Chrome 94 permite que sites observem ociosidade do usuário

O Chrome 94, lançado nesta terça (21), trouxe suporte a uma API de detecção de ociosidade. Segundo um site do Google, essa API “notifica os desenvolvedores quando um usuário está ocioso, indicando coisas como falta de interação com o teclado, mouse, tela ativação de um protetor de tela, bloqueio da tela ou alternância para uma tela diferente”. Via The Register (em inglês).

O que pode dar errado?

Apple e Mozilla rejeitaram formalmente adotarem a API de detecção de ociosidade. Em julho, Tantek Çelik, líder de padrões web da Mozilla, explicou a decisão da dona do Firefox: “Da maneira como especificada atualmente, consider a API de detecção de ociosidade muito tentadora enquanto uma oportunidade para sites motivados pelo capitalismo de vigilância para invadir um aspecto da privacidade física do usuário.”

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Twitter e Google: ordens de Moraes contra bolsonaristas são desproporcionais e podem ser censura prévia

Às vésperas do 7 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (SFT), ordenou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube removessem perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) envolvidos na organização das manifestações de teor golpista do feriado. As plataformas atenderam ao pedido, mas na terça (21) Twitter e Google (YouTube) manifestaram desconforto junto ao STF.

A decisão de Moraes estaria em desacordo com o que prevê o Marco Civil da Internet, “podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia”, segundo o Twitter.

O Google apontou dois problemas: a ausência do apontamento dos conteúdos ilegais, e a falta de apreciação prévia das ilicitudes pelo Judiciário. Via Folha de S.Paulo.

Desenvolvedor do Apollo lança novos apps para iOS

Christian Selig, criador do Apollo, a melhor maneira de acessar o Reddit no iPhone, lançou dois novos apps:

  • Amplosion redireciona URLs no padrão AMP, do Google, para suas versões convencionais. O app permite criar regras e padrões e registra estatísticas de domínios convertidos. Custa R$ 16,90.
  • Achoo é um visualizador/inspetor do código-fonte de sites, algo trivial em navegadores desktop, mas inacessível de modo solo no iPhone ou iPad. Custa R$ 4,90.

Amazon atualiza Kindle Paperwhite com tela maior e USB-C; Facebook lança um “tablet” para videochamadas

Semana cheia para consumidores interessados em dispositivos físicos de vigilância de grandes empresas de tecnologia.

A Amazon atualizou seu Kindle Paperwhite, agora em duas versões, ambas com telas (6,8″) e baterias maiores, entrada USB-C e, no caso da “Signature Edition”, carregamento sem fio e sensor de iluminação. Os preços no Brasil estão mais salgados. O Kindle Paperwhite básico encareceu 30% e agora sai por R$ 649. O Kindle Paperwhite Signature Edition custa R$ 849. Via Interfaces.

Lá fora, o Facebook lançou uma versão com bateria do Portal, seu dispositivo para videochamadas. O Portal Go, com tela de 10″, roda Android, mas não dá para chamá-lo de tablet — além de pesado (1,4 kg), o software é restrito a basicamente apps como WhatsApp, Facebook Messenger, Zoom e alguns outros do tipo para o mercado corporativo. Lá fora, sai por US$ 199. Via The Verge (em inglês).

Como o TSE pretende lidar com o Telegram em 2022

Não é segredo que o Telegram é uma espécie diferente de rede social, sem representação no Brasil e sistemas de moderação fracos, e que seu uso para fins políticos tem aumentado por aqui. Em entrevista ao Aos Fatos no início de agosto, a secretária-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aline Osorio, foi questionada sobre como a Justiça eleitoral espera lidar com plataformas que não cooperam, caso do Telegram, nas eleições de 2022.

A estratégia do TSE, no momento, é “atuar com parceiros, em rede, para [fazer] o monitoramento da desinformação que circula no Telegram”, explicou Aline. Entre esses parceiros estão as agências de checagem. Ela explicou a dificuldade em lidar com o aplicativo: “Acho que não dá para ser ingênuo de achar que eles [Telegram] vão ser hiper cooperativos, celebrar termos de cooperação com o TSE. A gente tem tentado de alguma forma alcançar e acho que isso não é uma realidade aqui, não é em quase todo mundo, mas a gente precisa sim de estratégias para esses aplicativos que lidam com uma lógica diferente.”

Com outras redes, Aline disse que aquelas de maior visibilidade nas eleições de 2018 e 2020 foram incorporadas como parceiras ao programa de combate à desinformação e que, pessoalmente, ela tem as achado mais cooperativas nos últimos anos, apesar de ainda haver trabalho a ser feito. “Nós conseguimos muitos avanços, mas falta muita coisa. […] É preciso que elas digam de antemão o que vão fazer com ofensores repetitivos, com pessoas que vão declarar fraude nas urnas, não reconhecer os resultados, em promover o extremismo e a violência.”

A situação do Telegram desafia outros atores brasileiros, como a imprensa e pesquisadores. “Um serviço que se propõe a operar com milhões de usuários brasileiros, marketing direcionado a brasileiros e com finalidade econômica tem o dever de escutar e participar dessas discussões sobre como mitigar problemas associados a processos eleitorais no país”, disse Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab. “Isso é o mínimo, especialmente se considerada a proteção dos direitos dos usuários brasileiros.”

Apple libera iOS 15, iPadOS 15 e watchOS 8

Para dispositivos elegíveis, já estão disponíveis as versões finais do iOS 15, iPadOS 15 e watchOS 8. Via Apple (2) (3) (em inglês).

A versão final do macOS 12 Monterey, anunciado no mesmo dia dos sistemas acima, ainda não tem data de lançamento.

Apple e Google removem app de oposicionista russo após pressão de Putin

Na sexta-feira (17), Apple e Google cederam à pressão do governo da Rússia e removeram das suas lojas oficiais o aplicativo do oposicionista Alexei Navalny. O app, chamado Smart Voting, informava aos eleitores quais candidatos tinham mais chances de derrotar os apoiados pelo governo de Vladimir Putin nas eleições legislativas do último fim de semana. Alexei lidera a oposição a Putin e está cumprindo pena de 2,5 anos de prisão. Via Associated Press (em inglês).

Em agosto, a Apple garantiu que seu sistema de varredura de celulares por fotos de abusos infantis não poderia, de maneira alguma, ser instrumentalizado por pressão de algum governo autoritário. Como se vê, na prática essa garantia não vale muita coisa.

Os Arquivos do Facebook do Wall Street Journal

O Wall Street Journal teve acesso a documentos, pesquisas e mensagens trocadas entre funcionários do Facebook. Fez uma série de reportagens devastadora — “The Facebook Files” —, publicando uma por dia ao longo da semana. Graças a esse material, soubemos que o Facebook:

  • Tem regras à parte para uma elite de pouco menos de 6 milhões de usuários;
  • Sabe, por pesquisas científicas internas, ser a causa de distúrbios psicológicos graves em 1/3 das meninas adolescentes que usam o Instagram;
  • Tentou tornar o feed mais saudável em 2018, mas fracassou e quando as mexidas no algoritmo ameaçaram o engajamento, priorizou o engajamento;
  • Deu respostas fracas a alertas de funcionários de que a rede estava sendo usada para tráfico de seres humanos, recrutamento em cartéis de drogas, incitação à violência contra minorias e outros crimes graves, em especial no hemisfério Sul;
  • Serviu de plataforma para negacionistas da pandemia de Covid-19.

No Twitter, Andy Stone, porta-voz do Facebook, afirmou que o Facebook “tem mais especialistas e recursos dedicados a este trabalho [de moderação] que qualquer outra empresa de tecnologia do mundo”.

É bem provável que isso seja verdade, e que o próprio Andy e muitos desses especialistas que ele cita tenham as melhores intenções do mundo. Só que esse povo não apita nada lá dentro. A diretoria do Facebook, em especial o CEO, Mark Zuckerberg, já demonstrou em inúmeras situações quais as prioridades da empresa — não é o bem-estar dos usuários. E, vale o questionamento, se nem com todos esses recursos o Facebook consegue criar ambientes digitais saudáveis, talvez seu modelo seja inerentemente quebrado. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Os aplicativos de VPN da Kape, uma “ex-empresa” de publicidade

A empresa britânica Kape Technologies comprou o aplicativo ExpressVPN por US$ 936 milhões no início da semana. No comunicado à imprensa, a Kape alardeia que a aquisição dobrou a sua base de usuários para 6 milhões.

A Kape, sediada no Reino Unido, já era dona de outras VPNs — CyberGhost VPN, ZenMate e Private Internet Access (PIA) —, o que a credita como uma empresa de segurança. Só que nem sempre foi assim. A empresa foi fundada em 2011 com o nome Crossrider. Era especializada em fornecer extensões de navegador e aplicativos para Windows e macOS que serviam de ponte para a injeção de anúncios. Em 2018, mudou de nome e passou a renegar o passado.

O ExpressVPN tem uma boa reputação, bem como o PIA (os outros dois, desconheço), mas em um mercado tão sensível como o de VPN, em que a confiança é tudo, será o bastante? Via The Register (em inglês).

Ferramenta para exportar dados do Skoob

Alguns usuários do Skoob não gostaram muito da notícia de que a rede social de livros foi comprada pela Americanas. Para piorar, o Skoob não oferece uma ferramenta de exportação de dados. (Antes de inscrever-se em qualquer serviço em que você acrescenta dados, sempre verifique se esse recurso é oferecido.)

De forma extraoficial, porém, é possível libertar seus dados do Skoob. O desenvolvedor Artur Prado criou uma ferramenta que exporta os dados de um perfil do Skoob para um arquivo *.csv, a SkoobCrawler. Ela pede nome de usuário e senha, um método não muito convidativo, mas provavelmente não poderia ser de outra forma porque o Skoob não tem uma API pública. (Em todo caso, o código-fonte da ferramenta é aberto e Artur está no Twitter para trocar uma ideia.) Dica do Guilherme Teixeira.

Americanas compra Skoob

Na corrida das varejistas brasileiras (e argentina) para se tornarem a Amazon no Brasil antes da Amazon dominar o nosso mercado, a Americanas deu mais um passo ao comprar a rede social de livros Skoob nesta quarta (15). Lá fora, há muito anos, a Amazon é dona da Goodreads. O valor do negócio não foi divulgado. O Skoob, criado em 2009 no Rio de Janeiro, tem 8 milhões de usuários e 45 milhões de avaliações de livros. Via Neofeed.