Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

O que as redes sociais já fizeram para conter a desinformação russa

As sanções do Ocidente contra a Rússia em resposta à invasão injustificada da Ucrânia alcançaram também as grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

Na terça-feira (1º), a Apple anunciou uma série de medidas, da suspensão de vendas de produtos no país à remoção de aplicativos de empresas de mídia estatais russas (RT e Sputinik) fora do país. Via MacRumors.

Antes disso, redes sociais já tinham se movimentado:

  • No domingo (27), a Meta derrubou uma “rede de comportamento coordenado inautêntico”, com ramificações na Rússia e na própria Ucrânia, que estava espalhando desinformação entre ucranianos. Via Meta (em inglês).
  • Em outra frente, a Meta restringiu o acesso a empresas de mídia estatais russas na União Europeia e limitou o alcance de links para seus sites no Facebook e no Instagram.
  • Na terça (1º), a empresa ampliou as restrições ao resto do mundo e, embora páginas e links das empresas de mídia estejam acessíveis, seus conteúdos e links tiveram o alcance reduzido, ficaram mais difíceis de serem achados e, quando encontrados, recebem etiquetas de alerta. Via Meta (em inglês).
  • O Twitter anunciou um pacote de medidas na sexta (25). Entre as mais incisivas, está a suspensão de anúncios na Rússia e Ucrânia e de posts recomendados na timeline de pessoas que o usuário não segue “para reduzir o alcance de conteúdo abusivo”. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).
  • O YouTube desmonetizou os canais do RT e Sputinik e bloqueou ambos na Europa. Eles também não podem veicular anúncios nas plataformas da empresa. A empresa também “reduziu significativamente” as recomendações de empresas de mídia financiadas pela Rússia no mundo inteiro e já derrubou “centenas de canais e milhares de vídeos” por violações às diretrizes da comunidade, incluindo práticas coordenadas inautênticas. Via Google (em inglês).
  • O TikTok confirmou na segunda (28) ter bloqueado os perfis do RT e Sputinik na Europa. Via Washington Post (em inglês).

A Rússia tem pressionado essas mesmas empresas e limitado o uso delas.

O Kremlin pediu à Meta para que parasse de checar conteúdo oficial no Facebook, mas não foi atendido. Em retaliação, o governo russo limitou o acesso às redes da empresa no país. O Facebook tem 70 milhões de usuários na Rússia. O Twitter também entrou na mira de Vladimir Putin.

Pelo Twitter, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que a empresa está trabalhando para manter seus serviços funcionando na Rússia:

“Cidadãos russos estão usando nossos aplicativos para se expressarem e se articularem. Queremos que continuem se fazendo ouvir, compartilhando o que está acontecendo e se organizando pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.” Via @nickclegg/Twitter (em inglês).

Especialistas e líderes mundiais concordam que o acesso a redes sociais fora do controle do governo de Putin são importantes nesse momento para a articulação anti-guerra no país.

Ao Recode, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia, disse que “é sempre um equilíbrio garantir que os russos que querem a história real — ou, no mínimo, a história como a vemos — tenham acesso [às redes sociais], mas não deve haver espaço para propaganda”. Via Recode (em inglês).

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30 comentários

  1. Impressionante a tergiversação que se faz, apontando o dedo para os EUA e esquecendo-se da censura, envenenamento por polônio, novichok, prisões arbitrárias, o surgimento de Putin desde Dresden, passando por São Petersburgo e virando presidente em condições curiosas.

    A pesquisa encomendada pelo jornal de Berezovsky, o Kommersant em 99, apontando um candidato ideal tinha, inspirado no personagem Max Otto von Stierlitz, o codinome alemão utilizado pelo agente secreto Maxim Maximovich Isaev das histórias de espionagem. O perfil de Putin vinha a calhar neste momento.

    Enfim, seus laços com a máfia russa que precisou controlar enquanto assessor do prefeito de São Petersburgo, o apoio dos oligarcas que compraram parte das estatais por pechincha, tudo isso deveria ser levado em conta quando se fala de um conflito como esse.

    Sugiro que os que estão repetindo desinformação russa pesquisem um pouco mais a fundo (evitem teorias conspiratórias e caça-cliques). Francamente, repetir o que o PCO propaga não ajuda.

    Lembrando que Estônia, Lituânia e Montenegro aderiram a OTAN sem queixas da Rússia. Quando questionada se a Ucrânia poderia ingressar na OTAN, a Rússia (no governo Putin em 2002) respondeu que isso era assunto do país vizinho.

    Transcrição da fala de Putin: en.kremlin.ru/d/21598

    1. Faz 20 anos. Nessa época (um pouco antes) a própria Rússia queria fazer parte da OTAN e foi escanteada pelo governo Clinton.

  2. Uma coisa que entendi neste contexto todo é que:

    1) ninguém é santo. Como o Paulo colocou no fio dele, existem alguns motivos da Ucrânia hoje ter virado o (triste) alvo.

    2)Isso não significa defender a invasão russa. Até porque se analisar o fio posto e alguns poucos comentários, fica óbvio que o cenário ideal era apenas a Rússia tomar as regiões separatistas para ajudar tais grupos. E ponto.

    3) Situação de guerra é situação para desconfiar de qualquer notícia. Então apenas só acompanhar os noticiários ocidentais não ajuda muito. Mas claro que acompanhar mídia local e estatal em tempos de guerra significa torcer bem o nariz para desconfiar de qualquer informação que valorize a Rússia ou a Ucrânia, vamos dizer assim.

    4) Off topic e curiosidade: só lembrar que teve gente BRBR que adora uma confusão e foi ser guerrilheiro na Ucrânia. Foi preso, deportado, veio para o Brasil e no final foi preso por porte de drogas.. https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2021/05/09/ativista-acusado-de-terrorismo-na-ucrania-e-preso-com-drogas-e-municoes-em-presidente-prudente.ghtml

      1. sim, exatamente. notei que no final, o comentário permitiu subentender que eu defendi a Rússia, sendo que na verdade ao justifiquei que o argumento inicial seria o apoio da Rússia a região separatista.

  3. Curioso como a Big Tech consegue agir rapidamente (e corretamente) em uma situação como essa, mas cria um mar de tergiversação para não banir grupos que promovem massacres em outras partes do mundo.

  4. ahã. Só as mídias estadunidenses e europeias podem ter o monópolio da desiformação. Entendam que desinformação nada tem a ver com fake news. CNN e Fox nunca vão ser proibidas e são as maiores disseminadoras do imperialismo incontestável dos EUA. Ninguém fala nada da guerra no Iêmen (apoiada pelos EUA).

    1. Quem tem poder, faz da forma que achar melhor. Esperar algo diferente disso é pedir para passar raiva. O jeito é a pessoa mesmo correr atrás das informações e tirar suas conclusões, porque qualquer ação política sempre será “política” no final.

      1. “O jeito é a pessoa mesmo correr atrás das informações e tirar suas conclusões”.

        Como fazer isso se qualquer visão contrária da grande mídia é tratada como “fake news”, “desinformação”, cancelamento, etc.

        Veja que até mesmo esse blog trata a coisa pela visão da grande mídia. Repare no “invasão injustificada” no começo do artigo, revelando já a posição da grande mídia.

        Não tem como. É uma guerra perdida.

          1. Não sou o Raposo, mas achar que a invasão Russa não é justificada é ingenuidade. A “ala progressista” brasileira está mal informada sobre o que rola na região (e eu também, diga-se de passagem, mas ao menos eu li mais sobre isso quando explodiu o conflito).

            A questão Ucrânia/Rússsia não é tão simples quanto a opinião ocidental (EUA + UE) querem fazer parecer. A expansão da OTAN para o leste europeu visa, justamente, criar uma “pinça” ao redor da Rússia e isolar o país do resto da Europa ocidental, principalmente pela questão energética (hoje a Rússia é a suporpotência do mundo em questão de óleo e gás, principalmente depois da estatização e da compra do gasoduto turcomeno). Essa pinça serve, entre outros motivos, para isolar o bloco euro-asiático que está se formando depois da dissoluição dos BRICS, agora, China, Índia e Rússica estão formando um bloco de comércio fora da OMC e dos ditames da OTAN/EUA. Por isso mesmo os EUA apoiam o regime neonazista da Ucrânia e transformam um presidente fraco, antissemita, racista, conservador e liberal em um líder da resistência (Gadafi era muito mais líder e muito mais resistência do que o Zelinsk).

            Ainda, é importante lembrar do Euromaidan, em 2014, quando a Ucrânica, através de grupos paramilitares (aka milicias) matou sindicalistas das regiões de Donetsk/Donbas/Donbass (alguns queimados vivos, inclusive). Outro maidam está sendo planejado neste momento, inclusive. Ademais, essas regiões sofrem com ataques e massagres constantes das tropas ucranianas lideraras por neonazistas que visam “exterminar” a paraga judaica do país. O cerne da questão pro governo russo sobre essa regiões é que esses são tidos como “russo étnicos”, ou seja, são russos fora da Rússia que estão sendo massacrados por povos eslavos não-russos. Por isso que o Putin aceitar que essa região seja indepentende faz sentido. Indo mais adiante, ainda temos a questão de que a Ucrânica violou os dois tratados de Minsk (I e II), que eram e não-agressão nas regiões étnicas russas. Existem indicios que de foi feito com dinheiro dos EUA, inclusive.

            Finalizando, as empresas, UE, EUA, Reino Unido e todos os “alinhados” jamais fizeram sanções em relação à Israel, que massacra (nesse exato momento) as populações da Palestina. Ou mesmo, jamais foi visto esse tipo de movimento quando os EUA invadiiu a Líbia (maior IDH da região africana e considerada uma “jóia” da região; e que hoje é um mercado de escravizados à céu aberto). Também jamais foi feita nenhuma sanção em relação à UE e seu aliados na questão do norte da África (da mineração, escravização e invasão “humanitária” que povos europeus promoveram na região).

            Meu resumo: essas empresas só estão servindo aos “Deus liberal ocidental” que engana todo mundo. A patifaria do Biden em colocar a culpa no Putin pela huerra, mesmo depois desse falar abertamente sobre os tratados de Minsk, sobre a expansão da OTAN e sobre as questões do fluxo norte de gás da Rússia, é exatamente uma justificativa pra manter a guerra e alimentar a máquina de guerra dos EUA (que hoje amarga um problema social sério). O soft power dos EUA, a cultura e o “jornalismo”, são as armas mais podersos que a gente tem notícia até hoje. As empresas de TI, redes sociais e redes de jornalismo não toleram nenhuma opinião contrária ao mainstream norte-americano e propagandeiam a versão ocidental de que a Rússia forçou o conflito.

            Um adendo que deve ser feito: não sou simpático ao Putin, um conservador liberal, oligarca e que tem pretensões de se tornar uim Czar do novo milênio, mas, tenho menos simpatia ainda pelo império dos EUA e pela máquina de propaganda que ele está colocando a rodar para que a gente (pessoas comuns) compremos a ideia de defender um regime neonazista no leste europeu (que é basicamente isso que quem defende a Ucrânia contra a Rússia faz: defende um regime neonazista). Se esse passado todo de problemas, invasões, quebras de tratados diplomáticos e conchavos econômicos do “mundo ocidental” não é justificativa para uma defesa russa, daí é a opinião de cada um, mas acho que o deve ficar bem claro HOJE é que defender a Ucrânia é defender um regime neonazista (que inclusive está impedindo pretos, latinos e outros povos de sair do país, ao passo que os brancos eslavos-europeus estão saindo direto para países da UE como refugidados, algo que não ocorre com os diversos conflitos na região do Oriente Médio e norte da Áfricam, por exemplo). É bom saber o que se defende quando se toma uma posição.

          2. @ Paulo GPD

            Paulo, você faz acusações bem graves e com que, na minha rotina de leituras, não me deparei. Acho estranho, por exemplo, a acusação de que o governo ucraniano, liderado por um judeu que teve familiares mortos no Holocausto, seja neonazista. Também me causa estranheza a justificativa de que acordos diplomáticos/comerciais sejam motivo para invadir uma nação alheia. A mim, e compartilho da ignorância que você manifestou, tudo isso soa como pretexto (e um bem fraco) para Putin liberar seus piores instintos. (Ainda mais se lembrarmos que o antecessor de Zelensky era um fantoche do Kremlin.)

            Agradeceria se compartilhasse mais dessas leituras. Este comentário destoa do que você costuma publicar aqui.

          3. @Ghedin

            Você realmente não leu nada se não entendeu que o atual governo ucraniano é neonazista (racista e antissemita). O batalhão AZOV está completamente infiltrado dentro do governo ucraniano. Não é porque o governo é judeu que ele não é neonazista, judeus são absurdamente distintos entre si (dada a sua grande quantidade de diásporas que ocorreram na história é até normal).

            Aqui vão vários links com threads sobre a questão neonazista, os ataques a sindicatos em Odessa etc.

            i) https://twitter.com/marcelobamonte/status/1498508229537681411

            ii) https://twitter.com/historia_pensar/status/1497017398603493379

            iii) https://twitter.com/historia_pensar/status/1499065615482605568

            Sobre o Euromaidan, teve ampla cobertura na época, a Wikipédia resumiu tudo.

            i) https://pt.wikipedia.org/wiki/Euromaidan

            Sobre os massacres neonazistas:

            i) https://veja.abril.com.br/mundo/mais-de-40-morrem-em-incendio-e-confrontos-em-odessa/

            ii) https://revistaforum.com.br/global/2022/2/25/massacre-na-casa-dos-sindicatos-dia-em-que-neonazistas-da-ucrnia-carbonizaram-militantes-comunistas-110686.html

            iii) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/168083-separatistas-pro-russia-denunciam-massacre.shtml

            Se quiser saber mais sobre o Batalhão AZOV (que é quem financia a atual guerra com material humano):

            i) https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_de_Azov

            ii) https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Politica/noticia/2022/02/batalhao-de-azov-o-grupo-ucraniano-de-extrema-direita-na-mira-de-putin.html

            iii) https://www.aljazeera.com/news/2022/3/1/who-are-the-azov-regiment

            Ainda sobre a questão antissemita e racista nma Ucrânia, você tem vários relatos quie chegam até o momento de pessoas não-brancas que não conseguem sair do país e não são colocadas nos trens.

            i) https://www.poder360.com.br/europa-em-guerra/imigrantes-negros-relatam-racismo-ao-tentar-sair-da-ucrania/

            ii) https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/estudantes-estrangeiros-que-fogem-da-ucrania-enfrentam-racismo-e-segregacao/

            iii) https://veja.abril.com.br/mundo/imigrantes-denunciam-racismo-ao-tentar-sair-da-ucrania/

            iv) https://br.noticias.yahoo.com/casos-de-racismo-e-segregacao-seguem-na-fronteira-ucraniana-120539671.html

            ~~

            Mas como eu disse, nenhum dos dois governos me dá prazer, são ambos conservadores, racistas e abertamente liberais. Contudo, o Putin foi empurrado pela OTAN para essa guerra após sucessivas tratativas de paz e cessar fogo no leste do país, aos quais o governo ucraniano ignorou (Minsk 1 e 2). A OTAN ao mesmo tempo que empurra a sua faixa de controle pra lestre (pra cima da Eurásia), ataca de maneira muito mais sanguinária o Iêmem (hoje mesmo, inclusive). Nenhuma dessas guerras, organizadas pelos EUA/OTAN foi alvo de sanções, de retaliações e de qualquer tipo de ação das empresas ocidentais.

            Recomendo essa leitura de hoje: https://midianinja.org/juanmanuelpdominguez/a-guerra-da-construcao-de-sentido/

            Finalizando, sobre o ponto de ser “pouco” pata ioniciar uma guerra a questão comercial/crescimento, não sou apenas eu que penso assim: https://twitter.com/louverture1984/status/1498837097523916807

            Aliás, recomendo a leitura do artigo linkado: https://www.business-standard.com/article/international/china-warns-us-of-heavy-price-for-backing-taiwan-s-independence-122030100948_1.html#.Yh6wr2A5eyJ.twitter

            Porque Taiwan e China tem relação com o Rúsia e Ucrânia? É a mesma retórica de sempre da OTAN/EUA: liberdade e democracia, ainda que o referendo da região de Donetzk não tenha sido respeitado pelos aliados da OTAN. Já ocorreu um movimento parecido ano passado ou retrasado em HK em relação à dominação chinesa, com movimento de “libertação” financiado pelos EUA através de Think Tanks e ONG’s (mesma tática usada no Brasil em 2016; aliás, recomendo o “Bala De Washington” do Vijay Prashad onde ele disseca a questão da “república das ONGs e da noa política de raios e centro dos EUA).

            Mas, resumo: uma nova guerra-fria recoloca a indústria de guerra dos EUA nos eixos, gera emprego e crescimento econômico, infla o sentimento de nação dos cidadãos e, principalmente, engorda os senhores da guerra por lá (aos quais o Biden é fortemente ligado, inclusive, vale a pena ler sobre as questões envolvendo o filho dele na Ucrânia).

          4. Um outro comentário, que talvez caberia no segundo que eu fiz, sobre uma cronologia da guerra.

            Belgrado: 1999.

            Bombardeio da embaixada da China em Kosovo no meio da guerra financiada pela OTAN. Na época o presidente era o Clinton e o exército dos EUA matou 13 civis, incluindo jornalistas.

            Alameda dos anjos: Dombas, Ucrânia. 2014 até 2018.

            Morreram 149 crianças vitimadas pelo bombardeios dos neonazistas ucranianos. Esse episódio aconteceu na época do Euromaidan, quando as regiões do leste da Ucrânia passaram a reivindicar a anexação à Rússia ou a independência. O regime ucraniano não cedeu e bombardeou alvos civis, entre eles, várias creches nas regiões urbanas. As regiões de Donetsk e Dumbas fizeram um referendo onde venceu a independência, a Ucrânia não aceitou o resultado é bombardeou de novo as regiões. Até o dia 21/2/22, quando a Rússia reconheceu as regiões como independentes, a Ucrânia matou ~13 mil pessoas e deixou ~30 mil feridos na região.

            A joia da África: Síria. 2014.

            O exército dos Estados Unidos invadiu a ocupou o território sírio em setembro de 2014 para “conter” o DAESH na região. A Síria passou do maior IDH da África em 2014 para um país cuja maior prática comercial é o comércio de escravos marroquinos e eslavos.

            ~~

            Todos esses conflitos ocorreram depois da política de exapnsão ao leste da OTAN, propagada pelo governo Clinton e mantida por todos os governos desde então (exceção do Trump). A média de bombardeios diários é maior em governos democratas, inclusive. A expansão da OTAN até a fronteira russa, apoiando um estado neonazista é apenas pra fazer um movimento militar de pinça ao redor da unidade russa. O que não contavam é que a China e uma parte do oriente médio e próximo iriam apoiar a guerra da Ucrânia (o que era de se esperar para quem não é ocidental, afinal a política de devastação da OTAN destruiu quase todo o oriente médio e norte da África desde 1945).

            E ainda se tem a questão chinesa com Hong Kong, onde os EUA financiariam grupos liberais de separatistas ano passado e retrasado para desestabilizar o governo continental chinês.

            Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha usam a OTAN para saquear os países mais pobres, desestabilizar governos não alinhados e explorar mão de obra e recursos naturais desde 1953, pelo menos. Uma hora alguém vai guerrear com eles e dar uma resposta à altura. Essa resposta pode ser a formação do bloco euro-asiático entre China e Rússia.

          5. @ Paulo GPD

            Li todos os seus links, Paulo, até aqueles que julgo questionáveis (quem assina o @historia_pensar?), e não me convenci. As fontes não sustentam sua forte alegação de que há uma onda nazista ameaçadora na Ucrânia; pelo contrário, só reforçam a tese de que Putin está usando um argumento pífio para justificar a invasão. É inegável que há neonazistas na Ucrânia e que o governo faz corpo mole em relação a eles, mas partidos alinhados ao nazismo não são maioria e sequer vão bem nas urnas.

            Mas, ainda que fosse o caso, invadir uma nação soberana sob o pretexto de conter um levante nazista é… bizarro? Errado? Deveria ser condenado (como está sendo)? Nessa linha, seria justificável a Rússia (ou qualquer outro país) invadir o Brasil para conter o golpe de 2016? Ou para acabar com as (muitas) células neonazistas e integrantes do governo com inclinações do tipo que temos aqui? A soberania implica em autodeterminação e na liberdade de cada país de resolver, internamente, seus próprios problemas, por piores que sejam. Creio que concordamos nesse ponto.

            A política imperialista belicista dos Estados Unidos é tão equivocada quanto. Dois erros não fazem um acerto, porém.

            A respeito do argumento “e o Iêmen?”, para além do fato da Europa nos ser mais próximas culturalmente, tem todo o contexto econômico, né? O conflito na Ucrânia encareceu imediatamente produtos importantes que afetam o dia a dia de todos os brasileiros, como petróleo, fertilizantes e grãos (trigo e milho). Isso é, obviamente, notícia, e importante, o que justifica a atenção dada ao conflito.

          6. @Ghedin

            O atual presidente condecorou o líder do batalhão AZOV pessoalmente (líder que diretamente responsável pelo atentado de Odessa). O mesmo batalhão que tem campos de treinamento para crianças e que comanda o exército ucraniano.

            Se você acha que isso não é suficiente pra dizer que temos um governo neonazista na Ucrânia eu não posso fazer nada, você já tomou a sua decisão e está apenas buscando uma justificativa.

          7. é um recorte ideológico. a pergunta não possui justificativa e a resposta sempre será um desvio ideológico (apontar a contradição liberal do silêncio com a palestina e apoio a outras invasões). uma análise materialista dialética aponta o confronto de imperialismos e a posição progressista é se colocar ao lado do povo russo e ucraniano e contra a guerra. fora isso, o esquerdismo barato se iguala a hipocrisia liberal em justificar o injustificável

          8. @ Paulo GPD

            Aqui tem um monte de neonazista no governo também, não duvido que um ou outro tenha sido condecorado. Não é esse o problema (embora seja, evidentemente, um problema) que estamos debatendo.

            A questão é: justifica uma invasão da Rússia? Eu acho que não e, como os outros países estão mostrando e já cansaram de mostrar, existem outros mecanismos diplomáticos e econômicos para pressionar países que flertam com ideias erradas. Guerra? Invadir outro país soberano? Acho que não é por aí, hein.

          9. @Ghedin

            Mas você entende que não é a mesma coisa (aliás, ainda estamos bem longe disso aqui no Brasil)? Para fazer um paralelo com o Brasil teríamos que, sei lá, ter o general Villas Boas sendo condecorado mesmo sendo líder de um grupo abertamente neonazista que financia acampamentos para crianças (onde elas aprendem a usar armas) e que participou de um massacre que queimou sindicalistas vivos.

            Mas é preocupante, afinal, não é de graça que os grupos bolsonaristas dizem que vão “ucranizar” o Brasil, que o MBL mandou pessoas para a Ucrânia e, como lembrou o @Ligeiro, que já tivemos brasileiros ligados aos grupos que dão suporte ao governo atual indo pra Ucrânia.

            Finalmente, eu cederia em relação a ideia de que estamos apenas falando de uma “invasão russa a um país soberano” e que a reação mundial é justa *se e somente se* tivessemos uma reação parecida com outros atores mundiais. E nem precisaria ser os EUA. Israel faz a mesma coisa desde os anos 70, pelo menos, e nunca ocorreram sanções. Faz sentido retirar da Copa do Mundo a seleção russa? Faz sentido impedir atletas russos de competir? Faz sentido não deixar pilotos russos na F1 e outras? O mesmo ocorre quando algumn país da OTAN ou aliado invade outro?

            É uma situação bem mais complexa do que a ideia de “invasão” deixa aparentar. Na dúvida, eu sou contra os neonazistas e a favor de quem peita minimamente o imperialista da UE e dos EUA.

          10. @Ghedin

            E você sempre pode ir atrás de outras fontes sobre o assunto, claro.

            Por exemplo, o João Carvalho é diplomata do Brasil e está falando sobre as ligações neonazistas do governo ucraniano e da imprensa: https://twitter.com/assimdisseojoao/status/1499407042561384455

            O George Marques, abertamente anti-Putin, está falando sobre as questões de racismo de agentes do governo ucraniano nas fronteiras: https://twitter.com/GeorgMarques/status/1499389498161041415

            A Nathlia Urban está falando dos grupos nacionalistas poloneses, aliados dos grupos que compõem o governo ucraniano, que estão atacando os refugiados negros: https://twitter.com/UrbanNathalia/status/1499185431635767296

            Acho que temos muitos motivos para condenar o Putin, mas muito mais motivos para termos medo da coordenação da OTAN (estados ocidentais e imprensa) em defender um regime abertamente neonazista que persegue pretos, judeus e outros estrangeiros.

          11. Vou entrar nesta conversa com a seguinte questão ao Paulo.

            É entendido que de fato o governo ucraniano atual “cavou a própria cova”, e tinha já cometido erros anteriores, seja na questão dos separatistas, seja no nacionalismo e preconceitos.

            Mas aí se faz novamente a questão do Ghedin: isso significa criar uma guerra de maior plenitude?

            Essa guerra deveria ter acabado quando os separatistas da Novorussia ganharam a autonomia e auxilio de Putin. A sensação que tenho é que Putin está sendo vingativo. E está falhando.

            E sim, entendo quando você fala que é engraçado que os Estados Unidos e outros países colonialistas deveriam ter punições similares dado a N ocupações e guerras anteriormente geradas. Só que infelizmente são eles que tem parte das leis e das comunicações nas mãos. Como punir tais se eles que tem o poder e não a gente?

          12. @Ligeiro

            É complicado responder se a guerra ou invasão são justificáveis. Eu, pessoalmente, não acho que a Rússia deveria ter feito o que fez, se tivesse apenas reconhecido a independência das regiões de maioria russa na Ucrânia e prestado auxilio a essa região eu acho que não teria ninguém falando nada (como você disse). Mas tem que entender que Kiev é o “berço do povo russo” (como etnia) para todo mundo da região, então a ideia de que a Ucrânica seja livre como país não faz sentido pro povo russo de modo geral (ainda que, via de regra, a maioria não se importe).

            Mas também tem que entender a pressão diplomática exercida pelos EUA na região, o fato deles terem um governo neonazista na sua fronteira, a UE inteira querendo pagar menos pelo gás russo etc. Nâo é simples.

            ~~

            Eu entendo que nós não temos nada o que fazer, exceto discutir e se posicionar pessoalmente, porque é isso que humanos fazem. De resto, não tem muita utilidade. A questão é que muita gente simplesmente está abraçando o discurso hegemônico da imprensa ocidental/liberal de que estamos diante de um país e de um povo de guerreiros contra um tirano autocrata que quer destruir tudo. Não é bem assim, ainda que a FSP, Estadão, Globo e tantos outros dê a entender o contrário.

            Só achei que os progressistas brasileiros seriam mais críticos com a imprensa depois de 2013, 2016 e 2018 (principalmente 2018 com as eleições e a Lava Jato).

          13. Entendi, @Paulo. Da imprensa não posso falar pois sou péssimo para opinar sobre isso.

            Da guerra, a minha posição é: já era para ter acabado na hora que houve apoio aos separatistas. Mas tenho a sensação que o ego de alguém quer se fazer nome na história como o provocador da última guerra dos tempos atuais. Aparentemente o mundo é cíclico. Já se vão quase 100 anos da primeira guerra (acho) e uns 80 da segunda.

          14. @ Paulo GPD

            Paulo, quando você diz que quem condena a invasão russa está “abraçando o discurso hegemônico da imprensa ocidental/liberal”, está diminuindo a capacidade cognitiva de todos que discordam de você.

            Acho perfeitamente possível debatermos pontos de vista divergentes sem esse tipo de ataque.

          15. @Ghedin

            Ataques? Pera aí né, você está repetindo boa parte do argumento da mídia hegêmonica ocidental (CNN, NYT, Globo) como os argumentos de que o presidente é judeu, de que o partido judeu não elegeu ninguém na votação etc. Inclusive, esses argumentos foram ditos no Forum de Teresina dessa semana. Não tem ataque aqui, desculpa, só uma observação factual do que você disse e defendeu.

            Como eu disse, acho que não deveria ter tido nenhuma invasão, mas injustificada, dada a pressão da OTAN sobre a Rússia, não é.

          16. @ Paulo GPD

            Mas qual o problema de repetir o posicionamento da mídia hegemônica? Não é como se a Globo et al. estivesse errada sempre.

            Do jeito que você coloca essa “observação factual” na discussão, é como se eu e os que divergem do seu ponto de vista ou estivéssemos embasando o nosso em um Jornal da Cidade Online ou corrente de WhatsApp, ou — pior — fôssemos ingênuos abobalhados que acreditam em tudo que a mídia hegemônica veicula.

            Em resumo, você nos subestima. E aí, acho eu, é golpe baixo.

          17. @Ghedin

            Como eu disse antes, eu acho que no atual cenário (depois dos anos e anos de patifarias da nossa mídia) os progresssistas seriam mias críticos com a imprensa. Não é uma questão de subestimar, é uma questão de que existem fotos, vídeos e uma ampla documentação de que, por exemplo, o exercito ucraniano violou o tratado de Minsk no ataque à Odessa, de que o presidente ucraniano é aliado dos grupos neonazistas, de que os soldados do batalhão AZOV estão todos no exercito ucraniano (com diversas fotos mostrando esses soldados ajudando pessoas brancas enquanto ostentam o tridente ucraniano ou algum símbolo neonazista). Se diante de todos esses problemas com o setor ucraniano da guerra a cobertura da mídia tradicional, alinhada ao ocidente e aos EUA/OTAN é o que você acha de mais correto (no sentido de mais realista sobre a questão), tudo bem, mas não me acuse ataques.

          18. @ Paulo GPD

            Você faz afirmações impossíveis de serem sustentadas à luz das informações que temos — incluindo as que você forneceu no debate. Eu poderia usar o mesmo argumento que você usa para subestimar a minha opinião, mas não o faço porque, como disse, acho golpe baixo. Mas tudo bem. Essa discussão já deu o que tinha que dar.

        1. Fake news existe, é diferente de você emitir uma opinião sobre um fato. A mídia sempre vai dar sua visão, sua escolha de palavras, pautas, etc. Não existe imparcialidade. Agora, fake news é inventar notícias, algo que pode ser comprovado como falso, e pra prejudicar pessoas. Configura crime.

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