Não sem surpresa, o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde para auxiliar médicos e enfermeiros na pandemia de COVID-19, só recomenda remédios comprovadamente ineficazes no trato da doença, como ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e dois antibióticos (azitromicina e doxiciclina).

Nesta quarta (20), uma força-tarefa informal esmiuçou o código-fonte do ambiente de simulação do TrateCov, publicado no site do Ministério da Saúde. O jornalista Rodrigo Menegat extraiu o código-fonte e o hospedou no GitHub. O sistema, um grande formulário que pede dados e sintomas do paciente, um “teste do BuzzFeed de mau gosto”, como definiu o Gizmodo, devolve ao profissional de saúde uma pontuação do paciente analisado. O “tratamento precoce” é indicado àqueles com 6 ou mais pontos e, ao que parece, os remédios comprovadamente ineficazes sempre são sempre indicados, como observou Joselito Júnior no Twitter, mesmo em cenários surreais, como bebês com sintomas gripais. Após a repercussão, o Ministério da Saúde tirou o formulário do ar. Via @RodrigoMenegat/Twitter, @breakzplatform/Twitter, Gizmodo Brasil, Medscape.

Na segunda (18), o ministro Eduardo Pazuello mentiu em coletiva ao afirmar que nunca havia indicado remédios ineficazes contra a COVID-19. O TrateCov, anunciado na semana anterior pelo próprio, durante sua passagem por Manaus (AM), é mais uma prova do modo trágico, potencialmente criminoso, com que o governo federal tem enfrentado (ou ajudado?) a pandemia. Via Uol.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A Netflix fechou 2020 com 203,6 milhões de assinantes no mundo inteiro, crescimento anual de 21,9%. Talvez mais importante que essa marca seja a declaração dada aos acionistas de que a empresa “não precisa mais levantar financiamento externo para nossas operações cotidianas.” Na última década, a Netflix emprestou US$ 15 bilhões para financiar uma estratégia arriscada de sobrevivência: o investimento em produções próprias/exclusivas. No fim, parece que foi uma estratégia vencedora. Via Folha, CNBC (em inglês).

Dilema comum de quem vai às compras em busca de um celular novo: pego um intermediário deste ano ou um topo de linha do ano passado? A Qualcomm, que fornece os chips da maioria dos celulares à venda, vai tentar resolver o impasse com o novo Snapdragon 870 5G, anunciado nesta terça (19). Na prática, é o Snapdragon 865 Plus de 2020 rebatizado e com uma ou outra melhoria — e, possivelmente, um preço mais em conta. Via Android Police (em inglês), @pinguinsmoveis/Telegram.

O volume de posts em redes sociais questionando a lisura das eleições presidenciais norte-americanas caiu 73% na semana seguinte à do banimento de Donald Trump e alguns dos seus aliados-chave do Twitter. O levantamento é da Zignal Labs. Via Washington Post (em inglês).

Um auxiliar da Presidência da República teria dito que o caminho da Huawei para participar da implementação do 5G no Brasil está liberado. Os custos para trocar os equipamentos em uso da chinesa, somado à derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, teriam frustrado o discurso ideológico do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Via Estadão.

Na dúvida, a Huawei fez uma contratação de peso para fazer seu lobby em Brasília: o ex-presidente Michel Temer. A informação é do colunista d’O Globo Lauro Jardim.

A Block Party é uma startup que cria soluções para combater assédio e ondas de ataques na internet. O primeiro produto deles é um filtro para o Twitter. Depois de ativado e configurado, ele pesca todas as respostas que se encaixem nos filtros e as coloca em uma tela de triagem, onde o usuário pode bloquear o perfil que as enviou, mantê-lo mudo ou, caso tenha sido um falso-negativo, liberá-lo. Um toque legal é que essa triagem pode ser compartilhada com um terceiro (amigo, cônjuge, assistente).

A startup foi criada por Tracy Chou, uma mulher, ela própria vítima de ondas de ataque no Twitter. “Alguns fundadores dizer ser apaixonados por aquilo em que eles trabalham. Para mim, uma palavra melhor talvez seja desespero,” diz ela. “Abusos online viraram minha vida de ponta cabeça tantas vezes e mudou completamente a maneira que eu vivo. Apesar do seu terrível alcance, parece que ninguém está realmente tentando resolver esse problema.”

O acesso depende de uma lista de espera que é processada manualmente ou pode ser comprado por US$ 8. A dificuldade, diz a Block Party, é uma medida anti-troll. Outra saída é receber um convite de alguém que já esteja usando o serviço.

Pesquisas independentes descobriram que relógios inteligentes, como o Apple Watch, conseguem detectar a COVID-19 no período pré-sintomático, ou seja, antes do infectado apresentar sintomas. A variabilidade da frequência cardíaca é o que aponta a infecção: variações muito elevadas coincidem com o dia da infecção. Não confundir com frequência cardíaca acelerada; são duas métricas distintas. Nos aplicativos, a variabilidade da frequência cardíaca costuma ser indicada pela sigla HRV. Via CBS News (em inglês).

O grupo de rádios públicas norte-americanas que comprou o Pocket Casts em 2018 colocou o aplicativo à venda. O balanço anual da NPR, uma das rádios detentoras do app, sugere que o Pocket Casts encerrou 2020 com um prejuízo de US$ 2 milhões. A competição em podcasts cresceu muito nos últimos dois anos, com a entrada de Spotify e Google no setor. Parece mais um caso de um ótimo app sem um modelo de negócio sustentável. Via Current (em inglês).

Curiosidade: o Pocket Casts é o aplicativo mais popular entre os ouvintes do Guia Prático e Tecnocracia. No ano passado, 33,7% de todas as audições dos dois programas foram por ele.

O WhatsApp adiou o prazo para aceitar a sua nova e controversa política de privacidade, de 8 de fevereiro para 15 de maio. A empresa diz que, nesse período, fará “um trabalho intenso para esclarecer todas as informações incorretas sobre como a privacidade e a segurança funcionam no WhatsApp.” Via WhatsApp.

Para saber o que muda, de fato, na nova política de privacidade, leia a minha análise.

Hoje o Signal ficou fora do ar e tive que usar o WhatsApp. Horrível quando isso acontece.

Falando sério, durante toda a tarde desta sexta (15) o Signal enfrentou problemas técnicos. No meu celular, ele morreu — o indicador de envio de mensagens fica girando e girando… e só. Às 13h33, o perfil do Signal no Twitter informou que o aplicativo passava por dificuldades técnicas e que, mesmo acrescentando novos servidores e expandindo a capacidade do serviço sem parar ao longo da semana, a carga de novos usuários de hoje excedeu mesmo “as previsões mais otimistas.” Logo o serviço deve ser estabilizado. Via @signalapp/Twitter.

Não satisfeito com um app que poderia fazer a diferença na luta contra a COVID-19, mas não fez (por falta de adesão), agora o governo federal resolveu lançar um app inútil já na largada. Chamado TrateCOV e anunciado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o app diagnostica o paciente em um sistema de pontuação baseado nos sintomas apresentados e, em caso positivo, prescreve o famigerado “tratamento precoce” composto por medicamentos comprovadamente ineficazes no combate à COVID-19: hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina. Via Uol.

Pazuello fez o anúncio do TrateCOV em Manaus (AM). A capital amazonense passa pelo pior momento da pandemia, com os sistemas de saúde público e privado colapsados. “Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, disse o pesquisador Jesem Orellana. “Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, devem ficar com sequelas cerebrais permanentes.” Via Folha.

A CD Projekt e a Warner, responsáveis por Cyberpunk 2077, e a Garena, dona do Free Fire, tiveram uma sacada para o marketing dos jogos: alugar as laterais de prédios em São Paulo e pintar artes relacionadas aos jogos a fim de promovê-los. A prefeitura, porém, entendeu as artes como publicidade (o que parece… coerente) e, com base na Lei Cidade Limpa (14.223/2006), multou as empresas em R$ 410 mil (Cyberpunk 2077) e R$ 595 mil (Free Fire). Além do prejuízo, as duas pinturas já foram apagadas. Veja o antes e depois na reportagem do Uol Start.

A enxurrada de novas TVs na CES que usam a tecnologia Mini LED, com algumas microLED, tem causado confusão até em sites especializados. A Cnet trocou a tecnologia ao falar da TV microLED de 110″ da Samsung neste resumão e replicado na newsletter Meio, por exemplo. Apesar dos nomes parecidos, são tecnologias diferentes.

Mini LED é uma evolução das telas LCD, também chamadas comercialmente de telas LED e variações, como QLED (Samsung). As telas Mini LED mantêm uma iluminação de fundo, só que aumentam consideravelmente, na casa dos milhares, a quantidade de mini-lâmpadas LED presentes, todas controladas individualmente, o que ajuda a aumentar o contraste, a diminuir os “vazamentos” de luz, comuns em telas LCD mais antigas, e a reduzir a espessura das TVs. As fabricantes na CES apresentaram vários modelos Mini LED, cada uma com um nome comercial próprio: Neo QLED (Samsung), QNED (LG, única que divulga o número de LEDs das suas Mini LED: 30 mil) e OD Zero (TCL).

Já a tecnologia microLED é mais parecida com a OLED: cada pixel é uma fonte microscópica de luz própria, com a diferença de não utilizar materiais orgânicos (o “O” de OLED significa “organic”) e, por isso, estar menos suscetível à degradação natural com o passar do tempo. Como cada pixel pode ser desligado individualmente para mostrar o preto, o contraste é altíssimo. A tecnologia microLED ainda é cara e só está disponível em painéis enormes e TVs gigantescas, todos caríssimos, como a referida de 110″ que a Samsung mostrou na CES. Preço dela? US$ 150 mil (cerca de ~R$ 760 mil). Via Display Ninja (em inglês).

Saiu o Filmlog 2 (iOS), um aplicativo para registrar filmes vistos e que se quer ver. É um app independente, desenvolvido por uma pessoa só (Simon Braun), cujo apelo está na privacidade e discrição — ao contrário de outros apps do tipo, o Filmlog não é uma rede social; serve apenas para você manter um controle de filmes vistos e a ver. E está traduzido para o português.

A nova versão teve seu visual repaginado e agora é freemium, ou seja, grátis, mas com alguns recursos desbloqueáveis mediante pagamento. Para acessar a versão completa (Plus), basta um pagamento único de R$ 22,90. Via Filmlog.

Gentilmente, Simon disponibilizou cinco códigos promocionais para os leitores do Manual do Usuário (saiba como ativá-los). Leva quem for mais rápido:

  • YW3NXHHHF3N3
  • 9KYL4XX63R9M
  • A773WJLAPYLW
  • LAPTHXYREYR9
  • 4LP3PYJWYYL4