Ainda pensando em análises de produtos depois daquela boa notícia do The Guardian, outro critério que acho que deveria mudar é o da recomendação ou não de compra que geralmente aparece na conclusão das análises. Em vez de uma resposta genérica, seria melhor fazê-la à luz de um valor médio que represente a renda do leitor indeciso.
Por exemplo, ao analisar o iPhone 12 (R$ 8 mil), a pergunta derradeira do repórter não deveria ser “vale a pena comprá-lo?”, mas sim “eu, com meu salário de R$ 2.699,58 (piso para 5h no estado de São Paulo, fora a capital), compraria este celular de R$ 8 mil, equivalente a quase três meses de trabalho?” Ou então usar outro critério mais abrangente, como a renda média do brasileiro (R$ 2.398, segundo o último dado do IBGE). É fácil dizer que um celular de R$ 8 mil é bom (estranho seria se não fosse), mas a quem essa informação é útil? Para quem estamos reportando?
