Quatro prints de divulgação do Locket, mostrando fotos de pessoas em um widget pequeno na tela inicial do iPhone.
Imagem: Locket/Divulgação.

O aplicativo Locket, para iOS, é uma mini rede social privada de fotos comprimida em um widget.

Após instalá-lo, você coloca o widget na tela inicial e adiciona até cinco amigos. As fotos enviadas pelo widget ficam visíveis em todos os celulares da rede — e devem ser tiradas na hora; não dá para acessar a biblioteca de fotos. É quase um “melhores amigos” do Instagram, mais direto e menos ambicioso.

Matthew Moss, programador norte-americano, criou o Locket para uso próprio, quando sua namorada foi estudar em outra cidade e o namoro deles passou a ser à distância. Seis meses mais tarde, quando Matt decidiu lançar o Locket na App Store, foi um sucesso instantâneo: nos Estados Unidos, é o app mais baixado da categoria redes sociais e um dos mais populares entre os gratuitos.

No Brasil, onde o apelo é menor, pois é uma rede/app exclusivo para iPhones, o Locket é o 5º mais baixado em redes sociais e está no top 60 dos gratuitos na manhã desta sexta (14).

Daquelas pequenas ideias geniais que ressignificam elementos de interface para fins diversos. Via TechCrunch (em inglês).

É hora de abandonar a popular crítica esquerdista de que as plataformas, como os parasitas, apenas se alimentam dos dados dos usuários e não fazem nada. Isso nos deixa de mãos atadas quando se trata de imaginar e articular políticas industriais e públicas progressistas. Não há problema em dizer que as plataformas fazem coisas grandes — mal feitas.

— Evgeny Morozov, pesquisador e escritor, no Twitter.

O LinkedIn liberará, ainda este mês, um novo recurso para hospedar eventos interativos apenas em áudio — em outras palavras, seu clone do Clubhouse. A ideia da rede social profissional da Microsoft é oferecer uma plataforma para que criadores e empresas hospedem eventos ao vivo. Uma versão baseada em vídeo deve pintar ainda no primeiro semestre, bem como a opção de cobrar pelos eventos, esta ainda sem data para ser liberada.

Praticamente todas as outras redes comerciais de grande alcance já lançaram o recurso consolidado pelo Clubhouse, que por um breve período de duas semanas, no início de 2021, parecia a nova super rede social onde todo mundo estava. Tarde demais? Via TechCrunch (em inglês).

O papel do Twitter no espalhamento de desinformação no Twitter

A campanha #TwitterApoiaFakeNews, que já soma quase 90 mil menções no Twitter, mobilizou influenciadores da comunidade científica e envolveu o Ministério Público Federal (MPF), tem mérito, mas talvez precise de um “rebranding” para evitar efeitos colaterais indesejados no futuro.

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Print do novo seletor de visualização do Instagram, exibindo um menu no canto superior esquerdo com as opções “Home”, “Following” e “Favorites”, e mais um botão para gerenciar os favoritos.
Imagem: @mosseri/Twitter.

Adam Mosseri, diretor responsável pelo Instagram, mostrou como ficará a interface do Instagram com as novas opções de visualização. Além da tradicional, organizada por algoritmo (“Home”), teremos o feed cronológico (“Following”) e um de favoritos selecionados manualmente (“Favorites”). A solução apresentada assemelha-se à adotada há muito pelo Twitter. As novas opções de visualização do Instagram já estão sendo testadas com um número limitado de usuários e devem aparecer para todos ainda no primeiro semestre de 2022. Via @mosseri/Twitter (em inglês).

O TikTok está testando um botão de compartilhamento similar, mas diferente, ao do retuíte do Twitter. O botão tem o rótulo “Repost” e só aparece em vídeos vistos na aba “Para Você”. Quando um vídeo é repostado, ele não fica no perfil do usuário que o repostou; ele aparece na aba “Para Você” de contatos mútuos, ou seja, aqueles a quem o usuário segue e é seguido de volta. Essa dinâmica é uma tentativa do TikTok de evitar abusos, como esquemas de recomendação cruzada, muito comuns no Instagram.

O Repost ainda está em testes e é uma rara exceção no modelo de recomendação de conteúdo da plataforma, quase que totalmente baseado em algoritmos. Via TechCrunch (em inglês).

Em outubro, a Microsoft fechou o LinkedIn na China alegando um “ambiente operacional desafiador”, mas prometendo um novo aplicativo sem a parte “desafiadora” — leia-se o feed de notícias.

Esse app chegou. Chama-se InCareer e é uma espécie de LinkedIn dos sonhos: ele preserva os perfis profissionais, as oportunidades de emprego e o bate-papo e todo o aparato para recrutadores, com uma interface simplificada e sem anúncios. No post/anúncio do app, há um vídeo detalhando seu funcionamento. Para o bem e para o mal, o InCareer está disponível apenas na China. Via LinkedIn (em inglês).

O “criador” que mais cresceu no YouTube em 2021 foi Robin Hood Gamer, com 17 milhões de inscritos. A maior “criadora” de shorts, os vídeos curtos da plataforma, foi Jooj Natu, com 4,2 milhões.

A lista de mais vistos do ano do YouTube revela um Brasil curioso, diverso. É um prato cheio àqueles que correm em dizer “nunca ouvi/assisti” quando um fenômeno popular vira assunto. Veja todas as listas no link ao lado. Via Blog do YouTube.

Usuários do Instagram estão se deparando com um pedido no app para criarem outra conta. Não é um dilema novo. Há alguns anos, a rede do Facebook (que agora se chama Meta) criou o recurso “Melhores amigos”, para restringir stories a pequenos grupos. A mensagem diz: “Mantenha contato com um grupo menor de amigos”, uma admissão do fracasso do Instagram em… ajudar a manter contato com um grupo menor de amigos.

O pedido institucionaliza um fenômeno espontâneo na rede, o das contas “finsta”, de “fake insta”, ou “Instagram falso”, que adolescentes criavam para poderem se expressar sem o escrutínio de muita gente, só para os amigos mais próximos.

Ao tentar ser tudo — rede social de contatos próximos, loja virtual, vitrine de celebridades, clone do TikTok, plataforma de marcas pessoais etc. —, o Instagram perde a sua identidade. É uma dor que redes focadas, como o HalloApp, podem remediar, mas que talvez seja mais fácil criar outra conta no mesmo Instagram. Via Wall Street Journal (em inglês).

O Facebook lança no Brasil, nesta quinta (2), o Facebook Protect, programa de proteção adicional a usuários e administradores de páginas mais suscetíveis a ataques — em especial, gente envolvida com eleições.

Os principais aspectos do programa são:

  • Forçar a adoção da autenticação em dois fatores;
  • Dar maior atenção a tentativas de invasão dessas contas; e
  • Garantir a autenticidade de quem posta em páginas.

Não tem como se candidatar a ele; é o Facebook quem determina perfis elegíveis e envia uma notificação/convite para o Facebook Protect. Via Uol Tilt, Facebook.

Lembrete: autenticação em dois fatores não é exclusividade dessa iniciativa, está disponível para todos os usuários. É, de longe, a melhor medida que alguém pode fazer para proteger sua conta. Veja como ativá-la no Facebook.

O Twitter atualizou sua política de informações privadas* para coibir o compartilhamento de fotos e vídeos de indivíduos sem o consentimento deles. Quando posts do tipo forem reportados, eles serão removidos. A medida começa a valer nesta terça (30.nov) no mundo inteiro.

No anúncio, o Twitter explica que a medida é parte do esforço contínuo de atender a padrões de direitos humanos. Além disso, cita diversos “poréns”, ou exceções à regra, como figuras públicas, em posts de interesse público ou como parte de eventos noticiosos. E, mesmo nessas situações, há exceções às exceções — postar fotos de figuras públicas para assediá-las, intimidá-las ou silenciá-las infringe a política contra comportamento abusivo.

Embora as exceções à primeira vista pareçam equilibradas, o grande desafio será aplicar a nova regra. O Twitter “meio que” se garante ao tornar a aplicação reativa, ou seja, uma foto ou vídeo de alguém só será retirada da plataforma se a pessoa ou um representante legal solicitar a remoção. A conferir, na prática, como isso se dará. Via Twitter (em inglês).

* Até a publicação desta nota, a tradução para o português da política não havia sido atualizada. Leia a versão em inglês.

O Twitter está trabalhando em um botão “não curti”, similar aos do Reddit e YouTube. A pesquisadora Jane Wong flagrou a tela de apresentação do recurso no app do Twitter e, pelo que se lê ali, a abordagem pega características do YouTube (não exibe o total de votos negativos) e do Reddit (em vez de um joinha para baixo, o botão deve ser uma seta).

O Twitter explica que os votos não são públicos e o autor do post não fica sabendo quem desaprovou sua obra. O objetivo, ainda de acordo com a rede social, é ajudá-la a “priorizar conteúdo de mais qualidade a você — e a todos no Twitter”. Como é um teste que sequer foi confirmado oficialmente pelo Twitter, ninguém sabe quando ou mesmo se esse recurso chegará ao grande público. Via @wongmjane/Twitter (em inglês).

Mentir custa caro e quem paga a conta somos todos nós

por Guilherme Felitti

Durante séculos, a base da economia do Brasil colonial era o açúcar, parte de algo que você aprendeu no colégio: desde 1500, a economia brasileira é compreendida de ciclos. O do açúcar é o segundo, sucedendo o ciclo do pau-brasil. Em termos econômicos, produzir açúcar para exportar para a Europa era muito lucrativo. Em termos práticos, porém, o processo exigia um volume enorme de mão de obra. Quem fazia o trabalho duro eram os escravos africanos sequestrados dos seus povoados na África e trazidos para o Brasil durante mais de três séculos. Acomodados em galpões sujos, abafados e pestilentos, os escravos tinham uma vida brutal, com horas extenuantes de trabalho diário e nenhum direito. Sempre que citamos o assunto vale a pena relembrar: a escravidão é o principal pilar no qual a sociedade brasileira se apoiou e ecoa até hoje. Desde 1888, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, lá se vão 133 anos. É um terço de todo o tempo em que a escravidão foi praticada no Brasil. A sociedade brasileira sofrerá ainda séculos das consequências dessa chaga. Segundo o IBGE, mais da metade dos brasileiros é de pessoas pardas ou pretas, segundo a terminologia do próprio instituto.

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Botões do tipo “não curti” são raros na internet. O YouTube, um dos poucos lugares onde é possível manifestar o desapreço por um conteúdo apertando um desses, anunciou mudanças para desestimular campanhas coordenadas de assédio a canais pequenos e, segundo o YouTube, criar “um ambiente inclusivo e respeitoso” para os criadores.

O botão com o polegar para baixo continua existindo, mas perdeu o contador público. Apenas o(a) dono(a) do canal continuará vendo dados de uso do botão, no YouTube Studio. A novidade foi anunciada após um período de testes, iniciado em março. Segundo o YouTube, a remoção do contador desestimulou abusos.

Não é a primeira grande rede social que detecta problemas decorrentes dos inúmeros contadores de popularidade (e desprezo, no caso) em suas interfaces. Em julho de 2019, o Facebook fez um teste no Brasil e escondeu o contador de curtidas no Instagram. A versão final da ferramenta, lançada em maio deste ano, ficou bem aquém do que era esperado, porém. Via YouTube.

Os impactos da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso do iOS 14.5 que obriga aplicativos a obterem o consentimento expresso do usuário para rastrear suas atividades no celular, têm sido grande. Segundo a empresa de publicidade digital Lotame, o ATT custou US$ 9,85 bilhões a Facebook, Snap, Twitter e YouTube no terceiro e quarto trimestres, uma baixa de 12% no faturamento esperado. Via Financial Times (em inglês, com paywall).

Esse episódio joga duas verdades nas nossas caras:

  1. As pessoas se importam com privacidade. Diversas análises apontam que uma ampla maioria, ao ser apresentada ao pedido do ATT, nega que aplicativos rastreiem suas atividades. Pode não ser a maior preocupação de muitos, mas quando a opção é dada às claras, sem pegadinhas, a preferência quase unânime é por privacidade.
  2. Os “esforços” em privacidade que Google, Facebook e outras empresas de publicidade segmentada fazem são, se muito, maquiagens — ou, como argumentei nesta coluna, uma espécie de “greenwashing” da privacidade. Se fizessem diferença significativa, esta seria refletida nos relatórios financeiros trimestrais, coisa que jamais ocorreu.