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Julho de 2026 no Manual do Usuário

O melhor do Manual em julho: 1) A recusa que virou vitrine, da Cíntia Vitorino, cheio de elogios nos comentários; 2) Boox Go 10.3 (gen II) Lumi, minhas primeiras impressões do tablet Android com tela E-Ink; 3) Por que o WhatsApp consome tanta bateria do celular?, uma ~investigação que logo, logo terá atualizações; 4) Publicidade dos óculos da Meta vandalizada em Londres (talvez “vandalizada” não tenha sido o termo correto); e 5) Aqui não tem propaganda de bets. Quer mais? Todos os posts do mês.

Google desmantela o AlphaFold e lá se vai a IA que curaria o câncer

por David Gerard

O AlphaFold era um sistema de aprendizado de máquina do Google DeepMind. Ele fazia a predição da estrutura de proteínas.

Ele era razoavelmente bom em prever estruturas de proteínas. Chamou atenção do público por se sair muito bem nos benchmarks do Critical Assessment of Structure Prediction (CASP).

O AlphaFold fez alguns trabalhos úteis, principalmente como um extra para ajudar biólogos a prever uma estrutura em que estavam trabalhando. Muitos biólogos não achavam ele grande coisa. Alguns, achavam. E tudo bem.

Estou dizendo “era” e “fazia” porque o Google encerrou o AlphaFold.

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Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Onde está a Tamara?. “Diário de bordo” virtual, com rastreamento em tempo real, da atual viagem da Tamara Klink. Dica do Digão no Órbita.

Dustin Mierau. Mais um daqueles sites pessoais que se apresentam como a área de trabalho de um computador. Eu nunca me canso desses!

The Closet. O famoso closet da Criterion em uma versão virtual interativa, com 1.327 obras do catálogo da famosa distribuidora de filmes estadunidense. (A referência para quem não conhece.)

The AI Compass. Um questionário (em inglês) similar a um famoso na psicologia que te posiciona na “bússola” da IA. São 30 arquétipos possíveis, do ludita ao profeta.

Programação musical da Rádio Senado. Dá para fazer um bom garimpo de músicas brasileiras. (A última atualização é de 22/7; será que já pararam de atualizar?)

Acervo de efeitos sonoros da BBC. Milhares de efeitos sonoros categorizados, gratuitos para uso pessoal e não comercial. Dica do Lucas no Órbita.

Jelly UI. Uma biblioteca para deixar elementos de interface em páginas web com uma consistência gelatinosa. A página tem vários exemplos interativos para ver como funciona na prática.

Não curto muito a tendência dos selos “feito por humano”

Há dois anos, repercuti um daqueles selos “feito por humanos” usados para sinalizar conteúdo livre de IA. Desde então, esses selos se proliferaram em cantos virtuais hostis à IA generativa.

Em um texto meio viral na indie web, Case Duckworth lista alguns motivos para rejeitá-los (em inglês). A crítica dele não é aos selos em si, mas a iniciativas que centralizam esse tipo de sinalização. A opinião aparece condensada neste parágrafo (tradução livre):

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A recusa que virou vitrine

Ilustração de camisas de times coloridas estendidas em um varal.

por Cíntia Vitorino

Em algum momento entre 2023 e 2024, ficou comum ver alguém saindo para um bar, uma festa ou um show usando a camisa de um time de futebol que nem existe mais. Não é fantasia, não é dia de jogo, não tem ninguém torcendo. Antes, vestir a camisa de um time era gesto de torcida, reservado para o dia da partida. Hoje ela circula solta desse contexto, usada num bar, numa festa ou num show sem relação nenhuma com o time em campo. A camisa deixou de ser símbolo de torcida e passou a ser peça de moda, equivalente a uma jaqueta ou uma calça de alfaiataria.

Um vídeo específico marcou essa virada nas redes, sem tê-la criado sozinho. Uma jovem no TikTok filmou o próprio look, todo produzido, ao lado do namorado de camisa de futebol, e comentou o contraste como se fosse motivo de vergonha para ele. O vídeo não inaugurou a tendência, mas expôs ela em plena disputa: viralizou na direção contrária à que a autora esperava, e homens e mulheres passaram a postar fotos com blusas de time, afirmando o objeto como peça de estilo. O episódio ajudou a consolidar publicamente algo que já vinha se formando nas ruas e nas redes havia meses, batizado de blokecore, estilo nascido no Reino Unido que mistura roupa esportiva com streetwear.

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A mesa de trabalho do Pedro

Imagem da disposição dos equipamentos na mesa. A primeira coisa que se vê é um gato preto, depois temos um notebook em primeiro plano, ao lado um monitor de aproximadamente 15 polegadas, colocado na vertical num suporte apoiado na mesa. Sobre o notebook um monitor de 24 polegadas num suporte tipo braço, preso à mesa. O mouse é do tipo ergonômico, vertical para canhoto. Temos um headset rosa e um fone TWS.

Nesta seção, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua.

Me chamo Pedro, tenho 41 anos. Trabalho com projetos de geometria e terraplenagem de obras de infraestrutura, principalmente rodoviárias, sou formado em engenharia civil.

Tem tempos que tenho interesse em mandar minha mesa de trabalho, mas como sempre trabalhei em regime presencial, não achava interessante mandar a mesa do escritório. No trabalho atual, onde comecei no final do ano passado, estou em regime híbrido e montei uma estrutura para o teletrabalho que acho que vale compartilhar. Ainda não está do jeitinho que quero, mas quando estiver compartilho novamente.

Ah, tentarei colocar a data em que comprei cada item.

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Guarde as suas fotos no iCloud. É super legal!

Print da saída do osxphotos no terminal, indicando a ausência de sete fotos.
Quais?

Guarde todas as suas fotos no iCloud! É super conveniente. Fácil de usar. Integração! Ecossistema da Apple!

E é mesmo.

Corta para alguns anos mais tarde.

Talvez eu devesse fazer um becape das minhas fotos *fora* do iCloud.

Inicia a exportação.

“7 fotos ausentes.”

🤡

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

The Sites We Lost. Arquivo com sites que integravam o The Useless Web e saíram do ar.

clipart.studio. Crie colagens com revistas de papel, só que no digital.

Fonte anti-IA. Esta fonte disfarça o conteúdo com palavras diferentes sobrepostas. Legal, mas com o detalhe de que o texto original também é difícil para seres humanos (eu, pelo menos). Dica do arrthur.

Steganographr. Outra maneira de ocultar mensagens, esta para seres humanos. Este sistema usa caracteres obscuros do Unicode para ocultar o texto original usando esteganografia.

Nokia 210 4G com botão de IA. Diretamente de uma linha do tempo alternativa, um Nokia “jogo da cobrinha” com botão de IA. Ninguém respeita mais nada mesmo.

Omniget. O yt-dlp é uma pequena maravilha para baixar vídeos do YouTube e de outras plataformas, mas a linha de comando intimida muita gente. O Omniget oferece uma interface gráfica. FOSS, para Linux, macOS e Windows. Dica do Antonio.

MOBU. Um “roguelite de ação” (não me pergunte) desenvolvido pelo irmãos Matheus e Alicia. (Ele, leitor deste Manual.) Para Windows e Linux, por menos de R$ 20.

“Inteligência artificial saiu do controle e fez algo que não devia…

“Inteligência artificial saiu do controle e fez algo que não devia, diz empresa dona da IA” é marketing terrorista voltado a políticos e empresários. O desafio da baleia azul dos engravatados. A boneca momo que aterroriza o PIB. O pior é que os caras caem nessa lorota.

Note o tom da chamada: Agentes da OpenAI escapam durante teste e fazem ataque cibernético. Tudo por conta própria.

Boox Go 10.3 (gen II) Lumi: Um tablet Android e, não bastasse isso, com tela E-ink

Foto de cima do Boox Go 10.3 (gen II) Lumi, sobre um livro aberto, com um notebook e um Kindle nas laterais.

Lembra quando eu contei que estava usando o Kindle como meu jornal particular? E que aquela solução era ideal porque eu não precisava comprar outra bugiganga?

Mantenho aquela opinião, mas comprei outra bugiganga para ser o meu “jornal particular”: um tablet Boox Go 10.3 (Gen II) Lumi. (Ufa! Daqui em diante, chamarei-o apenas de Boox Go.)

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Aqui não tem propaganda de bets

Quando a saúde, o bem estar e o orçamento das famílias brasileiras estão em risco, é dever do jornalismo profissional se posicionar.

Quando um setor econômico traz mais malefícios do que benefícios à população, é com o jornalismo que a sociedade conta para investigar os atores envolvidos e cobrar providências das autoridades.

É esse o caso das casas de apostas online, ou bets.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo indica que as bets são hoje o principal fator de endividamento dos brasileiros, cinco vezes mais que os cartões de crédito e empréstimos.

Os recursos oriundos do Bolsa Família gastos em bets chegaram a R$ 3 bilhões em agosto de 2024, segundo o Banco Central. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) aponta que 1,8 milhão de assistidos usaram o cartão do programa Bolsa Família em casas de apostas.

Dados econômicos apontam para uma epidemia. Segundo o Instituto Locomotiva, um terço dos apostadores já estavam endividados em 2024 e 45% afirmaram que as apostas já causaram prejuízo, ao mesmo tempo em que os números de afastamentos no INSS por ludopatia – compulsão por jogos – deu um salto estratosférico, de mais de 2.000%.

Liberado em 2018 e apenas regulamentado em 2023, o setor de apostas online reuniu neste ínterim poder econômico e político, arregimentando grande influência no Congresso que impede o avanço de matérias regulatórias.

Em consequência, os lucros deste setor são hoje exorbitantes. E permitem influenciar, através de patrocínios e apoios, variados setores da sociedade, como é o caso dos influenciadores digitais e celebridades do mundo do entretenimento e dos esportes.

As empresas de bet investiram só em 2024, segundo a Kantar Ibope Media, R$ 2,3 bilhões em compra de mídia no Brasil — 58% disso pra TV e 42% pro digital. Já a receita bruta dessas empresas chegou a R$ 37 bilhões no ano passado.

Anúncios de bets incentivando apostas estão por todos os lados: em jogos e programas de TV, sites da internet, jornais, revistas, shows, festas populares. Empresas de apostas online batem cotidianamente à porta de empresas jornalísticas e até de organizações sem fins de lucro oferecendo anúncios e parcerias.

Repudiamos publicamente essa influência, sobretudo sobre o jornalismo, que deve ser, antes de tudo, comprometido com o interesse público. Nosso papel é o da defesa da sociedade e, portanto, o de investigar, denunciar com independência o poder indevido do setor e exigir das autoridades regras mais estritas às propagandas e à atuação das bets.

Ao aceitar propagandear os jogos online, consideramos que estaríamos contradizendo informações apuradas com rigor pelas nossas equipes.

A seriedade da atual epidemia que tem vulnerabilizado, sobretudo, os mais pobres, não pode ser relativizada por conta de interesses comerciais, sob pena de minar a credibilidade do jornalismo.

Mais do que isso: entendemos que os veículos de jornalismo precisam se posicionar institucionalmente contra a influência crescente das bets no debate público – seja pelo lobby, seja pela compra de espaços publicitários. Deve, ainda, cobrar das autoridades ações para proteger a população da propaganda e da influência pública das Bets, assim como regular sua atuação e trabalhar para mitigar os danos já causados.

Para combater essa epidemia os setores público e privado e a sociedade organizada têm de atuar conjuntamente e com a urgência que a questão social exige.

Veículos que assinam este editorial:

A bolsa “podre” da Keli Vasconcelos

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.

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Sou Keli Vasconcelos (ela), jornalista, redatora freelancer e pós-graduada em História Pública, 44 anos, moro em São Paulo (SP), no extremo da zona leste (S. Miguel Paulista). Escrevo sobre Saúde e Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, publiquei dois livros e, em 2024, enviei aqui a mesa de trabalho.

Desta vez, mostro a bolsa transversal que anda sempre comigo, carinhosamente chamada de “podre”, de tanto uso!

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