É importante entender como as empresas que fabricam nossos dispositivos operam porque o modelo de negócio impacta diretamente nos recursos oferecidos ou não.

Não é uma boa, por exemplo, esperar por recursos que reforcem a privacidade e limitem a publicidade direcionada no Android. O Google vive de publicidade, portanto lhe é vital a veiculação de anúncios mais segmentados e caros. (Recentemente, aliás, o Google associou os dados anônimos da DoubleClick aos das contas Google, identificando efetivamente as pessoas para fins comerciais/direcionamento de publicidade.)

A Apple, não, e isso se reflete em seus sistemas. O iOS é, talvez, o sistema mais progressista no sentido de blindar o usuário contra publicidade direcionada.

Além dos bloqueadores de anúncios liberados no iOS 9 (uso e indico o 1Blocker), o iOS 10 trouxe uma mudança importante na limitação de publicidade rastreada. Trata-se de uma opção para que desenvolvedores e redes de anúncios não consigam te isolar e, assim, enviar anúncios baseados em comportamento.

Para ativar essa opção, entre em Ajustes, depois Privacidade, role a página e toque em Publicidade e, na tela seguinte, ative o item “Limitar Publicidade Rastreada”.

Até a versão anterior do iOS, ativá-la fazia com que o sistema emitisse um “alerta” a apps que pedissem esse número identificador (conhecido por IDFA ou IFA), mais ou menos como o Do Not Track dos navegadores web. No iOS 10, a Apple refinou o comportamento da opção. Em vez do “alerta”, o sistema passou a enviar um IDFA padrão (00000000-0000-0000-0000-000000000000), impedindo formas indiretas de explorar esse identificador.

Pixel, o primeiro smartphone do Google, é um terminal para inteligência artificial

Confirmando o que já sabíamos, graças a vazamentos em baldes, o Google anunciou seus smartphones próprios, batizados Pixel e Pixel XL. Junto à dupla, a empresa também deu mais detalhes do Google Home, uma caixa de som Bluetooth inteligente; mostrou o Daydream View, óculos de realidade virtual que funcionarão com os Pixel; o Google Wifi, roteadores modulares que se conectam uns aos outros para ampliar o alcance da rede sem fio; e o Chromecast Ultra, agora com suporte a vídeo em 4K. (mais…)

Como a tecnologia engana as mentes das pessoas — por um mágico e especialista em ética do design no Google

por Tristan Harris

Tristan Harris foi Filósofo de Produtos no Google até 2016, onde estudou como a tecnologia afeta a atenção, o bem estar e o comportamento de um bilhão de pessoas. Ele é parte do Time Well Spent, um esforço que encoraja as empresas de tecnologia a oferecer escolhas honestas e que respeitem o tempo dos usuários.


“É mais fácil enganar pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas.”
— Autor desconhecido

Sou especialista em como a tecnologia assalta as nossas vulnerabilidades psicológicas. Foi por isso que passei os últimos três anos trabalhando com ética do design no Google, cuidando de como desenvolver coisas de um jeito que defenda as mentes de bilhões de pessoas de serem exploradas.

Quando estamos utilizando tecnologias, frequentemente focamos de forma otimista em todas as coisas que ela faz por nós. Mas eu quero te mostrar onde ela pode fazer o oposto.

Onde a tecnologia explora as fraquezas da nossa mente? (mais…)

O que os planos de compartilhamento de dados entre Facebook e WhatsApp significam para a privacidade do usuário

por EFF

Logo da EFF.A Electronic Frontier Foundation é uma organização norte-americana sem fins lucrativos que defende a liberdade e os direitos civis no mundo digital. Em parceria com a EFF, o Manual do Usuário traduzirá e republicará conteúdo do blog da fundação — matérias pertinentes sobre temas importantes.

Por Gennie Gebhart


Atualização (16/9/16): Deixamos mais claro que os usuários têm 30 dias depois de verem pela primeira vez a atualização da política de privacidade do WhatsApp para concordar ou não com seus termos. Também deixamos mais claro que contas criadas após 25 de agosto ingressam no serviço sob a nova política de privacidade sem opção para negar o compartilhamento de dados que ela implica.

O WhatsApp está definindo práticas de compartilhamento de dados que sinalizam uma mudança significativa em sua atitude relacionada à privacidade — embora você talvez não adivinhasse isso com base na atualização da política de privacidade que apareceu nas telas dos usuários no final de agosto. (mais…)

O WhatsApp adotou a criptografia de ponta-a-ponta. O que isso significa?

Colaborou Emily Canto Nunes.

Como usuário atento do WhatsApp que é, você já deve ter notado uma mensagem de fundo amarelo dizendo “As mensagens que você enviar para esta conversa e chamadas agora são protegidas com criptografia de ponta-a-ponta”. O app de mensagens mais popular do mundo finalmente fez o que havia prometido em 2014. Mas o que isso significa para os mais de um bilhão de usuários? (mais…)

Políticos estão começando a usar o Telegram por causa do recurso de Chat Secreto

Nos Estados Unidos e no Brasil a justiça tem esbarrado na criptografia de sistemas domésticos, gratuitos e populares durante a coleta de provas em ações criminais. Do iPhone ao WhatsApp, a garantia é de que tudo o que é seu está protegido — dos segredos mais sórdidos a provas criminais, mas também as fotos de família e as conversas sem rumo nos grupos de bate-papo. E, apesar dos entraves com a justiça, que são totalmente passíveis de discussão, no geral isso é bom e toda essa privacidade, fácil e acessível, deve ser celebrada.

Mas há um passo além que pode ser dado por aqueles que se preocupam muito com privacidade ou que tenham que lidar com assuntos mais sensíveis ou, se expostos, vexatórios e até incriminadores. Ele atende pelo nome de Telegram. Se você nunca teve a curiosidade de explorar o potencial de segurança desse app ou sequer sabe do que ele é capaz, continue comigo. (mais…)

Como funciona a segurança do iPhone que o FBI quer que a Apple quebre

A Apple está envolvida numa grande polêmica nos EUA. A justiça do país solicitou à empresa o desbloqueio de um iPhone 5c usado por Syed Rizwan Farook, um dos dois atiradores do massacre de San Bernardino em dezembro de 2015, suspeitos de terem ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico. A Apple já se posicionou dizendo, em uma carta aberta assinada pelo CEO Tim Cook, que não cumprirá a ordem por entendê-la prejudicial aos interesses dos seus clientes. Como funcionam as proteções do iPhone que o FBI quer que sejam quebradas pela própria Apple? (mais…)

Não, as Smart TVs da Samsung não espionam suas conversas

No começo de 2015 a Samsung descobriu o estrago que uma frase mal formulada pode causar. A política de privacidade das suas Smart TVs dizia (tradução livre):

Por favor, atente que se suas palavras faladas incluírem informações pessoais ou sensíveis, essas informações estarão entre os dados capturados e transmitidos para um terceiro através do uso de Reconhecimento de Voz.

A Internet descobriu e teorias começaram a surgir misturadas com doses (justificadas, eu diria) de revolta. Em pouquíssimo tempo alguém traçou o paralelo com 1984, o célebre romance distópico de George Orwells — e foi daí para pior. (mais…)

Quem são Kunlun e Qihoo 360, empresas chinesas que compraram o Opera

A Opera, empresa norueguesa que desenvolve há muito tempo um navegador web homônimo, recebeu uma oferta de compra de um consórcio de empresas chinesas no valor de US$ 1,2 bilhão. O acordo ainda depende da aprovação dos acionistas e de órgãos regulatórios, mas tudo indica que será fechado — o conselho, inclusive, “decidiu unanimemente pela recomendação” da aprovação. Ele diz muito sobre duas áreas da tecnologia em alta: navegadores web e China. (mais…)

6 atitudes para começar o ano de bem com a tecnologia

Atualizado em 1º/1/2026.

Você provavelmente dorme até mais tarde e come mais que o normal (além de ser feriado nacional), mas, fora isso, 1º de janeiro é um dia como qualquer outro. Para muita gente, porém, o novo ano chega carregado de simbolismos.

Acreditamos em recomeços. Por vezes, o ano novo funciona como uma nova chance de fazer diferente, de mudar hábitos e comportamentos, de melhorar. Pode ser um bom momento, pois, para repensar sua relação com a tecnologia.

Na correria do dia a dia, empurramos com a barriga e deixamos de lado pequenas ações que, quando realizadas, podem ter um impacto positivo enorme e duradouro na forma como gastamos o tempo interagindo com sistemas digitais. Além disso, o acúmulo de pequenos deslizes e exceções pode emperrar fluxos de trabalho que, com alguma manutenção, podem ser mais eficientes.

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O lançamento do iOS 9 ontem (16/9) trouxe uma novidade não muito alardeada, mas que está preocupando produtores de conteúdo na web: suporte a bloqueadores de anúncios. (mais…)

Uma das poucas chateações que tenho com o buscador do Google é a impossibilidade de copiar links “puros” dos resultados. O Google usa um JavaScript de redirecionamento, então é ele, e não o link de fato, que acaba copiado para a área de transferência. Se não entendeu nada, veja este vídeo. O Facebook também faz isso.

Além de dificultar a cópia do link, as duas empresas usam esse “pedágio” para registrar todos os nossos cliques, ou seja, é mais um artifício para conhecerem e assimilarem nossos hábitos de navegação.

A extensão DirectLinks remove esse JavaScript. A original é para Safari, mas fizeram uma versão para Chrome que funciona tão bem quanto.

Só que há um porém: ela surte efeito apenas no google.com; no google.com.br, não. Felizmente o código-fonte está disponível no GitHub, então não deve ser muito difícil alterar esse detalhe. Alguém se habilita?

Atualização (8/9, 10h30): O leitor Vinicius Kunst indicou a extensão GSanitizer, que faz a mesma coisa e funciona nas versões localizadas do Google, como google.com.br. Baixe-a aqui.

Via Daring Fireball.

O que eu perco (e ganho) trocando o Google pelo DuckDuckGo

O Google ainda é, de longe, o buscador mais usado no mundo. No Brasil, sua fatia do mercado passa dos 90%, e não é por acaso: é um serviço bom, que costuma entregar o que o usuário procura numa frequência bem satisfatória. Apesar disso, o Google não é o único e, por uma série de razões, resolvi experimentar o DuckDuckGo por uns tempos. (mais…)

Todos os termos de uso deveriam ser simples como os do Simplenote

Não há dados para provar, mas dizem por aí que “Li e concordo com os termos de uso” é a maior mentira da Internet. E dá para acreditar que seja mesmo. São tantos que nos empurram, e quase todos enormes e ininteligíveis, que ignorá-los passou a ser o comportamento padrão. Eu te entendo, amigo. (mais…)

Não, o Google não vai usar suas fotos salvas no Google Fotos para fazer propaganda

O novo Google Fotos é fantástico, mas suas fotos estarão seguras lá? O que diz os termos de uso da empresa?

Alguns sites (Loop Insight, The Register) alertam: leia os termos de uso antes de entregar suas fotos ao Google. Ambos citam um trecho que, segundo a interpretação dos seus autores, concedem poderes ao Google para, basicamente, se apropriar das imagens enviadas e usá-las da maneira que quiser, inclusive em propagandas do serviço. (mais…)