Nem Material Design, nem iOS 7 são herdeiras da linguagem Metro

Toda vez que alguém mostra um retângulo de uma cor só ou uma tipografia grande na tela, em menos de três segundos alguém no fundo da sala grita “metro!” Com seu aspecto plano, bastante espaço para respirar e visual peculiar, a linguagem Metro (ou moderna, ou seja lá como chamam ela hoje) conseguiu um feito não intencional, não sei se desejável, mas digno de nota: ser atribuída como precursora de uma tendência da qual ela nem é parte.

Na Google I/O desse ano, a linguagem visual Material Design chamou a atenção. E com mérito: é uma proposta ousada, muito bonita e que consegue o feito raro de ser praticável na mesma medida em que é ambiciosa. É só ver as reações no Twitter e em blogs de tecnologia, incluindo aí a de muitos críticos contumazes do Google, para ver que o trabalho liderado por Mathias Duarte foi bem feito. (mais…)

O Nokia X2 chegou e trouxe vários questionamentos de carona

Faz cerca de quatro meses que a Nokia anunciou a família X, smartphones de entrada rodando um Android modificado, sem serviços do Google e apinhado de coisas da Microsoft. Hoje, a linha ganhou uma evolução. O Nokia X2 chegou e trouxe, de carona, alguns questionamentos pertinentes e difíceis de responder.

O Nokia X2 é uma evolução tímida. Em desempenho, ganhou mais RAM (1 GB contra as versões com 512 e 768 MB) e um processador melhor, o Snapdragon 200 dual core de 1,2 GHz baseado no Cortex-A7 — o anterior, um Snapdragon S4 Play, era baseado na antiga CPU Cortex-A5. Nada drástico ou capaz de mudar a letargia de que sites especializados reclamaram em coro, mas ainda assim evoluções. (mais…)

Surface Pro 3: maior, mais fino e mais leve, agora de olho no MacBook Air

Surface Pro 3 com TypeCover e stylus.
Foto: Microsoft.

Nada de Surface Mini. No último evento da Microsoft, a empresa mostrou a nova versão do Surface Pro, ou Surface Pro 3. Desta vez o gadget mudou bastante, a ponto de alterar seu posicionamento. Agora vai?

Se do Surface Pro para o Surface Pro 2 tudo o que se viu foram atualizações incrementais, no Surface Pro 3 temos um gadget totalmente novo. A tela cresceu, de 10,6 para 12 polegadas, ele ficou mais fino e mais leve, e agora conta com ainda mais opções de configurações — além de RAM e armazenamento, dá para escolher o modelo do processador, Core i3, i5 ou i7. A pré-venda começa hoje em mercados selecionados (Brasil de fora), mas a entrega levará um tempo ainda; a versão intermediária (Core i5) chega em 20 de junho, as outras, em agosto.

Além de crescer, a tela ganhou mais resolução (2560×1440) e, mais importante, teve a proporção alterada para 3:2. Nunca entendi por que tablets Android e Windows vêm com telas 16:9; a área útil vertical fica tão limitada… Sem contar que normalmente utiliza-se esse tipo de gadget bem mais no modo retrato. Era uma escolha que não fazia lá muito sentido na prática. Pois bem, não é mais o caso, pelo menos com o Surface Pro 3.

Kickstand do Surface Pro 3.
Foto: Microsoft.

Outra crítica recorrente que parece ter sido sanada foi o Kickstand, o “pézinho” que segura o dispositivo de pé sobre uma mesa ou outra superfície. Agora, ele abre até 150º e não está limitado a posições pré-estabelecidas (uma no Surface Pro original, duas no seu sucessor). Qualquer ângulo dentro desse intervalo pode ser usado e, pelas impressões iniciais de quem esteve no evento, o mecanismo passa a confiança de que durará a vida útil do gadget sem “amolecer”.

Essas e outras mudanças, reforçadas pela apresentação em Nova York, reposicionaram o gadget. A sensação geral é de que a Microsoft desistiu de disputar espaço com o iPad e partiu em uma investida contra o MacBook Air. Como alguém disse por lá, o Surface Pro 3 não é um tablet em que você coloca um teclado, mas um notebook que permite que o teclado seja removido. Essa percepção dá uma nova dinâmica à aos números. Ele é pesado, com 800 g? Sim, mas comparando ao MacBook Air com mais de 1 kg… E esses 9,1 mm, o deixam muito grosso? Talvez, mas já viu a espessura de um Ultrabook? É o equipamento com Intel Core mais fino já criado, um feito da engenharia, mas isso não diz muito se você o encara como um tablet. E ele ainda tem ventoinha.

A TypeCover também passou por melhorias. Com o aumento físico do Surface Pro 3, ela também cresceu. O touchpad, muito criticado (e, convenhamos, inútil) nas iterações anteriores, ganhou mais atenção: está maior e mais sensível. Por fim, uma stylus continua presente no pacote e, além de ganhar variação de pressão, tem uns truques legais, como acordar o equipamento e salvar anotações do OneNote apenas apertando botões nela própria.

A Microsoft diz que o Surface Pro 3 é o tablet capaz de substituir notebooks, mas a grande questão, que não responde, é se alguém que use e confie em notebooks quer, de fato, trocá-lo por um tablet grandão. A TypeCover continua a ser vendida separadamente (US$ 129) e o preço base do Surface, de US$ 800, é da versão com Core i3. Junta, a dupla passa o valor do MacBook Air básico nos EUA (US$ 899), um aparelho consolidado e reconhecidamente bom.

Não sei se essa abordagem é melhor, e questiono, junto a outros, se é pelos híbridos que o público anseia. Essa é a premissa não só do Surface, mas do Windows 8, e uma que pouca gente tem comprado na prática. No review do ThinkPad 8 para o The Verge, David Pierce descreveu bem essa guinada nas expectativas quanto a gadgets de consumo tudo-em-um:

“(…) E o ThinkPad 8 pode ser um desktop, mas é mais um tablet. No geral, com algumas exceções notáveis, um bom [tablet].

Não acho que esse seja o futuro, porém. Não caminhamos para um mundo onde quando eu estiver saindo do escritório, desconecto meu tablet do mouse, teclado e monitor de 27 polegadas, para depois plugá-lo em um teclado-dock ou na minha TV quando chegar em casa. Em vez do hardware ser agnóstico em situações, nossas vidas estão se virando agnósticas em hardware.

Quando eu abri o ThinkPad 8 pela primeira vez, levei três minutos para deixá-lo do jeito que eu queria: fiz login, abri a Loja [do Windows], clique em ‘Selecionar tudo’ e ‘Instalar’, e o Windows cuidou do resto. Todas as minhas configurações, todos os meus dados, até mesmo minhas credenciais de serviços esperam por mim atrás de uma única senha.”

Sobram tentativas frustradas de consolidar vários gadgets em um só, do próprio Surface e todos os híbridos lançados nos últimos dois anos, passando pelo Ubuntu for Android, os lapdocks da Motorola… O mundo é “device agnostic”, nossos arquivos e configurações estão na nuvem; por que conviver com comprometimentos se podemos usar hardware específico para cada situação sempre sincronizados?

Alguns hands-on: The Verge, Engadget, AnandTech.

WhatsApp indisponível ilustra o grave problema dos apps ruins para Windows Phone

Se você tem o WhatsApp no Windows Phone, não apague!
Foto: Rodrigo Ghedin.

No último fim de semana o WhatsApp sumiu da loja de apps do Windows Phone sem explicação alguma. Algum tempo depois, os desenvolvedores explicaram ao WPCentral o motivo do sumiço: resolver problemas técnicos. Esse caso ilustra uma situação maior e mais grave na plataforma, a da (falta de) qualidade dos apps.

A justificativa completa do WhatsApp foi a seguinte:

“Infelizmente, devido a problemas técnicos, escolhermos remover o WhatsApp Messenger da plataforma Windows Phone. Estamos trabalhando junto à Microsoft para resolver esses problemas e esperamos retornar à loja rapidamente. Pedimos desculpas aos nossos usuários pela inconveniência temporária.”

Como lembrou o Gizmodo Brasil, é a segunda vez que isso acontece. Em outro post do WPCentral, do final de abril, Daniel Rubino notou que o WhatsApp estava há quatro meses sem receber atualização, qualquer uma, por menor que fosse, no Windows Phone. Descaso que nem de longe é exclusividade desse app.

Usuários reclamam do WhatsApp para Windows Phone.
Comentários ao WhatsApp, na loja de apps do Windows Phone.

Os apps populares chegaram, mas eles decepcionam

Ano passado, quando Instagram e Waze foram liberados para o Windows Phone, disse que ter apps populares era a solução para o sistema ganhar tração. Hoje, pode-se dizer que essa é parte da solução. Com grandes nomes disponíveis e alguns apps alternativos suprindo lacunas (Poki para Pocket, 6snap para Snapchat, por exemplo), não é difícil substituir os mais populares de Android e iPhone na plataforma da Microsoft. Mas substituir à altura? Aí a situação complica.

Curiosamente, são de desenvolvedores independentes, que trabalham geralmente sozinhos e gostam da plataforma, os apps mais bem resolvidos e ativos, como os dois citados acima. Das grandes empresas, costumam perceber apenas indiferença. Há um aparentemente grande esforço para lançar apps, mas a manutenção e o acréscimo de funções que se seguem, ou que deveriam seguir, são bem menos frequentes.

Apps como Instagram, Twitter, WhatsApp, Foursquare e Tumblr são, no Windows Phone, experiências inferiores, passageiros de segunda classe. Não recebem atualizações, não ganham novos recursos, com sorte continuam funcionando. E funcionando mal, porque já de início eles não oferecem a mesma qualidade que em outras plataformas mais maduras.

De quem é a culpa? Conversei com o Guilherme Manso, entusiasta do Windows Phone, para tentar entender o que ocorre. Ele apontou alguns problemas, como o posicionamento do sistema ante os concorrentes em um distante terceiro lugar, o baixo investimento das empresas em desenvolvedores e designers especializados em Windows Phone, o uso de ferramentas de conversão automática que geram apps feios ou lentos — muitas vezes, ambos. Não é um problema simples ou fácil de se resolver.

Um longo e trabalhoso processo

Ter uma presença tão ampla quanto a Microsoft tem também parece afetar indiretamente o sistema. Críticas à falta de apoio da empresa costumam aparecer aqui e ali. Nesta, Bryan Biniak, então VP da Nokia responsável por fomentar o desenvolvimento de apps, disse:

“Para dar-lhe uma razão para mudar [para o Windows Phone], preciso ter certeza de que os apps com os quais você se importa não só estejam no seu dispositivo, mas que sejam melhores. Também preciso oferecer experiências únicas que você não obtém em outros dispositivos.”

Antes, ele aponta o Xbox como exemplo positivo do que deve ser feito. A exemplo do Windows Phone, o video game da Microsoft também chegou atrasado à festa — bem atrasado, quase dez anos em relação à Sony e algumas décadas depois da Nintendo. Oferecer conectividade via Internet como parte indissociável do pacote e grandes jogos exclusivos, como Halo, ajudaram a alavancar a popularidade do console.

Cadê o Halo do Windows Phone? Que recurso único ele tem que nenhum outro oferece? Pois é.

Em um AMA recente no Reddit, Joe Belfiore, VP corporativo de Windows Phone e o cara do sistema dentro da Microsoft, detalhou as dificuldades para trazer apps ao Windows Phone, um relato sincero e coeso:

“Apps, como a maioria das coisas no desenvolvimento de software, são uma maratona, não uma corrida curta. E não estou dizendo que chegamos lá — como você [o autor da pergunta] aponta, existe trabalho a ser feito. Fundamentalmente, os ISVs [desenvolvedores] que escrevem esses apps estão fazendo decisões de negócio sobre como eles podem fazer mais dinheiro — e na medida em que o WP cresce, e que a Microsoft investe tempo e dinheiro em apps, e que a plataforma se torna melhor/mais forte… mais e mais apps têm aparecido.

Então — estando no terceiro lugar, é mais difícil para nós conseguirmos esses apps –, mas acho que temos feito grandes progressos nos últimos dois anos. Não estamos descansando sobre nossas glórias. Nós (e não apenas nós… eu) estamos visitando os ISVs, procurando ideias que possam ajudá-los a crescer seu volume e engajamento entre usuários, oferecendo a eles fundos e ajuda no desenvolvimento — e em alguns casos, estamos alocando até nossos próprios times/desenvolvedores para escrevermos nós mesmos os apps.

Você está vendo esses resultados através de apps conhecidos APARECENDO (Instagram, ano passado), e um crescimento nas médias das avaliações da loja [de apps] — observamos TODOS os lados do problema. No momento, estamos focados PRINCIPALMENTE em continuar a OBTER apps-chave — ainda que ultimamente, com mais desses surgindo, tenhamos mudado um pouco em direção a melhorar os atuais.”

De fato não é um trabalho simples, ou fácil, mas o usuário médio, aquele que só quer um smartphone para falar com os amigos via WhatsApp, não compreende (e nem tem o dever) esses problemas internos.

Apesar das alternativas gratuitas e na nuvem, o Office segue firme na liderança. Por quê?

Nos domínios da Microsoft, o Office é uma força espetacular. Imparável, implacável, avança e conquista novos territórios sem dar espaço à concorrência. O leitor Paulo Alcantara perguntou, à luz dos recém-anunciados add-ons do Google Drive, se as alternativas à suíte da Microsoft estão maduras o bastante para viabilizar a migração de quem (pessoas e empresas) está habituado ao Office.

O Office não é para mim, nem para você

Antes de qualquer suposição ou fato, é bom esclarecer a quem esses aplicativos se destinam. Eu, por exemplo, não sou público-alvo. Não uso o Office regularmente, embora tenha uma licença da versão 2010 com os apps mais básicos à disposição no meu notebook de trabalho. Vez ou outra recorro ao Word (especialmente para trabalhos acadêmicos) e ao PowerPoint (mesmo motivo); não me recordo da última vez que abri o Excel.

Meu perfil é, para as tarefas que o Office promete dar conta, um tanto simplista. O app que teoricamente eu mais usaria, o Word, é um exagero e um caminho que se fecha em si: dali, ou o texto é enviado para ser lido em outra instância do Word, ou é convertido para PDF ou papel. É possível utilizar o Word a fim de escrever para a web, mas convenhamos: com Markdown, apps mais ágeis e leves na web, e fluxos de trabalho menos complexos, não sobram motivos para recorrer ao Word.

Quando se fala na mítica versão do Office para iPad, o ceticismo de quem desdenha essa investida toma como público perfis parecidos com o meu. Para nós, gente que respira web e consegue viver sem maiores enroscos com ferramentas modernas, livres de legado, o Office de fato não tem lá tanto apelo, e não é de hoje. Olhando em retrospecto, mesmo sempre tendo uma cópia dele instalada nos meus computadores nunca as usei com tanta assiduidade para justificá-las. No passado, com alternativas limitadas em quantidade e qualidade, ele servia a um número maior de atividades; hoje, existe um app para isso — e não é força de expressão.

Nas empresas, o Office reina

Mulher demonstra o Office em uma tela sensível a toques.
Foto: Microsoft/Reprodução.

O que se costuma esquecer é a dimensão que o Office tem onde pagar por software sempre foi um gesto natural: o ambiente corporativo. O Office é uma máquina de fazer dinheiro não por todos os estudantes e blogueiros que compram licenças ou assinam o Office 365, mas pelos contratos de volume que levam Word, Excel, PowerPoint e Outlook para grandes parques de máquinas, para centenas, milhares de computadores de uma só vez, conectados via SharePoint, Exchange, Lync e outros nomes que, para quem conhece o Office de casa, são alienígenas.

Em 2010, a comScore revelou que havia no mundo, englobando todas as situações possíveis (inclusive estimativas da pirataria), mais de 1 bilhão de usuários de Office. Dados mais recentes da Forrester, de outubro do ano passado, mostraram que em três anos o Office 2010 dominou o mercado corporativo. Nessa pesquisa, conduzida com 155 empresas, 85% delas disseram usar essa versão da suíte. A 2013, já respondia por 23% (a soma das porcentagens supera 100% porque várias empresas usam duas ou mais versões em paralelo), quase o dobro da adoção do Google Docs/Drive e muito mais que o OpenOffice e variantes, que despencou no ranking em apenas dois anos.

As soluções na nuvem, personificadas principalmente pelo Google Drive, apesar do “oba oba” não conseguiram fazer a cabeça dos CIOs e penetrar no ambiente corporativo. E não por ignorância ou preconceito. Acontece que o Office da Microsoft tem duas características difíceis de serem batidas: ele é popular e, sejamos honestos, muito bom.

Espaço Office no Shopping Eldorado, em São Paulo.
Espaço Office, no Shopping Eldorado, em São Paulo. Foto: Emerson Alecrim/Flickr.

A popularidade advém da idade — e, créditos à Microsoft pela capacidade de adaptar um software tão antigo a toda e qualquer tendência que emplaque. Ter sido a única opção decente por tanto tempo também criou a cultura da compatibilidade; outros aplicativos, embora conversem com os arquivos gerados no Office, se enrolam com os mais complexos. É um jogo de força bruta, mas que no final pesa a favor da Microsoft.

As mais recentes, nuvem e venda por assinatura, convergiram no Office 365, disponível tanto para empresas quanto para usuários domésticos a preços interessantes. A versão doméstica do Office 365, por exemplo, custa R$ 21 por mês, dá direito à instalação dos apps em até cinco computadores, minutos no Skype, espaço extra no OneDrive e acesso aos apps para iPhone e Android. Para empresas, entram na conta soluções corporativas rodando na nuvem, como o sistema de comunicação Lync, SharePoint e servidor de e-mail Outlook, além do suporte sempre prestativo.

As alternativas são mais baratas, mas também inferiores

Uma planilha complexa no Excel.
Imagem: Microsoft/Reprodução.

As alternativas são gratuitas ou mais baratas? Sim. Mas carecem da maturidade do Office, do poder das suas ferramentas e da integração, entre apps e com as empresas. Para usuários casuais, um Google Drive ou iWork quebra o galho; para quem está inserido em uma grande rede corporativa cheia de protocolos e regras, não.

A última reformulação no iWork simplificou, muito até, os apps. É um caminho contrário ao do da Microsoft, que conseguiu algo raro com seu Office: ser ao mesmo tempo poderoso para quem precisa e simples para quem não o entender. O leitor Gustavo Vieira usa o Office no trabalho e em casa e explicou seus motivos:

“Uso [o Office] tanto na empresa quanto em casa e a justificativa é a mesma: é o que tem os melhores recursos avançados no pacote. Simplesmente não há alternativa decente (principalmente em relação ao Excel — fórmulas matriciais, macros VBA, tabelas dinâmicas) que consiga suplantar a suíte da microsoft. Até o Word, que a maioria acha que é apenas um editor de texto feioso, tem suas vantagens insubstituíveis (opções de formatação, smartart, referências, alterações controladas…).”

O Paulo, que sugeriu esta pauta, detalhou o que torna o Office, em especial o Excel, insubstituível para ele — e é curioso notar como os motivos vão além dos técnicos:

  • Porque quando comecei a trabalhar na área (design de interiores) há 10 anos já faziam assim, então, é algo muito difícil de mudar na cabeça das pessoas.
  • Macros. Querendo ou não, criar uma macro é algo muito difundido e relativamente fácil, então a planilha que eu uso tem macros criadas anos atrás que ainda funcionam muito bem.
  • Velocidade e confiabilidade com planilhas grandes. É sensível a diferença aqui. Uma planilha online como a do Google não tem a mesma velocidade de cálculo, nem a mesma confiabilidade. Já aconteceu de eu ter lançado algumas coisas na planilha do Google, e quando vou abrir, dá algum bug e o dado desaparece! Coisa que NUNCA, NUNCA, aconteceu com o Excel.
  • Fórmulas. As fórmulas do Excel são traduzidas para português, e quando meu pai me ensinou a mexer no Excel, ele me ensinou as fórmulas em… adivinha: português, como SOMA, CALC, etc. As fórmulas do Google Docs estão em inglês e são ligeiramente diferentes, o que me atrapalha um pouco.
  • Ambiente diferente. Querendo ou não, as pessoas ainda se sentem meio coibidas usando uma planilha fora do computador delas. “Mas fica nos Estados Unidos?”, disse uma funcionária aqui. “Mas o arquivo não é mais meu?”, disse outra funcionária. A pessoa perde a ilusão da “posse” daquele arquivo, acha que literalmente pode perder o arquivo ou outras pessoas podem ler. (E isso tem um fundinho de verdade.)
  • Ninguém quer aprender a mexer no Google Script para substituir macros! Sério, nem eu, que gosto de tecnologia, tive paciência de chafurdar em manuais para criar scripts que substituiriam as macros. A Macro é algo tão difundido, que é bem difícil substituir agora. Mas eu tenho uma missão comigo mesmo de resolver isso pelo menos aqui, no escritório.
  • Look and feel diferente. Imagina uma secretária, que faz o trabalho dela, repetitivo e sem criatividade, há 20 anos (uma grande amiga minha, por sinal), ter que se acostumar com os Ribbons do Excel 2007/2010. Não rolou. Ela pediu para trocarem de volta pelo Excel 2003, com os menus que ela estava acostumada.
  • Zoom. É normal fazer uma planilha grande no Excel e diminuir o zoom para ela caber na tela. Esse conceito não existe no Google Docs, a planilha que você tem é sempre 100% da visão, você não consegue reduzir ela na tela. Imagina isso com uma planilha com milhares de entradas!
  • Letargia profissional. Quase ninguém num ambiente corporativo quer melhorar as coisas, são poucos que querem arranjar uma encrenca. As pessoas querem fazer o trabalho delas e ir embora. Ninguém quer encarar o problema de transferir uma planilha monstruosa, com dados de 15 anos, para o Google, adaptar toda a formatação, ajustar as letras, recriar as macros em script, ensinar as pessoas a usar o novo conceito e convencer o chefe. É muito mais fácil simplesmente avisar o pessoal do TI a instalar a mesma versão do Excel 97/2003 no computador dele, que vai funcionar de qualquer jeito.

Nem toda empresa precisa de tudo o que o Office oferece, claro. Quanto mais simples as exigências, quanto mais enxuto o workflow e menor o número de funcionários, mais fácil é adotar alternativas. Embora o iWork foque na simplicidade para agradar o usuário doméstico, o Google tem a mesma abordagem de olho no corporativo. E funciona, pelo menos para cinco milhões de empresas — esse número, o último divulgado oficialmente, de junho de 2012.
É muito bom ter opções e não depender apenas de uma fornecedora, mas tratar o Office como uma tecnologia ultrapassada e em desuso é, no mínimo, exagerado, um discurso que não bate com a realidade, ainda que uma restrita à corporativa.

Talvez seja o mesmo caso do Internet Explorer: nos fins de semana, a sua fatia no gráfico de uso dos navegadores despenca. Só que funcionário também é gente e o software que ele usa é real, conta. Google Drive, iWork, OpenOffice e outros estão a quilômetros de distância do Office. Se duvida, tente fazer uma planilha complexa, com macros e outros recursos avançados, nessas alternativas. E boa sorte!

Gratuito e onipresente, OneNote é a droga de entrada da Microsoft

Não é fácil, para qualquer empresa, mudar seu modelo de negócios. Para uma enorme, com centenas de produtos, milhares de funcionários e anos de estrada como a Microsoft, menos ainda. Apesar de toda a dificuldade, o pessoal de Redmond parece convicto de que o futuro está nos dispositivos e serviços e, pouco a pouco, começa a refletir essa mentalidade nas suas ofertas.

A última? O OneNote. Para quem nunca se deu ao trabalho de abri-lo, é um aplicativo para tomar notas similar ao Evernote. Ele é organizado na forma de cadernos, com “pastas” dentro e dá uma liberdade bem grande ao usuário, que pode escrever, desenhar e colar objetos em qualquer parte da tela, organizando a informação da maneira que preferir.

OneNote: onde você quiser, de graça

Além de ser um dos aplicativos mais novos da suíte Office, o OneNote costuma servir de cobaia para experiências da Microsoft. Ele foi o primeiro desses apps a ser lançado em sistemas móveis concorrentes (iOS e Android no começo de 2012) e o pioneiro e, até o momento, único a ter uma versão moderna no Windows 8 (março de 2013). Agora a Microsoft experimenta novamente com o OneNote ao torná-lo o primeiro pedaço do Office totalmente gratuito.

De uma vez só, foram anunciadas várias novidades para o OneNote:

  • Lançamento da versão para OS X, gratuita e distribuída via Mac App Store. Com ela, o OneNote passa a ser acessível de oito maneiras diferentes: app para Windows, app moderno para Windows 8, Windows Phone, OS X, iPad, iPhone, Android e web.
  • Distribuição gratuita e independente do Office na versão Windows. O OneNote agora é gratuito, sem anúncios e com (quase) todos os recursos — só ficam de fora alguns de cunho corporativo, como integração com Outlook e SharePoint, e histórico de versões, que seguem atrelados ao Office 365.
  • Novas formas de salvar conteúdo. O OneNote Clipper é um bookmarklet que envia páginas web para um caderno do OneNote e funciona com os quatro principais navegadores. O Office Lens (apenas para Windows Phone) fotografa, ajusta e manda para os cadernos do serviço imagens de textos “físicos”. É bem maluco, e parece funcionar bem. Por fim, agora dá para mandar conteúdo ao OneNote via email, via me@onenote.com.
  • API para integração com outros serviços. De cara, grandes nomes já estão disponíveis, como Feedly, IFTTT e Livescribe.

Por que o OneNote agora é gratuito?

OneNote chega ao Mac de graça.
Imagem: Microsoft/Reprodução.

Pouca gente está disposta, em 2014, a pagar por software — o boom de apps freemium é prova disso. Modelos gratuitos suportados por benefícios extras (e pagos) e o de assinatura têm barreiras menores de entrada, atraem mais usuários. O que você prefere: pagar mais de R$ 1.000 em uma licença do Office ou R$ 21 por mês para ter o Office 365, sempre atualizado, podendo cancelá-lo quando for conveniente? Pois é.

Forças externas, personificadas por analistas e investidores, reforçam o coro dos usuários e pressionam a Microsoft em direção a essa tendência. Na índia, duas fabricantes locais firmaram um acordo que lhes garantiu o licenciamento gratuito do Windows Phone. O Office 365, lançado ano passado, é o Office por assinatura: atualizado constantemente, com recursos que vão além dos apps da suíte.

O próximo passo é o OneNote. Ele faz (ou fazia?) parte do Office, o que à primeira vista pode dar a sensação de que essa estratégia é suicida. Afinal, só no último trimestre fiscal a Divisão de Negócios, onde o Office está alocado, faturou US$ 7,2 bilhões, quase 10% de todo o faturamento da Microsoft no período. Sendo o Office uma das franquias mais lucrativas, por que ceder e distribuir um pedaço atraente dele gratuitamente? Pelo ganho indireto e a longo prazo.

OneNote gratuito e onipresente.
Imagem: Microsoft/Reprodução.

A ideia da Microsoft é continuar lucrando em cima de clientes corporativos, que já formam o grosso dos usuários do Office mesmo e que continuarão pagando para ter o OneNote. A gratuidade atinge os usuários domésticos. É nesse público, que nunca pagou pelo Office ou não tem lá muito interesse nele, que esse esforço se concentra.

Com as novidades, que podem ser resumidas em presença total e gratuita nas principais plataformas atuais e extensibilidade, o OneNote diminui a distância que tem para o Evernote como ferramenta de “terceirização do cérebro” e deixa concorrentes menos robustos, como Google Keep e Simplenote (da Automattic) para trás. Ele sempre foi um bom produto; agora, ficou ainda melhor.

O Evernote, com uma base de 75 milhões de usuários e a ambição de chegar a um bilhão deles, recebeu críticas pesadas não faz muito tempo pela inconsistência e perda de dados — pecados capitais para um app do seu gênero. O timing desse anúncio foi muito bom, coisa rara em se tratando de Microsoft.

A oportunidade para o OneNote está aí. Capturar esse público, apresentar-se a outro que não o conhece e nem ao Evernote e, com o uso maciço, retê-los nos domínios da Microsoft e levá-los a outros produtos da casa. Ele deve fazer o papel, como alguém comentou, de “droga de entrada”. Se o usuário gostar, se sentirá mais compelido a partir para coisas mais pesadas como uma assinatura do Office 365, ou a expansão paga do espaço de armazenamento do OneDrive. Para a Microsoft, a nova Microsoft de dispositivos e serviços, tudo isso se traduz em novas fontes de faturamento e, o mais importante, entrando do jeito que ela quer, ou seja, via serviços.

É errado comparar Windows com iOS? Não quando eles disputam o mesmo consumidor

Benefict Evans fez um curioso exercício: comparou, em um gráfico, as vendas de Macs e dispositivos iOS (iPhone e iPad) com as de PCs e smartphones rodando Windows e Windows Phone, respectivamente. Resultado? As linhas e a barra ficaram bem próximas em dezembro último:

Vendas de PCs comparadas às de dispositivos iOS e Macs.
Gráfico: Benedict Evans.

A Quartz decretou: “É oficial: a Apple vende mais computadores do que todos os PCs Windows combinados”. Polêmica. Tem gente es estapeando em discussões online, defendendo seu ponto, seja pró-Apple ou contra ela.

Para mim esses números dizem mais sobre a Microsoft do que a Apple. Mais sobre PCs e dispositivos Pós-PC do que empresas específicas. Acredito que Evans tenha achado conveniente pegar dados de uma empresa que vende muitos dispositivos Pós-PC do que vasculhar e consolidar vários números esparsos de quem fabrica e comercializa gadgets que rodam Android — afinal, o sistema do Google vende mais que iPhones e iPads, e por uma grande margem.

A principal mensagem que se extrai da comparação é como a Microsoft está enrascada. O Windows não vende mais como antes, as reservas que analistas faziam do Windows 8 se foram, tem muita gente falando abertamente em “fracasso” e, para piorar, o Windows Phone ainda não decolou em market share — e lá se vão quase quatro anos tentando. É de se preocupar. É isso que o gráfico aponta.

É errado comparar smartphones e tablets com computadores completos? Para fins mercadológicos, não. A manchete da Quartz é meio sensacionalista, mas pense bem: tanto Apple quando as OEM que usam Windows disputam o mesmo consumidor. Pessoas que, em sua maioria, querem um dispositivo para navegar em sites, ver as fotos das férias, acessar o Facebook.

Coisas triviais, mas não só. O poder computacional da safra atual de smartphones e tablets está longe do de um PC capaz, mas é suficiente para fazer muito. Quer editar vídeo, áudio? Tranquilo. Jogos elaborados, com gráficos bonitos e dinâmicas inteligentes? Sem problema. Até aplicações comerciais, antes um terreno onde o Windows reinava, já se renderam à agilidade das telas sensíveis a toques.

Para uma parcela restrita de usuários, gente que trabalha com audiovisual, gamers hardcore e ambientes corporativos com um grande legado, usar Android ou iOS é, no mínimo, inadequado. O ponto é que, relativamente falando, esse público é pequeno. Para a maioria o GarageBand e o iMovie dão conta, o Flappy Bird é diversão na medida certa, nenhum aplicativo específico ou exclusivo do Windows é essencial.

É esse grosso da base de usuários que, nos EUA, já usa mais o smartphone do que PCs convencionais em seu tempo livre. É ele que aponta a computação pessoal para os dispositivos móveis, para a Era Pós-PC.

Este outro gráfico de Evans mostra as vendas de PCs Windows plotadas sobre as de dispositivos com Android e iOS entre junho de 2007 e junho de 2013:

Gráfico comparando as vendas de PCs com as de dispositivos móveis com Android e iOS.
Gráfico: Benedict Evans.

Computadores sumirão? Claro que não. Mas eles serão menos populares. Converse com várias pessoas com menos de 20 anos e você provavelmente encontrará algumas que não têm computador, mas que têm um smartphone. Esse cenário deverá ser cada vez mais comum futuramente.

A Era Pós-PC é sobre uma troca de papéis: de coadjuvante, o smartphone passa a ser protagonista. Ele troca de lugar com o PC que, ainda por aí, mas com as vendas estagnadas e margens de lucro baixíssimas, encontra refúgio em ambientes onde ele é imprescindível.

Foto do topo: WriterGal39/Flickr.

Lumia Black e Update 3: o que muda no Windows Phone 8

No começo da semana recebi a atualização Black no meu Lumia 920. Trata-se de uma atualização do Windows Phone 8 exclusiva para smartphones da Nokia. O que mudou no sistema?

A atualização Black é, como a anterior (Amber), a versão temperada que a Nokia disponibiliza para a linha Lumia de uma atualização oficial da Microsoft — neste caso, do Update 3.

Essa política, possível graças à parceria privilegiada entre as duas empresas antes mesmo da aquisição da Nokia pela Microsoft, dá aos Lumias algumas vantagens exclusivas de que os Windows Phones de outras fabricantes, cada vez mais raros, carecem. Nada que abale o universo, mas são mimos legais, recursos curiosos e alguns até bem úteis.

As principais novidades do Windows Phone 8 Update 3

A terceira atualização menor do Windows Phone 8 traz algumas mudanças de bastidores que não afetam aparelhos já lançados. O suporte ao SoC Snapdragon 800 e à resolução Full HD, com direito a uma terceira coluna de blocos na tela inicial, são aproveitados pelo Lumia 1520 e outros que virão.

Para Lumias já disponíveis, talvez a única mudança em hardware seja a habilitação do Bluetooth 4.0 LE em toda a linha. Do Lumia 520 ao 925, todos possuem essa versão da tecnologia embutida; só faltava o software para interpretá-la e colocá-la em funcionamento. Agora não falta mais.

O mais curioso é que o Bluetooth Low Energy, incorporado oficialmente à especificação 4.0 do Bluetooth, foi proposto pela Nokia em 2006 com o nome Wibree. Trata-se de uma variante de baixo consumo para atividades menos intensivas, como sincronia com pulseiras de malhação do tipo Fitbit, Jawbone Up e Nike Fuelband, relógios inteligentes e outras.

[insert]Rotação da tela, fechamento forçado de apps e memória interna gasta.[/insert]

No software, Windows Phone 8 fica mais esperto com o Update 3. Ações básicas, como o travamento da orientação da tela e uma forma simples de forçar o fechamento de apps, são contempladas na atualização. Outras ainda mais, como a ativação do smartphone via Wi-Fi, independentemente do uso de um SIM card de operadora, também chegam com essa versão.

Entre as novidades mais elaboradas, a atribuição de toques personalizados para o recebimento de mensagens via SMS, o compartilhamento facilitado da conexão móvel com computadores rodando Windows 8.1 via Bluetooth e uma visão geral do espaço gasto da memória interna do aparelho, com divisão por categorias e tudo mais.

Por fim, o Modo carro, que entra em ação automaticamente quando o smartphone parea com um dispositivo Bluetooth e muda algumas configurações visando dar maior segurança ao volante. Coisas do tipo ignorar chamadas e/ou respondê-las com uma mensagem SMS padrão, por exemplo.

Como dito, é uma atualização pequena (veja um resumo das novidades aqui), a terceira e provavelmente última do Windows Phone 8. Isso porque a próxima, prevista para ser anunciada na BUILD 2014, no começo de abril, deverá ser uma das grandes — Windows Phone 8.1? 8.5? 9? Provavelmente uma dessas. E tal qual toda atualização grande, deverá trazer mais novidades que esses recentes Updates.

O que a atualização Black traz de novo?

A camada extra de recursos da Nokia batizada de Black traz algumas poucas novidades (uma só, na realidade) e habilita o smartphone a novos apps exclusivos disponíveis na Loja de Apps.

O Glance, que exibe o relógio na tela quando essa se encontra bloqueada, ganhou aprimoramentos. É a única parte nativa do sistema afetada pela Black. Agora, além da hora são mostrados notificações pendentes, e no modo noturno dá para escolher três cores além do branco: azul, verde ou vermelho.

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Nokia Glance 2.0 em ação.
Foto: Rodrigo Ghedin
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Os apps que exigem essa atualização para funcionarem são os seguintes:

  • Nokia Camera: o poderoso app de fotos padrão do Lumia 1020 chega ao restante da linha. Ele condensa três modos de disparo (foto, vídeo e sequência inteligente) em uma interface bem resolvida e muito divertida de mexer. A captura de fotos RAW é exclusiva dos Lumias 1020 e 1520.
  • Nokia Storyteller: aproveitando-se dos meta dados das fotos, a Nokia criou essa maneira alternativa de visualizá-las no smartphone. Dá para ver em um mapa onde as fotos foram feitas e agrupá-las de acordo com outros critérios, como datas.
  • Nokia Beamer: um sistema de compartilhamento da tela bem interessante que usa navegadores web compatíveis com HTML5 para exibir o que o usuário está vendo. Pode ser via link ou usando um QR Code. Funciona legal, deve ser útil para exibir apresentações sem a ajuda de um projetor, mas ainda acho o Photo Beamer, que usa a mesma tecnologia para mostrar fotos armazenadas no smartphone, mais aplicável no dia a dia.

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Nokia Beamer: a tela do Windows Phone vai para a TV.
Foto: Rodrigo Ghedin.
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Como faço para receber a atualização Black?

A Nokia mantém uma página com os status de todos os aparelhos, segmentada por país e operadora. Verifique nela se o seu já foi liberado.

O melhor, pois, é esperar. A liberação é gradual e depende da aprovação das operadoras — aparelhos desvinculados, como é o caso do meu, costumam receber atualizações antes. Você pode verificar manualmente indo em Configurações, depois em Atualização do telefone também. Comigo ela apareceu após fazer isso. Existem métodos para forçar a atualização; não os recomendo. São complicados, exigem perícia e podem dar problema.

As atualizações do Windows Phone 8 foram todas tímidas, mas no geral supriram lacunas importantes do sistema. Elas poderiam sair com mais velocidade, ou trazerem novidades maiores, mas de qualquer forma é melhor que o abandono completo.

A Microsoft ainda tem muito a fazer para colocar o Windows Phone em pé de igualdade com Android e iOS. O Update 3/Black ajuda nessa direção, mas deixa muita coisa para a próxima grande atualização. O jeito é esperá-la.

Por que o SkyDrive mudará de nome, para OneDrive, e outros casos similares

OneDrive, novo nome/marca do SkyDrive.
Imagem: Microsoft/Reprodução.

Quem usa o SkyDrive para guardar, acessar e sincronizar arquivos na nuvem terá um trabalho extra em breve. O nome do serviço da Microsoft mudará para OneDrive. Não é o primeiro caso do tipo. Por que essas coisas acontecem?

O SkyDrive é antigo. Ele foi lançado em agosto de 2007 como parte da família de softwares e serviços web Windows Live e, no começo, era apenas um disco virtual: não havia sincronia, nem clientes desktop ou para dispositivos móveis. Você mandava um arquivo e podia baixá-lo ou compartilhar o link com outras pessoas.

A evolução do SkyDrive, aliás, é uma das muitas histórias de conflitos, redundâncias e confusões nas linhas de produtos da Microsoft. A certa altura, ele conviveu com outros dois aplicativos com funções similares e, em alguns casos, replicadas.

Tínhamos o Windows Live Sync (antes, FolderShare) para sincronizar arquivos entre PCs (sem hospedagem online, na nuvem), mais o Live Mesh, que prometia ser uma camada de comunicação e armazenamento de dados na nuvem para aplicativos Windows. Quase um avô do Dropbox e iCloud que fracassou e que, quase como efeito colateral, também servia para guardar e sincronizar arquivos via Internet.

Com o tempo baixou o bom senso em alguém na Microsoft e todos esses deixaram de existir, sobrando apenas o SkyDrive (que perdeu o “Windows Live” do nome) como a solução tudo-em-um para arquivos e dados do usuário na nuvem. Mas demorou, viu!

A Microsoft foi obrigada a alterar o nome do SkyDrive depois de perder a briga pela marca “Sky” na justiça inglesa para a British Sky Broadcasting Group, que a detém. Como não chegaram a um acordo, a única saída para evitar multas milionárias e outras consequências pesadas foi acionar o pessoal do marketing e bolar um novo nome.

OneDrive soa legal, então espero que ele não leve a Microsoft a outra disputa judicial similar. Afinal, como reparou Brian Barret, do Gizmodo, existe um punhado de empresas e instituições que usam “One” em suas identidades.

Reincidência

Lançar um produto global é uma tarefa árdua. É preciso se garantir, verificar em cada país se o nome a ser adotado já está registrado e prever traduções… indesejadas. Parece bobagem, mas imagine se tivéssemos por aqui um “Windows Frango”? Foi o que aconteceu com o Vista na Lituânia.

Os casos envolvendo disputas judiciais são menos engraçados. A Microsoft não tem feito muito bem o dever de casa; a situação tensa envolvendo o Sky/OneDrive é a segunda de grandes proporções nos últimos anos.

Quando despontou no Zune HD, a linguagem visual Metro caiu rapidamente nas graças do público. “Metro” virou um nome fácil na boca de quem acompanha notícias de tecnologia, uma palavrinha mágica que remetia a telas bem desenhadas, com tipografia elegante, muito espaço para respirar. Bom gosto de modo geral.

Se o público gosta, vamos dar mais disso a ele, certo? Pode ter certeza que esse era o desejo da Microsoft. Mas não rolou. “Metro” calhou de já ser uma marca registrada por uma rede de supermercados alemã, a Metro AG. A Microsoft não só parou de usar o nome em seu material de divulgação como orientou desenvolvedores a evitarem seu uso em apps para não terem (desenvolvedores e ela própria) dor de cabeça.

Outras empresas também já tiveram que trocar nomes de produtos

Para não soar injusto, esse tipo de descuido não é exclusividade da Microsoft. O Firefox surgiu com o nome Phoenix. Aí aconteceu que… sim, você adivinhou: ele já estava registrado pela Phoenix Technologies, uma empresa que fabrica(va?) BIOS para computadores.

A grande surpresa, pois, foi descobrir que o novo nome adotado então, Firebird, também não estava disponível — ele já era usado por um banco de dados open source. Felizmente a adoção do nome Firefox, que até onde se sabe nunca foi reclamado, veio antes do lançamento da versão 1.0. Pouca gente conhece essa história e a Mozilla deve agradecer até hoje o fato desses problemas terminológicos terem surgido tão cedo.

Outro caso popular é o do iPhone. Quando Steve Jobs anunciou o smartphone da Apple, a marca “iPhone” era de propriedade da Cisco. O livro Inside Apple conta essa história, que envolve telefonemas de Jobs a Charles Giancarlo, executivo da Cisco, em horários e datas inoportunas, além de interpretações bem abrangentes das leis de proteção de direitos autorais.

No fim das contas Apple e Cisco entraram em um acordo de cooperação mútua em áreas de interesse comum. Mal sabia Jobs que cinco anos depois uma certa empresa brasileira daria o mesmo tipo de trabalho para os advogados da Apple…

Cadê o OneDrive?

O OneDrive ainda não foi lançado. No grosso, ele será parecido com o SkyDrive, mas aproveitando a ocasião, a Microsoft deve fazer algumas mexidas para atrair novos usuários.

Dentre as já sabidas via vazamentos, estão a volta da co-propriedade em pastas compartilhadas e a oferta de espaço gratuito extra para quem convidar amigos e habilitar o backup automático de fotos com os apps móveis.

OneDrive, OneNote, Xbox One, One Microsoft… Uma simples coincidência ou em breve o Outlook.com (que, sim, tem esse “.com” no nome) virará OneMail? Dado o histórico, eu não duvidaria.

Quem é Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft?

Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft/Reprodução.

Em agosto do ano passado a Microsoft abriu a temporada de caça a um novo CEO. Steve Ballmer, no posto havia quase 13 anos, sairia do cargo em algum ponto dos 12 meses seguintes. Hoje cedo, bem antes do que todos imaginavam, a Microsoft anunciou seu novo líder: Satya Nadella.

Nadella não é muito conhecido junto ao grande público. Até entre acionistas e outros círculos que acompanham e se preocupam com a Microsoft, seu nome não é (ou não era) facilmente associado à sua pessoa. Quem é, afinal, o novo CEO da Microsoft?

Quem é Satya Nadella?

Nascido na Índia em 1967, casado e pai de três filhos, Nadella é formado em engenharia elétrica e tem mestrado em ciência da computação — alguém da área da tecnologia, e não de vendas, volta a estar à frente da Microsoft.

Fã de poesia e apaixonado por cricket, dizem nos bastidores que ele é um profissional colaborativo, estável e que emana simpatia dos seus comandados, características importantes em ambientes tão competitivo e, consequentemente, estressante como devem ser os corredores da Microsoft, ótimas para reter talentos.

O novo CEO da Microsoft entrou na empresa em 1992 vindo de uma breve passagem pela Sun Microsystems. Nesses mais de 20 anos esteve envolvido em vários projetos lá dentro, a maioria com foco corporativo.

Até ontem Nadella era vice-presidente da divisão de nuvem e empresas da Microsoft. A transição para a nuvem, com produtos como o Windows Azure, ofertas corporativas e a infraestrutura de serviços enormes, como Xbox, Bing e Office, é atribuída a ele. A divisão que lidera não é de ganhar manchetes, mas tem sido uma das mais rentáveis da Microsoft nos últimos anos.

Satya Nadella assume o cargo de CEO da Microsoft em um momento delicado. O Windows tem perdido relevância, puxado pelo declínio nas vendas de computadores tradicionais e a ascensão (em vendas e preferência dos consumidores) de dispositivos móveis. Paralelamente, a empresa luta para ganhar espaço nesses mercados que minam seu produto carro-chefe, segmentos que há cinco anos ainda eram embrionários ou sequer existiam, como nos de smartphones e tablets.

Além de levantar a bola da face voltada ao mercado de consumo, outros desafios do novo CEO, talvez até mais imediatos, são dar continuidade ao grande plano de reestruturação da Microsoft, anunciado por Ballmer em meados do ano passado, e acomodar a Nokia, comprada por US$ 7,2 bilhões em setembro último, na estrutura da empresa.

Não são esperadas mudanças drásticas, pelo menos a princípio, na gestão de Nadella. No e-mail que enviou aos funcionários da Microsoft, ele disse que está ali pelo mesmo motivo que, ele acredita, levou a maioria dos funcionários a entrarem lá: “mudar o mundo através da tecnologia que dê poder às pessoas para que elas façam coisas incríveis”. O e-mail traz alguns insights bons sobre a visão que ele tem da tecnologia e quais caminhos a Microsoft deve seguir a longo prazo.

Gates retorna, Ballmer vai para o conselho

Os homens fortes da Microsoft.
John Thompson e os três CEOs que a Microsoft já teve. Foto: Microsoft/Reprodução.

A dança das cadeiras afetou outras pessoas do alto escalão da Microsoft. Como Nadella assume imediatamente a função, Ballmer cai fora — agora ele é membro do Conselho de Diretores.

Bill Gates, até então membro e chairman do Conselho, ganhou um novo título: Conselheiro de Tecnologia. Ele passará mais tempo na Microsoft, nas palavras do comunicado à imprensa, “ajudando Nadella a moldar a tecnologia e o direcionamento de produtos”. A cadeira de presidente do Conselho fica para John Thompson.

Para se aprofundar no assunto:

Com o Windows 8.1, a Microsoft tenta novamente levar seu sistema à Era Pós-PC

Como adaptar um sistema com mais de 20 anos para um novo segmento de hardware que tem menos de três? Essa era a missão da Microsoft com o Windows 8: levar seu icônico sistema operacional para o novo mundo de telas sensíveis a toques. O caminho escolhido foi conciliar passado e presente, juntar tudo e oferecer aos usuários um pacote “sem concessões”.

Um ano depois, a aposta não parece ter sido tão bem sucedida. Com o Windows 8.1, lançado oficialmente no mundo inteiro “hoje” (na realidade, amanhã, mas como o parâmetro é a meia noite na Nova Zelândia você já pode baixá-lo), a Microsoft tem à sua frente mais uma chance. Esse hiato foi suficiente para corrigir os problemas da versão anterior?

É difícil avaliar um sistema assim, “2-em-1”, porque é preciso considerar dois cenários bem distintos entre si ou, como espera a Microsoft, um utópico em que eles sejam unificados e trabalhem em harmonia. É sob essa última ótica que a análise abaixo se pauta.

Ignorando a porção moderna, o Windows 8.1 funciona como qualquer outra versão recente do sistema. Não traz nada exatamente novo ou revolucionário, mas funciona — e encare isso como um elogio. Os novos apps em tela cheia, a parte feita para tablets, porém, ainda precisa melhorar. Muito. Mas vamos devagar…

Com o Windows 8.1, você ganha muitas arestas aparadas, mais atenção a detalhes, apps nativos melhorados e mais respeito a quem, por necessidade ou comodidade, prefere ficar na parte “velha” do sistema, na área de trabalho clássica. E o melhor de tudo, sem colocar a mão no bolso.

Atualização gratuita

Quem já roda o Windows 8 pode fazer a atualização gratuitamente via download através da Loja. É só baixar (3,63 GB para a versão Pro) e mandar instalar, como se faz com qualquer sistema da Era Pós-PC.

A atualização aparece na Loja do Windows 8.

Usuários que estão em versões antigas terão que pagar, e pagar bem: o Windows 8.1 custa R$ 410, e a versão Pro, R$ 699. Tanto a versão via download, quanto a física, em “caixinha”/DVD, estarão disponíveis, e elas são completas — ano passado a Microsoft só comercializou, a princípio, versões de atualização do Windows 8.

O processo de atualização varia dependendo da versão pré-instalada:

  • A partir do Windows 7, rola a atualização e todos os arquivos permanecem intactos. O usuário perde apenas os aplicativos instalados.
  • A partir dos Windows Vista ou XP, não tem jeito: o processo de atualização é, na realidade, uma instalação limpa. Faça um bom backup dos seus arquivos antes de começar.

Onde o Windows 8 pecou

A maior parte das críticas ao Windows 8 tinha como alvo a confusa interface moderna. Em configurações dependentes de teclado e mouse, é preciso utilizar os cantos da tela para revelar comandos vitais ao seu funcionamento. Com uma tela sensível a toques, gestos a partir das bordas cumprem esse papel.

Sem indicadores claros, ainda hoje é comum se deparar com usuários de longa data de versões anteriores do sistema que, no comando da penúltima, não conseguem alternar entre aplicativos, ou voltar à Tela Inicial.

Em usabilidade, isso decorre da falta do que se chama “discoverability”, ou seja, a capacidade de uma interface se fazer entender, de ser intuitiva. É uma das premissas de dispositivos baseados em toques: embora criticado e abandonado recentemente pela Apple, o esqueumorfismo do iOS original tinha muitos nuances que reforçavam sua natureza touchscreen, elementos da interface que diziam, sem falar muito, “toque-me, eu faço alguma coisa”. Coisa da qual o Windows 8, em grande parte, carece.

Como o Windows 8.1 tenta corrigir os erros do passado

Que pese a verdade, o Windows 8.1 não resolve por completo esse problema, ele apenas se mostra mais preocupado com o usuário incauto. A nova versão pega na mão de quem o usa pela primeira vez e o conduz em um tour, aparentemente completo, pelas suas estranhas convenções. Itens familiares que retornam e muitos indicadores e tutoriais cumprem esse papel introdutório.

O botão Iniciar, por exemplo, antes oculto por padrão no canto inferior esquerdo e ativável com o passar do mouse, volta a ser fixo. Quem não retorna é o menu Iniciar; a função do botão continua sendo levar o usuário à Tela Inicial, cheia de blocos dinâmicos com informações atualizadas em tempo real.

Bem-vindo de volta, botão Iniciar.

Outra providência tomada pela Microsoft foi a produção de tutoriais em vídeo e flechas destacadas indicando os cantos quentes da interface nos primeiros momentos de uso. Alguém pode encarar isso como uma falha grotesca de design, seguindo a lógica de que indicadores tão explícitos para ações tidas como básicas sinalizam uma interface quebrada para início de conversa. Como seria bem difícil a Microsoft voltar atrás em certas decisões, a mim a mais acertada parece ser mesmo tentar consertar o estrago já feito.

Setas indicam ao usuário os cantos de ação.A impressão, no geral, é de que com o Windows 8 havia uma confiança exacerbada por parte da Microsoft. Confiança de que o sistema venderia feito água como as últimas versões (incluindo até o desastroso Vista que, até o lançamento do Windows 7, já tinha vendido 400 milhões de cópias) e de que as pessoas aprenderiam a usar uma interface bem diferente da qual estavam acostumadas, baseada em gestos e ações incomuns com o mouse. Em seu review, David Pogue revela que um executivo da Microsoft disse algo nessa linha na época do lançamento do Windows 8:

“Se o Windows 8 não for fácil o bastante para ser entendido sem a leitura de telas de ajuda, então nós falhamos.”

Dicas e informações de uso do Windows 8.1.

Pelas mudanças vistas no Windows 8.1, a versão anterior falhou e falhou feio. Nenhum sistema baseado em gestos caiu no gosto popular ainda, e não foi o Windows que conseguiu quebrar essa tradição.

Mais amor ao clássico e à personalização

Deixando de lado a atenção com esse atrasado porém válido adendo à experiência básica do sistema, o Windows 8.1 aposta em refinamentos. Como comentei no hands-on da versão Preview quando ela estava fresquinha, em junho, a porção moderna está mais rica em recursos e parece mais madura.

A primeira leva desses novos apps era vergonhosamente limitada. A nova ainda não parece fazer frente aos apps clássicos em utilidade e desenvoltura, mas é definitivamente mais robusta, a ponto de a Microsoft classificar o app de email nativo, um dos mais criticados (e com razão), como “a melhor experiência de email em um tablet”. O de fotos agora permite edições simples, e há novos e bem-vindos apps, dos básicos (calculadora, alarme, gravador de áudio) a uns bem peculiares (lista de leitura, um de receitas, outro controverso de saúde). O sistema como um todo está mais atraente e flexível, o que, para um negócio tão largamente usado e com tantos perfis diferentes no comando, é algo bem-vindo.

Temos os tutoriais, o botão Iniciar de volta, apps nativos mais robustos. Vale destacar, também, os novos itens de personalização. Em um ano de Windows 8, raras foram as vezes em que me aventurei pela porção moderna do sistema — e esse cenário, pelo menos com usuários com quem converso vez ou outra, gente mais próxima, está longe de ser exceção.

A área de trabalho clássica, no Windows 8, parece uma coisa desleixada, uma parte renegada que a Microsoft teve que engolir para não afetar tanto clientes corporativos. No mundo real, ela deve ter visto via telemetria e em pesquisas de opinião que, não, ainda não é a hora de abdicar dela. Sendo assim, é bom ver mais amor ao clássico no Windows 8.1.

Novas opções amigáveis para a área de trabalho clássica no Windows 8.1.

De pronto, duas mudanças tornam a integração clássico-moderno mais suave. O papel de parede da área de trabalho pode, agora, ser replicado no fundo da Tela Inicial. É um detalhe quase bobo, mas que une sutilmente duas partes do sistema tão distintas em todos os demais. Outro bacana é a possibilidade de entrar direto na área de trabalho após o logon. Isso pode relegar a Tela Inicial a um ostracismo ainda maior àqueles que só clicam no bloco da área de trabalho após ligar o equipamento, mas de qualquer forma é bom ver a vontade do usuário prevalecer.

A Tela Inicial também recebeu melhorias. Novas animações para o fundo, flexibilização do padrão de cores para a interface, dois novos tamanhos para os blocos. A exibição de apps em lista pode ser definida como padrão, um formato mais funcional para mouse e teclado. Nada muito drástico, mas pequenas mudanças que agregam.

Novos tamanhos para os blocos dinâmicos no Windows 8.1.

Apps modernos podem ser colocados lado a lado nas proporções que o usuário quiser, e mais de dois dividem a tela numa boa — dependendo da resolução que você usar. As amarras foram afrouxadas, e os supostos problemas que levaram a Microsoft a engessar tanto o Windows 8 não se verificam na prática. Tudo bem, tudo bem: às vezes o redimensionamento de um app fica estranho (Twitter, por exemplo), mas isso é Windows. Você pode fazer o que quiser, só que sem a garantia de que tudo vá funcionar como o desejado. Melhor que seja assim.

As peças mais importantes: SkyDrive e Bing

Sempre achei o SkyDrive um negócio muito legal e pouco aproveitado pela Microsoft. De um ano para cá, a empresa vem dando mais atenção ao serviço. E não é por menos: se ser uma empresa de serviços e produtos é o novo foco da Microsoft, ter uma solução “tudo-em-um” na nuvem é essencial.

No Windows 8.1, o SkyDrive vira o local padrão para salvar arquivos. O app moderno é o Windows Explorer moderno. Ele vem pré-instalado, melhor integrado na porção clássica do sistema (nada de dois apps para a mesma coisa) e usa um mecanismo pra lá de genial chamado Smart Files que borra as linhas que separam o armazenamento local do na nuvem.

Com os arquivos inteligentes, o SkyDrive torna indexável todo o conteúdo existente em sua conta, na nuvem, sem que eles estejam armazenados localmente. Arquivos na nuvem são sincronizados parcialmente, apenas com pré-visualizações (imagens) e meta dados, habilitando pesquisas e outras atividades gerenciais. Quer usar um? Abra-o e o sistema fará o download instantaneamente, liberando o acesso offline. Vai ficar longe da Internet e precisará de um arquivo específico? Clique com o botão direito e marque-o para estar disponível nessa situação.

Em desktops, com HDs que extrapolam a casa do tera byte, não é algo de muito impacto, mas em tablets com até 16 GB, isso pode vir a calhar. Conceitualmente é um mecanismo similar ao do Google Play Music, app/serviço do Google para Android que faz um cache dinâmico das suas músicas armazenadas na nuvem.

Pesquisas completas e contextualizadas com o Bing.

O Bing Smart Search é o equivalente ao Spotlight, da Apple, no universo Windows. Ele pesquisa conteúdo local, na nuvem, na web, contextualiza e faz umas tabelinhas espertas com apps como o Xbox Music, SkyDrive e o da Wikipedia. A exemplo de todo mecanismo de busca em sistemas modernos, ele deixou de ser um app dedicado para ser embutido no sistema. Quer usá-lo? Abra a Charm bar e comece a digitar. Como deveria ter sido desde o começo.

Está bom, mas pode ser melhor

Não tem sido raro ver produtos chegando ao consumidor precocemente, sem a lapidação que se espera de um lançamento comercial. A Microsoft teve três anos para construir o Windows 8 a partir do 7, mas ainda assim parece ter faltado tempo. Um ano a mais, esse ano gasto para a realização do Windows 8.1, poderia ter sido útil para uma recepção menos azeda. Recepção essa que pode sair cara para a Microsoft: dá para recuperar a confiança perdida? Ou a primeira impressão é a que fica?

Tela Inicial do Windows 8.1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

As reclamações dos usuários devem ter tido um papel importante no processo de atualização para o Windows 8.1, logo é provável que nem com todo o tempo do mundo a Microsoft acertaria de primeira. Agora, com atualizações aceleradas, lançadas anualmente, ainda há muito trabalho a ser feito. Mesmo melhor com o lançamento de hoje, frente a iOS e Android o Windows ainda fica devendo.

Agradar a usuários de notebooks e computadores e, ao mesmo tempo, de tablets, é difícil. São cenários diferentes e, um ano depois, sejamos francos: essa história de sistema sem concessões é simplesmente ruim. Existem concessões, várias delas, e os passos que o Windows 8.1 dá para trás a fim de agradar usuários insatisfeitos confirmam essa teoria. É um diferencial de mercado, e um bem curioso, mas como discutia dia desses no Twitter, não é por ser um diferencial que uma decisão de design se torna necessariamente boa para quem importa, ou seja, para mim e para você.

Talvez estejamos em uma era primitiva, em uma equivalente ao que o Android era até 2011, ou à que o próprio Windows foi antes do XP. De repente, com SoCs poderosos em equipamentos leves e confiáveis, daqui a dois, três anos o que o Windows 8 se transformar será a melhor solução para o consumidor médio. Hoje, ele se apresenta como um sistema confuso, tentando conciliar dois universos muito distintos entre si, trazendo mais dor de cabeça do que vantagens para consumidores, de desktops/notebooks e de tablets/telas sensíveis a toques.

Se você tiver grana para um bom ultrabook e um tablet, os dois separados, vá com esse combo. É uma solução bem mais acertada e confortável de usar do que um híbrido desengonçado com Windows. E se nem o Surface, carro-chefe da plataforma feito por quem faz o software, impressiona, o que esperar dos demais?

O Windows 8.1 dá passos firmes na direção certa, resolve várias complicações da versão anterior, mas ainda sofre de decisões de projeto impossíveis de serem mudadas agora. O ritmo anual de atualizações e essas com a promessa da gratuidade formam uma base sólida para que as mudanças necessárias sejam implementadas, mas talvez o problema seja mais profundo, talvez seja irremediável. O futuro pode ser promissor, mas o presente, embora melhor, ainda não convence.

Windows Phone 8 Update 3: preparando terreno para os phablets

A Microsoft oficializou a terceira atualização do Windows Phone 8. Antes conhecida como GDR3 (de “General Distribution Release”), ela agora se chama apenas Update 3 e traz, além de pequenos incrementos para quem já tem um smartphone com o sistema, requisitos mais elevados para futuros lançamentos. O Windows Phone entra na briga dos phablets, os smartphones grandões que se destacam no universo Android.

O anúncio foi feito no blog oficial e pôs fim à sucessão de rumores que precede novas versões de qualquer sistema móvel. O Windows Phone Update 3, embora traga mais novidades que seus dois antecessores, não tem, dentre elas, alguma grandiosa. Diz-se que GDRs são para o Windows Phone o que Service Packs eram para o Windows, e a analogia talvez seja acertada.

Preparando terreno para o Lumia 1520 e outros phablets

Não está na pauta do Manual do Usuário falar de rumores, mas a essa altura do campeonato, e para contextualizar as mudanças mais importantes do Windows Phone 8 Update 3, não tem como deixar de lado o iminente anúncio do Lumia 1520, codinome “Bandit”, que deve ocorrer no evento da Nokia marcado para 22 de outubro. Este deverá ser o primeiro phablet com o sistema da Microsoft do mercado. Para acomodá-lo, o Windows Phone ganhou novos poderes — o post da Microsoft cita “dispositivos com telas de 5 e 6”.

Ele agora aceita resolução Full HD (1920×1080) e adapta tela inicial e apps nativos para esse novo formato. A tela inicial ganha uma terceira coluna de ícones (veja na imagem abaixo) que, como ressaltou Joe Belfiore no Twitter, é exclusiva para aparelhos com tal resolução, e apps nativos são redimensionados para aproveitar o espaço extra.

Telas iniciais do Windows Phone 8 com duas e três colunas.
À esquerda, Windows Phone 8 com duas colunas. À direita, com três, para telas Full HD.
Screenshots: Microsoft/Reprodução.

Por baixo dos panos, agora há suporte ao Snapdragon 800, SoC quad core da Qualcomm que equipa alguns dos smartphones Android mais poderosos do momento, como Galaxy Note 3 e LG G2. Até então, os Windows Phone topos de linha usavam um Snapdragon S4 Pro dual core. Não que fosse preciso — o sistema roda liso até em configurações mais modestas –, mas esse poder extra em processamento deve blindar os novos modelos contra a ação do tempo e dar um gás extra para jogos que fazem uso intensivo de CPU e GPU.

O Update 3 destina-se a todos os smartphones que rodam Windows Phone 8, mas as novidade acima, por motivos óbvios, são restritas a novos aparelhos. Para todos os demais, teremos o que se segue abaixo.

As novidades do Windows Phone 8 Update 3

Modo de direção

Quando o smartphone estiver pareado via Bluetooth com um carro, entrará em ação o modo de direção (“Driving Mode”, no inglês). Há potencial aqui, e talvez ele já seja explorado nessa versão, mas o post da Microsoft limita-se a dizer que o modo de direção foi criado para reduzir distrações.

Por “reduzir distrações”, entenda diminuir a quantidade de notificações na tela de bloqueio e, opcionalmente, pré-programar mensagens que são enviadas a quem tenta ligar ou manda um SMS para o dono do aparelho.

De cara, penso em coisas como pré-programar o player de áudio e o GPS para abrirem automaticamente nesse cenário, mas como dito nada foi informado e é bem provável que esses usos mais elaborados não se materializem nessa atualização.

Novas opções de acessibilidade

O Windows Phone Update 3 traz mais opções de acessibilidade. Segundo a Microsoft, são vários apps, incluindo um leitor de telas, que ajudarão usuários cegos ou com dificuldades de visão a usar melhor o sistema, inclusive com alertas sonoros de notificações tradicionalmente apenas gráficas.

Compartilhamento de Internet

O uso de smartphones com Windows Phone 8 como hotspots foi facilitado. Ao pareá-lo com um dispositivo com Windows 8.1, basta selecionar a rede e a conexão será estabelecida, sem que seja preciso inserir senha ou que se faça qualquer configuração adicional.

Outra coisa legal relacionada a essa área é que, agora, dá para ativar uma conexão Wi-Fi durante a configuração inicial do smartphone. Até então, o usuário não tinha escolha além da rede da operadora.

Ringtones mais flexíveis

Mensagens instantâneas, emails, mensagens de voz e lembretes podem, agora, ser configurados com toques personalizados. Nos contatos, o barulho de notificação para novas mensagens (SMS), também.

Melhorias no gerenciamento de espaço

A Microsoft promete facilitar o gerenciamento de espaço no smartphone com formas mais simples de apagar aquele ocupado por arquivos temporários e um novo modo de visualização que facilita identificar o que está ocupando espaço no aparelho.

Fechar apps facilitado

Para fechar um app, foi inserido um “X” no canto superior direito das miniaturas que surgem ao ativar a multitarefa.

Bloqueio da rotação

Outra da série “antes tarde do que nunca”, agora existe uma opção para travar a orientação da tela — em modo retrato ou paisagem.

Melhorias no Bluetooth

Mais vago que o usual, o post diz que a equipe fez “um punhado de melhorias para melhorar a qualidade da conexão com acessórios Bluetooth”. Suporte à versão 4.0? Bluetooth Low Energy? Ninguém sabe.

Boas novidades, mas serão suficientes para encarar a concorrência?

Todas essas novidades mais visíveis se somam a “centenas de ajustes e melhorias em desempenho” feitas nos bastidores do sistema. O Windows Phone 8 Update 3 chega pouquíssimo tempo depois da atualização GDR2, que habilitou rádio FM em dispositivos compatíveis, trouxe o Data Sense e outras melhorias pontuais.

É bom ver a Microsoft ativa com o Windows Phone, mas a timidez dessas atualizações e o muito provável adiamento do Windows Phone 8.1 sugerem que ainda falta velocidade nesse processo. Muito do que vem sendo feito é trabalho de base: suporte a hardware atualizado e buracos básicos do sistema sendo tapados. Coisas que Google e Apple já fizeram há tempos.

E embora o início da distribuição do Update 3 esteja marcado para “as próximas semanas”, no próprio post em que o anunciou a Microsoft diz que ele “pode se estender por vários meses”. A atualização Amber, da Nokia, que engloba a GDR2, ainda está “esperando por aprovação” em alguns aparelhos e operadoras no Brasil, por exemplo.

Para os mais aventureiros, pelo menos, desta vez existe um atalho para colocar as mãos no Update 3: o caminho dos desenvolvedores.

Windows Phone Preview para desenvolvedores

Junto à oficialização do Windows Phone 8 Update 3, a Microsoft anunciou um novo programa para que desenvolvedores tenham acesso antecipado às versões recém-lançadas do sistema.

O Update 3 não traz novas APIs, mas os apps precisarão de ajustes para ocuparem toda a tela de dispositivos com resolução Full HD, o que por si só já valida esse acesso antecipado. Em futuras versões, quando houver mudanças/novas APIs, isso será ainda mais importantes.

A grande sacada para meros mortais? Embora destinado a desenvolvedores, o programa não é exclusivo a eles. Basta ter um cadastro de desenvolvedor para ser elegível. E com o App Studio, esse cadastro é gratuito — para até um dispositivo, e um que seja “developer-unlocked”; membros do programa convencional, que atualmente custa US$ 19/ano, têm direito a até três dispositivos.

Fazendo esse cadastro, as atualizações do Windows Phone passam a surgir através da Loja, tal qual a do Windows 8/8.1. Existem alguns poréns, levantados pelo WPCentral, que merecem atenção:

  • O programa contempla apenas atualizações oficiais do Windows Phone. Para quem tem um Lumia, por exemplo, as atualizações exclusivas da Nokia, como a Amber que veio junto à GDR2, ficam de fora.
  • Entretanto, quando essa obtida pelo programa da Microsoft estiver disponível por vias oficiais (da fabricante/operadora) para seu aparelho, ele a receberá normalmente.
  • A atualização é uma via de mão única, ou seja, não dá para fazer downgrade (voltar à versão anterior).
  • Ela anula a garantia da fabricante.

O último ponto é o mais grave, mas para quem já está com seu Windows Phone há um bom tempo e tem comichão para conferir as novidades do sistema, pode ser uma boa.

O que ficou para o Windows Phone 8.1

Lumia 1520, em imagem vazada pelo perfil @evleaks.
Suposto Lumia 1520, o primeiro Windows Phone com tela Full HD e SoC quad core. Foto: @evleaks/Twitter.

Questionado por Ina Fried, do AllThingsD, sobre o impacto dessas atualizações menores para a plataforma, Joe Belfiore disse que elas têm sido cruciais para que a Microsoft e seus parceiros avancem em novos mercados e segmentos.

Na prática, significa que quem já tem um Windows Phone, apesar das novidades incrementais, não vê nada realmente novo. O Windows Phone 8 completará um ano no final deste mês e a sua primeira grande atualização, ao que tudo indica, ficará para 2014. A urgência por um grande update aumenta quando colocamos na balança a ausência de recursos básicos já comuns no Android e iOS, como uma central de notificações, e mesmo entre os usuários mais assíduos o descontentamento com a plataforma já se nota.

É uma batalha perdida? Longe disso. O amadurecimento do Windows Phone, embora talvez não esteja no ritmo ideal, vem acontecendo. Novos apps estão surgindo e a compra da Nokia pela Microsoft indica que há um grande comprometimento da empresa com o sistema. Ele talvez não chegue ou demore um tanto para alcançar os concorrentes em recursos e, principalmente, disponibilidade de apps populares, mas quem decidiu apostar em um Windows Phone tem cada vez menos motivos para arrependimento.