Metaversos unicórnios ainda são cidades-fantasmas

A DappRadar, consultoria especializada em aplicações de blockchain, levantou alguns números intrigantes de duas startups de metaverso, a Decentraland e a The Sandbox: os picos de audiência diária nelas foram de 675 e 4.503 usuários, respectivamente. Elas são avaliadas em US$ 1,3 bilhão cada.

A contagem da DappRadar é meio estranha, só leva em conta usuários que transacionaram nas blockchains desses ambientes — a maioria não quer/não faz negócios, só está ali para interagir e socializar.

Ao Coinbase, porém, Sam Hamilton, diretor criativo da Decentraland, disse que a média de audiência diária do metaverso da startup é de 8 mil usuários. Pouco, né?

Sim, pouco, e talvez o cenário seja o mesmo em todos esses universos supostamente “revolucionários” de realidade virtual. O Horizon Worlds, metaverso líder da Meta (aquele do gráfico feião que nem os funcionários da Meta querem usar) tinha, em fevereiro, 300 mil usuários mensais. Via Coinbase (em inglês).

Em beta, Transmission 4 traz otimizações e suporte a BitTorrent v2 e torrents híbridos

O melhor cliente de torrent (na minha modesta opinião) foi atualizado depois de um hiato de dois anos e meio.

Ainda em beta, o Transmission 4 traz muitas novidades. Destaque para as otimizações no código, que, em um teste de estresse com 25 mil torrents, apresentou um uso 50% menor de ciclos de CPU e 70% menos alocações de memória, e o suporte ao protocolo BitTorrent v2 e a torrents híbridos.

Para quem usa macOS, o Transmission 4 ganhou uma versão nativa para chips Apple e um novo ícone no padrão pós-Catalina.

Mesmo em beta, baixei aqui e pareceu-me bastante estável. Use-o por sua conta e risco. Não há previsão para o lançamento da versão estável. Clique aqui para o download e a lista completa de novidades.

Pix deveria ser exemplo para WhatsApp e outros apps de mensagens

O Pix é um sucesso incontestável. Lançado em outubro de 2020 (começou a valer mesmo para a população dois meses depois, em 16 de novembro), o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil caiu nas graças da população com a mesmo velocidade com que viabiliza transferências de valores sem custo às pessoas.

O Banco Central (Bacen), verdadeiro “pai do Pix”, mantém uma página atualizada em seu site mostrando a evolução do Pix segundo várias métricas.

É uma visão impressionante:

(mais…)

Nem funcionários da Meta curtem seu metaverso

O The Verge conseguiu uns memorandos internos da Meta, assinados por Vishal Shah, vice-presidente do metaverso da empresa, em que ele aborda um problema constrangedor: os funcionários que criam o Horizon Worlds, o ambiente virtual/metaverso da casa, pouco acessam o local.

É surreal. No segundo memorando, de 30 de setembro, Shah escreveu que a missão de todos na empresa é “apaixonar-se pelo Horizon Worlds”. E disse que vai responsabilizar os gerentes se a galera continuar ignorando o metaverso.

Em outro momento, Shah diz que o Horizon Worlds ainda não tem razão de existir:

Quero deixar isto bem claro. Estamos trabalhando em um produto que ainda não encontrou espaço no mercado. Se você está no Horizon, preciso que você abrace completamente a ambiguidade e a mudança.

Horizon Worlds, vale lembrar, é aquele aplicativo de realidade virtual que foi zoadaço mês passado depois que Mark Zuckerberg postou um print que parecia um jogo do Nintendo Wii de 2000 e bolinha. Via The Verge (em inglês).

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

Por que Google Pixel 7 e não Xiaomi 12T?

por Cesar Cardoso

Dos dois lançamentos da semana, em termos lógicos para a maior parte do globo, os Xiaomi 12T e 12T Pro são mais relevantes que os Pixel 7 e Pixel 7 Pro, e não apenas porque os Pixel continuam sendo acessíveis apenas em alguns países do Norte Global, enquanto os 12T estarão disponíveis globalmente.

Os 12T “normal” e Pro se parecem muito: ambos têm a promessa de 3+4 (3 atualizações de versão Android, 4 anos de atualizações de segurança), bateria de 5.000 mAh e carregador 120 W. No entanto, o 12T Pro tem Snapdragon 8+ Gen 1 e câmera com sensor de 200 megapixels (mas sem Leica), enquanto o 12T “normal” tem que se contentar com um chip Dimensity 8100 Ultra e uma câmera traseira de 108 megapixels.

A € 599 (12T) e € 749 (12T Pro), ambos serão um sucesso indiscutível nessas faixas de preço e nesse mercado de “flagship killing” que é disputado especialmente entre as chinesas.

(Os interessados em reviews tem o Xiaomi 12T e o Xiaomi 12T Pro no GSMArena.)

No entanto — e é sempre importante reforçar isso quando se fala de Google Pixel —, a linha Pixel é a realeza do mundo Android. É o telefone contra o qual todos os outros telefones Android são comparados, mesmo que na prática venda pouquíssimo. É o veículo do Google para mostrar para onde o mundo Android deve seguir.

Na atualização anual dos Pixels, o Google usou um termo muito usado no resto do mundo Android em 2022: refinamento. É o chip Google Tensor G2 e sua melhora em consumo de energia e aprendizado de máquina, são as telas praticamente iguais às da linha 6, são as câmeras com algumas melhoras (bem mais no 7 Pro que no 7 “normal”), é a nova temporada de facilidades dos Pixels com doses cavalares de inteligência artificial…

Uma coisa que não mudou? Os preços. Uma coisa que voltou? Os mimos dos Pixels — agora a VPN que originalmente era só do Google One de 5 TB pra cima. Uma coisa que melhorou? Estará à venda em um recorde de… 17 países, Brasil de fora.

Ah, outra coisa que não mudou: coisas que também já eram esperadas: o Pixel Watch, o novo porta-bandeira do WearOS, e o segundo teaser do Pixel Tablet, reforçando a visão do Google para o tablet como parte da casa, já que vai ter um berço próprio que o faz parecer muito um Nest Hub ou Echo Show.

(Aos interessados em “hands-on”, tem os 7 e 7 Pro e o Pixel Watch no The Verge.)


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Necrotecnologia

por Eduf

Quem são os maiores beneficiários da confusão das eleições do Brasil? As corporações de mídias sociais.

A luta para derrubar Bolsonaro força os adversários a adaptar seus discursos à linguagem de ódio, escárnio e desinformação que, há décadas, vem sendo cultivada e explorada pela big tech.

Enquanto tentamos livrar o país da necropolítica, acabamos por fortalecer a necrotecnologia.

Se não conseguirmos sair desse “loop”, vamos acabar (ainda mais) dependentes da big tech para exercer política.

As redes sociais já sequestraram parte do discurso e logística da democracia. Aos poucos, vai alterando até os nossos conceitos sobre ela. Assim, promover a indie web virou uma necessidade civilizatória, até.


A pensata acima foi publicada na newsletter Texto Sobre Tela, do Eduardo “Eduf” Fernandes. Inscreva-se gratuitamente para recebê-la.

Acreditamos que acrescentar armas a robôs operados à distância ou autônomos, amplamente disponíveis ao público e capazes de chegar a locais antes inacessíveis onde pessoas vivem e trabalham, traz novos riscos de danos e sérias questões éticas. O armamento desses robôs também abalará a confiança do público na tecnologia de forma a prejudicar os enormes benefícios que eles trarão à sociedade. Por esses motivos, não apoiamos o armamento de nossos robôs móveis de uso geral.

— Boston Dynamics e outras empresas do setor, em carta aberta.

As empresas estão preocupadas com pessoas que têm modificado robôs de prateleira, à venda para o grande público, a fim de transformá-los em armas. O que poderia dar errado, né? Via Axios (em inglês).

Prepare-se para ver ainda mais anúncios no Instagram

Com o crescimento das suas receitas desacelerando e o TikTok fungando em seu cangote, a Meta pensou em uma solução para estancar a sangria: mostrar mais anúncios.

A empresa anunciou novos locais para a veiculação de anúncios no Instagram, na aba Explorar e no feed dos perfis. Também há novos anúncios nos Reels do Facebook, como um vídeo curto (4 a 10 segundos) após a exibição de um Reel. Via Meta, Instagram, TechCrunch (todos em inglês).

Serviço de newsletters do Facebook será encerrado em 2023

Um dia o Google anuncia o encerramento do Stadia, no outro a Meta avisa que o Bulletin, serviço de newsletters premium vinculado ao Facebook, criado em junho de 2021 para concorrer com o Substack, sairá de cena em 2023.

O Bulletin durou pouco mais de um ano. O serviço atraiu ~120 escritores e jornalistas com gordos cheques e a promessa de apoio, mas, sem surpresa, não colou.

A Meta promete que pagará os valores prometidos integralmente, mesmo dos contratos que venceriam em 2024, e que os parceiros poderão levar bases de assinantes e arquivo de conteúdo para outras plataformas.

Pelo menos em um aspecto a Meta cumpriu sua palavra: a empresa bradava, no lançamento do Bulletin, que, diferentemente de rivais como o Substack, não cobraria taxas dos parceiros “até no mínimo 2023”. Dito e feito. Via New York Times (em inglês).

Matter, padrão para internet das coisas, é lançado oficialmente

A Connectivity Standards Alliance (CSA) anunciou nesta terça (4) o lançamento da especificação final do padrão Matter, uma tentativa da indústria de padronizar a comunicação entre dispositivos de internet das coisas.

Mais de 550 empresas fazem parte da CSA, incluindo titãs da indústria — Amazon, Apple, Google e Samsung. A promessa do Matter é permitir que dispositivos de empresas distintas aderentes ao padrão conversem entre si. Ele confia em duas tecnologias, o bom e velho Wi-Fi para a comunicação com a internet, e o novo Thread, que cria uma rede mesh de alta eficiência e confiabilidade para que os dispositivos se comuniquem localmente.

Dessa forma, com o Matter você poderá ter, por exemplo, uma lâmpada inteligente Philips Hue e uma fechadura “smart” da Aqara na mesma casa, conectando ambas ao mesmo sistema e podendo controlá-las a partir de um único aplicativo da Apple ou do Google.

Algumas empresas anunciaram que seus atuais produtos receberão atualizações para se tornarem compatíveis com o Matter. Espere, também, uma avalanche de lançamentos destacando a compatibilidade com o padrão nos próximos meses.

A falta de interoperabilidade entre soluções de IoT é vista pela indústria como um gargalo na adoção dessas tecnologias. Se o Matter resolverá o problema, só o tempo dirá. Via CSA, The Verge (ambos em inglês).

Resenhas de livros do Skoob são integradas à Americanas para vender mais livros

A Americanas S.A. integrou 2 milhões de resenhas de livros da plataforma Skoob, que adquiriu no final de 2021, às lojas Americanas, Submarino e Shoptime.

O objetivo da Americanas é alavancar as resenhas do Skoob para aumentar as vendas de livros nas lojas do grupo. Segundo a empresa, a expectativa é de que o movimento aumente a conversão de vendas de livros em até 40%.

Tudo muito legal, mas faltou combinar com os 9 milhões de usuários do Skoob, que da noite para o dia viraram promotores de vendas ao terem suas resenhas instrumentalizadas por uma loja para fomentar a venda de livros.

Nem a Amazon ousou ir tão longe. Em 2013, a gigante norte-americana comprou o Goodreads, rede social literária similar ao Skoob, e jamais misturou as resenhas de lá com as da sua loja virtual. Via PublishNews.

Debian 12 trará firmwares não-livres no instalador padrão

O Debian 12 “Bookworm”, previsto para 2023, será distribuído em um instalador contendo firmwares não-livres — algo inédito na longeva distribuição.

A decisão foi tomada em conjunto, numa votação que durou duas semanas. A comunidade Debian optou por incorporar os firmwares não-livres ao instalador padrão, permitindo assim que componentes que não tenham firmwares livres disponíveis, como chips Wi-Fi e GPUs, funcionem de primeira no Debian. O usuário será informado quando seu hardware necessitar desses códigos proprietários e terá a opção de desabilitá-los.

O Debian é uma distribuição Linux que, até então, só trabalhava com código livre. A decisão de incluir firmwares não-livres é tão grande que precisou ser respaldada por ampla maioria a fim de alterar o contrato social do projeto. Via Debian, MakeUseOf (ambos em inglês).