Soberania digital começa pela infraestrutura: por que hospedar sites, sistemas e aplicações no Brasil se tornou uma decisão estratégica

* Texto de responsabilidade do anunciante.

Durante muitos anos, falar sobre hospedagem de sites significava apenas discutir preço, espaço em disco e quantidade de tráfego disponível. A internet amadureceu. Empresas passaram a depender integralmente de aplicações web, governos digitalizaram serviços públicos, universidades ampliaram projetos online e pequenos empreendedores descobriram que seus negócios vivem, literalmente, conectados à rede.

Nesse novo cenário, uma pergunta ganhou importância: onde estão armazenados os dados?

A resposta parece simples, mas envolve aspectos técnicos, econômicos, jurídicos e estratégicos. A localização física da infraestrutura influencia latência, disponibilidade, conformidade com a legislação, proteção das informações, impostos adicionais e até mesmo a autonomia tecnológica de um país.

Cada vez mais organizações brasileiras passaram a compreender que soberania digital não é um conceito abstrato. Trata-se da capacidade de manter informações, aplicações e serviços críticos sob infraestrutura nacional, reduzindo dependências externas e fortalecendo o ecossistema tecnológico brasileiro.

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Aqui não tem propaganda de bets

Quando a saúde, o bem estar e o orçamento das famílias brasileiras estão em risco, é dever do jornalismo profissional se posicionar.

Quando um setor econômico traz mais malefícios do que benefícios à população, é com o jornalismo que a sociedade conta para investigar os atores envolvidos e cobrar providências das autoridades.

É esse o caso das casas de apostas online, ou bets.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo indica que as bets são hoje o principal fator de endividamento dos brasileiros, cinco vezes mais que os cartões de crédito e empréstimos.

Os recursos oriundos do Bolsa Família gastos em bets chegaram a R$ 3 bilhões em agosto de 2024, segundo o Banco Central. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) aponta que 1,8 milhão de assistidos usaram o cartão do programa Bolsa Família em casas de apostas.

Dados econômicos apontam para uma epidemia. Segundo o Instituto Locomotiva, um terço dos apostadores já estavam endividados em 2024 e 45% afirmaram que as apostas já causaram prejuízo, ao mesmo tempo em que os números de afastamentos no INSS por ludopatia – compulsão por jogos – deu um salto estratosférico, de mais de 2.000%.

Liberado em 2018 e apenas regulamentado em 2023, o setor de apostas online reuniu neste ínterim poder econômico e político, arregimentando grande influência no Congresso que impede o avanço de matérias regulatórias.

Em consequência, os lucros deste setor são hoje exorbitantes. E permitem influenciar, através de patrocínios e apoios, variados setores da sociedade, como é o caso dos influenciadores digitais e celebridades do mundo do entretenimento e dos esportes.

As empresas de bet investiram só em 2024, segundo a Kantar Ibope Media, R$ 2,3 bilhões em compra de mídia no Brasil — 58% disso pra TV e 42% pro digital. Já a receita bruta dessas empresas chegou a R$ 37 bilhões no ano passado.

Anúncios de bets incentivando apostas estão por todos os lados: em jogos e programas de TV, sites da internet, jornais, revistas, shows, festas populares. Empresas de apostas online batem cotidianamente à porta de empresas jornalísticas e até de organizações sem fins de lucro oferecendo anúncios e parcerias.

Repudiamos publicamente essa influência, sobretudo sobre o jornalismo, que deve ser, antes de tudo, comprometido com o interesse público. Nosso papel é o da defesa da sociedade e, portanto, o de investigar, denunciar com independência o poder indevido do setor e exigir das autoridades regras mais estritas às propagandas e à atuação das bets.

Ao aceitar propagandear os jogos online, consideramos que estaríamos contradizendo informações apuradas com rigor pelas nossas equipes.

A seriedade da atual epidemia que tem vulnerabilizado, sobretudo, os mais pobres, não pode ser relativizada por conta de interesses comerciais, sob pena de minar a credibilidade do jornalismo.

Mais do que isso: entendemos que os veículos de jornalismo precisam se posicionar institucionalmente contra a influência crescente das bets no debate público – seja pelo lobby, seja pela compra de espaços publicitários. Deve, ainda, cobrar das autoridades ações para proteger a população da propaganda e da influência pública das Bets, assim como regular sua atuação e trabalhar para mitigar os danos já causados.

Para combater essa epidemia os setores público e privado e a sociedade organizada têm de atuar conjuntamente e com a urgência que a questão social exige.

Veículos que assinam este editorial:

A bolsa “podre” da Keli Vasconcelos

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.


Sou Keli Vasconcelos (ela), jornalista, redatora freelancer e pós-graduada em História Pública, 44 anos, moro em São Paulo (SP), no extremo da zona leste (S. Miguel Paulista). Escrevo sobre Saúde e Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, publiquei dois livros e, em 2024, enviei aqui a mesa de trabalho.

Desta vez, mostro a bolsa transversal que anda sempre comigo, carinhosamente chamada de “podre”, de tanto uso!

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A poltrona de rolagem [de feeds]  newcartographies.com

Digo logo de cara que tenho minha cota de textos desse assunto publicados aqui, o que não invalida a observação (em inglês) do Nicholas Carr em sua newsletter:

Odeio ser cínico, mas acho que a principal razão para a proliferação desses tipos de artigos [sobre usar menos o celular] é que eles são iscas algorítmicas. São sintomas da doença que prometem curar. Estamos viciados em ler sobre nosso vício em celulares. Se os materiais têm um valor terapêutico, provavelmente é menos em ajudar as pessoas a ganhar controle sobre a mídia do que em renovar uma fantasia tranquilizadora de tal controle.

O que nos leva a situações engraçadas, como dois viciados crônicos em celulares dando dicas de como usar menos o celular (podcast, em inglês).

Tenho a impressão de que o conteúdo criado como oferenda ao deus algoritmo se manifesta em qualquer assunto popular, mesmo que de nicho. Fisgam quem está à toa na internet, em seus múltiplos feeds com recomendações algorítmicas que exploram ao máximo qualquer manifestação mínima de interesse em dado tema.

Outro assunto, um subjacente, são os “PKMs”, ou gerenciamento de conhecimento pessoal, com seus métodos de organização desnecessariamente complexos e aquele gráfico legal de conexões gerado pelo Obsidian. A promessa é que ao organizar suas ideias em texto e conectá-las todas, você terá o super poder de jamais esquecer das coisas.

O desfecho para quem consegue sair desses ciclos intermináveis de conteúdo é o mesmo: para que tudo isso, afinal? (em inglês).

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

WikiCity. Mais um modo criativo de navegar (ou sobrevoar) a Wikipédia. Cada verbete é um prédio em uma cidade formada pelos 100 mil verbetes mais acessados da enciclopédia. Aos bélicos de plantão, tem um modo alternativo em que você pilota um avião e pode destruir (?) os prédios/verbetes.

Esta página foi intencionalmente deixada em branco (em inglês). Uma prática do impresso transporta para o digital.

Website Spec. O que um site precisa ter? Este repositório, criado para humanos e “agentes” de IA, faz esse trabalho de compilação e justificativas. A lista é longa!

Jim’s TrueType QR Code Font. Uma fonte real (TrueType/OpenType) que renderiza qualquer palavra entre colchetes como QR Code. Não entendi muito bem, mas funciona (aponte a câmera para o exemplo na própria página) e ainda dá para baixar a fonte nos links do rodapé.

Pac-Hunt. O clássico Pac-Man, mas você é o fantasma em vez do “come-come”.

Olle Watch. Esta empresa desenvolveu uma placa e uma plataforma de software para transformar o clássico Casio A158W em um relógio inteligente. Driblar as limitações da tela é um grande desafio, que eles têm conseguido superar. Um vídeo de terceiros mostrando o relógio com o “coração” da Olle Watch.

TinyRetroPad. Saudades do bom e velho Bloco de Notas do Windows? Aquele que abre rápido e só exibe texto puro? Este aplicativo traz de volta aquela experiência em um executável de apenas 2,73 KB.

Duas fotos de uma publicidade de ponto de ônibus. À esquerda, a normal, com uma mulher usando óculos da Meta. À direita, a mesma mulher em um “raio-x” desenhado, com a mensagem “We're always watching” embaixo.
Fotos: Hyperallergic/Reprodução.

De acordo com o site Hyperallergic, o grupo ativista londrino Everyone Hates Elon (“todo mundo odeia o Elon) fez esta intervenção em um anúncio de ponto de ônibus dos novos óculos de pervertidos inteligentes da Meta criados em parceria com a pessoa famosa Kylie Jenner.

A depender do ângulo da pessoa que vê o anúncio, a foto de Kylie se transforma em um “raio-x” do seu crânio e a mensagem passa a ser lida como “Estamos te observando o tempo todo”. Tipo aquelas “imagens 3D” para crianças.

Tudo nessa história é maravilhoso, do nome do grupo ativista ao vandalismo cirúrgico e a referência nada sutil ao clássico Eles vivem, filme de John Carpenter lançado em 1988, onde um par de óculos especiais revela mensagens subliminares por trás de anúncios publicitários.

O Everyone Hates Elon tem um histórico de intervenções do tipo.

Samsung: ceda seus dados de saúde para treinar a IA ou excluiremos todos eles

Empresas embriagadas de IA gostam de alardear seus milhões ou bilhões de usuários. O que elas não contam é que a maioria é forçada a usar tais recursos. Pense no resumo de IA que a busca do Google retorna, queira você ou não.

A Samsung parece ter avançado nessa tática. Segundo o How-To Geek, o aplicativo Samsung Health vai excluir os dados de saúde dos usuários da nuvem da empresa — impossibilitando a sincronia entre dispositivos —, a menos que eles concordem em cedê-los para o treinamento e modelagem de IAs.

O novo botão de consentimento vem ativado por padrão, fica enterrado nas configurações do aplicativo. Ele exibe esta mensagem quando alguém tenta desativá-lo (tradução livre):

Retirar-se deste acordo?

Você não poderá sincronizar dados de saúde com sua conta Samsung e seus dados de saúde serão excluídos, a menos que sejam retidos de acordo com a lei aplicável. Se a retenção for necessária, nós os excluiremos assim que o período de retenção exigido terminar.

A Samsung coleta quatro tipos de dados no Health:

  1. Saúde e bem-estar: dados biométricos, nutricionais, medidas corporais e de sono.
  2. Medicamentos: incluindo prescrições e dosagens.
  3. Exames clínicos e tratamentos.
  4. Ciclo menstrual.

Uma mensagem no site da Samsung (em inglês) avisa que pessoas podem ter acesso a esses dados para revisá-los.

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Grande rival da Samsung, a Apple também se prepara para tornar a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA generativa embebido nos sistemas operacionais, obrigatória a partir das versões 27.

Três Quatro novos recursos horríveis da Meta em menos de um mês

Este comentário do Bruno, no Bluesky:

Instagram inaugura ferramenta que rouba todo o dinheiro da sua conta bancária e mata sua família. Saiba como desativar 👇

O Instagram (ainda) não faz isso. A brincadeira dele faz referência à notícia recente de que fotos de perfis abertos no Instagram poderiam ser usadas para gerar novas imagens no WhatsApp com a Meta AI, IA generativa da Meta, dona do Instagram. A imprensa repercutiu e destacou nos títulos o “Como desativar”.

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O LineageOS agora tem um instalador web. O projeto avisa, porém, que ele não faz o processo completo, e que ainda é preciso seguir as instruções da wiki do seu dispositivo. Ainda assim, deverá facilitar um bocado nas grandes atualizações anuais. Na mesma nota, informam que o trabalho no LineageOS 24, baseado no Android 17, está “progredindo lindamente”.

O clube de descontos para quem assina o Manual do Usuário

Um benefício meio oculto (por culpa minha) da assinatura do Manual do Usuário é o nosso clube de descontos.

Não é dos mais robustos, mas foi construído com carinho e atenção, composto por produtos e serviços que uso e/ou recomendo.

O bom do clube é que, se você estiver prestes a comprar ou assinar alguma coisa dali, corre o (bom!) risco do desconto compensar o valor da assinatura do Manual.

Alguns exemplos:

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