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Pinturas em prédios de SP dos jogos Cyberpunk 2077 e Free Fire rendem multas e são apagadas

A CD Projekt e a Warner, responsáveis por Cyberpunk 2077, e a Garena, dona do Free Fire, tiveram uma sacada para o marketing dos jogos: alugar as laterais de prédios em São Paulo e pintar artes relacionadas aos jogos a fim de promovê-los. A prefeitura, porém, entendeu as artes como publicidade (o que parece… coerente) e, com base na Lei Cidade Limpa (14.223/2006), multou as empresas em R$ 410 mil (Cyberpunk 2077) e R$ 595 mil (Free Fire). Além do prejuízo, as duas pinturas já foram apagadas. Veja o antes e depois na reportagem do Uol Start.

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17 comentários

  1. Se eu tiver um prédio, quer dizer que não posso pintá-lo da maneira que eu quiser? Estado inútil!

    1. Tipo assim, se eu tivesse um prédio vizinho ao seu prédio e pintasse uma seta gigante apontado para seu prédio com um escrito “mora gente estúpida aqui”, você ia gostar?

      1. Certamente eu não gostaria, mas creio que eu não sendo dono do prédio eu não deveria decidir de qual maneira ele deveria ser pintado, isso deve ser decisão do dono. Fica parecendo aquele país autoritário na Ásia que o presidente obriga todos os cidadãos a pintar suas casas de branco só porque é a cor favorita dele.

        1. Na verdade há situações onde uma vila é pintada de branco pois ajuda a evitar a “ilha de calor”. Cada comunidade pode ver o que lhe convém.

          Como o Gabriel coloca, o que vale é o valor social da habitação. No Brasil – e na cultura de capital – “se tou pagando, é meu”. E ignoramos o vizinho, a vizinhança, ou até o local onde estamos.

    2. não, da mesma forma que não pode construir o quanto quiser nem da forma que quiser

      o direito à propriedade é limitado de acordo com a função social que ela exerce

  2. ridículo… entendo q eram peças de propaganda, mas tornavam menos feias e insuportáveis as horrendas fachadas desses prédios. são paulo era triste com o dória apagando tudo e, pelo visto, continua ainda mais triste com o covas. eles querem são paulo cinza, com cores apenas nas instruções de trânsito, como o chão de fábrica, para q as pessoas não se distraiam com nada além de pensar em como chegar ao trabalho no horário. q cidade gerida por gente triste e medonha…

    1. Gosto de arte na rua (Curitiba tem umas laterais de prédios pintadas no centro e no Largo da Ordem, todas muito bonitas), porém torço o nariz para propagandas, outdoors e letreiros gigantes de lojas. A Lei Cidade Limpa visa combater esse último grupo, certo?

      As artes de Cyberpunk 2077 e Free Fire não seriam propaganda também? Digo, tecnicamente são, mas deixando de lado a questão legal, pensando no bem-estar de quem passa por aqueles prédios todo dia, elas eram mais arte ou mais propaganda? (Não é uma pergunta retórica, realmente fiquei empacado nesse dilema.)

      1. toda arte é uma propaganda de alguma coisa. o fato de ter um lance comercial no meio, as empresas, realmente pode resvalar em alguma burocracia. mas o problema é a mentalidade dessa gestão (e das anteriores) q declararam guerra ao pixo e ao grafite. ambas fracassaram, pq a cidade continua pixada e grafitada. o grande painel q faz homenagem ao oscar niemeyer na paulista é uma propaganda das obras dele (várias financiadas pelo estado e outras não). por que aquela pode e essas não? os jogos em questão são elementos da cultura (de consumo) e fazem parte do imaginário das pessoas, não? se fosse uma tranqueira do romero britto aí eles iam deixar lá… é censura q chama isso. vc censura os jogos, a cultura dos jogos, o imaginário q envolve os jogos, para evitar distrações. é da mentalidade do gestor q tem a eficiência como orientadora da vida. manja aquela turma q bloqueia alguma coisa na rede do trabalho pro pessoal não deixar de trabalhar um minuto sequer? então… é essa mentalidade aí.

        1. Muito bom! Ainda acho que há uma diferença entre uma arte que faz parte de uma campanha de marketing e outra que não, mesmo que essa última tenha sido financiada pela iniciativa privada, ainda que não consiga verbalizá-la muito bem. Mas em linhas gerais concordo contigo, Fabio.

        2. Então não deveria ter duplo padrão: ou se estabelece regras para evitar abusos – como uma pintura de formato comercial disfarçado, ou pode tudo, até um grafite do salnorabo ou de qualquer outro ditador…

    2. Tem várias artes em prédios de São Paulo, principalmente na região central. Propagandas são proibidas pela Lei Cidade Limpa, que já está em vigor há 3 gestões.

      1. Danilo, se vc pensar como um burocrata vai chegar na mesma conclusão que os burocratas. A questão aqui é analisar e ver que essas investidas tornam os prédios até msnoa feios. Não sei se vc mora em SP, mas se pelo menos já esteve aqui de visita sabe o caos que são essas construções. Os grafites e os pixos dão vida à cidade. São como o vapor e o neon do universo cyberpunk. Alguns elemntos estéticos, mesmo q advindo de propagandas, tem caráter e valor cultural que tornam a vida urbana o que ela é. As pessoas, de um modo geral, é em especial aquelas com inclinação reacionária ou apegadas demais espírito militarista desses tempos sombrios, não toleram muito bem essas questões e tendem a ver numa lei (do corrupto Kassab) uma forma de pôr ordem no caos. No fundo gostariam de poder ter uma cidade como na Coreia do Norte…

        1. Não tenho o menor interesse em discutir os méritos ou deméritos dessa legislação. Só quis esclarecer duas questões pontuais que foram impressões passadas pelo seu primeiro comentário, de que:

          1. “Estão apagando as fachadas dos prédios todos” – Não, prédios com fachadas que não são publicitárias não foram afetados.

          2. “Esse apagamento vem dessa gestão Dória/Covas” – Não, a aplicação da lei que proíbe publicidade do espaço urbano surgiu na era Kassab e, até onde eu saiba, continuou sem modificações na era Haddad.

          É fato que o Dória teve algumas ações de apagamento de grafites, mas não cabe a comparação aqui visto que no caso do post os murais são indiscutivelmente publicitários e foram apagados com essa justificativa.

          1. danilo, eu não disse q estão apagando todos os grafites (até dei exemplo de um q está lá firme e forte na av. paulista). doria/covas apagaram muita coisa. era bandeira do doria, inclusive, apagar pixos e grafites. eles apagaram até grafites q não deveriam ser apagados sob qualquer pretexto. covas só pegou carona nessa idiotice do doria por não ter ele própria ideia do q fazer numa cidade como sp…

            tb não disse q o ato de apagar grafites está circunscrito a essas gestões… mas foram nelas q apagar um pixo ou grafite se tornou, insisto, uma bandeira do tipo ‘lei e ordem’… o própria doria, um marqueteiro ele próprio, se travestia de funcionário e ia lá apagar as coisas com um grande gesto simbólico de q agora ‘acabou a bagunça’… agora governador ele parou de perseguir pixadores, mas não deixou de ser marqueteiro.

            a lei cidade limpa eliminou a propaganda caótica de uma cidade igualmente caótica. o pixo e o grafite é resultado do caos urbano e não uma coisa apartada. óbvio q a propaganda, vertente mais visível do capitalismo, se apropriaria disso como se apropria de muitas outras formas contestatórias para vender seus produtos. mas essa arte do pixo e do grafite expressa sentimentos de seus autores em relação à vida com a cidade (inclusive na propaganda)… é bem mais complexo do q os burocratas querem nos fazer crer e do q eles próprios acreditam ser essa questão.

            vale lembrar q pixadores e grafiteiros são perseguidos na cidade com extrema ferocidade. vc deve se lembrar do caso de dois deles q foram executados em um prédio em são paulo pela pm (sob os auspícios de alckmin, ex-padrinho polítoco de… doria). existem bons documentários q indicam q qdo pixadores são pegos pelas polícias, eles os fazem comer as tintas, sofrem tortura, etc…

            mas ok… compra esse discurso quem quiser.

        2. Os grafites e pixos dão vida a cidade

          NÃO…

          Pelo contrário, depende MUITO do contexto e da intenção da comunidade onde está. Pixação é crime, tão corrupto quanto compra e venda de votos, ou até mesmo as ações do bolsonaro – mesmo que seja um pixo contra o bolsonaro. Pois o pixador ignora que quem construiu o prédio pode não ter sido um branco rico, mas um negro pobre. Quem limpa a pixação não é o dono do prédio, mas alguém contratado por ele, e que ganha salários pifios por um trabalho até inseguro – pois muitas vezes o pixo é feito em alturas de risco.

          Grafite não o é, mas muitas vezes o grafiteiro usa o estilo para esconder um pixo.

          Existem bons grafites, inegável. Artes que chamam a atenção (As vezes até demais) ou marcam uma comunidade.

          Mas fora a violência policial – retrato de parte da população que permite isso sob ocultação de seus desejos de fazer algo similar mas não poder -, pixadores também são criminosos, agem de forma similar a milícias (ou pcc), são violentos, estúpidos. Então não é diferente da guerra do crime. E romantizar crime é coisa de gente tipo eleitor do bolsonaro. Seja um policial matando pixador, seja pixador pixando ou matando pessoas.

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