O Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, na sigla em inglês) analisou mais de 8.700 mensagens diretas recebidas por mensagem direta (DM) no Instagram de cinco perfis de mulheres famosas, incluindo a atriz Amber Heard. Em mais de 90% das mensagens abusivas da amostragem, o Instagram falhou em atender às denúncias feitas pela CCDH.

O estudo concluiu que essas mulheres estão expostas a uma “epidemia de abusos misóginos”. O Instagram, via porta-voz da Meta, contestou as descobertas. Via Washington Post (em inglês).

O empresário Elon Musk não terá mais um assento no conselho de administração do Twitter. A notícia foi dada por Parag Agrawal, CEO da empresa, na madrugada desta segunda (11).

A desistência teria ocorrido a pedido do próprio Musk.

Musk foi apontado para o conselho no início da semana (5), um dia depois de comunicar ao mercado que havia comprado 9,2% das ações do Twitter, tornando-se seu maior acionista.

O assento no conselho de administração impunha um teto ao total de ações com direito a voto que Musk poderia ter, de 14,9%, o que impediria Musk de tentar controlar a empresa. Fora do conselho, Musk pode comprar quantas ações quiser. E dinheiro é algo que não falta à pessoa mais rica do planeta. Vi TechCrunch, @paraga/Twitter (ambos em inglês).

A Meta revelou, em seu último relatório trimestral de transparência (PDF, em inglês), que desmantelou uma rede de “comportamento inautêntico coordenado” relacionada à desinformação ambiental comandada por dois militares. Foi a primeira focada no tema descoberta pela empresa, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp.

A pedido da Meta, a rede foi analisada pela Graphika, uma empresa de monitoramento de redes sociais, que validou as descobertas.

A rede dos militares propagava informações falsas e destorcidas, com ataques a ONGs e ativistas do meio ambiente e elogios ao trabalho do governo federal no combate ao desmatamento. A estratégia lembra muito a adotada pelo iFood para sabotar a articulação dos entregadores por melhores condições de trabalho, revelada pela Agência Pública na última segunda (4).

A Meta não divulgou os nomes dos militares envolvidos. O Exército, em nota ao Estadão, disse que “não fomenta a desinformação por meio das mídias sociais” e que solicitou mais detalhes à Meta. Via Estadão.

O Twitter está testando edição de posts. De todas as redes sociais populares, o Twitter é uma das poucas que não têm o recurso que, a bem da verdade, não é tão simples quanto parece — é preciso cuidado para mitigar tentativas de manipulação, como alterar um post de grande alcance com conteúdo totalmente diferente do original.

Chama a atenção a edição de posts estar dentro do Twitter Blue, a assinatura paga do Twitter. Desconheço outro canto da internet em que a edição do seu próprio conteúdo está condicionada a um pagamento. Via @TwitterComms/Twitter (em inglês).

Um dia depois de anunciar ter comprado 9,2% do Twitter, o empresário Elon Musk foi indicado como novo membro do conselho da empresa. Essa foi rápida.

O lado mais ou menos positivo é que, enquanto estiver no conselho, Musk só pode possuir até 14,9% das ações com direito a voto da empresa, o que impossibilita uma aquisição hostil, algo que se especulava desde ontem.

Parag Agrawal, CEO do Twitter, se disse empolgado com o novo conselheiro. “Pelas conversas com Elon nas últimas semanas, ficou claro que ele traria muito valor ao nosso Conselho”, escreveu no Twitter. Já Musk disse que espera, ao lado do CEO e do restante do conselho, “fazer melhorias significativas no Twitter nos próximos meses”.

Segundo fontes da Reuters, Musk procurou Parag e Jack Dorsey, o co-fundador arrependido, logo após comprar as ações, em 14 de março, com o pedido explícito de um assento no conselho de administração. Via Reuters, @paraga/Twitter, @elonmusk/Twitter (todos em inglês).

Exemplo de post no Twitter de um candidato a presidente do Brasil, com um rótulo embaixo do nome indicando o cargo a que ele concorre.
Imagem: Twitter/Divulgação.

O Twitter detalhou as iniciativas para as eleições deste ano no Brasil. Candidatos terão rótulos identificando-os (como na imagem acima), haverá uma aba específica para o pleito na seção “Explorar” e a política de integridade cívica passará a valer no país.

O foco dessa última iniciativa, diz o Twitter, está em “prevenir informações enganosas que possam prejudicar o andamento, a participação popular e a consumação do processo eleitoral democrático”, e que ela “não prevê atuação sobre todo tipo de conteúdo político, incluindo declarações enganosas, imprecisas ou polarizadas sobre candidatos e partidos”. Via Blog do Twitter.

China começa a regular mercado de streamers

por Shūmiàn 书面

Uma nova legislação pretende regular a atuação de streamers — uma indústria de US$ 30 bilhões na China. A Administração Tributária chinesa publicou uma circular em conjunto com a Administração de Ciberespaço e a Administração de Regulação do Mercado propondo uma promoção e desenvolvimento mais sadios da indústria, incluindo a responsabilidade com impostos. A notícia veio na quarta (30), como contaram a Reuters e a CGTN.

Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, as novas regras devem incluir controles sobre a quantidade de dinheiro que os influenciadores podem receber de cada pessoa (as gorjetas), de modo a reduzir o excesso de gastos online. Outras preocupações devem ser diminuir o tempo de exposição de jovens a esses vídeos, bem como regular o conteúdo de alguns desses criadores, como resumiu o Protocol China.

Não é novidade que Pequim está de olho na evasão fiscal de celebridades e streamers. Em dezembro, Viya, a rainha das vendas online, viu seu império colapsar ao ser multada em US$ 210 milhões (¥ 1,3 bilhão) por evasão fiscal e perder suas contas em redes sociais. Esta matéria de janeiro de Shen Lu conta mais sobre o caso e a regulação da indústria de streaming. Vale uma lida neste artigo acadêmico de 2019 sobre as tensões sociais, políticas e econômicas que fazem parte de ser um streamer na China.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

o tempo da usenet, irc, da web…mesmo do e-mail (c/ PGP)…era fantástico. centralizar a descoberta e a identidade em empresas danificou de verdade a internet. Entendo que parte da culpa é minha, e me arrependo.

— Jack Dorsey, ex-CEO e co-fundador do Twitter.

Livrar-se do comando do Twitter deixou Jack Dorsey mais confortável em tecer críticas à sua criação. Será que ele já ouviu a palavra do Mastodon? Via @jack/Twitter (em inglês).

Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo, adquiriu 73,5 milhões de ações do Twitter e agora é dono de 9,2% da empresa. A aquisição foi feita no dia 14 de março e divulgada pela SEC nesta segunda (4.abr).

As ações do Twitter na Nasdaq subiam 26% no pré-mercado após o anúncio da compra de Musk.

O Twitter é a rede social preferida do executivo, onde ele vocifera várias das suas maluquices e provocações. O uso da rede já lhe custou um puxão de orelha da SEC em 2018, quando ele postou que pensava em fechar o capital da Tesla e causou tumulto no mercado.

Nas últimas semanas, Musk vem questionando o compromisso do Twitter com a “liberdade de expressão”. Ele havia manifestado interesse em ter sua própria empresa de mídia, mas, pelo visto, optou pelo caminho mais curto — comprar uma. Via Valor, G1.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) apresentou nesta quinta (31), no Senado, a versão final do projeto de lei 2630/2020, o PL das Fake News.

A nova redação trouxe algumas mudanças. O lobby de Meta/Facebook e Google (que irritou Orlando) surtiu efeito: o artigo 7º foi alterado e agora permite que dados dos usuários de redes sociais sejam processados por terceiros, mas exige que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) seja respeitada.

Também houve flexibilizações nos prazos para a produção dos relatórios de transparência semestrais das plataformas, e mais detalhes da composição deles agora constam no texto.

Outros pontos polêmicos, como a imunidade parlamentar em redes sociais e a obrigação das plataformas de remunerarem o jornalismo profissional (uma demanda que as próprias empresas de mídia e associações setoriais acham ruim), foram mantidos.

Orlando Silva disse que espera que o PL seja votado no plenário da Câmara semana que vem. A atribuição de pautar a votação cabe ao presidente da casa, o deputado Arthur Lira (PL-AL). Via O Globo, Núcleo, Correio Brasiliense, @cdr_br/Twitter.

Enquanto a galera fica implorando ao Twitter para adicionar o recurso de editar posts, o Mastodon chegou à versão 3.5 com essa e outras novidades.

A edição de posts ainda está desativada na interface web. Os desenvolvedores vão esperar que mais instâncias atualizem o sistema para a versão 3.5 antes de liberá-la. De qualquer forma, o trabalho pesado está pronto — é só questão de virar uma chave. Via Mastodon (em inglês).

O Washington Post descobriu que a Meta, que antes se chamava Facebook, pagou uma consultoria republicana para orquestrar uma campanha difamatória contra o TikTok nos Estados Unidos.

O jornal revisou e-mails trocados por funcionários da consultoria, a Targeted Victory, uma das mais poderosas e que tem o partido Republicano como um dos seus principais clientes.

Nas mensagens, funcionários bolavam abordagens para pintar o TikTok como uma ameaça às crianças norte-americanas e à sociedade e, ao mesmo tempo, insuflar um suposto risco do fato de ser um aplicativo de origem chinesa.

Em nenhum caso havia menção ao investimento feito pela Meta ou à empresa em si. Via Washington Post (em inglês).

O LinkedIn atualizou sua política global para pemitir a divulgação de vagas de emprego e processos seletivos que expressam preferência por pessoas e grupos historicamente desfavorecidos. A notícia foi dada com exclusividade ao Estadão por Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.

Há dez dias (19), o LinkedIn excluiu uma vaga do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (Laut) que dava preferência a candidatos negros e indígenas. O caso gerou ampla repercussão nas redes sociais e motivou reações de grandes empresas, como a Natura&Co, do Procon-SP e do Ministério Público Federal.

Países como o Brasil não consideram discriminação a oferta de vagas e processos seletivos que priorizem grupos minorizados. O tema consta na Lei de Cotas e é pacífico no Judiciário. Via Estadão, Nexo, Folha de S.Paulo.

O aplicativo oficial do Mastodon (o que é o Mastodon?) ganhou uma versão exclusiva para o iPadOS. (Antes, ele estava disponível apenas para iOS/iPhone.) No tablet, o aplicativo exibe um leiaute diferente, melhor adaptado à tela maior, e mais coisas ao mesmo tempo, como a coluna de tendências (“trendings”).

A versão para Android ainda não chegou, mas está a caminho. No Mastodon, Eugen “Gargron” Rochko, o alemão criador da rede social descentralizada, disse que o aplicativo para o sistema do Google chegará “em breve”. Via @Mastodon@mastodon.social, @Gargron@mastodon.social(ambos em inglês).

O Instagram está liberando novos modos de visualização do feed, ambos apresentados em ordem cronológica:

  • Seguindo (Following): É um feed só com fotos e vídeos de pessoas que você segue, ou seja, sem recomendações do algoritmo.
  • Favoritos (Favorites): É um feed com perfis que você segue e que foram incluídos numa lista de favoritos. Essa lista comporta até 50 perfis e pode ser editada livremente — os perfis adicionados ou removidos não são alertados disso.

A inclusão de perfis aos favoritos também serve de sinal ao algoritmo, que passa a dar um peso maior a esses no feed algorítmico/padrão.

O anúncio da novidade dá a entender que o feed algorítimico/padrão terá ainda mais “recomendações baseadas em seus interesses”.

Para alternar entre os feeds, é só tocar no logo do Instagram no canto superior esquerdo da tela. Quando o recurso for disponibilizado na sua conta, o que deve acontecer ainda nesta quarta (23.mar), uma animação indicará o local. Via Meta (em inglês).