Limitando não apenas o tempo de tela, mas o espaço de tela  outraspalavras.net

Laura J. Martin (traduzida por Antonio Martins) faz uma reflexão da internet, quase sempre tida como um “não-lugar”, como uma tecnologia que afeta o espaço físico e os nossos corpos (original em inglês):

A conectividade constante acostumou nossos corpos à postura defensiva de rolar a tela, ao movimento involuntário da mão abrindo-se em direção a uma notificação, à onipresença da vibração. O problema não é apenas quanto tempo passamos online. É como nos movemos nos espaços que construímos para a vida online e que tipo de liberdades perdemos.

Se a rede acompanha o corpo pela casa, que espaços podemos construir para permitir que o corpo fique sozinho? O que significaria limitar não apenas o tempo de tela, mas o espaço ocupado pelas telas?

[…]

O problema, começo a pensar, não é apenas usarmos nossos celulares no banheiro. É imaginarmos que socializar, produzir conhecimento, fazer política e ser criativo possa ser feito fora do espaço físico. Cometemos o mesmo erro com a IA generativa que cometemos com a internet, quando a tratamos como um lugar nenhum em vez de um lugar. Deixamos de reconhecer que o virtual opera dentro — e não além — do mundo espacial e material.

Tenho pensado muito nesse assunto, acredito que por influência do pessoal do Tecnosfera, do curso de Geografia da UFPR, de quem me aproximei em 2025.

Nos últimos meses, implementei alguns experimentos na tentativa de expor essa materialidade oculta da internet. Lembro-me de dois:

  • Deixar o celular offline o tempo todo e só ligá-lo quando preciso fazer alguma coisa, invertendo o padrão de conectividade.
  • Dentro de casa, deixar o celular em um cômodo específico, ligado à tomada pelo cabo. Se preciso dele, desloco-me a esse lugar e faço o uso ali. Como eram os telefones fixos de antigamente.

Alguma outra ideia?

Obrigado pela dica, Bruno!

Por que o WhatsApp consome tanta bateria do celular?

A escassez faz aumentar nossa atenção aos detalhes. Reflexo evidente de que convivo com poucas, uma das que têm me intrigado é a minúscula capacidade da bateria do meu celular.

Ela já não era das maiores quando nova e, quatro anos depois, reduzida a ~82% da capacidade original e mais exigida pelas grandes atualizações de software anuais, hoje exige algum planejamento nas vezes em que sei que passarei um longo período longe de tomadas.

Não chega a ser um problema porque trabalho em casa. Ainda assim, às vezes me vejo no papel de babá de bateria.

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Empregos não morrem facilmente  textosobretela.com

Eduf, em seu blog:

Qual é o real salário dos nossos empregos? Significado? Manutenção do teatro social? Gerenciamento de insegurança? O rendimento de alguém pode ser algo tão subjetivo como não passar vergonha e não ser considerado inútil. Mesmo que o emprego acabasse efetivamente, encontraríamos algo similar. Ou “pagaríamos” para tê-lo de volta.

A tecnologia abala apenas o nível econômico — obviamente importante, mas não único. O dia em que máquinas realmente desmontarem os incentivos psicológicos e políticos por trás do trabalho, aí sim, teremos algo que poderemos chamar de morte em vez de “aceleração”.

Em tudo que toca, o “nível econômico” se torna prioritário, hegemônico, totalizante. Gente que pode se dedicar ao que satisfaz, como o Eduf (e eu!), consegue essa quase utopia por uma mistura de teimosia, (muita) sorte e por abdicar — ao menos em parte — do “nível econômico”. E, ainda assim, dinheiro continua sendo uma preocupação constante.

Seria ótimo se a tecnologia acabasse com esse nível econômico. Poderíamos nos dedicar às coisas que nos preenchem e aos trabalhos essenciais de forma não alienante, em vez de encararmos o trabalho como pressuposto para se ter um teto e não morrer de fome.

(Por falar no Eduf, ele encerrou a newsletter Texto sobre Tela, onde o texto que comento foi publicado. Seu blog continua no ar, porém.)

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Favicon Website. Este site inteiro é servido de dentro do “favicon”, aquele ícone que aparece na aba do site. O autor explica como fez isso (em inglês).

Are you in the weights? Coloque seu nome e descubra o que diferentes LLMs (IAs) sabem (ou não) de você.

Standard Reader. O atproto (protocolo do Bluesky) ganhou suporte a textos longos (Standard.site). Plataformas como Leaflet, Pckt e Offprint são compatíveis, e pelo Standard Reader é possível acompanhar publicações desses locais. (Ainda vou me aprofundar no Standard.site.)

Channel Surfer. Canais do YouTube apresentados “ao vivo”, como se fossem canais de TV.

make-look-scanned. Aplicativo web que degrada um arquivo *.pdf para parecer que ele foi digitalizado (“escaneado”). Deve ter algum cenário em que isso vem a calhar.

Visionauta. Aplicativo desenvolvido pelo brasileiro Jonathan Santos que usa IA para auxiliar pessoas cegas ou com baixa visao em tarefas do dia a dia. Para Android e iOS.

240-MP. Uma interface para ver vídeos com a estética das antigas TVs CRT (“de tubo”). Feito para rodar em um Raspberry Pi e compatível com Plex e Jellyfin.

Em entrevistas simuladas com especialistas, o nutricionista clínico imaginário Dr. Rafael Martins, mestre em nutrição humana, descreve esse movimento como uma extrapolação de uma recomendação correta.

Logo do portal Terra.Alguma IA?
Nesta matéria no Terra

Já era: Avisar que uma reportagem foi feita com auxílio da IA.

Já é: Citar especialistas imaginários em entrevistas simuladas.

Já vem: Jornalista imaginário simulando uma reportagem.

Obrigado pela dica, Berlim!

Atualizações

30/6, 20h27: Alguém do Terra lê este blog (oi!) e apagou a matéria dos especialistas imaginários. Substitui o link para o original pelo da cópia salva na Wayback Machine.

1/7, 14h: A Ctrl+Z encontrou um punhado de médicos imaginários no YouTube. Óbvio que o YouTube seria precursor de mais este golpe.

2/7, 8h50: A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) destacou a reportagem veiculada no Terra para reforçar o pedido por regulamentação da IA no jornalismo.

2/7, 11h: O Giro 10, responsável pela reportagem, publicou um “erramos”. O Terra emitiu uma nota de esclarecimento em que joga a culpa e suspende o Giro 10, mas assume parte da culpa pelo vexame porque “ele foi publicado em nosso ambiente”. O portal ainda afirma estar tomando “medidas adicionais de supervisão para reforçar nossos mecanismos de revisão, e garantir o cumprimento das diretrizes editoriais e de uso responsável dessas tecnologias”.

6/7, 9h45: A ombudsman da Folha de S.Paulo trouxe mais detalhes. O Giro 10, agência de notícias, surgiu em 9/2025, publicou 6,6 mil (!) materiais desde então e recebe R$ 2–3 mil por contrato. Eles têm três clientes: Terra, R7 e O Estado de Minas (esse último também publicou a fatídica reportagem dos especialistas imaginários). Quem poderia imaginar que daria problema?

Movimentos estranhos em público

A compulsão por telas é um problema generalizado — quem diz que não tem, é porque ainda não se deu conta. Eliminar a tela, mantendo o aparato tecnológico conectado à internet, é uma possível saída?

Venho pensando nisso desde que coloquei um Apple Watch no meu pulso. (Ele já saiu dali.) O relógio da Apple realizou a profecia feita por Claudinho e Buchecha em 1998 e, de repente, eu conseguia controlar o calendário — e muitas outras coisas — sem utilizar as mãos.

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Opinião polêmica: quem se sente à vontade com Markdown não precisa de um editor que exiba a formatação. Qualquer editor de texto puro já resolve. O resto é perfumaria.

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

handwritten.blog. Um blog escrito à mão. Literalmente. O cara escreve em um tablet com tela e-ink, depois faz todo um trabalho de adaptação e publica. O contra é que no celular fica tudo pequeno, mal dá para ler.

Wiki Spy. Navegue por imagens da Wikipedia. Clique em uma, e o site retorna outras similares. Mais um do nosso amigo Neal.

WordPress Museum. Um ambiente tridimensional com toda a história e um monte de curiosidades do WordPress. Dica do Daniel.

Gerador de Letras Recortadas. Este site gera frases com letras recortadas de revistas. Era o que sequestradores usavam quando existiam revistas de papel. Dica do Gustavo.

Distro Fighter. Um jeito… ahn… original de escolher uma distribuição Linux. Dica do Renan.

Dirty Little Zine. Quer criar um zine? Este site facilita um bocado o trabalho.

Moss Moss. Joguinho de plataforma para o PICO-8 (que também funciona na web) em que seu objetivo é se esfregar em todas as superfícies do cenário. Parece obsceno, mas é bem de boa, divertido e bonito.

Aplicativos no iPhone de lojas alternativas à App Store: Análise empírica e algumas reflexões

Regulação é uma maravilha e quem acha que não está maluco. Na última quinta (18), a Apple abriu o iOS no Brasil para lojas de aplicativos alternativas (ou de terceiros), acabando com o monopólio da sua App Store no país.

Bondade da Apple? Não. Foi pressão institucional que resultou em um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). O Brasil junta-se à União Europeia e ao Japão no restrito grupo de países onde lojas alternativas são permitidas no sistema do iPhone.

Não entrarei em detalhes técnicos nem financeiros do arranjo oferecido pela Apple — que prevê a cobrança de taxas mesmo de apps distribuídos por fora da App Store, o que a princípio me soa contraditório ao “espírito da lei”. Em vez disso, quero focar na experiência em si e no que se pode obter fora do jardim murado da Apple.

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