Ainda pensando em análises de produtos depois daquela boa notícia do The Guardian, outro critério que acho que deveria mudar é o da recomendação ou não de compra que geralmente aparece na conclusão das análises. Em vez de uma resposta genérica, seria melhor fazê-la à luz de um valor médio que represente a renda do leitor indeciso.

Por exemplo, ao analisar o iPhone 12 (R$ 8 mil), a pergunta derradeira do repórter não deveria ser “vale a pena comprá-lo?”, mas sim “eu, com meu salário de R$ 2.699,58 (piso para 5h no estado de São Paulo, fora a capital), compraria este celular de R$ 8 mil, equivalente a quase três meses de trabalho?” Ou então usar outro critério mais abrangente, como a renda média do brasileiro (R$ 2.398, segundo o último dado do IBGE). É fácil dizer que um celular de R$ 8 mil é bom (estranho seria se não fosse), mas a quem essa informação é útil? Para quem estamos reportando?

O aplicativo Unclack (macOS, grátis) é ótimo para quem faz muitas videochamadas. Ele fica em segundo plano e automaticamente emudece o microfone do computador quando o usuário começa a digitar no teclado, evitando chamar a atenção ou passar por distraído/mal educado(a).

Um dos poucos acertos do Facebook no que diz respeito à privacidade foi ter implementado a criptografia de ponta a ponta como padrão e obrigatória no WhatsApp em 2016. O recurso é útil, mas não é uma panaceia a despeito do que a empresa diz em seus comunicados e ao responder críticas.

Os “rótulos nutricionais” para apps que a Apple implementou em suas lojas em dezembro evidenciam isso. Dos de mensagens mais populares, o WhatsApp é o que mais coleta meta dados — que revelam muito sem quebrar a criptografia, e que o Facebook usa para direcionar anúncios e refinar recomendações automáticas em outras propriedades, como a rede social Facebook e o Instagram.

Acesse a página do WhatsApp na App Store, role até o subtítulo “Privacidade do app” e toque no link “Ver detalhes”, à direita. Em contrapartida, veja quais dados e para quê iMessage (da própria Apple), Telegram e Signal (o melhor deles) coletam. A diferença é chocante. Via Forbes (em inglês).

O Mi 11, último celular topo de linha da Xiaomi, saiu em duas versões na China: uma sem o carregador de parede na caixa (como o iPhone) e outra em um “kit”, com um carregador GaN de 55 W, ambos pelo mesmo preço. No primeiro dia à venda, 350 mil unidades do Mi 11 foram compradas. Dessas, segundo a própria Xiaomi, apenas 20 mil, ou 5,7% do total, foram da versão sem o carregador, chamada de “Edição Verde”.

Segundo o Gizmochina, a paridade de preços entre as versões é por tempo limitado. Depois disso, o kit com o carregador ficará ~US$ 15 mais caro. Via Xiaomi/Weibo (em chinês), Gizmochina e GSMArena (em inglês).

Pouco mais de 200 funcionários da Alphabet, a holding do Google, anunciaram nesta segunda (4) a criação de um sindicato. Batizado de Alphabet Workers Union, o objetivo do sindicato é um pouco diferente daqueles clássicos: este pretende estruturar e dar base para o ativismo crescente dentro do Google, já visível em casos como a paralisação de 20 mil funcionários contra denúncias de assédio sexual dentro da empresa em 2018 e a manifestação pública após a controversa demissão da cientista de dados Timnit Gebru, em dezembro. O sindicato dos funcionários do Google pode se tornar paradigmático em um ambiente (Vale do Silício) e setor (tecnologia) sempre avesso à sindicalização. Tomara que a moda pegue. Via New York Times (em inglês), tradução na Folha.

O jornal inglês The Guardian mudou os critérios na atribuição de pontos de sustentabilidade na análise de produtos de tecnologia, como celulares e fones de ouvido. Em vez de dar pontos extras àqueles exemplares (que usam materiais reciclados, são fáceis de serem consertados etc.), passará a tirar pontos dos que dão mau exemplo ou que não fornecem informações do tipo. É uma mudança importante e bem-vinda, que, se adotada por toda a indústria, pode forçar as empresas a serem mais transparentes e a reforçarem medidas pró-meio ambiente em seus planejamentos e linhas de produção. The Guardian (em inglês) via @manifesteiro/Twitter.

Gráfico de ativações de novos celulares no Natal dos Estados Unidos.
Gráfico: Flurry/Reprodução.

Nove dos dez celulares mais ativados no Natal norte-americano de 2020 foram iPhones, segundo a consultoria Flurry. Além de evidenciar diferenças de poder aquisitivo entre os EUA e outros países, um detalhe indica que talvez não haja espaço mesmo para celulares pequenos no mercado atual: o iPhone 12 Mini não aparece no ranking — o único da linha iPhone 12 ausente. Outros modelos menores para os padrões atuais, iPhone SE e iPhone 8, estão lá (6º e 9º lugares; SE foi o líder em crescimento), mas aí o custo explica mais que o tamanho físico. (Quanto ao LG K30, único Android/não-Apple da lista, nem sei o que dizer.) Via Flurry (em inglês).

Abra este site e aumente o volume. Ele toca um barulhinho toda vez que alguém edita a Wikipédia. O ritmo da versão portuguesa é lento; em uma mais ativa, como a inglesa, as edições formam uma melodia. Visualmente, bolhas coloridas indicam o tamanho da edição e outras características. O código-fonte está no GitHub.

Levantamento da Cantarino Brasileiro a pedido da Akamai Technologies constatou que 43% dos brasileiros afirmam ter conta em um banco digital. O número vem de respostas dadas pelos entrevistados, de uma amostragem pequena (1.083), mas é significativo se posto ao lado do de 2019, quando apenas 18% disseram ter conta digital. A Akamai reconhece que a pandemia pode ter ajudado no aumento expressivo, mas lembra que a digitalização do setor é inevitável e já vinha ocorrendo. Via Folha.

Em notícia relacionada, “Bancos encolhem estrutura na década e extinguem quase 80 mil vagas.”

Jack Ma, fundador do Alibaba (dona do AliExpress) e pessoa mais rica da China, entrou na mira das autoridades regulatórias do seu país. Os meios provavelmente divergem (críticas ferrenhas a Pequim pesam no caso de Ma), mas vemos aqui um raro cenário em que norte-americanos e chineses, ou “capitalistas e comunistas”, concordam: o de que empresas monopolistas são ruins e fomentam a desigualdade social. Via Estadão (com paywall).

O Ministério da Justiça vai editar em janeiro uma portaria para regulamentar a publicidade infantil em plataformas como YouTube e Facebook. Neste mês, um grupo com especialistas, associações do setor e o Conar, conselho de autorregulamentação publicitária, lançou um guia com regras para influenciadores digitais. O documento foi considerado um ponto de partida, mas técnicos do governo já ensaiam aumentar a responsabilização de gigantes da internet em 2021. Via Folha (com paywall).

A resolução 163/2014 do Conanda, que proibiu comerciais direcionados às crianças e, na prática, os varreu da TV aberta, já abrange outros meios como a internet, mas é solenemente ignorada no YouTube e em outras plataformas online.

A versão paga do Nova Launcher, um dos melhores launchers para Android, está em promoção, de R$ 15 por R$ 0,99 (o menor valor que o Google permite para um app pago).

O DigiLabour (de cara nova e agora certificado pelo CNPq), laboratório de pesquisa da Unisinos coordenado pelo Rafael Grohmann, publicou uma lista de 20 livros sobre trabalho e tecnologia publicados em 2020.

A Xiaomi anunciou oficialmente o Mi 11, primeiro celular do mundo com o novo chip Snapdragon 888, e detalhou a remoção do carregador de parede da caixa do aparelho. Segundo um porta-voz da empresa, a remoção só vale para a China. Lá, o Mi 11 será vendido em duas versões, uma sem o carregador, e outra em um pacote com o de de 55 W, ambas pelo mesmo preço de cerca de US$ 650. Via Android Authority (em inglês).

Lei Jun, CEO da Xiaomi, confirmou em uma rede social chinesa que o Mi 11, que será apresentado oficialmente nesta segunda (28), virá sem o carregador de parede na caixa, seguindo o exemplo da Apple. A alegação é a mesma: pelo meio ambiente.

Em outubro, no perfil oficial da Xiaomi: “Não se preocupe, não deixamos nada de fora da caixa do Mi 10T Pro”, com um vídeo da caixa do celular que, ao ser aberta, revelava um carregador de parede.

Sobre o assunto, do arquivo do Manual: Celulares sem carregador na caixa: bom para as fabricantes, bom para nós? (2/7/2020); Pelo meio ambiente (15/10/2020).