Anúncio Black Friday: Assine a NordVPN com 72% de desconto

Não, o Google não vai usar suas fotos salvas no Google Fotos para fazer propaganda

O novo Google Fotos é fantástico, mas suas fotos estarão seguras lá? O que diz os termos de uso da empresa?

Alguns sites (Loop Insight, The Register) alertam: leia os termos de uso antes de entregar suas fotos ao Google. Ambos citam um trecho que, segundo a interpretação dos seus autores, concedem poderes ao Google para, basicamente, se apropriar das imagens enviadas e usá-las da maneira que quiser, inclusive em propagandas do serviço.

No início de 2012 o Google unificou os termos de uso de seus serviços, ou seja, passou a usar apenas um contrato para poder cruzar seus dados e oferecer um serviço melhor — é assim que aqueles e-mails com passagens aéreas aparecem magicamente como cartões do Google Now no seu celular, por exemplo.

O trecho da discórdia, invocado pelo pessoal que diz para evitar o Google Fotos, diz o seguinte:

Quando você faz upload, submete, armazena, envia ou recebe conteúdo a nossos Serviços ou por meio deles, você concede ao Google (e àqueles com quem trabalhamos) uma licença mundial para usar, hospedar, armazenar, reproduzir, modificar, criar obras derivadas (como aquelas resultantes de traduções, adaptações ou outras alterações que fazemos para que seu conteúdo funcione melhor com nossos Serviços), comunicar, publicar, executar e exibir publicamente e distribuir tal conteúdo. Os direitos que você concede nesta licença são para os fins restritos de operação, promoção e melhoria de nossos Serviços e de desenvolver novos Serviços. Essa licença perdura mesmo que você deixe de usar nossos Serviços (por exemplo, uma listagem de empresa que você adicionou ao Google Maps).

Isso diz respeito ao funcionamento interno das ferramentas do Google. No caso do Fotos, gerar GIFs animados, colagens e criar as pesquisas inteligentes automaticamente, por exemplo. Tratam-se de “obras derivadas” do original, né?

O trecho mais importante é o que está imediatamente antes desse:

Alguns de nossos Serviços permitem que você faça upload, submeta, armazene, envie ou receba conteúdo. Você mantém a propriedade de quaisquer direitos de propriedade intelectual que você detenha sobre aquele conteúdo. Em resumo, aquilo que pertence a você, permanece com você.

Não é a primeira vez que a desconfiança paira sobre essa parte, e ela é justificada. Em abril de 2012, quando o Google Drive foi lançado, ficamos encucados com esse juridiquês no Gizmodo. Na ocasião, bati um papo com a assessoria do Google no Brasil, que garantiu: os arquivos hospedados no Drive são de propriedade exclusiva do usuário que os envia.

A abrangência dos termos de uso, que cobrem dezenas de produtos do Google em pouco mais de duas mil palavras, gera situações do tipo. Do túnel do tempo:

Outro ponto polêmico da política é o que concede direito ao Google de ‘comunicar, publicar, executar e exibir publicamente e distribuir tal conteúdo.’ O The Next Web acha que isso é uma permissão para que os usuários acessem seus usuários de computadores públicos, como os de bibliotecas e lan houses; a nosso ver, porém, trata-se de algo que recai em outros serviços que não o Drive; eis, pois, o problema de uma política de privacidade que alcança cerca de 70 serviços. No caso, isso deve dizer respeito a sites como o YouTube, onde a publicidade é inerente ao seu funcionamento.

A conclusão a que chegamos na época, de que ao explorar os arquivos do usuário o Google criaria um apocalipse de relações públicas e teria sua reputação marcada eternamente, continua valendo, e ainda mais em 2015. É uma questão que transcende o jurídico; apropriar-se de fotos dos usuários sem o consentimento desses seria suicídio comercial.

Há motivos para se preocupar com a privacidade, mas ver a foto do churrasco de Natal num anúncio do Google não deve ser um deles. E convenhamos: nossas fotos nem são tão boas assim…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

23 comentários

  1. Minhas fotos foram parar no Google Maps, eu salvei no Google fotos e um mês depois recebi um e mail,dizendo que minhas fotos tiveram 1000 visualizações no Google Maps! Pow,eu não sabia disso. Agora queria saber como foram pra lá. Não gostei nada disso, e agora vou retirar minhas fotos de lá. Haja paciência.

    1. Você deve ter clicado sem querer em uma notificação, pois aqui o Google Maps pois aqui manda notificação “Você desejar upar suas fotos em tal lugar no Google Maps?”.

  2. Pois é, não tenho noia contra isso. O que acho bem possível de acontecer é que ele use nossas fotos para melhorar nosso perfil publicitário. Por exemplo, com esse reconhecedor automático de que se você está na praia, no campo, ou seja lá onde for, ele pode criar um perfil pra você e sei lá, de repente passar a exibir propagandas de protetor solar ou outros produtos relacionados ao tipo ou local da maioria de suas fotos e tal.

  3. Salvo tudo lá e sou feliz. Consegui finalmente liberar espaço no me celular.

    Jogo tudo lá, e apago todas as fotos no meu celular. Estou muito feliz e super satisfeito.

    Não me preocupo mais com isso. Ilimitado e grátis, preciso de mais nada.

    Alias, o que me falta saber no Google Fotos é quantas fotos já enviei e quanto de espaço estou utilizando, ex: 3 mil fotos / 10gb , não tem isso ainda :(

    Em lugar nenhum ele diz quanto está sendo utilizado ou quantas fotos tem.

    1. Você tá usando o novo esquema de fotos “ilimitadas” ou a opção de mandar as fotos originais?

  4. O Google fotos é ao menos uma troca um pouco mais vantajosa. Sim, meus dados e tudo que fotografo serão colocados no contexto a partir de agora. Mas ao menos, foi-me entregue um aplicativo nota 10.

    E como vc disse Rodrigo, se minhas fotos de churrasco, casamentos, encontros da turma, carros e etc tirados com o camera-manco Moto X 2Gen aparecerem em um *anuncio*, duas consequências ocorrem: A queda de moral do Google por ter usado uma foto não tão boa assim. E eu de orgulho, ao ver uma foto minha ter ficado tão boa assim! risos.

    1. Acho que o problema é o Google ficar sabendo a marca de cerveja que vc usa no churrasco, as pessoas que estão contigo no encontro da turma etc. Não é paranoia, vide Google Goggles e afins, a tecnologia jná está pronta pra isso.

      1. Luís, eu entendo essa preocupação. Em uma simples e boba foto dá para ver as marcas que estão presentes no meu dia a dia, com quem estou, onde costumo ir e muitos etc´s que as vezes eu nem sei que vão entrar no contexto. E com o aumento do poderio das cameras de celular, mais detalhes podem ser capturados e lidos. Agora, por outro lado, ficando no seu exemplo, 95% dos meus amigos sabem que cerveja que eu gosto, assim como sei as deles. E normalmente boa parte deles postam fotos nossas (E sou marcado) no Facebook.. Ou seja, o “sistema” já sabe com quem eu estou e onde estou, e também não é segredo. Isso não me preocupa.

        O que uma vez o Rodrigo mesmo muito bem ponderou em um comentário em outro post, o medo começa quando eles usam o que eu gosto, não para mandar coisas inocentes, como uma promoção de barris de cerveja (que alias, foi sensacional… 33,00 cada barril) e sim para tentar influenciar meu hábito para ser um consumidor como eles querem no futuro. Moldar meu gosto, meus hábitos. Até minhas ideologias e pensamento. Aí mora o perigo mesmo.

        Mas como eu tbm disse em uma discussão aqui, ainda estamos em um primeiro capitulo dessa (in) privacidade 2.0.. Por enquanto, acho que não vejo nada de mal. Mas tem muita coisa pela frente.

  5. Não sei, pode ser coisa minha, mas estou começando a pensar que o pessoal está meio paranóico demais com as coisas e querendo colocar toda a culpa da Internet no Google.

    Nunca vi uma notícia de vazamento de informação ou algo assim é não creio nesta vilanesca atitude do Google de se utilizar do usurário de maneira desonesta ou prejudicial.

    Já tive uma longa conversa por aqui sobre isso e apesar de entender os argumentos que me apresentaram continuo achando que estamos mais uma vez em busca do Herói e Vilão e os papéis de maneira irônica se inverteram muito bem. Até quando? Quem será o próximo vilão? A Apple, quando todos seus usuários estiverem presos aos seu ecossistema e ela souber tudo que acontece na sua casa e não “existir mais volta” ou será a Microsoft mais uma vez com seu vídeo game, computador e celular tomando conta da casa?

    Sei lá, uso os serviços do Google e da Microsoft, mas por questões de praticidade pois confio que meus dados estarão seguros e que não vejo muito como ser prejudicado pela forma que hoje eles são “curados”.

    Minha impressão.

    1. Acho estranho que o maior problema, na minha opinião, que eram os abusos de poder que a NSA cometia usando dados dessas empresas ficou em segundo plano para uma briga entre as empresas…o que me parece um problema bem menos urgente.

      Em relação ao uso pelas empresas dos dados, não que eu ache correto a Apple ser a salvadora como ela meso está se propondo, mas é algo válido a ser discutido em relação ao Google e Facebook. A Apple tem uma fonte de lucro clara que são os dispositivos, diferente do Google que oferece tudo gratuitamente sem uma fonte de renda clara fora os anúncios.

      Não acho que faça sentido fugir do Google e tals, mas acho importante que seja posto em pauta para que cada um possa refletir sobre a questão e decidir: tudo bem ou tenho motivos para preferir de outra forma? Talvez até considerar a cobrança de serviços dependendo das prioridades das pessoas.

      E realmente parece existir um movimento anti-Google, mas acho que é normal aumento de críticas de quem chega ao topo. Já foi a Microsoft, a Apple e o Google dividem o trono hoje.

    2. Acho estranho que o maior problema, na minha opinião, que eram os abusos de poder que a NSA cometia usando dados dessas empresas ficou em segundo plano para uma briga entre as empresas…o que me parece um problema bem menos urgente.

      Em relação ao uso pelas empresas dos dados, não que eu ache correto a Apple ser a salvadora como ela meso está se propondo, mas é algo válido a ser discutido em relação ao Google e Facebook. A Apple tem uma fonte de lucro clara que são os dispositivos, diferente do Google que oferece tudo gratuitamente sem uma fonte de renda clara fora os anúncios.

      Não acho que faça sentido fugir do Google e tals, mas acho importante que seja posto em pauta para que cada um possa refletir sobre a questão e decidir: tudo bem ou tenho motivos para preferir de outra forma? Talvez até considerar a cobrança de serviços dependendo das prioridades das pessoas.

      E realmente parece existir um movimento anti-Google, mas acho que é normal aumento de críticas de quem chega ao topo. Já foi a Microsoft, a Apple e o Google dividem o trono hoje.

      1. Exatamente Gabriel. Privacidade é um mercado. Penso o mesmo: Você vai pagar dinheiro para ter serviços com privacidade OU paga com privacidade para ter serviços.

  6. Vindo do google, é preciso suspeitar, mesmo que as fotos sejam irrelevantes para termos publicitários.
    Hoje mesmo tomei conhecimento desse Google Weddings: google.com/weddings
    No meu ponto de vista significa que até a organização do meu casamento será monitorada.
    Pagar o uso de um serviço com a quebra da minha privacidade não parece ser barato. Ainda que eu não tenha nada a esconder.

  7. Tenho outros grilos, como reconhecimento facial gerando dados para o Google sobre onde e com quem andamos, com que frequência vamos a quais lugares, etc.

    1. Li em algum lugar que o Google não libera o reconhecimento facial das fotos apenas pq não é o momento, mas que a tecnologia já está bem madura pra isso. Então, o que eles fazem em termos de usar essas fotos para fins internos, é pra deixar preocupado mesmo…

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

Nossas indicações literárias »

Manual do Usuário