A Bolsa de Nova York abriu nesta segunda (11) com as ações Twitter desvalorizadas em ~7% devido ao banimento de Donald Trump da plataforma. (Neste momento, a queda foi amenizada e o papel é negociado a -4,2% em relação a sexta.) O mercado entendeu o movimento como uma decisão eleitoral, o que pode atrair mais regulação à empresa. Não foi à toa que o Twitter anunciou o banimento numa noite de sexta-feira, dia e horário preferido das empresas de capital aberto para dar más notícias ao mercado. Via Reuters (em inglês).
O Twitter seguiu os passos do Facebook e, na noite desta sexta-feira (8), estendeu a suspensão de 12 horas de Donald Trump na plataforma para um banimento permanente. Segundo o comunicado da empresa, devido ao “risco de mais incitação à violência”.
No texto, o Twitter lembra que dá uma espécie de passe livre para líderes eleitos de burlarem as regras, mas que “essas contas não estão totalmente acima das nossas regras e não podem usar o Twitter para incitar violência, entre outras coisas.” Trump ainda é presidente dos Estados Unidos, mas não por muito tempo — a posse de Joe Biden acontece no próximo dia 20. Antes tarde do que nunca, mas como demorou… via Twitter (em inglês).
Finalmente sabemos qual o gatilho que faz as redes sociais das big techs norte-americanas — Twitter, Facebook, Google — agirem sobre perfis de governantes autoritários: liderar uma tentativa de golpe de Estado em casa. Via G1.
No anúncio da retomada da verificação de perfis, o Twitter disse também que pretende identificar robôs, ou bots, perfis que postam automaticamente. Desde o ano passado, também segundo o anúncio, desenvolvedores têm que identificar contas do tipo; em 2021, o Twitter explorará “um novo tipo de conta opcional que tornará mais fácil para os donos desses perfis divulgarem essas informações.” Aparentemente, a identificação não será compulsória, mas dependerá da boa vontade dos criadores dos robôs, o que deve limitar a identificação àqueles criados de boa-fé. O ideal, como sugerido aqui há dois anos, seria uma identificação automática baseada em padrões de uso e postagem. Via Twitter.
Se todas as Big Tech tivessem o histórico desastroso de aquisições do Twitter, não estariam hoje tão enroladas com os órgãos antitruste. Nesta terça (15), o Twitter anunciou que encerrará o Periscope em março de 2021, app para transmissões em vídeo ao vivo que comprou em 2015 e deixou à míngua desde então, no mesmo período em que outros contemporâneos, como o Twitch, deslancharam. O Twitter já havia falhado com outra aquisição promissora, o Vine, que era basicamente o que o TikTok é hoje. Via Periscope (em inglês).
O agendamento de posts do Twitter tem uma limitação grave: só vale para posts únicos, ou seja, não comporta threads, ou fios. O Typefully, dos mesmos criadores do Mailbrew, supre essa lacuna. O serviço é bem feito, traz uma prévia das mensagens, permite agenda-las usando linguagem natural e guardar rascunhos. O contra é que ainda está bem cru; não dá, por exemplo, para incluir imagens ou vídeos. Ele é gratuito e quem der uma gorjeta (US$ 5 ou mais) agora, garante acesso antecipado às novidades futuras.
Na semana em que o Twitter agiu e rotulou o tuíte de um político brasileiro — uma política, no caso —, números das eleições norte-americanas ajudam a dar a dimensão do desafio que temos pela frente.
O BuzzFeed News conseguiu dados de um relatório interno do Facebook sobre as postagens rotuladas de Donald Trump se autodeclarado vencedor da eleição presidencial. Os rótulos ajudaram a reduzir os compartilhamentos em 8%, mas a redução não se refletiu em menor alcance/engajamento. “Entretanto, dado que Trump tem muitos compartilhamentos em qualquer post, a diminuição não altera os compartilhamentos em ordens de magnitude”, disse um cientista de dados da empresa. Ele emenda que o objetivo dos rótulos não é diminuir o espalhamento de desinformação, mas sim “oferecer informações factuais no contexto do post”.
Dias antes, o Twitter fez o mesmo exercício, só que publicamente. Foram 300 mil tuítes rotulados entre 27 de outubro e 11 de novembro, ou 0,2% do total de tuítes relacionados às eleições. Do total de visualizações desses tuítes, 74% ocorreram após a aplicação dos rótulos, e houve uma redução de 29% nos retuítes comentados.
Note-se que o Twitter aplica restrições ao alcance de alguns tuítes rotulados, desativando o retuíte direto e as curtidas — apenas o retuíte comentado fica disponível. O Facebook não age nesse sentido.

Sem surpresa nem fundamento, Donald Trump já se declarou vencedor da eleição presidencial dos Estados Unidos. A autodeclaração de vitória não tem valor lá, mas pode causar tumulto, motivo pelo qual Facebook e Twitter rotularam e reduziram o alcance das mensagens de Trump. Mais um capítulo da série “não somos árbitros da verdade”. Via The Verge.
A hashtag #ChoraElonMusk é um assunto do momento no Twitter brasileiro. Em julho, o bilionário sul-africano, fundador da Tesla e da SpaceX, disse no Twitter “Vamos [EUA] dar golpe em quem quisermos! Aceitem” em resposta a uma mensagem que acusava os Estados Unidos de terem derrubado o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, de olho nas grandes reservas de lítio do país. (Musk apagou o tuíte, mas o print é eterno.) Pesquisas de boca de urna indicam que Luis Arce, do MAS, partido de Morales, venceu a eleição presidencial deste domingo.
O Twitter mudou a sua política de conteúdo hackeado, usada como justificativa para bloquear o compartilhamento de uma matéria do New York Post sobre a família Biden, nos EUA:
- Conteúdo hackeado só será removido se tiver sido compartilhado por quem hackeou ou alguém agindo em conluio com os hackers.
- Em vez de bloquear o compartilhamento de links, rótulos serão adicionados aos links compartilhados para dar contexto.
Via @vijaya/Twitter.
Facebook e Twitter removeram links a uma reportagem do jornal New York Post que liga a família Biden, do candidato democrata à Presidência dos EUA, a negociações suspeitas com a Ucrânia. No Facebook, o bloqueio à URL veio antes que verificadores de fatos independentes avaliassem o material; já o Twitter se embasou em uma política sua que proíbe a veiculação de dados pessoais obtidos via hacking.
Sem entrar no mérito da reportagem, é uma situação que merece atenção. Aparentemente, Facebook e Twitter não cometeram qualquer ilegalidade à luz da legislação norte-americana (via The Verge), porém uma ação forte e abrupta do tipo coloca em xeque o argumento das redes de que elas não são árbitras da verdade. E dado o poder que têm no debate público, há quase um consenso de que se abriu um precedente perigoso.
No Twitter, que sequer deixa postar a URL em tuítes e DMs, o CEO Jack Dorsey disse que a comunicação da medida foi ruim e que o bloqueio da URL sem qualquer contexto é “inaceitável”. Via Reuters.
O Brasil real não cabe nas discussões delirantes do Twitter
Em 1924, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral eram três dos artistas mais relevantes do Brasil. Os três tiveram participação decisiva na Semana de Arte Moderna dois anos antes, um movimento artístico que desencadeou o Modernismo no Brasil ao questionar e reinventar alguns pilares nos quais a arte tradicionalmente se apoiava até então. O movimento reuniu escritores, poetas, pintores, escultores, músicos com o intuito de propor uma nova visão sobre o que era produzir arte e, principalmente, como se desvencilhar daquele modelo clássico trazido da Europa e regurgitado até então.
A arte produzida no Brasil desde a vinda da Corte Portuguesa, cheia de pintores que vieram tentar a vida por aqui, reproduzia muito o que era praticado na Europa sem adaptações radicais. Desde que um sujeito francês chamado Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil quase uma década depois da corte portuguesa e se tornou uma espécie de pintor oficial do reino, a arte brasileira seguia as suas pegadas. Quando o Museu do Ipiranga estiver aberto (sabe-se lá quando) você vai poder ver isso expresso na tela “Independência ou Morte ou O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, recriando Dom Pedro I declarando a independência do Brasil. Tudo é clássico: a composição, as cores, o tema, a maneira como o brasileiro é retratado como um capiau que não entende nada do que está acontecendo… Você pode achar que a tela do Pedro Américo é muito distante da Semana de 22; não é. A tela é de 1888, 80 anos depois do desembarque da corte e 34 anos antes do movimento modernista, o que serve para mostrar também como o Brasil é novo.
O Sleeping Giants brasileiro chegou causando (bons) estragos
Uma reportagem publicada pelo El País sobre o Sleeping Giants no último fim de semana rendeu. Mais gente passou a conhecer o trabalho capitaneado por Matt Rivitz — que entrevistei ano passado — e um deles foi além: transformou a admiração em ação e criou uma versão brasileira da iniciativa.
Como o Twitter fomenta o ódio e instiga o que há de pior em nós
Nem os representantes divinos no plano terreno serão poupados no Twitter. Na quinta-feira (8), o padre cantor e tuiteiro de carteirinha Fábio de Melo abriu a rede social para reclamar da saída de presos condenados por filicídio no Dia dos Pais. Foi execrado. No dia seguinte, ele anunciou sua saída do Twitter. Em sua última mensagem lá, o padre disse:
Agradeço muito o carinho que sempre recebi aqui. Eu me divertia muito com vocês. Obrigado pelos amigos que fiz. Rezem por mim. ?
Por que apago meus tweets antigos
Nota do editor: Desde que comecei a apagar meus tweets, o assunto tem chamado a atenção de alguns amigos e colegas. Foi tema de um podcast aqui e, embora a minha motivação não seja exatamente igual à do Rob, que assina o texto abaixo, compartilho de vários dos seus argumentos. Em nota relacionada, a ferramenta que usei para apagar todos os meus tweets, o Cardigan, deixará de funcionar a partir de 1º de agosto devido a mudanças na API do Twitter. Achei a ocasião oportuna para publicar este relato.
Comecei a apagar meus tweets antigos. Isso é algo que tenho a intenção de fazer por algum tempo, não por qualquer razão em particular, mas por um senso geral de higiene digital — parece uma boa ideia desmantelar arquivos de materiais pessoais que estão abertos ao escrutínio de algoritmos de aprendizado de máquina e outros adversários. É impossível saber quais conclusões a nosso respeito podem ser derivadas de algum processamento agregado do que na época pareciam ser piadas aleatórias, trocas casuais e links compartilhados.