Países processando a big tech é algo corriqueiro, mas o contrário não é todo dia que acontece. Na Índia, o WhatsApp foi à suprema corte para pedir que uma nova lei seja declarada inconstitucional. A lei exige que aplicativos identifiquem os remetentes de mensagens relacionadas a crimes a pedido das autoridades. Para cumpri-la, seria preciso quebrar a criptografia de ponta a ponta do aplicativo. Via Reuters (em inglês).

O WhatsApp está certo nessa. Não se abre exceção em criptografia — se sim, deixa de ser criptografia. Imagine algo assim no Brasil de 2021, cujo governo persegue colunistas de jornais e, no caso de um deles, parentes recebem ligações anônimas (!) “sugerindo” um pedido de desculpas público.

Na Índia, o governo de Narendra Modi está em choque com a big tech. Dias atrás, a polícia fez uma batida no escritório local do Twitter depois que a rede social rotulou posts do porta-voz do partido governista como “mídia manipulada”. Via Gizmodo Brasil.

Um “problema” de aplicativos do tipo que você configura e esquece é que, numa dessas, novidades acabam passando batidas. Tomei um susto ao abrir o 1Blocker no iOS, um dos favoritos da casa, e deparar-me com uma interface reformulada e um novo recurso de firewall.

A novidade apareceu no final de abril, no 1Blocker 4. Ao ativar o firewall, o aplicativo passa a bloquear mais de 9,2 mil rastreadores em aplicativos, e o faz localmente, sem contatar servidores externos. É um passo empolgante para o 1Blocker, que antes disso só agia dentro do Safari/navegador web, e que o equipara a outras soluções do mercado como o AdGuard — no iOS, pelo menos.

O firewall do 1Blocker está disponível sem custo adicional aos usuários premium — assinantes ou quem comprou a licença vitalícia do app. Via 1Blocker (em inglês).

Google e o “greenwashing” da privacidade

Depois de passar em branco em 2020 por causa da pandemia, o Google retomou seu grande evento anual para desenvolvedores, o Google I/O, nesta semana. (Um resumo de 16 minutos.) Na abertura, a empresa apresentou uma nova identidade visual para seus produtos, o Android 12 e, curiosamente, recursos de privacidade. Sim, o Google.

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Mais países se manifestaram contra a nova política de privacidade do WhatsApp. Na segunda (17), a Argentina ordenou que o Facebook suspendesse as mudanças em seu app a fim de evitar “uma situação de abuso de posição dominante”. A suspensão durará por pelo menos seis meses. Via Folha de S.Paulo, Argentina.gob.ar (em espanhol).

Na terça (18), a Índia deu ao Facebook/WhatsApp sete dias para apresentar uma resposta “satisfatória” a respeito das mudanças na política de privacidade, e ameaçou tomar medidas legais caso a demanda não seja atendida. Lá, pesa muito o fato de que os novos termos não serão aplicados na União Europeia.

A Índia é o maior mercado do WhatsApp, com 450 milhões de usuários, e tem um histórico de medidas drásticas — em junho de 2020, o país baniu dezenas de aplicativos chineses, incluindo alguns muito populares como TikTok e WeChat. Via TechCrunch (em inglês).

No Brasil, vale lembrar, os efeitos do não aceite da nova política de privacidade do WhatsApp foram suspensos por 90 dias a pedido do Cade, Ministério Público Federal e Senacon.

O WhatsApp acatou pedido do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Ministério Público Federal (MPF), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e adiou em 90 dias o início da degradação da experiência dos usuários de WhatsApp que não aceitarem sua nova política de privacidade.

Inicialmente, os usuários teriam até 8 de fevereiro para aceitar o novo texto. Depois, o WhatsApp/Facebook alterou o prazo para 15 de maio. Agora, com a nova prorrogação, a data limite muda para meados de agosto. Nesse intervalo, a empresa e os três órgãos discutirão pontos de preocupação em relação à nova política de privacidade. Via O Globo.

O WhatsApp como um bar

Analogia é o recurso linguístico mais preguiçoso que existe para explicar algo. Peço desculpas antecipadamente para fazer uso de uma nesta breve análise do WhatsApp às vésperas da entrada em vigor da sua nova política de privacidade.

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À luz da nova política de privacidade do WhatsApp, a Alemanha proibiu o Facebook de processar dados dos usuários do app de mensagens. Para isso, amparado pelo GDPR, o órgão regulador máximo do país impôs um congelamento de três meses na coleta de dados do WhatsApp.

O Facebook se defendeu, dizendo que houve um “mal entendido”. E eles estão certos: o Facebook cruza dados do WhatsApp com os de suas outras propriedades desde 2016, ou seja, isso não é novo e nada tem a ver com a nova política de privacidade. De qualquer forma, ela tem seus problemas e este episódio na Alemanha é mais um tijolo colocado no muro que tenta barrar a mudança no app, que passa a valer neste sábado (15). Via Reuters (em inglês)

Gráfico em linha mostrando a média diária de 'opt-in' do ATT no iOS 14.5 desde 28 de abril (dia do lançamento dessa versão do sistema).
Gráfico: Flurry Analytics/Reprodução.

Apenas 13% dos usuários que se depararam com a tela da Transparência no Rastreamento em apps (ATT) no iOS 14.5 permitiram que os apps os rastreassem em outros locais. No mínimo, isso mostra como as práticas da indústria da publicidade online estão desalinhadas dos interesses da maioria das pessoas. Via Flurry Analytics (em inglês).

O WhatsApp alterou a página de suporte que detalha o que acontecerá às contas daqueles que não aceitarem a nova política de privacidade do app, que passa a valer a partir de 15 de maio.

Em inglês, a nova redação diz que “ninguém terá suas contas apagadas ou perderá funcionalidades em 15 de maio por causa dessa atualização”. A redação anterior, que ainda está na versão em português do Brasil, dizia que “O WhatsApp não apagará sua conta, mesmo se você não aceitar a atualização dos Termos de Serviço até essa data. Entretanto, você não poderá usar alguns recursos do WhatsApp até aceitar essa atualização. Por um curto período, você ainda poderá receber chamadas e notificações, mas não poderá ler nem enviar mensagens pelo app.”

Ainda segundo o novo texto, os pedidos para que o usuário aceite a nova política de privacidade se tornarão mais frequentes e, depois de “algumas semanas”, o WhatsApp começará a parar — chamadas, mensagens e notificações deixarão de ser recebidas pelo aparelho.

O histórico do app não será apagado mesmo após isso, mas a política de contas inativas continuará valendo. Segundo ela, o WhatsApp pode apagar contas após 120 dias de inatividade.

Três anúncios do Signal, em texto e em inglês, detalhando características dos usuários que os receberam.
Imagem: Signal/Divulgação.

O Signal comprou anúncios segmentados no Instagram para mostrar aos usuários atingidos como seus dados são usados pelo Facebook. Os anúncios não tentam vender nada; eles apenas mostram, em texto, quais dados pessoais o Facebook usou para decidir exibi-los. “A maneira como a maior parte da internet funciona hoje seria considerada intolerável se traduzida em analogias do mundo real compreensíveis, mas ela permanece porque é invisível”, escreveu Jun Harada no blog do app.

Em um dos anúncios (o primeiro acima), lê-se:

Você recebeu este anúncio porque é um engenheiro químico que ama K-Pop.

Este anúncio usou sua localização para ver que você está em Berlim.

E você acabou de ter um bebê. E mudou-se. E tem sentido pra valer aqueles exercícios para gravidez recentemente.

A conta do Signal no Facebook foi bloqueada e os anúncios, desabilitados. Curioso que, nesses casos, os sistemas de moderação funcionam e as regras se aplicam.

“O Facebook quer muito vender uma visão das vidas das pessoas, a menos que você conte às pessoas como seus dados estão sendo usados”, prosseguiu Jun. Genial. Via Signal (em inglês).

Quase 30 organizações sul-americanas assinaram um comunicado conjunto a respeito da nova política de privacidade, cujo aceite passa a ser obrigatório no próximo dia 15 de maio. Elas pedem para que o Facebook suspenda no mundo inteiro a aplicação da nova política de privacidade e desfaça o compartilhamento de dados entre WhatsApp e Facebook, vigente desde 2016. Via AI Sur (em espanhol).

Para entender o que está em jogo na nova política de privacidade do WhatsApp e por que ela causa tanta aversão, leia esta análise.

Colaborou Jacqueline Lafloufa.

Prints, em inglês e português, da tela que o Facebook exibe ao pedir autorização para rastrear o comportamento dos usuários no iOS 14.5.
Montagem sobre imagens do Facebook/Divulgação.

Ao pedir a seus usuários para que liberem o rastreamento dos seus passos no iOS 14.5, recurso chamado de Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês, o Facebook apelou. Na mensagem (acima), presente nos apps do Facebook e do Instagram, a empresa diz que rastrear todos os passos do usuário em sites e outros apps do celular “ajuda a manter o Facebook/Instagram gratuito”. Via @ashk4n/Twitter (em inglês).

O apelo tem razão de ser. Há meses o Facebook reclama do novo recurso de privacidade do iOS 14.5, lançado segunda passada (26/4). E os primeiros sinais do “ad-pocalipse” começam a aparecer: dados preliminares da consultoria Branch Metrics apontam que apenas 4% das pessoas que viram a tela de autorização do ATT liberaram o rastreamento irrestrito por apps. Via @alexdbauer/Twitter (em inglês).

Até 2019, o Facebook estampava na capa do seu site que o serviço “é gratuito e sempre será”. Mais uma evidência do valor que a palavra das grandes empresas tem. Via Insider (em inglês).

https://www.youtube.com/watch?v=dO0aVJ-CwnQ

O iOS 14.5 está entre nós e, com ele, a obrigatoriedade da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso que obriga apps a obterem o consentimento do usuário para rastreá-los em outros apps e na web. A Apple publicou um vídeo explicando-o (acima). Via Apple/YouTube.

Com a chegada iminente do iOS 14.5, a Apple avisou os desenvolvedores de apps que, a partir da próxima segunda-feira (26), o App Tracking Transparency (ATT) passa a ser obrigatório. O recurso exige que apps para iOS que coletam dados do usuário em sites e outros apps (veja como funciona) obtenham autorização expressa para continuarem com tal prática. Via Apple (em inglês).

Os desenvolvedores do WordPress estão debatendo como o software, que está por trás de 41% dos sites da web (incluindo este Manual do Usuário), tratará o FLoC como uma questão de segurança. (FLoC é o projeto do Google para continuar segmentando publicidade sem o auxílio de cookies. Falamos dele no último Guia Prático.) A proposta é que o WordPress saia de fábrica configurado para bloquear a atuação do FLoC. Se um administrador quiser alterar essa configuração, ele poderá. A configuração padrão, como sabemos, é o que importa. Via WordPress (em inglês).

Em paralelo, Microsoft (navegador Edge) e Apple (Safari), embora não tenham se manifestado explicitamente sobre o assunto, já deram sinais de que devem rejeitar o FLoC. Via Bleeping Computer (em inglês).