessoria do PagSeguro entrou em contato para dizer que não baniu Olavo de Carvalho, ou seja, Carvalho deixou de usar o PagSeguro por iniciativa própria. A nota do Guilherme Amado, na Época, também foi atualizada. Abaixo, a íntegra da que o PagSeguro enviou ao Manual do Usuário:

O PagSeguro reitera que é instituição de pagamento sujeita à Lei 12.865 de 2013, garantindo o atendimento não discriminatório aos usuários finais, bem como liberdade de escolha, segurança e proteção a seus interesses econômicos. O PagSeguro não faz juízo com relação às transações realizadas entre os milhões de compradores e vendedores por seu intermédio todos os dias. Conteúdos comunicacionais vendidos / adquiridos utilizando o PagSeguro como meio de pagamento são sujeitos ao Marco Civil da Internet, e somente conteúdos apontados como infringentes mediante o recebimento de ordem judicial específica são tornados indisponíveis. Isso não ocorreu até o momento, e notícias veiculadas sobre o tema são falsas.

Os novos termos de uso do WhatsApp já estão dando dor de cabeça ao Facebook. Na Turquia, o conselho antitruste do país abriu uma investigação para apurar a obrigatoriedade, a partir de 8 de fevereiro, de os usuários compartilharem dados do WhatsApp com as outras propriedades do grupo, como Facebook e Instagram. Via Bloomberg (em inglês).

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) estuda medidas jurídicas e administrativas para impedir que o compartilhamento obrigatório de dados do WhatsApp. Via Folha.

Não é um pedido de outro mundo: a nova regra não valerá na Europa, por exemplo. Em maio de 2017, a União Europeia multou o Facebook em € 110 milhões por enganar órgãos reguladores em 2014 sobre a possibilidade desse compartilhamento entre WhatsApp e outras redes. Via The Irish Times (em inglês) e G1.

Grandes lojas virtuais nos Estados Unidos, como Amazon, Walmart e Target, estão usando inteligência artificial para determinar quando vale a pena receber de volta um produto comprado online que o consumidor não quis ficar. Em muitos casos, sai mais barato reembolsar a compra e deixar o produto indesejado/errado com o consumidor do que fazer a logística reversa. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

A Bolsa de Nova York abriu nesta segunda (11) com as ações Twitter desvalorizadas em ~7% devido ao banimento de Donald Trump da plataforma. (Neste momento, a queda foi amenizada e o papel é negociado a -4,2% em relação a sexta.) O mercado entendeu o movimento como uma decisão eleitoral, o que pode atrair mais regulação à empresa. Não foi à toa que o Twitter anunciou o banimento numa noite de sexta-feira, dia e horário preferido das empresas de capital aberto para dar más notícias ao mercado. Via Reuters (em inglês).

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

Ainda dá tempo de mais uma lista de melhores do ano? A do KaiOS, sistema para celulares simples, saiu dia desses e é muito curiosa. O app mais baixado do KaiOS em 2020 foi o Xender, um app que permite transferir arquivos, como músicas e fotos, entre celulares — incluindo aparelhos Android. Em segundo, o UC Browser, navegador web do Alibaba, e fechando o pódio o Ringtones Free, um app de ringtones. Em 2020. Blog do KaiOS via Pinguins Móveis.

O Twitter seguiu os passos do Facebook e, na noite desta sexta-feira (8), estendeu a suspensão de 12 horas de Donald Trump na plataforma para um banimento permanente. Segundo o comunicado da empresa, devido ao “risco de mais incitação à violência”.

No texto, o Twitter lembra que dá uma espécie de passe livre para líderes eleitos de burlarem as regras, mas que “essas contas não estão totalmente acima das nossas regras e não podem usar o Twitter para incitar violência, entre outras coisas.” Trump ainda é presidente dos Estados Unidos, mas não por muito tempo — a posse de Joe Biden acontece no próximo dia 20. Antes tarde do que nunca, mas como demorou… via Twitter (em inglês).

Cumprindo a promessa, a Realme começou oficialmente a vender seus produtos no Brasil nesta quinta (7). São dois celulares, Realme 7 (R$ 2,5 mil) e Realme 7 Pro (R$ 3 mil), o relógio inteligente Realme Watch S (R$ 899) e os fones de ouvido sem fios Realme Buds Q (R$ 279). Por ora, os produtos estão sendo vendidos exclusivamente na Americanas e Submarino, com descontos especiais de lançamento e cashback. Via Uol.

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) aumentou a pressão sobre o Mercado Livre devido à pirataria de livros no marketplace da empresa. Segundo a ABDR, 64% das obras irregulares removidas da internet em 2020 estavam no Mercado Livre. Via Estadão (com paywall).

Finalmente sabemos qual o gatilho que faz as redes sociais das big techs norte-americanas — Twitter, Facebook, Google — agirem sobre perfis de governantes autoritários: liderar uma tentativa de golpe de Estado em casa. Via G1.

Não há um número exato de computadores com Windows 7 em uso. Estimativas apontam pelo menos 100 milhões de PCs com esta versão do sistema, lançada no longínquo 2009 e há quase um ano sem suporte da Microsoft. Não é só por preguiça: sistemas legados incompatíveis, preferência pela interface e agilidade no tempo de resposta e custos seguram muita gente na versão defasada. Via ZDNet (em inglês).

Ser verde está na moda, então a Samsung anunciou um controle remoto para TVs que usa bateria interna em vez de um par de pilhas palito (AAA). No material de marketing a Samsung destaca a presença de um mini painel nas costas do controle para recarregar a bateria por energia solar, mas o controle também tem uma porta USB-C para… você sabe, uma recarga tradicional. A vida útil da bateria do controle é estimada em sete anos, alinhada à da própria TV.

A linha 2021 de TVs Samsung traz ao varejão a tecnologia Mini LED, que promete aproximar o LCD tradicional das caríssimas OLED em qualidade de imagem expandindo significativamente o número de LEDs por trás do painel. Via Samsung.

O Facebook atualizou a política de privacidade do WhatsApp nesta segunda (4). A partir de 8 de fevereiro, data limite para que os usuários aceitem a nova redação, dados do WhatsApp poderão ser usados em outras propriedades do Facebook. Ao contrário das outras alterações, que davam a opção de negar esse tipo de compartilhamento aos usuários, esta obriga quem quiser continuar usando o WhatsApp a aceitar o compartilhamento de dados. Aqui já apareceu a tela pedindo o aceite. Por ora, há um “X” para ignorá-la. A partir de 8 de fevereiro, não mais. Chegou a hora de pular do barco? WhatsApp via XDA-Developers (em inglês).

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Alguém com mais capacidade fez uma análise ampla dos “rótulos nutricionais” dos apps mais populares da App Store. (Estou fascinado por este assunto.) Hugo Tunius usou um pouco de magia (leia-se: engenharia reversa) na API da App Store e conseguiu extrair dados estruturados das listas de apps mais populares, pagos e gratuitos, da versão britânica da loja.

Seus achados (em inglês) confirmam algumas suspeitas, como a de que apps gratuitos coletam mais dados pessoais que os pagos, mas não deixam de ser interessantes. Chama a atenção, por exemplo, que os apps do Facebook são os que mais coletam dados: as 12 primeiras posições são ocupadas por eles, todos coletando 128 (!) tipos de dados de 160 possíveis. O LinkedIn, da Microsoft, está em 13º, com 91 tipos de dados coletados. Só faltaram dados de jogos, área que Tunius ignorou na análise — talvez a única com potencial para superar o Facebook nesse aspecto.

Em tempo: o Google, que parou de atualizar seus apps para iOS no dia 7 de dezembro, coincidentemente véspera da obrigatoriedade dos rótulos nutricionais, prometeu que os atualizará esta semana. Via TechCrunch (em inglês).