Saiu melhor que encomenda a pressão que o Supremo Tribunal Federal (STF), via decisões do ministro Alexandre de Moraes, impôs ao Telegram. Ele não só conseguiu estabelecer contato com o aplicativo, como teve as demandas atendidas e excedidas. Leia a íntegra da decisão (PDF).

O Telegram indicou um representante no Brasil, o advogado Alan Campos Elias Thomaz, e informou ao STF uma série de medidas para conter a desinformação na plataforma e colaborar com a Justiça brasileira, como o monitoramento dos 100 canais mais populares (que respondem por 95% das mensagens visualizadas no aplicativo), acordos com agências de checagem nacionais e monitoramento do que a imprensa e o Twitter brasileiros falam do Telegram. Também anunciou mudanças técnicas no app para rotular conteúdos marcados como falsos pelas agências. Via Núcleo, STF.

Quanto vale um “link na bio”? Para o serviço pioneiro do tipo, o australiano Linktree, muito dinheiro. Nesta quarta-feira (16), o Linktree anunciou uma extensão da rodada de investimento série B liderada pela Index Ventures e Coatue Management que injetou mais US$ 110 milhões no negócio. Com o novo aporte, o Linktree foi avaliado em US$ 1,3 bilhão. (Encare essas avaliações com um pé atrás.)

É bem maluco pensar que um negócio de US$1,3 bilhão existe e dependa exclusivamente de um recurso (ou limitação) de três redes sociais — Instagram, TikTok e Twitter. Nelas, os usuários só têm espaço para inserir um link, daí o caso de uso do Linktree e seus vários clones. Para contexto, em 2012 o próprio Instagram foi comprado por US$1 bilhão pelo Facebook (hoje, Meta). Via TechCrunch (em inglês).

O Twitter reverteu uma mudança no aplicativo para iOS liberada na última sexta (11) que tirou o poder do usuário de definir a cronológica como padrão.

“Nós ouvimos vocês”, disse a empresa ao anunciar a reversão nesta segunda (14). Com isso, o aplicativo para iOS volta a se comportar como antes, podendo ter a versão cronológica como padrão no lugar da algorítmica — basta tocar no ícone do brilho (✨) e escolhê-la —, e os do Android e web não serão afetados.

Isso não significa, porém, que o Twitter desistiu de mexer na experiência da timeline. Na mesma mensagem, a empresa disse que segue “explorando outras opções”. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

O jeito certo de proteger sua conta no Instagram de invasões de hackers

Invasões a contas/perfis no Instagram viraram uma epidemia nos últimos meses (ouça nosso podcast do assunto). Vez ou outra sabemos de histórias aterrorizantes de pessoas que, mesmo com a autenticação em dois fatores (2FA, na sigla em inglês) ativada, tiveram seus perfis invadidos e usados por criminosos para a aplicação de golpes contra amigos e parentes.

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O Twitter alterou o funcionamento da tela inicial do seu app para iOS, tornando impossível definir a timeline cronológica como padrão. Agora, o botão das estrelinhas (✨) ativa uma nova aba de “Últimos posts” (cronológica), que fica ao lado da “Home” (algorítmica), que continua sendo a padrão. Antes, o botão alternava entre elas e mantinha a seleção do usuário. A novidade chegará em breve ao Android e web.

Para quem prefere a timeline cronológica (e/ou manter a sanidade), aplicativos de terceiros são uma boa alternativa, como o TweetDeck(web/computadores), Tweetbot (iOS), Harpy e Fenix 2 (Android). Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

A Meta abriu uma exceção à diretriz das suas redes sociais que proíbem conteúdo de incitação à violência. Na Rússia e em alguns países do seu entorno, usuários do Facebook e do Instagram agora podem desejar a morte de invasores russos sem que o conteúdo seja vetado pela moderação.

A diretriz também abre espaço para posts que se refiram à morte dos presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Alexander Lukashenko (Belarus), aliado do Kremlin e conhecido como o último ditador da Europa.

O e-mail interno, revisado pela Reuters, que deu a notícia em primeira mão, diz que a permissão só se aplica ao exército russo e no contexto da invasão da Ucrânia: “A política de Discurso de Ódio continua proibindo ataques aos russos.” Em nota à Reuters, um porta-voz da Meta reforçou esse aspecto da nova orientação.

A embaixada da Rússia nos Estados Unidos condenou a nova diretriz da Meta e exigiu que o governo de Joe Biden interfira e pare o que chamou de “atividades extremistas” da empresa de redes sociais. Via Reuters (2) (em inglês).

Prepare-se para perder (ainda) mais tempo no TikTok. A rede social de vídeos curtos liberou o envio de vídeos de até 10 minutos. É o segundo incremento no limite de tempo da plataforma — em julho de 2021 o teto subiu de 60 segundos para 3 minutos.

Em nota não relacionada, a Meta anunciou que encerrará agora em março o aplicativo próprio do IGTV, a investida do Instagram em vídeos longos que nunca colou. O alvo, em ambos os casos, é o YouTube. Será que o TikTok terá melhor sorte que o IGTV? Via @stokel/Twitter e Android Central (ambos em inglês), Instagram para Creators.

O que as redes sociais já fizeram para conter a desinformação russa

As sanções do Ocidente contra a Rússia em resposta à invasão injustificada da Ucrânia alcançaram também as grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

Na terça-feira (1º), a Apple anunciou uma série de medidas, da suspensão de vendas de produtos no país à remoção de aplicativos de empresas de mídia estatais russas (RT e Sputinik) fora do país. Via MacRumors.

Antes disso, redes sociais já tinham se movimentado:

  • No domingo (27), a Meta derrubou uma “rede de comportamento coordenado inautêntico”, com ramificações na Rússia e na própria Ucrânia, que estava espalhando desinformação entre ucranianos. Via Meta (em inglês).
  • Em outra frente, a Meta restringiu o acesso a empresas de mídia estatais russas na União Europeia e limitou o alcance de links para seus sites no Facebook e no Instagram.
  • Na terça (1º), a empresa ampliou as restrições ao resto do mundo e, embora páginas e links das empresas de mídia estejam acessíveis, seus conteúdos e links tiveram o alcance reduzido, ficaram mais difíceis de serem achados e, quando encontrados, recebem etiquetas de alerta. Via Meta (em inglês).
  • O Twitter anunciou um pacote de medidas na sexta (25). Entre as mais incisivas, está a suspensão de anúncios na Rússia e Ucrânia e de posts recomendados na timeline de pessoas que o usuário não segue “para reduzir o alcance de conteúdo abusivo”. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).
  • O YouTube desmonetizou os canais do RT e Sputinik e bloqueou ambos na Europa. Eles também não podem veicular anúncios nas plataformas da empresa. A empresa também “reduziu significativamente” as recomendações de empresas de mídia financiadas pela Rússia no mundo inteiro e já derrubou “centenas de canais e milhares de vídeos” por violações às diretrizes da comunidade, incluindo práticas coordenadas inautênticas. Via Google (em inglês).
  • O TikTok confirmou na segunda (28) ter bloqueado os perfis do RT e Sputinik na Europa. Via Washington Post (em inglês).

A Rússia tem pressionado essas mesmas empresas e limitado o uso delas.

O Kremlin pediu à Meta para que parasse de checar conteúdo oficial no Facebook, mas não foi atendido. Em retaliação, o governo russo limitou o acesso às redes da empresa no país. O Facebook tem 70 milhões de usuários na Rússia. O Twitter também entrou na mira de Vladimir Putin.

Pelo Twitter, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que a empresa está trabalhando para manter seus serviços funcionando na Rússia:

“Cidadãos russos estão usando nossos aplicativos para se expressarem e se articularem. Queremos que continuem se fazendo ouvir, compartilhando o que está acontecendo e se organizando pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.” Via @nickclegg/Twitter (em inglês).

Especialistas e líderes mundiais concordam que o acesso a redes sociais fora do controle do governo de Putin são importantes nesse momento para a articulação anti-guerra no país.

Ao Recode, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia, disse que “é sempre um equilíbrio garantir que os russos que querem a história real — ou, no mínimo, a história como a vemos — tenham acesso [às redes sociais], mas não deve haver espaço para propaganda”. Via Recode (em inglês).

A guerra na Ucrânia está afetando o Telegram. Pavel Durov, co-fundador e CEO, informou em seu canal russo que “o cluster europeu do Telegram está enfrentando uma carga sem precedentes”, o que pode gerar “interrupções intermitentes de curto prazo” para alguns usuários. Via @durov_russia/Telegram (em russo).

O Twitter suspendeu diversos perfis de pesquisadores que compartilham imagens e vídeos das regiões de Donbas e Luhansk, na Ucrânia, ambas centrais na guerra que o presidente russo Vladimir Putin começou nesta quinta (24). Esse tipo de perfil é conhecido como OSINT (de “open source intelligence”) e acaba sendo útil a outros pesquisadores e jornalistas.

Em nota ao site The Verge, o Twitter afirmou que as suspensões decorreram de erro (sem especificar qual) e negou tratar-se de uma campanha coordenada de robôs russos, que teriam denunciado os perfis por violação aos termos de uso da rede disparando respostas automáticas do sistema de moderação. Esta hipótese aventada pelos prejudicados.

Apesar da justificativa oficial, o evento causou estranhamento — por pior que sejam as ferramentas automatizadas do Twitter, falhas do tipo, nessa escala, são incomuns.

No Brasil, o perfil do Sleeping Giants também foi suspenso por uma hora nesta quarta (23.fev), logo após o lançamento da #YouTubeApoiaFakeNews, campanha que bota mais pressão contra a postura permissiva do YouTube com conteúdo que viola seus termos de uso. Via The Verge, @tatikmd/Twitter.

Truth, a rede social de nome sugestivo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, foi lançada nesta segunda (21). Por ora, apenas a versão para iOS do aplicativo está disponível, e somente para usuários dos Estados Unidos.

Por lá, relatos apontam que o serviço não aguentou a demanda inicial, ainda que ela não pareça das maiores — a Folha de S.Paulo entrou na lista de espera atrás de ~110 mil pessoas. Para comparação, Trump chegou a ter 88,7 milhões de seguidores apenas no Twitter.

Quem conseguiu entrar se deparou com uma apresentação muito similar ao Twitter, rede social preferida de Trump, de onde foi expulso em janeiro de 2021. Não chega a ser surpresa — a Truth Social é feita com o código do Mastodon, uma espécie de Twitter descentralizado e de código aberto. Via Folha de S.Paulo, The Verge (em inglês).

“Não acho bom que a única forma de moderação de conteúdo seja a remoção”: Uma conversa com Francisco Brito Cruz, do InternetLab

Um dia, todos os programas do podcast Guia Prático serão transcritos. Esse dia ainda não chegou, mas decidimos transcrever esta entrevista com o Francisco Brito Cruz, do InternetLab, pela importância e urgência do tema. (Você pode ouvi-la nos podcasts Guia Prático e Tecnocracia ou assisti-la no YouTube.)

Na conversa, conduzida por mim, Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti, fizemos ao Chico perguntas vitais para o que talvez seja o maior debate envolvendo tecnologia no Brasil em 2022: a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

Há muito em jogo, com eleições decisivas em outubro, e dado o papel das redes sociais no pleito de 2018 e em outras eleições majoritárias ao redor do mundo nos últimos anos, não será diferente desta vez.

A transcrição abaixo sofreu leves alterações para tornar a leitura mais fluída.

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Moderação: o que Big Tech pode fazer e o que é melhor nem fazer

por Guilherme Felitti

O dicionário Houaiss define “moderação” como o afastamento de todo e qualquer excesso ou a virtude de permanecer na medida exata. Qual é a medida exata? Tradicionalmente quem define isso somos nós (você sabe quanto beber antes de passar daquela linha que tornará os próximos dias imprestáveis). Quando o auto-julgamento falha ou há discordâncias severas entre os pontos de vista, existem alguns acordos que todos nós assinamos metaforicamente para que possamos conviver com o mínimo de harmonia numa sociedade. São os chamados pactos civilizatórios. Isso existe desde que o ser humano se percebeu como tal, mas desde pelo menos o século XVIII a.C. passamos a estruturar e “colocar no papel” (ou no pergaminho) algumas regras mais importantes.

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Francisco Brito Cruz, do InternetLab: Moderação em plataformas digitais, como fazê-la?

Este é um Guia Prático um pouco diferente, gravado em parceria com o Tecnocracia. Jacqueline Lafloufa, Rodrigo Ghedin e Guilherme Felitti recebem Francisco “Chico” Brito Cruz, diretor-executivo do InternetLab, para debater um tema espinhoso: a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

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O Twitter liberou a marcação de contas automatizadas, mantidas por robôs, para todos os usuários. Perfis que publicam de maneira autônoma que forem marcadas como tais exibirão um selo indicativo. A identificação é opcional e foca nos robôs benignos, aqueles que não tentam se passar por seres humanos para tumultuar o debate público.

O Twitter espera que o selo ajude os usuários a tomarem decisões melhores a respeito de quem seguir e, em consequência, aumentar a transparência e confiança da plataforma. Via @TwitterSafety/Twitter, Engadget (ambos em inglês).