O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parcerias com as principais plataformas digitais que atuam no Brasil para combater a desinformação nas eleições gerais de outubro: Facebook (e Instagram), Google (e YouTube), Kwai, TikTok, Twitter e WhatsApp.

A ausência notável no rol de plataformas foi o Telegram, que continua ignorando o TSE e outras autoridades brasileiras. Via justicaeleitoral/YouTube.

O Instagram embolou o meio-campo nos stories: agora é possível curtir as fotos e vídeos que se apagam em 24h. “Mas isso já não existia?”, você pode se perguntar. Mais ou menos. Havia (e ainda há) as reações, que aparecem como uma mensagem. A nova curtida, um coraçãozinho ao lado do botão de enviar mensagem, não aparece na conversa privada com esse contato, são privadas (outros usuários não a vêem) e não possui contadores. Um coração ao lado do contato que curtiu seu story fica visível na lista de visualizações. Confuso? Via @instagram/Twitter (em inglês).

Dois prints do Apollo, lado a lado. O da esquerda mostra as configurações, com a opção “Infinite Scrolling” desmarcada e destacada. O da direita, uma tela do feed, no final de uma página, com o link “Load Page 2” destacado.
Imagem: Manual do Usuário.

Sempre bato na tecla de que o design dos aplicativos e sistemas que usamos tem um peso grande no nosso comportamento durante o uso desses apps e sistemas. Costuma ser em sentido negativo, mas, ainda que mais raros, existem bons exemplos de design anti-vício e pró-usuário.

Vide esta opção do Apollo, um (ótimo) cliente extraoficial do Reddit para iOS. Nas configurações do app, é possível desativar a rolagem infinita (Infinite Scrolling; o app não está traduzido).

Ao fazer isso, o feed do Reddit, que quem usa sabe ser um poço de matar tempo, fica paginado. Para mim, tem sido muito útil. Em vez de ficar muito tempo ali, encerro as sessões ao bater no final da primeira ou segunda página.

Revisitando o Instagram e o Facebook

Um dos elementos que compõem o atual inferno astral (e financeiro) do Facebook/Meta, revelado no último bate-papo dos executivos da empresa com investidores, é ter perdido usuários pela primeira vez em 18 anos de história. Na contramão dessa boa notícia, em janeiro eu voltei a usar o Facebook. E antes disso, em dezembro, a ter um perfil no Instagram.

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Instagram e Facebook, três anos depois

No podcast desta semana, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa falam da experiência de estar e usar as redes sociais Instagram e Facebook. Ghedin passou os últimos três longe desses ambientes e agora voltou. Na conversa, as impressões dele são contrapostas às da Jacque, que nunca saiu das redes sociais.

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O LinkedIn está testando um botão que eliminará conteúdo de política do feed, promete a rede social. A informação foi divulgada por Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, em entrevista para o Wall Street Journal.

Roslansky disse que o algoritmo da rede é capaz de distinguir conteúdo político graças à “equipe editorial, classificadores semânticos e pelo que a comunidade nos diz querer ou não”. Ele acrescentou que se os testes mostrarem que o recurso ajuda as pessoas a fazerem o que têm que fazer no LinkedIn, a opção, por ora restrita, será expandida a todos os usuários. Via Wall Street Journal (em inglês).

O TikTok ampliou suas diretrizes de conteúdo na tentativa de mitigar comportamentos nocivos na plataforma. Em comunicado à imprensa, o aplicativo explicou as alterações, que envolvem atos e desafios perigosos, alimentação de forma transtornada e proibição de “ideologias odiosas” (“deadnaming”, “misgendering” e misoginia).

Em outra frente, o TikTok começou a testar um sistema de classificação etária para conteúdo, similar àquele que vários países empregam na veiculação de filmes e video games, com o intuito de impedir que conteúdos adultos cheguem aos adolescentes da plataforma. Por ora, a classificação fica a cargo dos criadores de vídeos. Via TikTok, LABS News.

“Não curti” e aviso de ofensa: novas apostas do Twitter contra hostilidade

O Twitter pode ser, por vezes, um ambiente um tanto insalubre. Isso é público e notório e, na tentativa de mitigar o problema, a empresa avançou dois recursos que estavam em testes até então.

O primeiro deles é o “voto irrelevante”, tradução terrível para o botão de “dislike”, ou “não curti”. Ele aparece em respostas e ajuda a sinalizar aquelas que “não parecem relevantes para a conversa”, segundo o Twitter. Os votos são privados, nem mesmo o autor da resposta “não curtida” fica sabendo quem ou quantas pessoas votaram.

De acordo com o Twitter, as pessoas que tocavam no “voto irrelevante” no período de testes o fizeram por perceberem o conteúdo como ofensivo, irrelevante ou ambos. E elas disseram que notaram melhoras na qualidade das conversas após a inclusão do recurso que, agora, está sendo expandido para o mundo inteiro.

Outro recurso no mesmo sentido, que chega agora ao Brasil depois de testes no idioma inglês, é o alerta de conteúdo ofensivo.

Agora, quando um usuário escrever e tentar publicar um post com “linguagem potencialmente prejudicial”, um aviso sugerindo a revisão do texto poderá aparecer. Tipo aquela regrinha de autocontrole, de contar e respirar até dez antes de dizer algo.

Uma pesquisa do Twitter descobriu que esse aviso, embora pareça algo bobo, suscitou mudanças no texto ou fez o usuário desistir de publicar o post em 30% das vezes em que foi exibido. Via @TwitterSeguroBR/Twitter, @TwitterSafety/Twitter (em inglês).

Pela primeira vez na história, a base de usuários do Facebook/Meta encolheu. O número de usuários ativos diários, a principal métrica de crescimento da empresa, caiu de 1,93 bilhão para 1,929 bilhão. Pouca coisa, mas… é alguma coisa. A desaceleração seria reflexo de rivais mais populares entre os jovens, como o TikTok. Não à toa, o Instagram foi reposicionado para fazer frente ao app chinês.

A notícia foi dada no balanço do quarto trimestre fiscal de 2021, nesta quarta (2). Na mesma ocasião, os executivos da empresa afirmaram que a previsão para o próximo trimestre é faturar entre US$ 27 e 29 bilhões, abaixo da expectativa do mercado, de 30%.

As más notícias levaram as ações da Meta a dar um mergulho e desvalorizarem ~20% no aftermarket, evaporando cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado. Via CNBC, The Verge (ambos em inglês).

Facebook fomenta possível tentativa de golpe no Brasil similar à dos EUA, diz pesquisa

Em relatório publicado nesta quarta (2), a Avaaz e o Real Facebook Oversight Board (não confundir com o Comitê de Supervisão do Facebook, o oficial) alertaram que “o Brasil corre risco crescente um ‘evento como o de 6 de janeiro [de 2021] fomentado no Facebook”, em referência à tentativa de golpe de extremistas norte-americanos seguidores do ex-presidente Donald Trump.

As duas organizações criaram um “índice de insurreição”, composto por cinco critérios, que mensura a temperatura no Facebook de ações e omissões que conspiram a favor de eventos conspiratórios. No Brasil, destaque do relatório, três dos cinco critérios estão em nível crítico:

  • Priorização de fontes de imprensa com boa reputação na entrega de conteúdo noticioso;
  • Respostas rápidas e enfáticas de checadores de fatos para alegações feitas por candidatos; e
  • Medidas de mitigação para limitar o espalhamento de conteúdos que ensejem risco significativo de agressões offline em escala.

O principal problema do Facebook no Brasil, segundo o relatório (em inglês), tem nome, sobrenome e partido: Jair Bolsonaro (PL). O texto lista diversas mentiras e atitudes antidemocráticas praticadas pelo presidente no ambiente digital. “Bolsonaro e seus aliados estão usando o Facebook e outras plataformas de redes sociais para espalhar essas mentiras perigosas”, detalha.

Segundo a Avaaz, a omissão do Facebook já propiciou 10 bilhões de visualizações de conteúdos falsos no Brasil. Via Real Facebook Oversight Board/Medium (em inglês).

Até agora, o HalloApp (Hallo o quê?) vinha replicando recursos popularizados pelos rivais mais famosos. Não mais: seu novo recurso, os posts em áudio, tem um quê de novidade. Ele lembra as mensagens de áudio do WhatsApp (que o HalloApp também tem), mas os posts são publicados no feed.

(A bem da verdade, o Twitter fez uns testes um tempo atrás com posts de áudio no iOS. Não parece ter feito muito sucesso.)

“É um recurso que não vemos em outros aplicativos de redes sociais ou plataformas de mensagens”, explica o co-fundador Neeraj Arora, “e o motivo é porque a voz é uma expressão íntima, algo que normalmente só nos sentimos à vontade de compartilhar com nossos amigos mais próximos e familiares.” Via HalloApp (em inglês).

E quando mostrar a pobreza dá dinheiro?

por Shūmiàn 书面

Alguns jovens da minoria Yi, na zona rural da província de Sichuan, China, ganham até 40 mil yuan (cerca de R$ 34 mil) por mês ao mostrar a precariedade do lugar em que nasceram.

Os influencers locais vendem produtos típicos da região nas lives, ao mesmo tempo em que esperam comover consumidores dos grandes centros urbanos sobre suas condições de extrema pobreza, com as moradias precárias do vilarejo ao fundo e até mesmo usando roupas desgastadas.

Vistos por alguns como uma “espetacularização da pobreza”, os streamings são uma oportunidade fora da curva para muitos jovens que iriam abandonar os estudos e trabalhar em condições de extrema vulnerabilidade nas megalópoles do país. Mas, para algumas prefeituras locais, como a de Liangshan, toda essa exposição não condiz com os avanços que foram feitos e chega a contradizer a narrativa oficial do fim da pobreza extrema na China. Elas sugerem outro modelo de geração de renda por meios digitais, como já falamos por aqui. A reportagem é de Ji Guangxu para o Sixth Tone e vale um bom cafezinho.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Parado no tempo, Tumblr vira destino da nova geração desiludida com outras redes sociais

No final da década de 2000, o Tumblr desfrutava de um status similar ao que o TikTok tem hoje (ainda que numa escala exponencialmente menor): era o destino virtual descolado onde os jovens se encontravam.

O Tumblr deu o azar de ser comprado pelo Yahoo por US$ 1,1 bilhão em 2013, empresa que era uma espécie de abatedouro de serviços digitais promissores (Flickr e Delicious foram outros obliterados após serem adquiridos). Lá, caiu no ostracismo e perdeu um dos seus trunfos, a permissividade com conteúdo pornográfico leve, numa tentativa frustrada de atrair anunciantes e aquiescer ao moralismo da Apple na App Store.

Após idas e vindas, o Tumblr acabou no colo da Automattic, o braço comercial dos criadores do WordPress. Foi comprado em agosto de 2019 por menos de US$ 3 milhões, uma desvalorização 99,7% em relação ao valor pago pelo Yahoo seis anos antes.

Curiosamente, o fato de o Tumblr ter “parado no tempo” o torna atraente hoje, segundo esta matéria de Kyle Chayka na New Yorker. De acordo com Jeff D’Onofrio, CEO do Tumblr, 48% dos usuários ativos e 61% dos novos usuários são da faixa etária que os norte-americanos classificam como geração Z, ou seja, gente jovem, o filé mignon da publicidade. O que os atrai, aparentemente, são linhas do tempo cronológicas e livres do conteúdo incendiário e opressivo “good vibes” que domina as outras mais populares.

Aos não iniciados, o Tumblr é uma espécie de blog misturado com rede social. Tem uma face pública com visual de blog, mas permite que os usuários sigam uns aos outros, curtam e repostem o conteúdo, tudo isso por um painel/feed que tem cara de rede social. A dinâmica de postagem é mais livre que em lugares como o Twitter — o Tumblr oferece seis formatos de posts, por exemplo. O serviço é gratuito.

Nove perfis ativistas no Twitter, como o Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) e o Tesoureiros do Jair (@tesoureiros), lançaram no domingo (16) a campanha #FakeNewsMata, que pretende angariar assinaturas de usuários insatisfeitos com o Twitter e enviar o abaixo-assinado a executivos da empresa na sede, nos Estados Unidos, e no Brasil.

À BBC Brasil, o Twitter afirmou que, em 2021, removeu 63.876 posts amparado pelas regras contra desinformação da covid-19, cerca de 7 por hora. Segundo estimativas de terceiros (a empresa não libera números oficiais), o Twitter veicula cerca de 20 milhões de posts por hora. Via BBC Brasil.

Nesta segunda (17), o Twitter expandiu para o Brasil, Filipinas e Espanha o teste de um mecanismo de denúncia de posts enganosos. Agora, ao clicar/tocar no link Denunciar Tweet, aparece a opção As informações são enganosas e, ao clicar nesta, uma lista de categorias — Política, Saúde e Outra coisa.

O teste de denúncias de posts enganosos começou em agosto do ano passado, limitado à Austrália, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Nos últimos dias, à luz de posts mentirosos relacionados à vacinação de crianças contra a covid-19 promovidos por negacionistas populares no Twitter, iniciou-se uma campanha para que esse mecanismo de denúncia fosse disponibilizado para usuários brasileiros. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).