Universidade da Bahia emprestou notebooks com app espião aos alunos

Notebooks emprestados aos alunos pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) estavam com um app espião chamado KidLogger. Destinado a controle parental, o app grava sons, imagens, salva senhas e histórico de conversas privadas.

Após denúncias em redes sociais, a UFSB divulgou uma nota na quinta (22) informando que recolherá os notebooks para análise. Ontem (23), a Comissão Permanente de Atividade Correicional da universidade abriu uma sindicância para apurar os fatos. Via @jvixcxtor/Twitter, DCEUFSB/Facebook.

Gravadoras norte-americanas tiram o projeto youtube-dl do ar

A associação das gravadoras nos Estados Unidos (RIAA) enviou uma carta à Microsoft para que a empresa retirasse do GitHub o projeto youtube-dl, uma biblioteca em Python usada para baixar vídeos de plataformas como o YouTube. A alegação da RIAA é de que “o objetivo manifesto desse código [do youtube-dl] é burlar as medidas de proteção tecnológica usadas por serviços de streaming autorizados, como o YouTube, para [permitir a] reprodução e distribuição de gravações musicais e de áudio sem autorização”.

A Microsoft acatou de imediato a solicitação e derrubou o projeto do youtube-dl e outros 17 “forks” (projetos derivados do original).

O youtube-dl é usado em vários aplicativos e para muitos fins legítimos/não controversos além de baixar arquivos musicais protegidos por direitos autorais. Via ZDNet (em inglês).

Banco Central rejeita pedidos do WhatsApp, Paypal e XP e autoriza 762 instituições para atuarem no PIX

O Banco Central aprovou 762 instituições para atuarem no Pix. Ficaram de fora alguns nomes grandes, como WhatsApp, PayPal e XP. Até segunda (19), o BC já havia cadastrado mais de 42 milhões de chaves Pix. O sistema começa a operar no dia 16 de novembro. Via Convergência Digital.

Ubuntu 20.10 “Groovy Gorilla”

A Canonical lançou, nesta quinta (22), o Ubuntu 20.10 “Groovy Gorilla”. Além das atualizações de apps e bibliotecas, a nova versão traz o kernel 5.8 do Linux, Gnome 3.38 e integração nativa com o Active Directory (no instalador, para usuários corporativos). E é o primeiro Ubuntu com suporte ao Raspberry Pi 4 (somente modelos com 4 ou 8 GB de RAM). Baixe-o aqui. Via OMG! Ubuntu!

No WhatsApp Business, nem todas as conversas são criptografadas de ponta a ponta

O Facebook anunciou três novidades para o WhatsApp Business, a versão para empresas que querem fazer negócios dentro da plataforma: 1) Compras sem sair do app; 2) Serviços de hospedagem do próprio Facebook, o que permitirá que as empresas tenham vários terminais com acesso à mesma conta do Business; e 3) Passará a cobrar por alguns serviços das empresas que usam o Business (alguns tipos de mensagens já são cobrados; isso será expandido).

São mudanças que transformam o WhatsApp Business em uma solução completa, verticalizada e escalável de comércio online. (Neste vídeo promocional dá para ver toda a jornada do cliente, incluindo o checkout.)

Também chama a atenção, e esta talvez seja a grande história enterrada neste anúncio, que as conversas com empresas que terceirizam a operação da API do WhatsApp Business não são criptografadas de ponta a ponta. Não sei se isso é novidade; pessoalmente, não sabia. E em breve, quando o próprio Facebook estiver disponível como um desses operadores terceirizados, “as empresas [que adotarem os serviços do Facebook] poderão usar as conversas para fins de marketing, o que inclui fazer publicidade no Facebook”.

As novidades estarão disponíveis nos próximos meses. Via WhatsApp, TechCrunch.

Como as multibilionárias empresas de tecnologia usam seu poder para influenciar jornalistas, blogueiros e youtubers

Mão segurando um Galaxy S20 Ultra em um ambiente escuro, com uma luz sobre o aparelho.

Em 2005, críticos culturais de revistas e jornais brasileiros receberam um iPod Shuffle da assessoria de imprensa da Maria Rita contendo as faixas do segundo álbum da cantora. A história acabou saindo em uma nota não assinada da revista Veja. Virou um escândalo. Luís Antônio Giron, da revista Época, sentiu-se na obrigação de se defender da acusação, implícita na revista concorrente, de que o mimo de R$ 5901 o teria corrompido e a seus colegas. O escândalo do mensalão no governo Lula havia estourado poucos meses antes, daí que o caso do iPod acabou batizado e conhecido no meio como o “mensalinho da Maria Rita”.

Em 2020, iPod é pouco perto das benesses que empresas de tecnologia multibilionárias oferecem a jornalistas, blogueiros e youtubers, gerando relações de poder que, em última análise, comprometem a confiança na cobertura que a imprensa faz dessas mesmas empresas.

Por quase dois meses, o Manual do Usuário conversou com 11 jornalistas (de veículos tradicionais e independentes) e youtubers, no Brasil e nos Estados Unidos, para entender como empresas como Samsung, Apple e Asus usam seu poderio econômico para tentar ganhar a boa vontade da imprensa.

(mais…)

Mozilla apoia ação antitruste contra o Google, desde que não atinja seu acordo financeiro com o Google

A Mozilla manifestou-se a respeito da ação antitruste contra o Google movida pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos. Em linhas gerais, a Mozilla apoia a iniciativa, mas pede para que o acordo que mantém com o Google, que lhe paga ~US$ 400 milhões por ano (cerca de 90% do seu faturamento) para ser o buscador padrão do Firefox nos EUA, não seja afetado. (O acordo foi citado na ação do DoJ como um exemplo de prática anticompetitiva do Google.) Era questão de tempo para que discurso e prática na empresa Mozilla entrassem em rota de colisão. Agrava a situação o fato de que o caso antitruste não versa sobre navegadores web, mas sim buscadores e publicidade em buscadores. Via Mozilla, The Register (em inglês).

O contexto de redes sociais servindo como amplificadores para idiotas e gente doida não era a nossa intenção.

— Erich Schmidt, ex-CEO do Google

A declaração foi dada em uma conferência virtual do Wall Street Journal. Schmidt comandava o Google quando a empresa adquiriu o YouTube, em 2006. Na mesma fala, o ex-executivo disse que é preciso ter cuidado com a acusação de monopólio contra o Google, porque a empresa ainda não tem 100% do mercado (¿?). Via Bloomberg (em inglês, paywall).

PayPal permitirá uso de criptomoedas em sua rede

O PayPal anunciou que vai trabalhar com criptomoedas. No começo de 2021, os usuários norte-americanos do serviço poderão comprar, guardar e gastar bitcoin nos mais de 26 milhões de estabelecimentos que adotam o PayPal — esses não receberão bitcoins; a criptomoeda será convertida em moeda fiduciária em tempo real. A empresa se junta a outras norte-americanas do setor financeiro que, nos últimos tempos, abraçaram o bitcoin, como a Square (espécie de PagSeguro do Jack Dorsey, CEO do Twitter) e Robinhood (home broker gratuito e, eventualmente, indutor de suicídios). Via Reuters (em inglês).

Quibi encerra operações seis meses após lançamento

Um figurão de Hollywood e uma executiva da tecnologia se unem e levantam US$ 1,75 bilhão em investimentos para lançar uma plataforma paga de streaming de vídeos curtos de alta qualidade, para serem consumidos pelo celular e em trânsito, naqueles intervalos de 10, 15 minutos que muitos de nós (ainda) temos ao longo do dia. Essa era a premissa do Quibi, startup de mídia que nesta quarta (21), apenas seis meses depois de ser lançada, fechou as portas.

Estava fácil prever o fracasso do Quibi. A ideia em si já era questionável, afinal não é como se houvesse escassez de vídeos curtos, “de alta qualidade” ou não, mas que a que as pessoas assistiam. Mas não só por esse motivo, porque o momento é bastante receptivo ao streaming — estamos escalando a montanha do streaming audiovisual e o pico, embora já seja visível, ainda não chegou.

Tudo indicava que o Quibi estava fadado ao fracasso porque, mesmo de longe (não deu tempo de chegar ao Brasil), o que se via era uma sucessão de decisões ruins, para dizer o mínimo.

O Quibi foi lançado em abril, quando a pandemia virou realidade no mundo inteiro. O plano inicial, de só funcionar em celulares, poderia fazer algum sentido no mundo pré-pandêmico. Com uma fatia relevante do público-alvo presa em casa, manter esse limitador artificial soou… esquisito, contraintuitivo. Os apps para Apple TV, Roku e Fire TV Stick (em resumo, para TVs) só foram lançados nesta terça, na véspera do encerramento das operações. E havia o elefante na sala: o fato de que, apesar da grana torrada em conteúdo e de ter levado dois Emmy, a única produção do Quibi que chegou (mais ou menos) ao mainstream foi uma de humor involuntário (acho?), do tipo que de tão ruim fica boa.

Só consigo pensar no tempo e no dinheiro gasto nisso. É um caso emblemático de tudo que há de errado com a cultura de capital de risco do Vale do Silício. Parafraseando uma sacada popular nas redes sociais, a existência do Quibi foi tão curta quanto os vídeos que ele prometeu entregar. Via Quibi/Medium, Wall Street Journal (em inglês, paywall).

Dropbox lança plano familiar

O Dropbox anunciou um plano familiar. Nele, até seis pessoas da mesma família podem compartilhar 2 TB de espaço, com cada membro tendo sua conta privada e há uma pasta compartilhada entre os membros do plano — tudo em um mesmo plano, pago uma vez só. Custa US$ 16,99 (cerca de R$ 95) por mês, com um pagamento único anual. Para pagamentos mensais, o valor sobe para US$ 19,99 (~R$ 112). Via Dropbox (em inglês).