Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

E quando mostrar a pobreza dá dinheiro?

Alguns jovens da minoria Yi, na zona rural da província de Sichuan, China, ganham até 40 mil yuan (cerca de R$ 34 mil) por mês ao mostrar a precariedade do lugar em que nasceram.

Os influencers locais vendem produtos típicos da região nas lives, ao mesmo tempo em que esperam comover consumidores dos grandes centros urbanos sobre suas condições de extrema pobreza, com as moradias precárias do vilarejo ao fundo e até mesmo usando roupas desgastadas.

Vistos por alguns como uma “espetacularização da pobreza”, os streamings são uma oportunidade fora da curva para muitos jovens que iriam abandonar os estudos e trabalhar em condições de extrema vulnerabilidade nas megalópoles do país. Mas, para algumas prefeituras locais, como a de Liangshan, toda essa exposição não condiz com os avanços que foram feitos e chega a contradizer a narrativa oficial do fim da pobreza extrema na China. Elas sugerem outro modelo de geração de renda por meios digitais, como já falamos por aqui. A reportagem é de Ji Guangxu para o Sixth Tone e vale um bom cafezinho.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Dúvidas? Consulte a documentação dos comentários.

5 comentários

  1. Me lembrei do caso do Turismo de Favela , que ao meu ver, tem um pouco da “espetacularização da pobreza”.

    Não que é exatamente “errado ganhar dinheiro se simulando como pobre”. Dependendo como é feito, é prato cheio para argumentos estilo “Matemática do Mendigo”, que muitos caras “liberais/de direita” usam para justificar alguns tipos de críticas que eles fazem sobre questões sociais.

    Isso também remete a questão que sempre nos surpreendemos nos estereótipos. Os canais de “gente que constrói uma casa com barro” por exemplo, ou os vídeos em redes tipo Kwai/TikTok, onde vemos comportamentos que as pessoas encravam o termo “coisa de pobre” nele.

    A cada dia, as pessoas notam que para “ganhar algo” no capitalismo, você tem que “monetizar” este algo. E tal “monetização” é o que faz a pessoa ter algum conforto. É a falha do capitalismo em si – de fato alguém que estuda ciências sociais pode dizer melhor se sem o capitalismo teríamos gente criando tecnologias populares. Mas de fato com o capitalismo, hoje tem gente que paga para ver outros usando o banheiro ou para ser xingado por outro. Então…

Compre dos parceiros do Manual:

Manual do Usuário