Os bloqueadores de anúncios para iPhone estão entre nós


17/9/15 às 9h08

O lançamento do iOS 9 ontem (16/9) trouxe uma novidade não muito alardeada, mas que está preocupando produtores de conteúdo na web: suporte a bloqueadores de anúncios.

Na verdade, o que o iOS 9 permite é “bloquear conteúdo”, ou seja, não é algo direcionado exclusivamente para anúncios como a extensão (para computadores) AdBlock Plus, mas sim uma solução para resguardar a privacidade do usuário e acelerar o carregamento de páginas web. Ocorre que, não por coincidência, eliminar anúncios e scripts que monitoram hábitos de navegação é uma das coisas que dão ótimos resultados nesse sentido.

A simplicidade de se criar tais bloqueadores fez com que a App Store fosse inundada com apps do gênero ontem. O TechCrunch analisou três dos mais promissores, mas o que chamou a minha atenção foi o Peace, do Marco Arment, porque ele é o único (até onde sei) que usa a base de dados da Ghostery, extensão que faz um trabalho sensacional de bloquear scripts de redes programáticas e outros elementos que monitoram nosso comportamento na web.

O Peace custa US$ 2,99 e, em menos de um dia, já é o app pago mais baixado da App Store americana.

Atualização (18/9, às 14h10): em menos de dois dias, o que ninguém esperava aconteceu: Marco tirou o Peace da App Store alegando desconforto com a situação — leia-se prejudicar produtores de conteúdo independentes/pequenos, muitos do seu círculo de amizades. Por tudo que li, a melhor alternativa (superior ao próprio Peace) é a 1Blocker, que permite excluir do bloqueio certos elementos, uma granularidade que não vi em outro app do tipo.

A abertura do iOS a bloqueadores de anúncios tem sido encarada por muitos como um possível divisor de águas na forma como a produção de conteúdo na web é feita e remunerada. Os mais otimistas apostam que o impacto nessa fonte de renda levará os produtores a buscarem formas alternativas e menos invasivas de faturar. Os pessimistas, que toda essa reviravolta afetará justamente os sites pequenos, diminuindo a diversidade de vozes na Internet e concentrando ainda mais a renda da publicidade em plataformas como Facebook e Google.

Ainda é cedo para dizer no que isso vai dar (ou se dará em alguma coisa), mas independentemente das implicações, as vantagens ao usuário no bloqueio tanto código desnecessário e até danoso entregue pelos sites são muitas: além do ganho em privacidade, as páginas carregam mais rapidamente, o visual fica menos poluído e a bateria do iPhone dura mais.

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